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Brasil Abaixo de Zero
Vinicius Lucyrio

O Tempo Antigamente

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1933: Primavera do Leste abaixo de zero?! Em 22 de junho chegou a 1,2 C em Cuiabá e - 2 C em Presidente Murtinho a 54 km de Primavera, em linha reta menos, sentido Barra do Garças, lá é conhecido como a Aldeia Indígena do Sangradouro, fica na reserva indígena, hoje é município de General Carneiro, é bem possível que mínimas negativas tenham ocorrido aonde hoje é o município de Primavera, inclusive aonde está a cidade, na época inexistente, locais aonde hoje é o lago são ainda mais prováveis, há muitas nascentes na cidade com matas de galerias, é um divisor das bacias hidrográficas do Prata e Araguaia-Tocantins, o que é cantado até no hino do município, essa informação sobre o frio eu peguei dum site que depois não achei mais.

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Em 28/09/2019 em 17:02, Leandro Leite disse:

1933: Primavera do Leste abaixo de zero?! Em 22 de junho chegou a 1,2 C em Cuiabá e - 2 C em Presidente Murtinho a 54 km de Primavera, em linha reta menos, sentido Barra do Garças, lá é conhecido como a Aldeia Indígena do Sangradouro, fica na reserva indígena, hoje é município de General Carneiro, é bem possível que mínimas negativas tenham ocorrido aonde hoje é o município de Primavera, inclusive aonde está a cidade, na época inexistente, locais aonde hoje é o lago são ainda mais prováveis, há muitas nascentes na cidade com matas de galerias, é um divisor das bacias hidrográficas do Prata e Araguaia-Tocantins, o que é cantado até no hino do município, essa informação sobre o frio eu peguei dum site que depois não achei mais.

 

Tem uma PWS em General Carneiro que registra mínimas bem menores que Cuiabá com ar seco. 

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Em 09/10/2019 em 18:08, LuluBros disse:

 

Tem uma PWS em General Carneiro que registra mínimas bem menores que Cuiabá com ar seco. 

É a Fazenda Sol Vermelho, bem próxima de onde registrou temperatura negativa em 1933, em julho a mínima lá foi de 5,6 C no dia 7, menor que várias regiões da área urbana de São Paulo ❄️https://www.wunderground.com/dashboard/pws/IGENERAL34/graph/2019-07-7/2019-07-7/daily

Edited by Leandro Leite
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Em 26/10/2019 em 11:48, Leandro Leite disse:

É a Fazenda Sol Vermelho, bem próxima de onde registrou temperatura negativa em 1933, em julho a mínima lá foi de 5,6 C no dia 7, menor que várias regiões da área urbana de São Paulo ❄️https://www.wunderground.com/dashboard/pws/IGENERAL34/graph/2019-08-3/2019-08-3/daily

 

Até Goiânia teve mínima menor que boa parte da área urbana de Sampa! :)

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6 horas atrás, LuluBros disse:

 

Até Goiânia teve mínima menor que boa parte da área urbana de Sampa! :)

A automática sim, baixou de 6 C, o aeroporto deu 7 C,  agora não a convencional que fica numa ilha de calor, essa não baixou de 9 C, já que o tópico aqui é o tempo antigamente, tal como Cuiabá, Goiânia também  teve 1 C nos anos 30, parece que foi em 1938, perto dos 5 anos de fundação e logo que foi elevada à capital de Goiás, mas uma vez eu vi comentarem na internet que em 2000 teve 0 C em áreas rurais de Goiânia e Região Metropolitana, naquele ano teve 4 C na convencional com máxima de 30 C, que já era uma verdadeira ilha de calor, pois a cidade  passou de  1 milhão de habitantes há mais de 20 anos. 

Edited by Leandro Leite
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Como já foi comentado por um colega (acho que o Darley), Porto Alegre é uma das capitais com menor probabilidade de registrar grandes volumes de chuva em um mês (tem a menor incidência de meses com mais de 300 mm dentre as capitais, sendo a rival mais próxima Campo Grande talvez), mas 1941 foi uma exceção.  Hoje trago o ano mais chuvoso e o mais seco da história de Porto Alegre (de 1910 até 1949, creio que os recordes não foram superados desde então).  O ano mais chuvoso foi 1941 (inclui o mês mais chuvoso, maio, e o também muito chuvoso abril), e o mais seco 1917.

 

1917:

J: 35,2 mm

F: 72,6 mm

M: 108,1 mm

A: 32 mm

M: 41,2 mm

J: 25,9 mm

J: 13,7 mm

A: 85,9 mm

S: 139 mm

O: 22,1 mm

N: 14,8 mm

D; 59,3 mm

 

Ano: 649,8 mm

 

1941:

J: 174,5 mm

F: 142 mm

M: 95,7 mm

A: 386,7 mm

M: 408,5 mm

J: 130,3 mm

J: 167 mm

A: 204,1 mm

S: 70,9 mm
O: 69,7 mm

N: 165,7 mm

D; 103,7 mm

 

Ano: 2118,8 mm

 

 

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Em 14/08/2019 em 00:19, marinhonani disse:

Wallace Rezende,

o recorde em Macaé da mínima absoluta é de julho 1926, com 4,2 no dia 20.Em  Viçosa marcou -0,8 dia 19/7/1926.Na estação de Resende foi 0,0 dia 18 de julho.

