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Brasil Abaixo de Zero

Wallace Rezende

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Everything posted by Wallace Rezende

  1. Sim, também penso dessa forma. No mesmo dia 05/10/2020, com máximas de 44,6ºc e 43,6ºc em Água clara e Paranaíba, fez ainda 44,5ºc em Poxoréu/conv no MT (seria a segunda maior máxima do Brasil), mas esse é outro registro com diferença grande para a leitura das 18Z, então não confio muito, embora o dia do recorde faça sentido. Infelizmente, mesmo dentre as convencionais do Inmet que ainda não foram completamente abandonadas, muitas estão em péssimas condições, o que já me deixa com o pé atrás só pelo fato de serem estações convencionais (existem exceções, mas cada vez menos). Essa localização da auto de Água Clara eu já conhecia, e de fato passa longe de ser ideal, mas creio que o aquecimento adicional seja (em geral) pequeno. Ano passado, ao menos 4 estados registraram máximas na casa dos 44ºc em estações oficiais (além de MS e MT, GO teve 44,1ºc na convencional de Aragarças, e MG 44ºc na de Araçuaí). O registro de GO eu levo em conta, pois a máxima do dia 09/10 na automática foi quase igual (43,9ºc), já o caso de Araçuaí é mais complicado, pois a estação também fica muito próxima de um grande obstáculo, o que gera algum superaquecimento (mas nesse caso a automática fica em outro ponto da cidade, dificultando a comparação). De toda forma, a convencional de Araçuaí está no mesmo lugar há bastante tempo (a escola ao lado parece que também), e o recorde do ano passado superou o anterior em mais ou menos 1,5ºc, então foi bastante significativo, ainda que esteja um pouco acima do real. Na França, as estações oficiais são classificadas entre “1” e “5”. As “1” têm exposição excelente, com ampla ventilação e nenhum obstáculo significativo por perto, as “2” ainda são muito boas, mas já contam com alguma obstrução menor nas proximidades, e as “5” estão sujeitas a um superaquecimento maior (instaladas em locais pouco ventilados, e com obstáculos próximos que podem gerar diferenças de mais de 1ºc). Creio que Água Clara seria considerada uma “4” pela classificação francesa, o que significaria um superaquecimento de até 0,5ºc na maioria dos dias (mas eventualmente maior, entre 0,5ºc e 1ºc). Em geral, eles costumam validar os recordes das estações com classificação de “1” até “4”. Já Araçuaí/conv talvez fosse uma “5”. Nesses casos (classe 5), os franceses validam os recordes só de vez em quando, não sei exatamente qual o critério. Um exemplo de estação com classificação “4” pela Météo-France é a de Paris/Montsouris (estação histórica da cidade e a mais antiga da França, com registros contínuos desde 1872). Nos dias mais quentes (caso do 'famoso' recorde de 42,6ºc em 25/07/2019) é notável que Montsouris aquece um pouco mais do que deveria, mas eles sempre acabam validando os registros da estação (neste dia, as estações mais padronizadas registraram valores entre 41ºc e 42ºc na área de Paris). A estação de Montsouris fica numa clareira entre muitas árvores, então a ventilação no abrigo é prejudicada mesmo, o que causa máximas entre 0,5ºc e 1ºc acima das que seriam registradas numa exposição mais padronizada nos dias se sol forte, principalmente na primavera/verão. Por outro lado, a estação do Central Park (em NY, nos EUA), que também fica entre muitas árvores, tende a ser mais fresca que os dois aeroportos mais próximos (Newark e La Guardia) nas máximas tanto nos dias ensolarados quanto nos de mormaço (1/2ºc mais fresca com frequência, por vezes 3ºc), mas a vegetação ali (que cerca a estação do Central Park) é mais fechada que no caso de Paris, e faz mais sombra sobre a estação quando o sol não está muito alto. Também ocorre superaquecimento nos dois aeros de NY em vários dias do ano (os americanos são desleixados com o posicionamento das estações dentro dos aeros), o que faz da estação do Central Park, apesar da localização estranha e não padronizada, a melhor da cidade. É preciso olhar caso a caso, por vezes uma estação que parece ruim (pela foto/localização) se revela “melhor” (mais representativa de uma área) do que outra, a princípio mais padronizada.
