Rafael Posted October 8, 2025 at 11:56 PM Share Posted October 8, 2025 at 11:56 PM EVENTOS METEOROLÓGICOS EXTREMOS RELACIONADOS AO FRIO NO BRASIL AO LONGO DO SÉCULO XIX Por Thiago Augusto. 1814 - Datam deste ano, os primeiros registros achados a respeito do frio. Existem referências, oriundas de 3 fontes distintas (todas de MG), que fazem menção a uma violentíssima onda de frio neste ano. Ainda não foi determinado o local exato onde foram feitas as seguintes observações. Aparentemente as anotações principais provêm de Ouro Preto. Os dados dizem que geou durante 8 dias consecutivos. A água congelou em mais de 1 dedo de espessura e houve dia em que à sombra , não derretia, mesmo durante o dia. A devastação das lavouras e das florestas foi catastrófica. Florestas inteiras morreram, dando lugar ao capim e 4 anos depois ainda não haviam se recuperado. Os peixes, na maioria dos rios foram dizimados. Há um registro de 1818, no qual fala-se de árvores mortas nesta onda de frio , numa região não muito longe de Juiz de Fora ( cerca de 20 ou 30 KM à noroeste da atual cidade). Aparentemente , esta geada atingiu todo o Centro ??? Sul de Minas Gerais. 1815 - explosão do vulcão Tambora. 1818 - o verão de 1817 para 1818 foi extremamente chuvoso no Sudeste do Brasil. As chuvas começaram em outubro de 1817, atingiram níveis fortes em novembro do referido ano e prolongaram-se terrívelmente intensas e quase sem interrupções até março de 1818. Por outro lado, em abril / maio teve início uma rigorosa seca, também na região Sudeste e que durou até a segunda quinzena de outubro, fazendo a população padecer , assim como as enchentes gigantescas do começo do ano. Na primavera de 1818 é que surgem os primeiros indícios de um distúrbio meteorológico ; o mais forte ligado ao frio no Brasil dos até agora verificados. Em 25 de setembro é registrada geada nas proximidades de Juiz de Fora-MG. O frio permaneceu forte na região até o dia 30 do mesmo mês. Em outubro, a seca atingiu seu auge em Minas. Em Barbacena há registros de procissões para que ocorresse o fim do problema. E finalmente, nos dias 19 e 20, começa a temporada da chuvas. Novembro começa chuvoso no Estado. No dia 4 ocorrem temporais na região de Bambuí. Aqui começa uma baixa de temperatura interessante: na noite do dia 5, segundo um viajante, foi necessário o uso de fogueiras de fogo alto, mas que incrívelmente não conseguiam aquecer. E a manhã do dia 6 foi espantosamente fria. Geou com grande intensidade. O registro diz que às 8 hs, a vegetação estava coberta de espessa geada. Sabe-se apenas que esta anotação foi feita na região de Bambuí, em uma baixada. O frio perdeu força rapidamente no dia 7. Anotações feitas na Bahia falam de violentos temporais neste dia. Seria a frente fria? Outra coisa importante a destacar-se é o fato de que as chuvas de novembro e dezembro deste ano em Minas , parecerem ter sido irregulares espacialmente. Enquanto em algumas regiões houve muita chuva, em outras quase não choveu. OBS: Existe uma nota que fala de muito frio na noite de 16 de dezembro. 1819 (?)- Este ano é o grande ano quando se fala de frio no Brasil. Não há confirmação de todas as informações ainda e o porque de frio tão violento. Janeiro começa com temperaturas relativamente normais no Centro do país. Porém, registros de Goiás revelam que no dia 14, algo de estranho começou a acontecer... Anotações realizadas perto da atual cidade de Jaraguá (GO), indicam que o dia 14 foi quente, mas houve então um forte temporal, após o qual a temperatura baixou violentamente. Não se fala mais nada, até que se relata um fato no mínimo estranho: GEOU NA REGIÃO DE JARAGUÁ, GOIÁS, NO DIA 19 DE JANEIRO, EM PLENO VERÃO, NUMA ÁREA ABAIXO DE 1000 METROS DE ALTITUDE. O registro aponta para às 8hs da manhã forte geada. Esta anotação foi feita num engenho de cana-de-açúcar. No mesmo dia relata-se que foram achadas mortas várias cascavéis da grossura de um braço. OBS: Ao ser achado este registro, pensou-se que tratava-se de algum erro, mas verificando todas as outras anotações percebeu-se que era realmente isto que o autor queria dizer. Também é difícil que seja erro de tradução, pois os originais em alemão foram verificados por pelo menos 3 tradutores e todos traduziram o trecho da mesma forma. Porém é necessário a procura de novas fontes para este ano, que possam esclarecer melhor o fato, assim como confirmá-lo ou desmentí -lo. O anotador fazia parte de uma expedição científica, encomendada por um monarca europeu. Choveu bastante na região de Goiás, da segunda quinzena de janeiro a meados de abril. A noite de 30 de abril para 1º de maio foi muito fria. Em uma localidade ainda não identificada da região central do Estado, o amanhecer deste dia foi de