Essa mínima de Barra do Itabapoana, deve ter sido no dia 20 igual Macaé.

Teve outras mínima baixas em Barra do Itabapoana

4,4 dia 23/6/1933(teve duas ondas de frio forte no Rio nesse junho)

4,2 dia 06/08/1933(duas ondas de frio forte nesse agosto) 0,2 dia 18 em Nova Friburgo

 

Em Campos do Jordão, parece que a mínima de junho de 1918, foi de -7,3.

O recorde de mínima absoluta em Campos do Jordão foi de -8,0 dia 25/7/1923,dois dias antes Curitiba marcou -6,2 dia 23.

 

image.thumb.png.af4c129be0105f1a2af2549797c0ac85.png

 

Tenho alguns dados dessa onda de frio de junho/1933. Em Curitiba produziu um 0ºC/5ºC com neve fraca.

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8 horas atrás, stankevecz1 disse:

 

image.thumb.png.af4c129be0105f1a2af2549797c0ac85.png

 

Tenho alguns dados dessa onda de frio de junho/1933. Em Curitiba produziu um 0ºC/5ºC com neve fraca.

Fez muito frio no Sudeste e Centro-oeste nos dias 22 e 23, pena que caiu sábado e domingo, não tinha o diário oficial.

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Página do Annuário Estatístico do Estado de São Paulo de 1940 (os dados são de 1939)

 

Meses (legenda) = I = Janeiro; V=Maio e X=Outubro

 

Observação: três registros de geada ou mais em Agudos (julho, agosto) e um registro ou mais (julho) em Botucatu

0055.jpg

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Mais uma página do mesmo "Annuário Estatístico do Estado de São Paulo de 1940" (os dados são de 1939)

 

Meses (legenda) = I = Janeiro; V=Maio e X=Outubro

 

Obs: infelizmente a média de Cananeia está imcompleta, mas pode reparar que os dados de Iguape são semelhantes. Curioso o registro de 5,8°C de 24 de Julho.

 

Duas ondas de frio, uma em julho e outra no começo de agosto em Itapetininga. Deve ter tido uns 4,5 dias seguidos de geada.

 

Aos poucos vou colocando as outras cidades

 

0056.jpg

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1 hora atrás, Sopron disse:

Mais uma página do mesmo "Annuário Estatístico do Estado de São Paulo de 1940" (os dados são de 1939)

 

Meses (legenda) = I = Janeiro; V=Maio e X=Outubro

 

Obs: infelizmente a média de Cananeia está imcompleta, mas pode reparar que os dados de Iguape são semelhantes. Curioso o registro de 5,8°C de 24 de Julho.

 

Duas ondas de frio, uma em julho e outra no começo de agosto em Itapetininga. Deve ter tido uns 4,5 dias seguidos de geada.

 

Aos poucos vou colocando as outras cidades

 

0056.jpg

Sopron,

será que no Anuário de 1943 tem os dados de 1942, muito frio em junho e julho, umas 4 ondas de frio na soma dos 2 meses.

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2 horas atrás, marinhonani disse:

Sopron,

será que no Anuário de 1943 tem os dados de 1942, muito frio em junho e julho, umas 4 ondas de frio na soma dos 2 meses.

Creio que sim. Mas pelo que vi, são apenas resumos, eles colocam apenas os dias mais quentes e frios de cada mês. Infelizmente não são todos os arquivos disponíveis, boa parte está rasurada, com borrões, a visualização é péssima. Porém com esses dados, dá para perceber que no estado de São Paulo (segunda quinzena de julho e nos primeiros 10 dias de agosto), houve duas ondas de frio excelentes que podem ter ocasionado bastante frio também no Rio de Janeiro e no sul de Minas.

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Outra página do mesmo "Annuário Estatístico do Estado de São Paulo de 1940" (os dados são de 1939)

 

Meses (legenda) = I = Janeiro; V=Maio e X=Outubro

 

Muitos dados interessantes: em Itu um registro de sub 5 no dia 30 de Julho. Em novembro, a média das máximas girou em torno de 36°C. Curiosamente em outubro já no final do mês registou no dia 28, máxima de 38,7°C

 

Em Pinhal (Espírito Santo do Pinhal) a média das máximas sempre abaixo de 30°C. Mês de agosto com alguns registros interessantes de 3,5°C nos dias 1 e 24

 

Piracicaba está incompleta. Porém no dia 24 de Julho (2,0°C) e 1° de Agosto(3,0°C), pode ter ocorrido geada fraca. Mais um motivo para crer numa onda de frio na época. 

 

São Carlos também com temperaturas agradáveis A média das mínimas nunca ultrapassa os 16°C. Sem dúvida, deve ter registrado geada em  junho (dia 13, 1°C), julho (dia ?) e agosto (dia 1, 2,8°C) .

 

Me chamou a atenção o dia 1° de Agosto de 1939, deve ter sido  registrado em algumas cidades os dias mais frios, sempre abaixo ou próximo de 5°C.