  2. Com isso, o pico do calor de 2021 no Brasil (acredito que, ao contrário de 2020, a máxima de 2021 não será superada em outubro, embora a chance não seja nula) acabou ficando com Corumbá na última segunda-feira (43,9ºc, novo recorde da estação), não muito abaixo do recorde nacional registrado no ano passado em Água Clara (44,6ºc) e Paranaíba (mesmo valor, mas considero esse registro mais duvidoso, pois a estação é convencional e com diferença grande para 18Z no dia da maior máxima). Também houve um registro de 44,9ºc no ano passado numa estação não oficial (PWS), mas condizente com o local onde foi registrado. As duas maiores temperaturas algo confiáveis desde o início dos registros no Brasil ocorrendo em dois anos consecutivos... Creio que a chance de chegarmos ao final desta década sem algum registro confiável de 45ºc ou mais nos "polos quentes" do Brasil central é extremamente pequena. Não levo em conta os recordes de Orleans (1963) e Bom Jesus do Piauí (2005), dentre outros que são muitos suspeitos ou estão claramente superestimados (pelo menos esse ano o Inmet teve a decência de apagar os dados de temperatura de Sapezal desde o dia em que a estação “surtou”). Na RM do RJ, como eu já esperava, setembro vai passando sem nenhum extremo relevante, e está sendo menos quente que o do ano passado (mas ainda acima da média). Ao contrário de 09/2020 (que registrou um evento localmente histórico de chuva na capital fluminense), a chuva está abaixo da média* neste 09/2021 (tem chovido com frequência, mas os volumes são sempre muitos baixos fora dos cinturões orográficos). A quarta-feira foi mais amena, como era esperado, e hoje o tempo não muda muito (só um pouco mais de sol), mas a previsão para o final do mês é de calor, um calor normal para a época (máximas geralmente abaixo dos 30ºc nos bairros costeiros e um pouco acima nos subúrbios mais continentais). Para o último dia de setembro e o início de outubro, começa a surgir nos modelos uma tendência de tempo úmido e instável, com predomínio de baixa amplitude térmica (nada mais típico da nossa primavera, é algo que acontece algumas semanas mais cedo ou mais tarde a depender do ano). Mas seria um grande erro criar expectativa para 10 dias a frente, tudo sempre pode mudar (nos próximos dias, o cenário irá se definir aos poucos). O pré-frontal de terça-feira foi fraco numa faixa que vai da área costeira da cidade do Rio até parte do Centro (máximas abaixo dos 30ºc), e apenas moderado para a época no restante da cidade (pico acima dos 35ºc por pouco tempo nos bairros mais quentes, mas a queda de temperatura trazida pelo vento foi brusca nestes locais onde esquentou mais). Depois da manhã abafada de anteontem, o vento sudoeste (advecção) entrou com rajadas, que chegaram a superar os 80 Km/h na ponte Rio-Niterói e os 60/70 Km/h em grande parte da cidade (parece que pode ter sido ainda mais forte em alguns trechos da zona norte da capital, onde não há monitoramento). Também ventou forte em Niterói e São Gonçalo, e até o “ruim de vento” Inmet/Barreto registrou uma rajada de 66 Km/h, a maior desde 04/2019 por lá. *Foram registrados desde o início deste mês setembro na cidade do Rio (média de 33 pluviômetros) apenas 28,1 mm de chuva (a média 1997/2020 para o mês foi de 81,2 mm). Em setembro de 2020, a cidade registrou em média 140,7 mm, a maior parte num evento de 2 dias. *No bairro do Alto da Boa Vista, setembro de 2021 registrou 84,8 mm até agora, enquanto em 09/2020 foram registrados 390,2 mm, incluindo um recorde histórico de 272,4 mm em 24 horas no dia 22/09/2020 (este foi o total entre 21:00 do dia 21/09 e 21:00 do dia 22/9).
  3. Tem todos os elementos do mundo para tirar uma conclusão, essa estação está completamente fumada.🔥 Basta olhar a imensa oscilação horária da temperatura (máximas e mínimas horárias) que tem ocorrido rotineiramente nos horários mais quentes do dia, sem que haja nenhuma explicação minimamente plausível para isso (chuva, mar ao lado, essas coisas), e o absurdo dos dados se revela imediatamente (nos piores dias, como em 07/09, o algoritmo do Inmet até entrou em ação para esconder máximas acima dos 45ºc). Eu coloco não apenas a mão, mas todo o meu corpo no fogo para afirmar que os dados são completamente inválidos, a chance destas máximas de Sapezal nos últimos dias estarem corretas é tão grande quanto a de fazer 40ºc (positivos) no Morro da Igreja e no PNI no regime climático atual. Ano passado era Nova Maringá, e agora é Sapezal, temos que lembrar que o Inmet está na UTI por falta de verbas, apenas algumas estações perto da sede dos distritos (Dismes) ainda recebem manutenção (e muito esporadicamente). Enquanto isso, a cidade do Rio de Janeiro (e a RM em geral) registraram a maior temperatura desde o verão passado nesta terça-feira (com exceção de algumas praias mais protegidas pelo relevo, como São Conrado, na zona sul da capital, que sequer chegou aos 28ºc durante o dia), com picos de 39,5ºc na Marambaia (a máxima do ano na cidade foi de 40,2ºc na Vila Militar, em 30/01) e 39ºc na Vila Militar. A madrugada já indicava o que estava por vir, a maior temperatura registrada na capital no início do dia foi a da estação mais alta da cidade, localizada numa encosta a mais 500 metros acima do nível do mar (29ºc), indicando que havia muito ar quente em altura, só esperando o sol raiar para “cair como uma pedra” sobre o resto da cidade. Também fez 23ºc no começo da madrugada deste dia 14 na Terra do Gelo/Bom Jardim da Serra em SC (mas logo depois veio a LI, com ótimas chuvas, e a temperatura despencou) e até 24ºc em Curitiba, indicando que a área sob influência do ar quente em altura era bastante extensa. A máxima deste 14/09 foi a maior na cidade do Rio de Janeiro (estações minimamente padronizadas) desde o dia 04/02, quando fez 39,7ºc na Vila Militar e 39,8ºc na hoje abandonada automática de Jacarepaguá. Mas algumas estações registraram a máxima do ano também neste dia 14, como foi o caso da rampa da Pedra Bonita (estação mais alta da cidade do Rio, numa encosta a 520 metros de altitude), que teve máxima de 33,6ºc ontem (o recorde do ano era 32,6ºc em 04/02) e a PWS do Leblon (que recebeu ventos continentais e registrou 38,6ºc, bem acima da máxima anual anterior de 35,8ºc, registrada em