geada forte. E curiosamente, no dia 3 , gafanhotos passam por lá. Maio segue tranqüilo até o dia 25, quando se relata muito frio. Na noite de 28 para 29 é que ocorre o pico desta onda. A anotação do dia 29, às 6hs da manhã, relata que geou e acrescenta: "A minha própria tenda estava inteiramente branca, parecendo coberta de neve. Partimos. A vegetação em todas as calmas, estava crestada, (...). Deste relato, podemos deduzir que a temperatura caiu a pelo menos 0ºC na relva, congelando o orvalho sobre as tendas dos viajantes. Detalhe: esta observação foi feita no norte de Goiás. Junho teve início com frio intenso, mas não ocorreu nenhuma excepcionalidade. Exceto a rigorosa seca que assolou o Sudeste do país. O ar seco provocou calor em junho e início de Julho na região. Nos primeiros 10 dias de julho completaram-se 2 meses sem um pingo d'água no Centro-Norte de Goiás. No dia 6 de julho ocorre uma forte elevação de temperatura, seguida de frio muito forte no dia 7. À noite, as temperaturas já estavam baixíssimas em todo o Centro-Sul do Brasil. No amanhecer de 8 de julho, quase na fronteira com o Tocantins, a água havia congelado até mesmo dentro de um cálice deixado de propósito ao ar livre. Mas já no dia 9 a temperatura voltou a subir fortemente. Faz calor após o dia 12. Mas no dia 21 volta a gear, com força, na fronteira de Goiás com o Tocantins, congelando o orvalho. OBS: Na verdade, não está certo se este registro é mesmo de Goiás. Há indícios de que pode ser do Tocantins. Volta a esquentar somente no dia 25. Em agosto, já no Tocantins, entre os dias 19 e 22 fez frio a ponto de tirar o sono de um grupo de viajantes. Na manhã do dia 22, um deles que era austríaco , relata que o frio chegava a ser desagradável de tão forte. Nota: Infelizmente , não se conseguiu nenhum registro para os meses subseqüentes de 1819. Para a região Sul do Brasil também não acharam-se dados anteriores a 1820. Apenas sabemos que ocorreram violentas enchentes na região, passando para seca no Rio Grande do Sul no fim do ano. 1820 - Este ano entraria para a História do Rio Grande do Sul por ter sido registrada uma das mais fortes secas que se tem notícia na região. Não choveu de janeiro a agosto em várias áreas do Estado, ao passo que o primeiro trimestre foi muito chuvoso no Paraná. Neste ano é que surgem os primeiros registros de frio no Sul do país. Enchentes calamitosas atingiram o Centro do Brasil durante o verão e parte do outono. A primeira grande geada deste ano, atinge a região de Pirenópolis, Goiás, no dia 6 de maio. No dia 7, mais uma vez, mas ainda mais forte. Entre os dias 8 e 9 o frio aumentou mais ainda, e a noite deste último dia foi extremamente fria. A temperatura só subiria no dia 12. Relatos do Rio Grande do Sul dão conta de uma forte onda de frio iniciada na noite do dia 11 de junho e que prolongou-se até o dia 16. O frio foi considerado "excessivo"; note-se que as observações foram feitas no litoral. No dia 19 começa uma nova onda polar , que vai até o dia 21. O relato seguinte, de 4 de julho, diz que há vários dias o tempo está frio e que quase todas as noites forma-se geada em Porto Alegre. Algumas de grande intensidade. Está onda polar estendeu-se até o dia 7 , pelo menos. Não há outros relatos significativos , embora tenham ocorrido várias ondas de frio fortes até o fim de setembro. Até o momento estes são os relatos para este ano. 1821 - Em janeiro terminou de vez a seca no Rio Grande do Sul, passando para um regime de chuvas constantes e um outono extremamente úmido. Registrou-se uma forte onda de frio no Estado entre os dias 31 de março e 2 de abril. Nota: Na noite do dia 13 de abril, na localidade de "Tronqueira", ocorreu um tornado, o primeiro que temos registro até o momento no Brasil. Ainda precisa-se de confirmação, mas todos os dados indicam que o fenômeno não foi uma simples ventania. Durou cerca de 3 minutos e devastou boa parte da região, derrubando árvores e destruindo parcialmente casas. Abril foi excessivamente chuvoso no Rio Grande. Não conseguiu-se a data exata, mas há relatos de enchentes grandes na região do rio Uruguai.* Não foi encontrada mais nenhuma menção de frio para este ano, o que leva a deduzir que o distúbio de 1819 teve fim. 1824 - Uma carta datada de 10 de setembro, escrita pelo líder religioso da primeira leva de alemães que chegou em Nova Friburgo - RJ, assim descreve o clima da cidade: No verão é muito quente, mas o calor é suportável, pois dura somente 12 horas por dia. As noites são mais frescas que na Europa. O inverno em Nova Friburgo, não é fresco, mas frio, tão frio que vi nas partes da manhã, até às 10 horas uma crosta de gelo na água e não me arrependi de ter trazido da Alemanha uma coberta de penas. Teria ocorrido uma super onda de frio em 1824? 