 

0057.jpg

Edited by Sopron
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Outra página do mesmo "Annuário Estatístico do Estado de São Paulo de 1940" (os dados são de 1939)

 

Meses (legenda) = I = Janeiro; V=Maio e X=Outubro

 

Os dados sobre a capital vou deixar para vocês mesmos observarem. Essa sim, a terra da garoa na sua essência.

 

Já os dados sobre Taubaté e Ubatuba são bem interessantes. Parece que no dia 1 de Agosto uma onda frio atingiu em cheio todas regiões e no Vale do Paraíba não foi diferente. As mínimas também ao longo do ano são bem menos que nos dias atuais, em Ubatuba no dia 28 de novembro registro 13,8°C, a menor para o mês.

 

Em Tatuí, está incompleta, mas dá para ter uma noção.

 

 

0058.jpg

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1 hora atrás, Sopron disse:

Outra página do mesmo "Annuário Estatístico do Estado de São Paulo de 1940" (os dados são de 1939)

 

Meses (legenda) = I = Janeiro; V=Maio e X=Outubro

 

Os dados sobre a capital vou deixar para vocês mesmos observarem. Essa sim, a terra da garoa na sua essência.

 

Já os dados sobre Taubaté e Ubatuba são bem interessantes. Parece que no dia 1 de Agosto uma onda frio atingiu em cheio todas regiões e no Vale do Paraíba não foi diferente. As mínimas também ao longo do ano são bem menos que nos dias atuais, em Ubatuba no dia 28 de novembro registro 13,8°C, a menor para o mês.

 

Em Tatuí, está incompleta, mas dá para ter uma noção.

 

 

0058.jpg

Taubaté já registrou 0,0ºC em 26 junho de 1918 e 1,5ºC em 19/8/1902.Quando o Inmet disponibilizar os dados completos de Taubaté, vai mostrar muita mínima abaixo de 3,0.Não sei se digitalizaram os dados completos da época(estação começou em 1894, que pertencia ao Serviço Meteorológico Estadual de SP.

 

Ubatuba já registrou muita mínima abaixo de 7,0 em massa polares fortes ao longo do funcionamento da estação, acho que fechou tem uns 10 anos, pena que o Inmet não achou um lugar seguro para colocar uma automática.

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52 minutos atrás, marinhonani disse:

Taubaté já registrou 0,0ºC em 26 junho de 1918 e 1,5ºC em 19/8/1902.Quando o Inmet disponibilizar os dados completos de Taubaté, vai mostrar muita mínima abaixo de 3,0.Não sei se digitalizaram os dados completos da época(estação começou em 1894, que pertencia ao Serviço Meteorológico Estadual de SP.

 

Ubatuba já registrou muita mínima abaixo de 7,0 em massa polares fortes ao longo do funcionamento da estação, acho que fechou tem uns 10 anos, pena que o Inmet não achou um lugar seguro para colocar uma automática.

Sim. Tem muita informação nesses arquivos antigos. Tentei achar algo daqui de Marília ou cidades próximas, mas são pouquíssimas informações. Talvez porque as cidades ainda eram bem recentes na época. Mas de Taubaté, Ubatuba tem muita coisa

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2 horas atrás, marinhonani disse:

Taubaté já registrou 0,0ºC em 26 junho de 1918 e 1,5ºC em 19/8/1902.Quando o Inmet disponibilizar os dados completos de Taubaté, vai mostrar muita mínima abaixo de 3,0.Não sei se digitalizaram os dados completos da época(estação começou em 1894, que pertencia ao Serviço Meteorológico Estadual de SP.

 

Ubatuba já registrou muita mínima abaixo de 7,0 em massa polares fortes ao longo do funcionamento da estação, acho que fechou tem uns 10 anos, pena que o Inmet não achou um lugar seguro para colocar uma automática.

 

Ubatuba tem mínima de 3,x° depois de 1961.

Não lembro o ano.

 

A estação de Santos, que ficava num terraço, no prédio do Entreposto de Pesca, "quase dentro da água", ao lado do Estuário, registrou 4,3°C em 02/08/1955.

Inclusive há relatos de geada em áreas mais afastadas da cidade, naquele evento.

 

Edited by Aldo Santos
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Fernão Cardim, jesuíta, em meados de 1600, escreveu o seguinte sobre o clima do Brasil:

 

"O clima do Brasil geralmente he de bons, delicados e salutíferos ares, donde homens vivem até noventa, cento e mais annos; geralmente não tem frios, nem calores, ainda que no Rio de Janeiro até São Vicente há frios e calores, mas não muito grandes. Os céus são muito puros e claros, principalmente à noite. O inverno começa em março e acaba em agosto, o verão começa em setembro e acaba em fevereiro."

Ainda sobre o Rio:

"O inverno se parece com a primavera de Portugal: tem uns dias formosissimos tão aprazíveis e salutiferos que parece os corpos bebendo vida."

Sobre a atual região de São Paulo (na época Vila de Piratininga) Eu também dei uma adaptada no texto.