fevereiro). Apesar do forte calor, foi um dia feio, com céu totalmente esbranquiçado e brilho do sol fraco (efeito das nuvens altas, fumaça em altura e outros poluentes). No interior do estado, a máxima do ano também foi renovada em algumas estações, como foi o caso do Inmet de Nova Friburgo (zona rural), que alcançou os 30ºc (30,7ºc) pela primeira vez no ano de 2021 ontem. Resende (36,9ºc) e Valença (37ºc), mais para o sul/oeste do estado, também renovaram suas máximas anuais ontem. Foram registradas rajadas de vento sudoeste durante a noite na RM do RJ (pico entre 70 e 80 Km/h nas automáticas de Marambaia, Copacabana, Pedra Bonita e Praia do Pepino), que aliviaram o calor, prenunciando as condições mais amenas dos próximos dias. Mas, ao que tudo indica (salvo alguma surpresa bem no final do mês, o que me parece muito improvável) as máximas deste 14/09 serão também as máximas absolutas finais de 09/2021, e ficaram um pouco abaixo dos extremos de calor registrados nos últimos 2 anos em setembro em grande parte do RJ, além de distantes do recorde mensal (registrado no dia 09/09/1997, com picos entre 42 e 43ºc) na área da capital. Na Vila Militar (subúrbio da capital), o último setembro com máxima absoluta menor que a deste ano (39ºc) foi o de 2018, que não passou dos 36,7ºc. Depois do “bafo de dragão” desta terça-feira, o marasmo vai voltar com tudo ao Rio de Janeiro, e de hoje em diante já voltamos à “programação normal” (alternância entre dias com um pouco mais de sol e calor normal, e outros sob influência de ventos úmidos do mar, estes com chuva fraca ocasional e baixa amplitude, sem qualquer extremo de temperatura ou precipitação à vista). Aliás, 2021 vem sendo um ano extremamente monótono no Rio de Janeiro, sem dúvidas é o ano mais monótono desde o também muito inexpressivo 2017 (está talvez compensando 2020, que teve extremos de precipitação notáveis em fevereiro, agosto e setembro). Saudades do dinamismo de setembro de 2012, quando o Rio de Janeiro foi da máxima do ano no dia 19/09 (41,6ºc na Marambaia) para a frente fria mais intensa do ano no dia 26/09 (12,7ºc no meio da tarde no Alto da Boa Vista, 15/17ºc nas estações da capital ao nível do mar, e congelamento/sincelo no alto do PNI).
  4. Depois de Elsa, tão fraco que sofreria "bullying" até de uma chuva de verão comum, chegou a vez de Olaf. Esse ao menos é um furacão de verdade, ainda que fraco (cat1/2), e no momento atua sobre o extremo sul da Baixa Califórnia, no México. Nas próximas horas, a tempestade vai se afastar para o alto mar e enfraquecer, mas antes segue provocando rajadas fortes e chuva na região de Los Cabos (vídeo abaixo).
  5. Da série "sempre pode piorar", a Nova Zelândia registrou o inverno mais quente da história das observações (desde 1910) em 2021, quebrando o recorde anterior de...2020! Situação análoga à de 1970/1971. A temperatura média nacional no trimestre JJA foi de 9,8ºc (sim, para eles é quente). Diante disso, a Austrália nem pode reclamar de ter registrado o quarto inverno mais quente da história em 2021 (atrás de 1996, 2009 e 2013). As médias nacionais começaram a ser registradas na primeira década do século XX. Resumo do inverno na Austrália: http://www.bom.gov.au/climate/current/season/aus/summary.shtml Apesar de terem ocorrido alguns eventos de frio que trouxeram máximas baixas para o sul do país, pela primeira vez (desde o início do monitoramento na região em 1957) nenhuma estação na região das "montanhas nevadas" (Snowy Mountains) registrou uma mínima abaixo dos -10ºc. Ou seja, o Brasil "ganhou" da Austrália em mínima absoluta no inverno de 2021.
  6. Sim, 09/1912 foi um mês interessante, uma espécie de “retorno ao inverno” após um agosto já meio primaveril (para os padrões da época, é claro) em grande parte do Sudeste, e provavelmente em parte do Sul também. Enquanto em São Paulo a temperatura média mensal caiu de 15,4ºc para 13,8ºc (08/09), no antigo observatório do Rio de Janeiro (Morro do Castelo, na região central ) a média caiu de 21,1ºc em agosto para 19,1ºc em setembro (setembro mais fresco do período 1890/1920, e muito provavelmente de todo o século XX). Para dar uma ideia do significado desta média em pleno Centro do Rio de Janeiro, não houve nenhum mês até agora no século XXI (sim, incluindo JJA) com média abaixo dos 20,3ºc por lá, para encontrar um junho ou julho mais fresco teríamos que voltar até os anos 60 do século passado, e o recorde absoluto (menor média mensal) foi de 18,2ºc em julho de 1925. Além deste evento do início do mês, houve outro no meio do mês (que trouxe máximas baixas), e mais um no final do mês, que provocou mínima de 5ºc em Belo Horizonte no dia 26/09/1912 (recorde para setembro da “mini-normal” 1910/1919). Outro mês “bizarro” foi outubro de 1910, com média de 19,7ºc no Centro do Rio de Janeiro (novamente, bate qualquer mês invernal do século XXI, último mês mais fresco por lá foi julho de 1988) e 15,4ºc em São Paulo, creio que na Av.Paulista (0,3ºc abaixo da média horária de julho de 2021 no Mirante do Santana, e 0,1ºc acima do valor registrado em junho de 2016). O primeiro domingo de setembro foi um dia dominado pelas nuvens rasas vindas do mar no Rio de Janeiro e Niterói, com abertura maior do céu apenas no final da tarde (mas até chuviscou rapidamente à noite, após o tempo ensaiar uma abertura). Com isso, a máxima ficou “comportada”, não passando dos 24,6ºc no Centro do Rio (Santos Dumont) por volta das 9:00 da manhã (a tarde passou toda entre 22 e 23ºc) e dos 27,2ºc na calorenta Vila Militar (subúrbio), pois o sol apareceu brevemente na parte da manhã também. Esse padrão xoxo de máximas “comportadas” e mínimas altas (o mesmo Santos Dumont não baixou dos 21,9ºc de mínima) deve continuar até o feriado, e esta noite há uma sensação de abafamento e desconforto (para a época), apesar da máxima ter sido amena (a tarde estava mais agradável até, com uma leve brisa do mar). Pelo menos, não está sendo previsto nenhum pico de calor mais significativo por aqui até o dia 12 no mínimo (existe a possibilidade de um pico no dia 13, arrefecendo logo depois), e haverá amplo predomínio ventos marítimos até lá. Nesta segunda-feira, o tempo segue com muitas nuvens e algumas aberturas de sol, e poderá chover bem fraco, de forma rápida, em alguns pontos.