1843 - Data deste ano, o primeiro registro encontrado até o momento sobre NEVE em uma cidade do Sudeste. Segundo anotações de 1883, em 19 de Junho deste ano, teria ocorrido uma forte nevasca em Ouro Preto, Minas Gerais. 1852 - Em junho deste ano, uma onda de frio extremamente forte atingiu o Brasil. Em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, os registros apontam que a temperatura baixou tanto, a ponto de matar congelada TODA a lavoura de cana-de-açúcar, além de afetar muito os pessegueiros, marmeleiros e flores. Obs: Dependendo da fase de seu ciclo de vida, os pessegueiros suportam temperaturas de -1,6C a -3,9C . 1858 - Neste ano surgem os primeiros registros de uma grande nevasca no Sul do Brasil. Diversas fontes afirmam que entre os dias 26 e 31 de julho nevou intensamente na serra catarinense, com destaque para Lages. Afirma-se que 30.000 cabeças de gado morreram congeladas na região. Note-se a duração da nevasca. 1859 - O mais importante jornal de Nova Friburgo no século XIX, em sua edição do dia 31 de maio de 1894 afirma: 4 de junho. Na noite desse dia fazem 32 annos que cahio tão forte geada nesta cidade que na manhã seguinte se apanharam diversas porções de gelo. 1862 - Ocorre nevasca na serra gaúcha. 1867 - Nevasca na serra gaúcha. 1870 - Ano de ondas de frio muito fortes e neve. Em junho , o país foi atingido por uma onda polar muito violenta. No Centro-Sul de Minas Gerais, geou fortemente. Foram 6 dias consecutivos com geadas. As plantações de cana-de-açúcar foram dizimadas, assim como florestas inteiras e peixes nos rios. No último dia da onda, em Barbacena, a temperatura chegou a exatos -6,0ºC. A população das áreas atingidas ficou estarrecida, pois havia décadas que não acontecia algo igual. Os dados prelimares indicam que esta foi a mais forte (ou uma das mais fortes) ondas de frio que atingiu o Estado desde os eventos de 1819 e 1820. Em julho, seria a vez do Sul do Brasil, mas desta vez no que se refere à neve. O Anuário Estatístico da Província do Rio Grande do Sul - publicação OFICIAL - para o ano de 1886, descreve: Os moradores de Porto Alegre devem recordar-se ainda do aspecto novo e surprehendente, que, ao amanhecer do dia 27 de julho de 1870, lhe apresentaram as montanhas que contornam a cidade, todas brancas de neve até alto dia. Em alguns valles que avistavam da capital as camadas de gelo duraram por dias deixando ver ao longe immensos lençoes brancos. Nevou também em todo o Sul do Estado, havendo acumulação em Caçapava do Sul. 1876 - *Poderosa onda de frio atinge o Brasil e causa uma fortíssima friagem. Entre os dias 18 e 20 de agosto, fez muito frio no Centro-Oeste, chegando a 0ºC em algumas serras próximas a Cuiabá. A geada foi tão forte que às 8hs, com sol, ainda não havia derretido. Obs: Neste ano e em 1877, enxames de gafanhotos varreram o Sul e Centro-Oeste do Brasil. 1879 - NESTE ANO OCORREU A MAIS INTENSA NEVASCA JÁ REGISTRADA NO BRASIL. O inverno foi muito úmido no Sul do Brasil, ocorrendo até mesmo enchentes através do Rio Grande do Sul no mês de julho. Entre os dias 26 e 27 deste mês, neva na serra gaúcha, acumulando até 80 cm de neve em Vacaria . Mas era só o prenúncio do que viria em agosto. Na noite do dia 7, cai forte tempestade em Porto Alegre, chegando a causar estragos. Mas o que nas áreas baixas caía em forma de chuva, nas serras descia sob forma de forte nevasca. O Anuário da Província (1886), assim descreve os fatos: "Em agosto de 1879 houve também na província, em Cima da Serra, a mais forte nevada que temos notícia. Na noite de 8 para 9 desse mez os lugares mais alto da zona colonial entre os valles do Rio dos Sinos e Taquary ficaram cobertos de neve. Em Cima da Serra no dia 7 de agosto a neve cahio em quantidade tão forte que cobrio a terra com uma camada de mais de 2 metros de espessura, chegando a enterrar rezes que apenas ficaram com os chifres de fóra. Nas colonias de Conde D'Eu e D. Izabel o peso da neve chegou a esgalhar as arvores deixando-as despidas de ramos. Não houve lugar em que as camadas de gelo não tivessem pelo menos a espessura de 0,40 m. Os habitantes dessa zona ficaram aterrorisa-dos pela novidade do espetáculo e, na serra, o seu panico era, augmentado pelo rumor sinistro que produsiam, cahindo, os galhos das arvores. Si a chuva de neve continuasse por mais dous dias, diziam elles, as casas ficariam completamente cobertas. Não houve casa, por bem retelhada que estivesse, onde a neve não penetrasse: Cima da Serra todo estava branco; não se via um só fio de capim nos campos. Cartas de Cima da Serra de 17 de agosto (10 dias depois) afirmavam que ainda havia então pelos campos grandes massas de neve, que o Sol não podêra dissolver. Morreram animais nas estrebarias, porcos nos chiqueiros e nos campos os prejuizos da industria pastoril foram enormes." 