"É um clima como muito sadio, no inverno o clima é muito frio, com a ocorrência de geadas e dias muito límpidos. Terras são muito férteis, onde há grandes pinheiros, cujas pinhas são maiores do que as de Portugal e são tão abundantes, que há índios que se alimentam quase exclusivamente delas, e ainda que se planta muito trigo e cevada"

 

Sobre uma grande seca em Pernambuco em 1583:

"Houve tão grande seca (em 1583) que os engenhos d’agua não moeram muito tempo. Houve grande fome, principalmente no sertão de Pernambuco, pelo que desceram do sertão apertados pela fome socorrendo-se aos brancos, quatro ou cinco mil índios. Porém passado aquele trabalho da fome, os que puderam se tornaram ao sertão, excepto os que ficaram em casa dos brancos ou por sua, ou sem sua vontade."

 

Pero Vaz de Caminha em sua carta(se refere a meados de abril de 1500)

"até agora não pudemos saber que há ouro, nem prata, nem nenhuma cousa de metal, nem de ferro, nem lho vimos. Porém, a terra em si é de muitos bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo de agora os achamos como os de lá"

 

Hans Staden, sobre sua estadia no Brasil entre 1553 e 1554 (eu cheguei a ler este o livro dele, também há partes mais específicas sobre certos locais, e até uma parte que fala sobre a Serra Catarinense)

o país do Brasil está em parte entre os dois trópicos [...] a gente anda nua e em estação nenhuma do ano faz tanto frio como aqui em Michaelis, mas a parte da terra mais ao sul do Capricórnio é um pouco mais fria"

 

Gabriel de Souza, sobre a Bahia no ano de 1587:

"Os dias em todo o ano são quase iguais com as noites e a diferença que tem os dias de verão e os do inverno é uma hora até hora e meia. Começa-se o inverno desta província no mês de abril e acaba-se por todo o julho, em o qual tempo não faz frio que obrigue aos homens se chegarem ao fogo, senão o gentio, por que andam despidos. Nesta comarca da Bahia, em rompendo a luz da manhã, nasce com ela juntamente o Sol, assim no inverno como no verão. E em se recolhendo o Sol à tarde, escurece juntamente o dia e cerra-se à noite. Começa o verão em agosto, durando até o mês de março, no qual tempo reinam os ventos nordeste e leste-nordeste e correm as águas na costa ao som dos ventos da parte norte para o sul, pela qual razão se não navega ao longo desta costa senão com as monções ordinárias"

 

Claude Abbeville em 1612 sobre o clima de São Luís:

"Passando o sol continuamente sobre essa zona tórrida, de um trópico a outro, como em sua morada eterna ou magnífico palácio contempla seus súditos diretamente e de frente, e seus raios sendo perpendiculares e ortogonos, e a reverberação dos mesmos intensos, deve o calor ser extremado a ponto de terem pensado autores acatados (e ainda o pensarem) que somente com grandes dificuldades pode o homem adaptar-se. Mas por merce de Deus, observa-se o contrário na Ilha do Maranhão e terras adjacentes do Brasil, situadas precisamente sob a zona tórrida, a dois e meio graus do Equador, onde passando o sol duas vezes pelo seu zênite, seria de fato o calor insuportável não fosse a incomensurável providência divina atenuar e temperar tal ardor por meios muitas vêzes maravilhosos." (na época se acreditava que o clima perto do trópico seria insuportável de quente, e por não ser, diziam que era algum efeito divino)

 

Fonte

 

No final ainda há uma parte falando sobre o clima de Pernambuco, na época das invasões holandesas, mas por ser muito longo, decidi não colocar no post.

Edited by Felipe S Monteiro
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15 horas atrás, Felipe S Monteiro disse:

Fernão Cardim, jesuíta, em meados de 1600, escreveu o seguinte sobre o clima do Brasil:

 

"O clima do Brasil geralmente he de bons, delicados e salutíferos ares, donde homens vivem até noventa, cento e mais annos; geralmente não tem frios, nem calores, ainda que no Rio de Janeiro até São Vicente há frios e calores, mas não muito grandes. Os céus são muito puros e claros, principalmente à noite. O inverno começa em março e acaba em agosto, o verão começa em setembro e acaba em fevereiro."

Ainda sobre o Rio:

"O inverno se parece com a primavera de Portugal: tem uns dias formosissimos tão aprazíveis e salutiferos que parece os corpos bebendo vida."

Sobre a atual região de São Paulo (na época Vila de Piratininga) Eu também dei uma adaptada no texto.

"É um clima como muito sadio, no inverno o clima é muito frio, com a ocorrência de geadas e dias muito límpidos. Terras são muito férteis, onde há grandes pinheiros, cujas pinhas são maiores do que as de Portugal e são tão abundantes, que há índios que se alimentam quase exclusivamente delas, e ainda que se planta muito trigo e cevada"

 

Sobre uma grande seca em Pernambuco em 1583:

"Houve tão grande seca (em 1583) que os engenhos d’agua não moeram muito tempo. Houve grande fome, principalmente no sertão de Pernambuco, pelo que desceram do sertão apertados pela fome socorrendo-se aos brancos, quatro ou cinco mil índios. Porém passado aquele trabalho da fome, os que puderam se tornaram ao sertão, excepto os que ficaram em casa dos brancos ou por sua, ou sem sua vontade."