  7. @Carlos Campos, a respeito do refresco ocorrido em setembro de 1945 após um agosto quente em parte do Brasil, existem vários registros de setembro mais fresco que agosto no Rio de Janeiro (embora, evidentemente, o oposto sempre tenha sido mais comum), mas nos últimos anos essas ocorrências andam em falta. E o mesmo vale para São Paulo, contei por alto umas 17 ocorrências (setembro mais fresco que agosto) desde o início das observações no Mirante do Santana na década de 1940, sendo que a década de 2000 concentrou o maior número (5 anos, metade da década!), e 2002* registrou a maior queda (2,2ºc, após o agosto mais quente da história). Talvez estejamos “pagando” por essa anomalia ocorrida na primeira década deste século (o último caso em SP/Mirante foi no ano de 2011, com queda de um décimo na compensada entre 08 e 09), ou pode ser apenas uma coincidência. Na série pré-Mirante, o destaque foi 1912, que saiu de uma média de 15,4ºc em agosto para 13,8ºc em setembro (o setembro mais frio já registrado em SP), mas de uma maneira geral era menos frequente setembro ter média menor que agosto naqueles tempos por lá. *Após registrar o agosto mais quente da história em 2002 (20,3ºc média comp), o Mirante do Santana registrou o agosto mais fresco do século XXI no ano seguinte (16,1ºc em 2003, que foi ainda o agosto mais chuvoso do século atual aqui no Rio). Em 1983, setembro foi excepcionalmente úmido em praticamente todo o estado do RJ (muitos dias com chuva e quase nenhum dia de sol), resultando numa média das máximas menor que a de qualquer outro mês do ano na maior parte do estado, apesar do ar polar quase não ter atuado, foi mais falta de sol mesmo. O último caso de setembro mais fresco que agosto na automática da Vila Militar (subúrbio da capital fluminense) foi em 2011, quando a média horária caiu de 21,6ºc em agosto para 21,2ºc em setembro, mas a maior queda desde a abertura da estação (em 2006) ocorreu entre agosto e setembro de 2008, com média horária saindo de 22ºc (08) para 20,9ºc (09). Em Teresópolis (auto), a média caiu de 16,4ºc (08) para 15,4ºc (09) em 2008. Por outro lado, o maior aumento ocorreu no ano passado (2020), quando saímos de um agosto dentro da média dos últimos anos e um pouco acima da média histórica (21,2ºc, por coincidência a mesma média de 08/2021) para um dos setembros mais quentes de todos os tempos (24,6ºc). Dados da Vila Militar também. Este ano, setembro tende a registrar (novamente) temperatura acima da média no RJ, mas duvido que alcance as médias elevadíssimas de 09/2020, os dados até agora não indicam que isso vá acontecer aqui na minha área pelo menos, apesar da certeza de que teremos alguns picos de calor, que são típicos do mês. O tempo vai seguir muito desinteressante por aqui nos próximos dias, com um padrão bem “primaveril” a perder de vista (alternância entre dias sob efeito da brisa do mar, com tempo abafado, mais úmido e baixa amplitude, e outros dias com ventos continentais e máximas mais altas/maior amplitude). Também há previsão de pouca chuva nesta primeira metade de setembro, mas agosto conseguiu superar um pouco a média de 50 mm (choveu 64,5 mm na cidade do Rio em agosto, pela média dos 33 pluviômetros do Alerta Rio), então a falta de chuva não será um problema aqui na área. Mas esses dados que você postou de mínima absoluta mensal (1945) com certeza não são de Belo Horizonte (o autor do artigo deve ter se confundido e trocado a estação, ou é mais um caso de estação trocada pelo Inmet na hora da digitalização), pois a mínima absoluta da cidade em 1945 foi de 7,8ºc no dia 10/07, de acordo com o anuário (a estação já ficava num lugar muito ruim para mínimas, perto do “coração” da cidade assim como hoje, embora eu não saiba qual a era a localização exata), e os dados do anuário batem com a normal climatológica 1931/1960. O recorde absoluto de BH foi de 2,2ºc em julho de 1910, enquanto em 1918 fez 2,4ºc no dia 26/06, naquele evento histórico. Na década de 1910 a estação ficava na área central, mas a cidade ainda era muito pequena. O recorde da normal 1931/1960 na capital mineira foi de 4,4ºc em 20/06/1952, e a estação funcionou sempre na área na área central da cidade durante esse período também (mas a urbanização já influenciava mais). Apenas de meados da década de 70 até o começo dos anos 80 a estação principal de BH funcionou por um tempo no Horto, o que trouxe algumas mínimas mais baixas que as registradas nas décadas anteriores (vide 1979). Falando de dados históricos, 1963 foi um ano muito seco no Centro da cidade do Rio de Janeiro (643,8 mm), mas os anos mais secos por lá foram 1984 (575,8 mm) e 2014 (585 mm). Se considerarmos 1934 (614,6 mm), 1963 seria o quarto ano mais seco da série 1851/2020, mas os totais pluviométricos da estação central do Rio estão subestimados (em pelo menos 20%) por toda a década de 1930, então muito provavelmente 1963 foi o terceiro ano mais seco da série. Me chama a atenção como Brasília nunca registrou menos de 1000 mm de chuva em um ano, a cidade sempre consegue superar uma eventual falta de chuva em algum mês tradicionalmente chuvoso no mesmo ano.