1882 - Forte friagem atinge a Amazônia, durando 10 dias. 1885 - Neste ano é registrada uma importante nevasca nas áreas baixas do sul do Rio Grande do Sul. O Anuário da Província relatou detalhadamente o acontecido: "Durante os mezes de abril e maio até o dia 10 de junho a tempera-tura foi moderada, mas desde este dia desceu o themometro rapidamente e a temperatura manteve-se baixa até meiado de agosto. A temperatura mínima registrada na capital, dentro da cidade (face norte), foi de 1°,67C., mas fóra da cidade o frio chegou a -1°C, -2°C. Em alguns lugares da província como Bagé, Santa Maria da Bocca do Monte, Encruzilhada, Caçapava, Cima da Serra etc. a temperatura baixou por vezes a -2 °C e -3 °C. Em Bagé, no dia 13 de julho, cahiram abundantes flocos de neve, offerecendo aos habitantes d'aquella cidade um (para elles) novo e bellissimo espetaculo. Seriam 10 horas da manhã (disse o Diario do Rio Grande de 17 do mesmo mez), de envolta com um chuvisqueiro miudo começaram a cahir, impellidos por um violento nordeste, abundantes capuchos de neve. Durante meia hora continuou a chuva dos brancos flocos [...]. Na mesma cidade no dia 10 de agosto, cahio neve em muito maior abundancia chegando as camadas a attingir a espessura de 15 centimetros, disse um telegramma de Bagé publicado no Jornal do Commercio do Rio de Janeiro. Porém as cartas particulares affirmam uma espessura maior. Segundo telegramma dirigido á repartição central dos telegraphos, na côrte, tanta neve cahio em Bagé, no referido dia 10, que as linhas telegraphicas ficaram ligadas aos guarda-raios. Pela mesma causa interrompeu-se a communicação na linha de D.Pedrito. Também em Cacimbinhas recebeu-se aviso de se achar interrompida a linha que d'ali vai a Bagé. A neve formou em Cacimbinhas camadas da espessura de um palmo (0m,22). No dia 11 restabeleceram-se as comunicações, sendo esta a primeira vez em que por semelhante causa soffreram interrupção no Brazil as comunicações telegraphicas. Carta de Santa Maria da Bocca do Monte dirigida em 11 de agosto á Koseritz Deutsche Zeitung refere o seguinte: "Hontem tiveram os habitantes desta cidade occasião de observar um, entre nós raríssimo phenomeno da natureza. Os mais antigos moradores d'aqui não recordam de ter visto antes um facto semelhante. Quando hontem pela manhã nos levantamos, nevava regularmente, pois não era um ou outro floco de neve, raro e isolado, que cahia, mas ao contrario era uma formidavel queda de neve como estamos acostumados a ver na Allemanha. A neve continuou a cahir até pouco depois das 10 horas da manhã e si não tivesse chovido nos dias precedentes nós teríamos tido neve com espessura de um pé (0m,30) em nossas estradas e caminhos. Por isso ella acamou-se sómente nos telhados, no campo e sobre as arvores. Fizeram-se bonecos de neve e outras figuras; as crianças, como na Europa, brincavam com bolas de neve [...]." 1892 - Em julho deste ano ocorreu um período relativamente longo de frio intenso no Centro-Sul do Brasil. Na verdade, a primeira grande onda polar do mês causou temperaturas baixíssimas, há vários anos não alcançadas. Os registros encontrados em Nova Friburgo-RJ, relatam um violento vendaval de Nordeste no dia 13 de julho, que passou a Sudoeste no mesmo dia. No dia 14 a temperatura despencou e no dia 15 formou-se forte geada na cidade. Às 4 horas da manhã, registrou-se uma temperatura de -2,5ºC. Abaixo seguem os dados da cidade para os dias seguintes 1898 - Inverno rigoroso, com temperaturas abaixo de zero até na cidade de São Paulo e com registro de neve em Campos do Jordão. Observações finais: Estas são as informações mais relevantes até agora. Na "pressa de digitar", esqueceu-se de mencionar que em julho de 1867 houve a primeira nevasca que se tem notícia (até agora) em Itatiaia e que em maio de 1878, a Amazônia foi atingida por uma forte friagem que durou 15 dias. Também deve-se ressaltar , que a data da onda de frio de 1814 é incerta. Um dos 3 registros a mencionam em 1815 e por ter sido de tão grande intensidade é mais provável que tenha ocorrido após a explosão do Tambora, em abril do mesmo ano. Fonte: *Texto publicado há alguns anos no BAZ. 4 2 Quote Link to comment Share on other sites More sharing options...