 

Pero Vaz de Caminha em sua carta(se refere a meados de abril de 1500)

"até agora não pudemos saber que há ouro, nem prata, nem nenhuma cousa de metal, nem de ferro, nem lho vimos. Porém, a terra em si é de muitos bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo de agora os achamos como os de lá"

 

Hans Staden, sobre sua estadia no Brasil entre 1553 e 1554 (eu cheguei a ler este o livro dele, também há partes mais específicas sobre certos locais, e até uma parte que fala sobre a Serra Catarinense)

o país do Brasil está em parte entre os dois trópicos [...] a gente anda nua e em estação nenhuma do ano faz tanto frio como aqui em Michaelis, mas a parte da terra mais ao sul do Capricórnio é um pouco mais fria"

 

Gabriel de Souza, sobre a Bahia no ano de 1587:

"Os dias em todo o ano são quase iguais com as noites e a diferença que tem os dias de verão e os do inverno é uma hora até hora e meia. Começa-se o inverno desta província no mês de abril e acaba-se por todo o julho, em o qual tempo não faz frio que obrigue aos homens se chegarem ao fogo, senão o gentio, por que andam despidos. Nesta comarca da Bahia, em rompendo a luz da manhã, nasce com ela juntamente o Sol, assim no inverno como no verão. E em se recolhendo o Sol à tarde, escurece juntamente o dia e cerra-se à noite. Começa o verão em agosto, durando até o mês de março, no qual tempo reinam os ventos nordeste e leste-nordeste e correm as águas na costa ao som dos ventos da parte norte para o sul, pela qual razão se não navega ao longo desta costa senão com as monções ordinárias"

 

Claude Abbeville em 1612 sobre o clima de São Luís:

"Passando o sol continuamente sobre essa zona tórrida, de um trópico a outro, como em sua morada eterna ou magnífico palácio contempla seus súditos diretamente e de frente, e seus raios sendo perpendiculares e ortogonos, e a reverberação dos mesmos intensos, deve o calor ser extremado a ponto de terem pensado autores acatados (e ainda o pensarem) que somente com grandes dificuldades pode o homem adaptar-se. Mas por merce de Deus, observa-se o contrário na Ilha do Maranhão e terras adjacentes do Brasil, situadas precisamente sob a zona tórrida, a dois e meio graus do Equador, onde passando o sol duas vezes pelo seu zênite, seria de fato o calor insuportável não fosse a incomensurável providência divina atenuar e temperar tal ardor por meios muitas vêzes maravilhosos." (na época se acreditava que o clima perto do trópico seria insuportável de quente, e por não ser, diziam que era algum efeito divino)

 

Fonte

 

No final ainda há uma parte falando sobre o clima de Pernambuco, na época das invasões holandesas, mas por ser muito longo, decidi não colocar no post.

A araucária é majestosa e muito útil,produz uma grande quantidade de ouriços, que têm uma grande quantidade de sementes, um alimento bem rico e saudável.

Minha irmã que mora no distrito de Lumiar/Nova Friburgo, todo ano traz sementes de araucária para fazermos cozida.

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Tô viajando no banco de dados do inmet, pelo menos nisso a atualização foi boa, tá bem melhor que antes pra visualizar! tô vendo Agosto de 75, o ano da fatídica onda de frio, e naquele mês não teve uma única tarde sub-20 em São Paulo. Isso é pra quem acha que no passado eram só flores...

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5 horas atrás, Wagner97 disse:

Tô viajando no banco de dados do inmet, pelo menos nisso a atualização foi boa, tá bem melhor que antes pra visualizar! tô vendo Agosto de 75, o ano da fatídica onda de frio, e naquele mês não teve uma única tarde sub-20 em São Paulo. Isso é pra quem acha que no passado eram só flores...

 

O ano de 1975 engana. :D

Foi um inverno sem quase nenhum destaque pra época.

Houve uma massa polar forte no início de julho, que inclusive provocou 5,4°C em Belo Horizonte.

E, depois, a massa polar histórica.

Praticamente só isso.

Tanto que, em termos de temperatura média, os invernos de 1974 e 1976 foram bem mais frios do que o de 1975 aqui em Sampa, apenas não tiveram uma MP histórica.

 

Havia invernos com pouco frio no passado sim, sempre houve.

Aliás, praticamente tudo que acontece em termos de tempo hoje, já aconteceu no passado.

A grande diferença é que, antigamente, isso era exceção.

 

Um inverno com pouco frio ocorria com muito pouca frequência e, por isso, era visto até com algum espanto pelas pessoas comuns.

Hoje em dia, virou regra, ficou frequente.

Essa é a grande diferença em relação ao passado.

 

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37 minutos atrás, Aldo Santos disse:

 

O ano de 1975 engana. :D

Foi um inverno sem quase nenhum destaque pra época.

Houve uma massa polar forte no início de julho, que inclusive provocou 5,4°C em Belo Horizonte.

E, depois, a massa polar histórica.

Praticamente só isso.

Tanto que, em termos de temperatura média, os invernos de 1974 e 1976 foram bem mais frios do que o de 1975 aqui em Sampa, apenas não tiveram uma MP histórica.

 

Havia invernos com pouco frio no passado sim, sempre houve.

Aliás, praticamente tudo que acontece em termos de tempo hoje, já aconteceu no passado.

A grande diferença é que, antigamente, isso era exceção.