  8. Eu já tinha encontrado algumas informações sobre este evento, e realmente todos os registros que sobreviveram ao tempo indicam que foi algo raro, até para os padrões de uma época em que o planeta inteiro era bem menos quente (ou mais frio) que agora. O oeste Europeu foi a região mais atingida. Alguns registros instrumentais bem esparsos já existiam na Europa naquela época, e em janeiro (auge do frio, depois foi moderando até março, mas a T permaneceu abaixo da média na maior parte do tempo até o começo da primavera) foram registradas temperaturas mínimas absolutas de até -17ºc no meio da laguna de Veneza (4ºc abaixo do recorde moderno), -29ºc em Berlim (com média mensal de -13ºc na capital alemã, quase 5ºc abaixo do segundo mês mais frio da história) e abaixo dos -20ºc na área urbana de Paris, além de registros extremos na casa dos -30ºc nos pontos mais frios do vale do Rio Pó (Itália) e do interior da França, com vários relatos de morte de árvores e congelamento parcial de alguns lagos que jamais voltariam a congelar (como o de Garda, na Itália, conhecido pelo clima subtropical e pelos invernos muito brandos), e também houve um relato de placas de gelo saindo pela foz do Rio Tejo, na cálida cidade de Lisboa, o túmulo do frio dentre as capitais europeias (tem mínima absoluta mais alta que São Paulo no século XX, um fiasco monumental para a latitude). Outra MP bastante intensa, mas de duração e abrangência um pouco menores, ocorreu em dezembro de 1788. No século seguinte (ainda durante a “pequena era do gelo”), também ocorreram diversos eventos muitos fortes de frio no oeste europeu, como em janeiro de 1838, dezembro 1879 e janeiro de 1893, mas 1709 superou todos esses eventos (dentre outros) pelo conjunto da obra. No século XX, a maior onda de frio registrada no oeste da Europa ocorreu em fevereiro de 1956, evento que provocou grandes mudanças na agricultura em algumas áreas (a região da Provence, no sul da França, teve vários dias de frio muito abaixo de zero e neve abundante, que dizimaram a produção de azeite), e se destacou principalmente pela abrangência e duração. Somente nos dias de hoje, com o aquecimento global e os invernos (em média) cada vez mais quentes, este tipo de cultura esta voltando com mais força à região, tamanho foi o baque causado por 02/1956 (uma versão francesa de 07/1975 no norte do PR). A maior onda de frio do século XXI até agora (fevereiro de 2012) não chega nem na ponta do pé destes eventos mais fortes dos séculos anteriores. Periodicamente, ocorrem invasões de ar frio no oeste da Europa, vindas sempre do leste/nordeste, mas com o clima mais quente a severidade do frio vai diminuindo (o frio de 02/2012 foi muito mais brando que o de 02/1956, que por sua vez ficou muito aquém de 01/1709). Mas acho que este vídeo poderia ter sido postado no tópico “O tempo antigamente”; não vejo motivos para um tópico só para ele, vai acabar caindo no esquecimento. Seria uma forma de manter “vivo” um tópico que serve para postagens como essa.
  9. Não foi vento sustentado, foi instantâneo (rajada na hora da foto, o 172 foi a maior rajada até então). Foi estimada uma altura de 18 metros para o instrumento, embora isso ainda esteja sendo avaliado (de qq forma, estava acima da altura padrão). O fato de ter sido registrada num navio ancorado também favorece valores maiores, pois praticamente não houve fricção com o solo, que sempre deixa os ventos bem mais fracos em terra firme (uma estação meteorológica oficial no aeroporto de Galliano, na parede leste do olho, registrou vento sustentado máximo entre TS E CAT1 (70 mph), e rajada máxima de CAT 2 (98 mph). Isso na parede interna de um cat 4 (borda da parede interna, mas ainda assim na parede interna). O fato do fluxo de ar interagir com a navio antes de atingir o instrumento também afeta o registro, embora um estudo mais detalhado seja necessário para sabermos de qual forma (o posicionamento do navio em relação ao vento, a posição do sensor no topo no navio, tudo influencia). Mas de qq jeito isso foi durante o "landfall", quando os ventos eram mais fortes, então é compatível com as condições de registro. Mas uma elevação para categoria 5 seria um grande absurdo nesse caso, e duvido que exista a mais remota chance disso acontecer (eles costumam ajustar em 5 mph para mais ou para menos, o que não resultaria em mudança de categoria para o Ida). E, se for o caso de ajustar, seria mais justo para baixo nesse caso. Aliás, me surpreendi positivamente na temporada passada com o "realismo" no NHC (levando em conta o histórico recente deles, que mudaram a forma como as tempestades são classificadas e nomeadas fingindo que estavam fazendo tudo como sempre, resultando num aumento artificial no número de sistemas nomeados e também em classificações mais agressivas, o que fez e está fazendo a festa dos alarmistas de plantão). Mas o NHC deu uma pisada no chão em 2020, ao menos no que diz respeito à intensidade dos sistemas mais intensos, pois se dependesse dos "wishcasters" de plantão, que se julgam grandes conhecedores, a temporada passada teria registrado no mínimo 3 furacões de categoria 5 (mas terminou sem nenhum, e olha que no caso do Iota eu nem tinha muitas objeções não, ele passaria fácil como "Cat 5 mínimo", mais fácil que Matthew por exemplo, e muito mais fácil que aquela aberração em águas quase frias do Lorenzo). Considero um absurdo Lorenzo ser classificado como mais forte que Iota e até mesmo Eta, mas na prática ninguém fora do NHC acredita nisso (acho que nem eles acreditam, mas não vão dar o braço a torcer; ao menos tão cedo não vão, talvez só daqui a muitos anos quando ninguém mais se lembrar). Voltando ao Ida, as imagens de uma câmera remota no porto de Fourchon indicam que o "storm surge" atingiu a região após a passagem do olho... Antes do olho: Durante e após o olho (obviamente que houve um corte no vídeo, mas eu gostaria de ter visto a transição):