AvaGonzalez Posted April 29, 2026 at 10:32 PM Share Posted April 29, 2026 at 10:32 PM (edited) On 10/9/2025 at 4:56 AM, Rafael said: EVENTOS METEOROLÓGICOS EXTREMOS RELACIONADOS AO FRIO NO BRASIL AO LONGO DO SÉCULO XIX Por Thiago Augusto. 1814 - Datam deste ano, os primeiros registros achados a respeito do frio. Existem referências, oriundas de 3 fontes distintas (todas de MG), que fazem menção a uma violentíssima onda de frio neste ano. Ainda não foi determinado o local exato onde foram feitas as seguintes observações. Aparentemente as anotações principais provêm de Ouro Preto. Os dados dizem que geou durante 8 dias consecutivos. A água congelou em mais de 1 dedo de espessura e houve dia em que à sombra , não derretia, mesmo durante o dia. A devastação das lavouras e das florestas foi catastrófica. Florestas inteiras morreram, dando lugar ao capim e 4 anos depois ainda não haviam se recuperado. Os peixes, na maioria dos rios foram dizimados. Há um registro de 1818, no qual fala-se de árvores mortas nesta onda de frio , numa região não muito longe de Juiz de Fora ( cerca de 20 ou 30 KM à noroeste da atual cidade). Aparentemente , esta geada atingiu todo o Centro ??? Sul de Minas Gerais. 1815 - explosão do vulcão Tambora. 1818 - o verão de 1817 para 1818 foi extremamente chuvoso no Sudeste do Brasil. As chuvas começaram em outubro de 1817, atingiram níveis fortes em novembro do referido ano e prolongaram-se terrívelmente intensas e quase sem interrupções até março de 1818. Por outro lado, em abril / maio teve início uma rigorosa seca, também na região Sudeste e que durou até a segunda quinzena de outubro, fazendo a população padecer , assim como as enchentes gigantescas do começo do ano. Na primavera de 1818 é que surgem os primeiros indícios de um distúrbio meteorológico ; o mais forte ligado ao frio no Brasil dos até agora verificados. Em 25 de setembro é registrada geada nas proximidades de Juiz de Fora-MG. O frio permaneceu forte na região até o dia 30 do mesmo mês. Em outubro, a seca atingiu seu auge em Minas. Em Barbacena há registros de procissões para que ocorresse o fim do problema. E finalmente, nos dias 19 e 20, começa a temporada da chuvas. Novembro começa chuvoso no Estado. No dia 4 ocorrem temporais na região de Bambuí. Aqui começa uma baixa de temperatura interessante: na noite do dia 5, segundo um viajante, foi necessário o uso de fogueiras de fogo alto, mas que incrívelmente não conseguiam aquecer. E a manhã do dia 6 foi espantosamente fria. Geou com grande intensidade. O registro diz que às 8 hs, a vegetação estava coberta de espessa geada. Sabe-se apenas que esta anotação foi feita na região de Bambuí, em uma baixada. O frio perdeu força rapidamente no dia 7. Anotações feitas na Bahia falam de violentos temporais neste dia. Seria a frente fria? Outra coisa importante a destacar-se é o fato de que as chuvas de novembro e dezembro deste ano em Minas , parecerem ter sido irregulares espacialmente. Enquanto em algumas regiões houve muita chuva, em outras quase não choveu. OBS: Existe uma nota que fala de muito frio na noite de 16 de dezembro. 1819 (?)- Este ano é o grande ano quando se fala de frio no Brasil. Não há confirmação de todas as informações ainda e o porque de frio tão violento. Janeiro começa com temperaturas relativamente normais no Centro do país. Porém, registros de Goiás revelam que no dia 14, algo de estranho começou a acontecer... Anotações realizadas perto da atual cidade de Jaraguá (GO), indicam que o dia 14 foi quente, mas houve então um forte temporal, após o qual a temperatura baixou violentamente. Não se fala mais nada, até que se relata um fato no mínimo estranho: GEOU NA REGIÃO DE JARAGUÁ, GOIÁS, NO DIA 19 DE JANEIRO, EM PLENO VERÃO, NUMA ÁREA ABAIXO DE 1000 METROS DE ALTITUDE. O registro aponta para às 8hs da manhã forte geada. Esta anotação foi feita num engenho de cana-de-açúcar. No mesmo dia relata-se que foram achadas mortas várias cascavéis da grossura de um braço. OBS: Ao ser achado este registro, pensou-se que tratava-se de algum erro, mas verificando todas as outras anotações percebeu-se que era realmente isto que o autor queria dizer. Também é difícil que seja erro de tradução, pois os originais em alemão foram verificados por pelo menos 3 tradutores e todos traduziram o trecho da mesma forma. Porém é necessário a procura de novas fontes para este ano, que possam esclarecer melhor o fato, assim como confirmá-lo ou desmentí -lo. O anotador fazia parte de uma expedição científica, encomendada por um monarca europeu. Choveu bastante na região de Goiás, da segunda quinzena de janeiro a meados de abril. A noite de 30 de abril para 1º de maio foi muito fria. Em uma localidade ainda não identificada da região central do Estado, o amanhecer deste dia foi de geada forte. E curiosamente, no dia 3 , gafanhotos passam por lá. Maio segue tranqüilo até o dia 25, quando se relata muito frio. Na noite de 28 para 29 é que ocorre o pico desta onda. A anotação do dia 29, às 6hs da manhã, relata que geou e acrescenta: "A minha própria tenda estava inteiramente branca, parecendo coberta de neve. Partimos. A vegetação