 

Um inverno com pouco frio ocorria com muito pouca frequência e, por isso, era visto até com algum espanto pelas pessoas comuns.

Hoje em dia, virou regra, ficou frequente.

Essa é a grande diferença em relação ao passado.

 

Sim, estava vendo que 76 teve um inverno muito bom, frio e chuvas acima da média de maio à setembro! 1977, em compensação, foi pífio, sendo que julho teve médias de 14ºC à 25ºC, pior que julho desse ano.

Edited by Wagner97
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Há uma série de dados da estação convencional do INMET em Garanhuns que vai de 01/1938 até 10/1942. Eu não faço ideia de onde ficava localizada essa estação, embora hoje ela esteja na Universidade Federal do Agreste de Pernambuco. Eu peguei desses quase 5 anos de observação e formatei.

 

image.thumb.png.5755d1544d94f8d4936fd88789d8846b.png

 

Dados da Automática atual

 

image.thumb.png.9cd92ecccb67756ff1fd77f8a5264bf6.png

 

Essa diferença nos dados pode se dar por diversos motivos. Diferentes equipamentos, diferentes localizações, mudanças no microclima, quantidade de dados (~5 anos de dados antigos, quando os atuais tem quase ~12 anos), urbanização, etc.

 

Edit: acredito ter encontrado as coordenadas de onde a convencional antiga ficava. Ela se localizava na colina do Magano, há 984 metros de altitude nas coordenadas -8.88, -36.52. Enquanto isso, a atual convencional fica há 827 metros, cerca de 150 metros a menos do que a antiga convencional. Isso talvez ajude a explicar a diferença nas temperaturas, além da evidente urbanização. 

 

 

Edited by Samihr Hermes
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Realmente foi um dia interessante esse 22 de junho de 1933

Encontrei o exemplar do Jornal A Noite do Rio de Janeiro http://memoria.bn.br/pdf/348970/per348970_1933_07749.pdf e a edição desse dia já na primeira página trazia notícias de -4° em Lagoa Vermelha/RS e forte vendaval no Rio

Na página 4 trazia informação da morte de 37 pessoas por onda de calor nos EUA, na Pensilvânia e Ohio. Na mesma página, o boletim do tempo dizia que a temperatura no Rio variou de 12° a 19° naquele dia

 

Porém o que me chamou a atenção foi essa nota na página 6

image.png.e190441596aba8ac732bf1c91d3d8fec.png

 

Uma geada que não se via há mais de 20 anos em Queluz de Minas, que se elevou a considerável altura do solo!

A cidade de Queluz de Minas é uma das mais antigas do estado e existiu até 1934 quando teve seu nome alterado. Nesse mesmo jornal no ano seguinte encontrei várias reportagens falando sobre a população à época revoltada com a mudança. Era realmente um nome muito bonito. Atualmente existe o Bairro Queluz, a Praça Barão de Queluz, a Rádio Queluz, o Jornal Folha de Queluz e várias lojas com Queluz no nome. Já a cidade, que foi palco dessa grande geada em 1933, que se elevou a considerável altura do solo, atende hoje pelo nome de Conselheiro Lafaiete

 

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16 horas atrás, Enio Rezende disse:

 Uma geada que não se via há mais de 20 anos em Queluz de Minas, que se elevou a considerável altura do solo!

A cidade de Queluz de Minas é uma das mais antigas do estado e existiu até 1934 quando teve seu nome alterado. Nesse mesmo jornal no ano seguinte encontrei várias reportagens falando sobre a população à época revoltada com a mudança. Era realmente um nome muito bonito. Atualmente existe o Bairro Queluz, a Praça Barão de Queluz, a Rádio Queluz, o Jornal Folha de Queluz e várias lojas com Queluz no nome. Já a cidade, que foi palco dessa grande geada em 1933, que se elevou a considerável altura do solo, atende hoje pelo nome de Conselheiro Lafaiete

 

 

Por falar em nomes antigos e mudanças de nome, a cidade de Faxina, no estado de São Paulo, que aparece em muitas listas antigas de temperatura (Inclusive no recorte do Diário Oficial postado acima) , é a atual Itapeva, no SO do estado.

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23 horas atrás, Enio Rezende disse:

Realmente foi um dia interessante esse 22 de junho de 1933

Encontrei o exemplar do Jornal A Noite do Rio de Janeiro http://memoria.bn.br/pdf/348970/per348970_1933_07749.pdf e a edição desse dia já na primeira página trazia notícias de -4° em Lagoa Vermelha/RS e forte vendaval no Rio

Na página 4 trazia informação da morte de 37 pessoas por onda de calor nos EUA, na Pensilvânia e Ohio. Na mesma página, o boletim do tempo dizia que a temperatura no Rio variou de 12° a 19° naquele dia

 

Porém o que me chamou a atenção foi essa nota na página 6

image.png.e190441596aba8ac732bf1c91d3d8fec.png

 

Uma geada que não se via há mais de 20 anos em Queluz de Minas, que se elevou a considerável altura do solo!