  10. Pode ser que nesse caso o efeito dominante seja mesmo da calibração, de alguma falha na aspiração do sensor, ou mesmo de outro fator, como o que você mencionou, mas ainda considero que há alguma participação do “triângulo” de asfalto, apesar de serem pistas bastante modestas para o padrão da maioria dos aeros. Já no caso de Tri-Cities, a influência das áreas asfaltadas/concretadas é evidente. Além da estação do aero (ponto vermelho) ter sido a única num raio de mais de 100 km a registrar o pico do calor do dia 27 (com vento leste), a diferença para as PWS mais próximas (localização aproximada indicada pelas setas, típico subúrbio americano) caiu de 3ºc no dia 27/07 para nenhuma do dia 29/07. Enquanto ao norte da estação do aero existem áreas cobertas por vegetação rasteira e plantações, ao leste há a pista do aeroporto (mais larga que a de Dallesport) e, mais além, uma significativa área concretada exposta do sol e um grande estacionamento ferroviário. Mas a questão principal é mesmo a falta de preocupação com a qualidade dos registros, que predomina nos EUA também (o que pude confirmar em contatos por e-mail com funcionários de alguns escritórios locais no NWS). Uma das causas é a mesma do Brasil, a burocracia. O responsável pelas estações é o NWS (mas quem tem maior influência sobre o posicionamento das estações é a FAA, o que vou abordar em outro parágrafo, e o responsável pela homologação dos registros é o NCEI, órgão cheio de burocratas que não estão nem aí para a qualidade dos dados, tanto que já homologaram um recorde estadual de calor que estava mais de 10ºc acima da temperatura máxima possível no dia, e só voltaram atrás depois que o próprio serviço local de climatologia do Colorado se pronunciou sobre o absurdo do registro). Os funcionários do NWS têm meio que uma rivalidade com os do NCEI, mas alguns também se aproveitam da situação para “lavar as mãos” sobre a qualidade dos registros. Num dos contatos que fiz, com o escritório local de Boston/Norton (a estação da “capital acadêmica” dos EUA registrou temperaturas superestimadas por quase um ano entre 2019 e 2020, um funcionário admitiu que, após ser detectado que o sensor da estação da cidade (aeroporto Logan) estava descalibrado, a troca foi feita, mas os dados anteriores não seriam corrigidos (seria relativamente fácil corrigir, pois a diferença entre as anomalias mensais desta estação e as mais próximas indicou com bastante precisão, por vários meses, o quanto a estação estava descalibrada). Para corrigir os dados, eles teriam que entrar em contato com o NCEI, talvez por isso tenham deixado a questão de lado. Em outro contato, com o escritório da região de Key West (quando questionei sobre uma estação que registrava máximas e mínimas sempre 3ºc acima das mais próximas, isso bem antes da pandemia), o funcionário foi bastante solícito e disse que eles também haviam percebido as discrepâncias, e que uma obra nas proximidades da estação havia afetado grandemente os registros, mas que eles precisavam pedir autorização à FAA (agência de aviação federal) para providenciar o reposicionamento da estação, um processo algo burocrático e demorado. Quando os interesses da meteorologia e da climatologia são submetidos aos da aviação, as duas primeiras sempre vão sair perdendo. Claro que lá tem muito mais dinheiro disponível, não dá para comparar com o Brasil nesse aspecto. Só que dinheiro, apesar de muito importante, não é tudo. Uma coisa que aprendi ao longo dos anos é que os EUA têm uma das redes de estações meteorológicas oficiais mais caóticas e de qualidade mais irregular dentre todos os países ditos desenvolvidos do mundo. Voltando ao monitoramento, a chuva final do dia de ontem (sábado) em NYC ficou assim nas estações oficiais (choveu mais em partes de Manhattan e do Brooklyn): Central Park: 113 mm La Guardia aero: 29,9 mm Kennedy aero: 54,1 mm Newark: 32,5 mm Foi o maior total diário no Central Park desde 2014, mas o maior evento de chuva dos últimos anos ocorreu em agosto de 2011, com os seguintes registros no dia 14 (foi um evento bem mais generalizado, com totais elevados por toda a cidade e arredores): Central Park: 147,6 mm La Guardia aero: 167,6 mm Kennedy aero: 198,1 mm (pico de mais de 70 mm em 1 hora) Newark: 162,6 mm O recorde histórico de chuva em 24 horas no Central Park (desde 1869) foi de 283,7 mm entre os dias 8 e 9 de outubro de 1903. O recorde diário (leva em conta apenas o dia do calendário) foi de 210,3 mm em 23/09/1882. Fico imaginando qual teria sido a abordagem da mídia se esses recordes tivessem sido quebrados, mas na verdade já sei exatamente qual seria...