em todas as calmas, estava crestada, (...). Deste relato, podemos deduzir que a temperatura caiu a pelo menos 0ºC na relva, congelando o orvalho sobre as tendas dos viajantes. Detalhe: esta observação foi feita no norte de Goiás. Junho teve início com frio intenso, mas não ocorreu nenhuma excepcionalidade. Exceto a rigorosa seca que assolou o Sudeste do país. O ar seco provocou calor em junho e início de Julho na região. Nos primeiros 10 dias de julho completaram-se 2 meses sem um pingo d'água no Centro-Norte de Goiás. No dia 6 de julho ocorre uma forte elevação de temperatura, seguida de frio muito forte no dia 7. À noite, as temperaturas já estavam baixíssimas em todo o Centro-Sul do Brasil. No amanhecer de 8 de julho, quase na fronteira com o Tocantins, a água havia congelado até mesmo dentro de um cálice deixado de propósito ao ar livre. Mas já no dia 9 a temperatura voltou a subir fortemente. Faz calor após o dia 12. Mas no dia 21 volta a gear, com força, na fronteira de Goiás com o Tocantins, congelando o orvalho. OBS: Na verdade, não está certo se este registro é mesmo de Goiás. Há indícios de que pode ser do Tocantins. Volta a esquentar somente no dia 25. Em agosto, já no Tocantins, entre os dias 19 e 22 fez frio a ponto de tirar o sono de um grupo de viajantes. Na manhã do dia 22, um deles que era austríaco , relata que o frio chegava a ser desagradável de tão forte. Nota: Infelizmente , não se conseguiu nenhum registro para os meses subseqüentes de 1819. Para a região Sul do Brasil também não acharam-se dados anteriores a 1820. Apenas sabemos que ocorreram violentas enchentes na região, passando para seca no Rio Grande do Sul no fim do ano. 1820 - Este ano entraria para a História do Rio Grande do Sul por ter sido registrada uma das mais fortes secas que se tem notícia na região. Não choveu de janeiro a agosto em várias áreas do Estado, ao passo que o primeiro trimestre foi muito chuvoso no Paraná. Neste ano é que surgem os primeiros registros de frio no Sul do país. Enchentes calamitosas atingiram o Centro do Brasil durante o verão e parte do outono. A primeira grande geada deste ano, atinge a região de Pirenópolis, Goiás, no dia 6 de maio. No dia 7, mais uma vez, mas ainda mais forte. Entre os dias 8 e 9 o frio aumentou mais ainda, e a noite deste último dia foi extremamente fria. A temperatura só subiria no dia 12. Relatos do Rio Grande do Sul dão conta de uma forte onda de frio iniciada na noite do dia 11 de junho e que prolongou-se até o dia 16. O frio foi considerado "excessivo"; note-se que as observações foram feitas no litoral. No dia 19 começa uma nova onda polar , que vai até o dia 21. O relato seguinte, de 4 de julho, diz que há vários dias o tempo está frio e que quase todas as noites forma-se geada em Porto Alegre. Algumas de grande intensidade. Está onda polar estendeu-se até o dia 7 , pelo menos. Não há outros relatos significativos , embora tenham ocorrido várias ondas de frio fortes até o fim de setembro. Até o momento estes são os relatos para este ano. 1821 - Em janeiro terminou de vez a seca no Rio Grande do Sul, passando para um regime de chuvas constantes e um outono extremamente úmido. Registrou-se uma forte onda de frio no Estado entre os dias 31 de março e 2 de abril. Nota: Na noite do dia 13 de abril, na localidade de "Tronqueira", ocorreu website um tornado, o primeiro que temos registro até o momento no Brasil. Ainda precisa-se de confirmação, mas todos os dados indicam que o fenômeno não foi uma simples ventania. Durou cerca de 3 minutos e devastou boa parte da região, derrubando árvores e destruindo parcialmente casas. Abril foi excessivamente chuvoso no Rio Grande. Não conseguiu-se a data exata, mas há relatos de enchentes grandes na região do rio Uruguai.* Não foi encontrada mais nenhuma menção de frio para este ano, o que leva a deduzir que o distúbio de 1819 teve fim. 1824 - Uma carta datada de 10 de setembro, escrita pelo líder religioso da primeira leva de alemães que chegou em Nova Friburgo - RJ, assim descreve o clima da cidade: No verão é muito quente, mas o calor é suportável, pois dura somente 12 horas por dia. As noites são mais frescas que na Europa. O inverno em Nova Friburgo, não é fresco, mas frio, tão frio que vi nas partes da manhã, até às 10 horas uma crosta de gelo na água e não me arrependi de ter trazido da Alemanha uma coberta de penas. Teria ocorrido uma super onda de frio em 1824? 1843 - Data deste ano, o primeiro registro encontrado até o momento sobre NEVE em uma cidade do Sudeste. Segundo anotações de 1883, em 19 de Junho deste ano, teria ocorrido uma forte nevasca em Ouro Preto, Minas Gerais. 