A cidade de Queluz de Minas é uma das mais antigas do estado e existiu até 1934 quando teve seu nome alterado. Nesse mesmo jornal no ano seguinte encontrei várias reportagens falando sobre a população à época revoltada com a mudança. Era realmente um nome muito bonito. Atualmente existe o Bairro Queluz, a Praça Barão de Queluz, a Rádio Queluz, o Jornal Folha de Queluz e várias lojas com Queluz no nome. Já a cidade, que foi palco dessa grande geada em 1933, que se elevou a considerável altura do solo, atende hoje pelo nome de Conselheiro Lafaiete

 

Enio Rezende,

nesse dia 22/06/1933, a convencional de Patos de Minas, registrou -2,4ºC, a mínima absoluta da estação, desde a instalação em 1924 até o ano de 1990(dados do distrito do INMET em BH).Uma grande área de Minas, registrou geada nesse dia, acredito que todo centro-sul de Minas, e grande parte da Zona da Mata.

Aqui no estado do Rio, teve frio forte até no litoral norte.

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17 horas atrás, marinhonani disse:

Enio Rezende,

nesse dia 22/06/1933, a convencional de Patos de Minas, registrou -2,4ºC, a mínima absoluta da estação, desde a instalação em 1924 até o ano de 1990(dados do distrito do INMET em BH).Uma grande área de Minas, registrou geada nesse dia, acredito que todo centro-sul de Minas, e grande parte da Zona da Mata.

Aqui no estado do Rio, teve frio forte até no litoral norte.

Minha nonna vivia em Poços de Caldas na infância e adolescência. Ela se lembrava de dias de muito frio, onde os canos de água congelavam. A praça dos Macacos, no centro do cidade, em algum ano do final dos 30 ou começo de 40, a praça ficou coberta de gelo e as pontas das árvores congeladas. Ela ainda dizia que no colégio São Domingos (objetivo atualmente), em dias de muito frio os alunos iam ao largo da escola tomar banho de sol para aquecerem as mãos. Acredito que tenha feito frio como 1979, 1981, 1994 em alguns relatos dela, coisa de -4°C no centro (topo), e até uns -7/-8°C em baixadas. 

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Estudando a História de São Bento do Sul me deparei com uma página no Facebook (https://www.facebook.com/groups/319470854767062/) e um blog de um historiador chamado Henrique Fendrich (https://saobentonopassado.wordpress.com/2014/05/10/neve-e-muito-frio-em-sao-bento/). Nesses endereços encontrei relatos fascinantes:

 

"Os anos da neve em São Bento (que eu saiba): 1876, 1892, 1905, 1937, 1975, 1984, 2013 e 2020 (sim, oficialmente nevou).
Em 1928, houve a maior neve conhecida de Curitiba (maior que a de 1975), e pode ser que tenha caído um tanto em São Bento do Sul.
O relato da primeira neve, conforme o jornal Kolonie Zeitung, reproduzido no livro "Chronica de São Bento" do Wolfgang Ammon (1923), diz o seguinte:
"Kol. Ztg. de 26 de agosto de 1876 - No dia 17 d. c. nevou e granizou fortemente em S. Bento durante 2 horas. D'aqui de Joinville podia-se ver a serra coberta de neve. Para nós um phenomeno completamente novo. Para os novos immigrantes, a nevada foi uma surpreza agradavel que os fez mais ainda estimar a nova patria. Os colonos fizeram bonecos de neve. Houve batalhas de bolas de neve. As dez horas mais ou menos as camadas de neve nos telhados e nas arvores estavam derretidas. A "Estrada das Neves" e o "Monte das Neves", onde se trabalhava nesse dia, receberam então os seus nomes".
Registre-se que, até então, a Estrada das Neves era conhecida como "Caminho de Blumenau".
Sobre a segunda neve, em 1892, Ammon só registrou isso:
"Em 12 de Julho a colonia de S. Bento teve a segunda nevada desde a sua creação".
Sobre a de 1905, nada é dito. Mas dessa temos foto.
 
"São Bento na manhã de 15 de junho de 1905 coberto de neve"
 
1905.jpg.ef5688958dcd8692dfdd9bd5d0adf7a8.jpg
 
Temos ainda um relato do Jornal Tribuna da Serra sobre a neve de 1975:
 
1459185635_tribunaserra75.jpg.324be63dc0d3563451eb30ef69affdb3.jpg
 
ts75.jpg.ae2fb5c108663c03c7be4ca7996dc256.jpg
 
O Jornal ressalta que em Campo Alegre a intensidade da neve de 1975 foi maior.
A neve do ano passado foi bem fraca. Em algumas regiões, chuva congelada (como no meu local de trabalho), mas lembro de minha falecida sogra extasiada me mandando mensagem ás 14h00m dizendo que estavam caindo flocos em nossa casa.
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Estou lendo uma publicação do prof. João Sant'anna Neto (UFSC) sobre a "História da Climatologia no Brasil" e ele destaca algumas passagens relatadas pelo francês Saint Hillaire em sua viagem pelo centro-sul do Brasil entre 1816 e 1822 que achei interessante compartilhar neste tópico.

 

Em uma delas ele menciona sobre a viagem de Hilaire (Sant'anna, 2004, p.47): "Em sua viagem da província de São Paulo ao Rio Grande do Sul entre 1820 e 1821, comenta que de julho até setembro, o inverno foi rigorosíssimo, quando as temperaturas estiveram abaixo de zero grau por vários dias. As geadas ocorriam quase todas as noites, e o volume de gelo era tal que a população juntava para fazer sorvete".