  11. Na verdade, considero péssimo. Eu acompanhei várias PWS na região neste período e o pico de calor em todas elas (exceto as de marca ruim, com superaquecimento notório) ficou entre 44 e 46ºc, incluindo as duas mais próximas do aeroporto, que ficam logo ao norte e na mesma planície (uma Davis Pro 2 e uma Rainwise, fez 45,9ºc na primeira e 45,5ºc na segunda). No aeroporto fez 47,8ºc, e praticamente todo dia esta estação (oficial) aquece mais que as próximas, especialmente com sol. Não precisa ser onda de calor não; hoje foi um dia ensolarado e fresco para os padrões de agosto na região, mas fez 25,6ºc na estação “oficial” do aeroporto de Dallesport, enquanto essa (https://www.wunderground.com/dashboard/pws/KWADALLE2?cm_ven=localwx_pwsdash) PWS teve máxima de 22,6ºc. Não tenho nada contra estações em aeroporto, mas o local precisa ser minimamente bem escolhido dentro da área disponível. Nesse caso, não precisavam ter colocado a estação bem no meio do triângulo de asfalto/concreto (qualquer direção de vento leva ar aquecido pelo asfalto sob o sol até a estação). Não posso quantificar exatamente o tamanho do superaquecimento (algo que só um estudo feito no local poderia esclarecer), e pode ser que haja algum problema de calibração também piorando tudo, mas duvido que seja apenas questão de calibração. Nos locais que indiquei com as setas vermelhas, por exemplo, ao menos a influência do calor da pista não ocorreria com todas as direções de vento (claro que, para escolher o melhor local, é preciso levar em conta o regime local de ventos também, as direções predominantes). Outro caso que me faz apostar na influência negativa do asfalto ocorreu no aeroporto de Tri-Cities, em Pasco (no mesmo estado de Washington), cuja estação oficial registrou uma máxima de 46ºc no dia 27/06 (quando três PWS ao lado registraram valores entre 43 e 44ºc), sendo que neste dia havia um vento leste constante nas horas mais quentes, soprando o ar diretamente de uma imensa área concretada e asfaltada para a estação do aero. Mas no dia 29/06, que foi o pico da onda de calor em toda a região, a estação do aeroporto registrou máxima de 45ºc exatos, enquanto as 3 PWS mais próximas ficaram entre 44,9ºc e 45,8ºc. A diferença é que neste dia o vento soprava de N/NW, atravessando diretamente de áreas cultivadas para a estação do aero, sem passar pela pista do aeroporto antes de alcançar a estação, e justo neste dia o aero bateu perfeitamente com as PWS mais próximas. No aeroporto de Tri-Cities a estação meteorológica não está completamente cercada pelo asfalto, então foi possível "isolar" o efeito que as áreas concretadas/asfaltadas exercem sobre a temperatura registrada dependendo do vento. Para não fugir totalmente do monitoramento, Manhattan (NYC) está registrando um final de noite muito chuvoso neste sábado, com acumulado de 84 mm nas últimas 2 horas e 49 mm na última hora (até 23:53), são os maiores volumes de chuva em 1 e 2 horas desde que os dados horários da estação (NYC Central Park) passaram a ser disponibilizados na web, no final da década de 1990. A circulação do ciclone Henri (que vai passar longe da cidade) está alinhando áreas relativamente pequenas, mas que se movem muito lentamente, de chuva sobre parte da costa leste.
  12. Esses 4,2ºc do dia 31/07 superaram o recorde mensal anterior de 4,8ºc em julho de 2008, e também o recorde absoluto anterior de 4,5ºc em junho de 2009 (2006/presente), mas continua sendo uma marca relativamente ruim para mínima absoluta, bem acima do potencial local. Mesmo no podre padrão climático atual, um evento com alguma relevância histórica (como 07/2000) provocaria uma mínima absoluta provavelmente entre 2ºc e 3ºc. No início do século XX, uma estação também em encosta conseguiu 0,1ºc por lá. Além de Teresópolis, as automáticas de Duque de Caxias/Xerém e Seropédica (na RM) também quebraram seus recordes de mínima no dia 31/07/2021, com 7,5ºc e 8,2ºc. Na cidade do Rio, infelizmente o evento foi um grande fracasso, com sol durante o dia para impedir uma máxima baixa e nuvens durante a noite eliminando qualquer chance de uma mínima relevante. Nenhuma estação da cidade do Rio registrou sequer a mínima do ano (que já não foi grande coisa na maior parte da cidade) neste evento do final de julho. Até eu, que estava com expectativas bem baixas, consegui me frustrar um pouco com o evento do final de julho no Rio e Niterói; foi um alinhamento perfeito para impedir marcas decentes sob um frio em altura razoável para os padrões locais, evento que poderia ter provocado marcas melhores. O calor atual é prolongado para os padrões de agosto (tivemos a máxima do mês nesta sexta, com até 34ºc nos bairros mais quentes e 29,6ºc no aero Santos Dumont, causando sensação de desconforto), e as mínimas nas áreas mais urbanizadas já não descem mais dos 20ºc também (além dos topos e encostas), mas o que chama a minha atenção é que os modelos começaram a incrementar a chuva prevista para o final do mês, e pelas previsões atuais (ainda pouco confiáveis, mais uma tendência) agosto se tornaria facilmente o mês mais chuvoso do “inverno” de 2021 no Rio de Janeiro. O curioso é que, apesar de agosto ser o mês mais seco do inverno (nas normais desde 1961, 1971, 1981 e 1991), 2021 poderá ser o quarto ano seguido com agosto registrando o maior índice pluviométrico da estação (falta pouco para isso, uns 10 mm mais ou menos na média de toda a cidade). Ano passado, um evento de chuva frontal em agosto quebrou recordes de precipitação diária para o mês no centro da cidade do Rio (mais de 70 mm) e no Alto da Boa Vista (mais de 200 mm em 24 horas), entre os dias 21 e 22.