1852 - Em junho deste ano, uma onda de frio extremamente forte atingiu o Brasil. Em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, os registros apontam que a temperatura baixou tanto, a ponto de matar congelada TODA a lavoura de cana-de-açúcar, além de afetar muito os pessegueiros, marmeleiros e flores. Obs: Dependendo da fase de seu ciclo de vida, os pessegueiros suportam temperaturas de -1,6C a -3,9C . 1858 - Neste ano surgem os primeiros registros de uma grande nevasca no Sul do Brasil. Diversas fontes afirmam que entre os dias 26 e 31 de julho nevou intensamente na serra catarinense, com destaque para Lages. Afirma-se que 30.000 cabeças de gado morreram congeladas na região. Note-se a duração da nevasca. 1859 - O mais importante jornal de Nova Friburgo no século XIX, em sua edição do dia 31 de maio de 1894 afirma: 4 de junho. Na noite desse dia fazem 32 annos que cahio tão forte geada nesta cidade que na manhã seguinte se apanharam diversas porções de gelo. 1862 - Ocorre nevasca na serra gaúcha. 1867 - Nevasca na serra gaúcha. 1870 - Ano de ondas de frio muito fortes e neve. Em junho , o país foi atingido por uma onda polar muito violenta. No Centro-Sul de Minas Gerais, geou fortemente. Foram 6 dias consecutivos com geadas. As plantações de cana-de-açúcar foram dizimadas, assim como florestas inteiras e peixes nos rios. No último dia da onda, em Barbacena, a temperatura chegou a exatos -6,0ºC. A população das áreas atingidas ficou estarrecida, pois havia décadas que não acontecia algo igual. Os dados prelimares indicam que esta foi a mais forte (ou uma das mais fortes) ondas de frio que atingiu o Estado desde os eventos de 1819 e 1820. Em julho, seria a vez do Sul do Brasil, mas desta vez no que se refere à neve. O Anuário Estatístico da Província do Rio Grande do Sul - publicação OFICIAL - para o ano de 1886, descreve: Os moradores de Porto Alegre devem recordar-se ainda do aspecto novo e surprehendente, que, ao amanhecer do dia 27 de julho de 1870, lhe apresentaram as montanhas que contornam a cidade, todas brancas de neve até alto dia. Em alguns valles que avistavam da capital as camadas de gelo duraram por dias deixando ver ao longe immensos lençoes brancos. Nevou também em todo o Sul do Estado, havendo acumulação em Caçapava do Sul. 1876 - *Poderosa onda de frio atinge o Brasil e causa uma fortíssima friagem. Entre os dias 18 e 20 de agosto, fez muito frio no Centro-Oeste, chegando a 0ºC em algumas serras próximas a Cuiabá. A geada foi tão forte que às 8hs, com sol, ainda não havia derretido. Obs: Neste ano e em 1877, enxames de gafanhotos varreram o Sul e Centro-Oeste do Brasil. 1879 - NESTE ANO OCORREU A MAIS INTENSA NEVASCA JÁ REGISTRADA NO BRASIL. O inverno foi muito úmido no Sul do Brasil, ocorrendo até mesmo enchentes através do Rio Grande do Sul no mês de julho. Entre os dias 26 e 27 deste mês, neva na serra gaúcha, acumulando até 80 cm de neve em Vacaria . Mas era só o prenúncio do que viria em agosto. Na noite do dia 7, cai forte tempestade em Porto Alegre, chegando a causar estragos. Mas o que nas áreas baixas caía em forma de chuva, nas serras descia sob forma de forte nevasca. O Anuário da Província (1886), assim descreve os fatos: "Em agosto de 1879 houve também na província, em Cima da Serra, a mais forte nevada que temos notícia. Na noite de 8 para 9 desse mez os lugares mais alto da zona colonial entre os valles do Rio dos Sinos e Taquary ficaram cobertos de neve. Em Cima da Serra no dia 7 de agosto a neve cahio em quantidade tão forte que cobrio a terra com uma camada de mais de 2 metros de espessura, chegando a enterrar rezes que apenas ficaram com os chifres de fóra. Nas colonias de Conde D'Eu e D. Izabel o peso da neve chegou a esgalhar as arvores deixando-as despidas de ramos. Não houve lugar em que as camadas de gelo não tivessem pelo menos a espessura de 0,40 m. Os habitantes dessa zona ficaram aterrorisa-dos pela novidade do espetáculo e, na serra, o seu panico era, augmentado pelo rumor sinistro que produsiam, cahindo, os galhos das arvores. Si a chuva de neve continuasse por mais dous dias, diziam elles, as casas ficariam completamente cobertas. Não houve casa, por bem retelhada que estivesse, onde a neve não penetrasse: Cima da Serra todo estava branco; não se via um só fio de capim nos campos. Cartas de Cima da Serra de 17 de agosto (10 dias depois) afirmavam que ainda havia então pelos campos grandes massas de neve, que o Sol não podêra dissolver. Morreram animais nas estrebarias, porcos nos chiqueiros e nos campos os prejuizos da industria pastoril foram enormes." 