 

Em outro trecho, ainda sobre Hilaire (Sant'anna, 2004, p.45): "É muito interessante seu comentário sobre os picos mais altos da região serrana entre São Paulo e o Rio de Janeiro, pois afirma que se podia observar uma capa branca de neve, nos meses de inverno, que poderia substituir as importações de gelo de Portugal".

 

As nevascas na Mantiqueira naquela época, certamente, eram mais comuns, ao contrário de hoje que raramente ocorrem.

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21 hours ago, Luiz Henrique. said:

Estou lendo uma publicação do prof. João Sant'anna Neto (UFSC) sobre a "História da Climatologia no Brasil" e ele destaca algumas passagens relatadas pelo francês Saint Hillaire em sua viagem pelo centro-sul do Brasil entre 1816 e 1822 que achei interessante compartilhar neste tópico.

 

 

Em uma delas ele menciona sobre a viagem de Hilaire (Sant'anna, 2004, p.47): "Em sua viagem da província de São Paulo ao Rio Grande do Sul entre 1820 e 1821, comenta que de julho até setembro, o inverno foi rigorosíssimo, quando as temperaturas estiveram abaixo de zero grau por vários dias. As geadas ocorriam quase todas as noites, e o volume de gelo era tal que a população juntava para fazer sorvete".

 

 

Em outro trecho, ainda sobre Hilaire (Sant'anna, 2004, p.45): "É muito interessante seu comentário sobre os picos mais altos da região serrana entre São Paulo e o Rio de Janeiro, pois afirma que se podia observar uma capa branca de neve, nos meses de inverno, que poderia substituir as importações de gelo de Portugal".

 

 

As nevascas na Mantiqueira naquela época, certamente, eram mais comuns, ao contrário de hoje que raramente ocorrem.

 

 

Neste período também ocorreu o que é chamado de Mínimo de Dalton. Talvez tenha alguma coisa a ver (mas não sou especialista).

 

https://en.wikipedia.org/wiki/Dalton_Minimum

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Posted (edited)
19 minutos atrás, Samihr Hermes disse:

 

Neste período também ocorreu o que é chamado de Mínimo de Dalton. Talvez tenha alguma coisa a ver (mas não sou especialista).

 

https://en.wikipedia.org/wiki/Dalton_Minimum

Foi nessa época que ocorreu o ano sem verão no hemisfério norte, que foi 1816, e os efeitos do resfriamento, provocado também por erupções vulcânicas, foram sentidos no Brasil, em 1819 ocorreu geada em janeiro num engenho onde hoje é Jaraguá/Goiás, 100 km ao norte de Goiânia, e no mesmo ano uma expedição formada por europeus, encomendada por um monarca, passou frio devido às sucessivas geadas que ocorreram até no atual Tocantins, conta-se que um deles, austríaco, achou o frio de noite insuportável. 

Edited by Leandro Leite
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Posted (edited)
4 horas atrás, Leandro Leite disse:

Foi nessa época que ocorreu o ano sem verão no hemisfério norte, que foi 1816, e os efeitos do resfriamento, provocado também por erupções vulcânicas, foram sentidos no Brasil, em 1819 ocorreu geada em janeiro num engenho onde hoje é Jaraguá/Goiás, 100 km ao norte de Goiânia, e no mesmo ano uma expedição formada por europeus, encomendada por um monarca, passou frio devido às sucessivas geadas que ocorreram até no atual Tocantins, conta-se que um deles, austríaco, achou o frio de noite insuportável. 

 

Aqui tem um artigo interessante (Em inglês) sobre o ano sem verão na costa leste dos EUA:

www.islandnet.com/~see/weather/history/1816.htm

 

Edited by Aldo Santos
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Em 29/03/2021 em 14:36, Luiz Henrique. disse:

Estou lendo uma publicação do prof. João Sant'anna Neto (UFSC) sobre a "História da Climatologia no Brasil" e ele destaca algumas passagens relatadas pelo francês Saint Hillaire em sua viagem pelo centro-sul do Brasil entre 1816 e 1822 que achei interessante compartilhar neste tópico.

 

 

Em uma delas ele menciona sobre a viagem de Hilaire (Sant'anna, 2004, p.47): "Em sua viagem da província de São Paulo ao Rio Grande do Sul entre 1820 e 1821, comenta que de julho até setembro, o inverno foi rigorosíssimo, quando as temperaturas estiveram abaixo de zero grau por vários dias. As geadas ocorriam quase todas as noites, e o volume de gelo era tal que a população juntava para fazer sorvete".

 

 

Em outro trecho, ainda sobre Hilaire (Sant'anna, 2004, p.45): "É muito interessante seu comentário sobre os picos mais altos da região serrana entre São Paulo e o Rio de Janeiro, pois afirma que se podia observar uma capa branca de neve, nos meses de inverno, que poderia substituir as importações de gelo de Portugal".

 

 

As nevascas na Mantiqueira naquela época, certamente, eram mais comuns, ao contrário de hoje que raramente ocorrem.

 

Fantástico! Pode ter nevado bastante tb no Pico do Caledônia na Região Serrana do RJ nesta época.

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