1882 - Forte friagem atinge a Amazônia, durando 10 dias. 1885 - Neste ano é registrada uma importante nevasca nas áreas baixas do sul do Rio Grande do Sul. O Anuário da Província relatou detalhadamente o acontecido: "Durante os mezes de abril e maio até o dia 10 de junho a tempera-tura foi moderada, mas desde este dia desceu o themometro rapidamente e a temperatura manteve-se baixa até meiado de agosto. A temperatura mínima registrada na capital, dentro da cidade (face norte), foi de 1°,67C., mas fóra da cidade o frio chegou a -1°C, -2°C. Em alguns lugares da província como Bagé, Santa Maria da Bocca do Monte, Encruzilhada, Caçapava, Cima da Serra etc. a temperatura baixou por vezes a -2 °C e -3 °C. Em Bagé, no dia 13 de julho, cahiram abundantes flocos de neve, offerecendo aos habitantes d'aquella cidade um (para elles) novo e bellissimo espetaculo. Seriam 10 horas da manhã (disse o Diario do Rio Grande de 17 do mesmo mez), de envolta com um chuvisqueiro miudo começaram a cahir, impellidos por um violento nordeste, abundantes capuchos de neve. Durante meia hora continuou a chuva dos brancos flocos [...]. Na mesma cidade no dia 10 de agosto, cahio neve em muito maior abundancia chegando as camadas a attingir a espessura de 15 centimetros, disse um telegramma de Bagé publicado no Jornal do Commercio do Rio de Janeiro. Porém as cartas particulares affirmam uma espessura maior. Segundo telegramma dirigido á repartição central dos telegraphos, na côrte, tanta neve cahio em Bagé, no referido dia 10, que as linhas telegraphicas ficaram ligadas aos guarda-raios. Pela mesma causa interrompeu-se a communicação na linha de D.Pedrito. Também em Cacimbinhas recebeu-se aviso de se achar interrompida a linha que d'ali vai a Bagé. A neve formou em Cacimbinhas camadas da espessura de um palmo (0m,22). No dia 11 restabeleceram-se as comunicações, sendo esta a primeira vez em que por semelhante causa soffreram interrupção no Brazil as comunicações telegraphicas. Carta de Santa Maria da Bocca do Monte dirigida em 11 de agosto á Koseritz Deutsche Zeitung refere o seguinte: "Hontem tiveram os habitantes desta cidade occasião de observar um, entre nós raríssimo phenomeno da natureza. Os mais antigos moradores d'aqui não recordam de ter visto antes um facto semelhante. Quando hontem pela manhã nos levantamos, nevava regularmente, pois não era um ou outro floco de neve, raro e isolado, que cahia, mas ao contrario era uma formidavel queda de neve como estamos acostumados a ver na Allemanha. A neve continuou a cahir até pouco depois das 10 horas da manhã e si não tivesse chovido nos dias precedentes nós teríamos tido neve com espessura de um pé (0m,30) em nossas estradas e caminhos. Por isso ella acamou-se sómente nos telhados, no campo e sobre as arvores. Fizeram-se bonecos de neve e outras figuras; as crianças, como na Europa, brincavam com bolas de neve [...]." 1892 - Em julho deste ano ocorreu um período relativamente longo de frio intenso no Centro-Sul do Brasil. Na verdade, a primeira grande onda polar do mês causou temperaturas baixíssimas, há vários anos não alcançadas. Os registros encontrados em Nova Friburgo-RJ, relatam um violento vendaval de Nordeste no dia 13 de julho, que passou a Sudoeste no mesmo dia. No dia 14 a temperatura despencou e no dia 15 formou-se forte geada na cidade. Às 4 horas da manhã, registrou-se uma temperatura de -2,5ºC. Abaixo seguem os dados da cidade para os dias seguintes 1898 - Inverno rigoroso, com temperaturas abaixo de zero até na cidade de São Paulo e com registro de neve em Campos do Jordão. Observações finais: Estas são as informações mais relevantes até agora. Na "pressa de digitar", esqueceu-se de mencionar que em julho de 1867 houve a primeira nevasca que se tem notícia (até agora) em Itatiaia e que em maio de 1878, a Amazônia foi atingida por uma forte friagem que durou 15 dias. Também deve-se ressaltar , que a data da onda de frio de 1814 é incerta. Um dos 3 registros a mencionam em 1815 e por ter sido de tão grande intensidade é mais provável que tenha ocorrido após a explosão do Tambora, em abril do mesmo ano. Fonte: *Texto publicado há alguns anos no BAZ. Really fascinating compilation. What stands out most is how extreme some of these events were, especially considering Brazil’s general climate profile. The 1819 reports are particularly intriguing—frost in Goiás during January sounds almost unbelievable, but the consistency across translated sources gives it some weight. Also, the 1879 snowfall depth claims are remarkable; over 2 meters would rival major historic snow events elsewhere. It highlights how little we still know about past climate variability in South America. It would be great to see more cross-referencing with proxy data or international records to confirm these extremes. Edited May 2, 2026 at 03:02 AM by AvaGonzalez 3 Quote Link to comment Share on other sites More sharing options...
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