  13. As estações automáticas do Inmet em Teresópolis e Nova Friburgo ficaram sem transmitir os dados por vários meses neste ano de 2021, mas boa parte dos dados (deste período em que as estações ficaram sem transmissão dos dados) voltou a ser disponibilizada no site agora que a as estações voltaram a transmitir normalmente. Duas horas de dados foram perdidas nas duas estações em quase todos os dias deste período sem transmissão, mas sempre em observações na parte da noite, sem impactar as maiores máximas. Resolvi pesquisar no banco de dados e descobri que as duas automáticas estão sem alcançar os 25ºc desde o dia 29/05, quando fez 26,2ºc (Nova Friburgo auto) e 26,8ºc (Teresópolis auto). Importante ressaltar que estes dados se referem apenas às respectivas estações automáticas do Inmet (a primeira em zona rural e a segunda num bairro de urbanização pouco densa, mas bem perto da borda da serra), pois na área central das duas cidades já foram registradas algumas máximas acima dos 25ºc em junho e julho deste ano. Ontem e hoje, apesar do sol, as máximas ficaram na casa dos 23/24ºc, mas a “festa” deve acabar nos próximos dias, e a chance da barreira dos 25ºc ser superada ainda esta semana é bem grande, e ne semana que vem é praticamente uma certeza. O interessante é que eu resolvi pesquisar dados de outros anos no mesmo período, e descobri que em Nova Friburgo/auto a última vez que ocorreu um período maior que o atual sem alcançar os 25ºc foi no quentíssimo inverno de 2015, um dos mais fracos de todos os tempos no RJ como um todo. Isso mesmo, em 2015 a estação superou os 25ºc no dia 25 de maio (25,7ºc), e depois isso só voltou a acontecer no dia 30 de agosto (25,8ºc). Pode parecer contraditório que um inverno muito quente tenha conseguido algo que outros invernos bem mais frescos (como 2017) não conseguiram, mas uma possível explicação é que o inverno de 2015 foi tão fraco, mas tão fraco, que nem mesmo pré-frontais decentes existiram, o que deixou a temperatura acima da média quase que o tempo todo, mas sem picos dignos de nota. Por outro lado, pré-frontais de eventos como junho de 2016 (que foi moderado/quase forte na região) e julho de 2013 (muito bloqueado, mas com neve histórica em parte do Sul e forte queda das máximas na serra fluminense) produziram recordes mensais de dias quentes, com médias diárias dignas de alto verão e máximas bem altas também. Depois de ficar 96 dias seguidos sem alcançar os 25ºc em 2015, Nova Friburgo/auto viria a registrar um recorde mensal de calor no dia 31 de agosto (28,1ºc), e outro no dia 25 de setembro do mesmo ano, com 32,2ºc (na área urbana, a máxima passou dos 35ºc no último evento). Recordes de agosto nas automáticas Inmet de Teresópolis (2007/2021) e Nova Friburgo (2011/2021): 4,6ºc (18/08/2010) e 29,7ºc (27/08/2007) - Teresópolis. -1.1ºc (08/08/2014, igual ao recorde absoluto de setembro de 2011) e 28,1ºc (31/08/2015) - Nova Friburgo.
  14. No Rio de Janeiro (bairros mais quentes), a temperatura já alcançou os 40ºc em 8 meses diferentes, entre agosto e março. A última ocorrência em agosto data de 1993, no final do mês e em Bangu (é o único registro que conheço de 40ºc na cidade do Rio em agosto, mas pode ter havido algum outro). Se houver um alinhamento perfeito de condições, não descarto 40ºc bem isolados em abril também (no estado do clima atual). Mas entre maio e julho só se o clima aquecer muito ainda, no clima atual é praticamente impossível (já mais de 35ºc aconteceu em todos os meses). Em setembro de 1997 (ainda oficialmente no inverno, no dia 09) foi registrada uma máxima horária de 43ºc no aero de Santa Cruz (capital), e fez até 42,6ºc no Inmet de Seropédica, recorde absoluto da estação. Neste mesmo dia, registros na casa dos 40ºc ocorreram nas baixadas litorâneas desde o extremo nordeste de SC (muito provavelmente) até o centro do estado do RJ. A RM do RJ é a única de uma capital em todo o centro-sul do Brasil onde algumas estações (como Seropédica e antiga convencional de Marambaia) registraram suas máximas absolutas de todos os meses ainda no inverno (inverno oficial, na prática primavera). Ao contrário do @marcio valverde, eu não diria que o Rio aquece mais que Santos (ao menos nos extremos, pois em média com certeza aquece). A finada estação histórica do Inmet em Santos ficava em um ponto ruim para extremos de calor (Ponta da Praia), mas existem outros registros na casa dos 40ºc na região, inclusive em 09/1997 na base área do Guarujá e também numa outra estação em Santos mesmo (acho que do Ciiagro), e existe ainda um registro de 41ºc numa normal antiga de Santos em 1915 (não sei onde ficava a estação). Se houvesse um monitoramento de vários anos na parte continental de Santos, tenho certeza que a barreira dos 40ºc seria quebrada de vez em quando. A estação histórica do Rio também ficava num ponto ruim de máximas absolutas, moderado pelas águas da Baía de Guanabara (mas que representava o clima do “centro financeiro” da cidade), e o recorde absoluto de calor entre 1882 e 1991 foi de “apenas 39,1ºc”. Na maior parte da zona sul (parte turística) do Rio é muito raro fazer 40ºc também, embora falte um monitoramento histórico na região. Tudo depende do microclima no local monitorado, mas as duas cidades tendem a registrar seus recordes absolutos de calor durante "eventos adiabáticos", embora o Rio tenha bairros com continentalidade maior, o torna a frequência de máximas altas bem maior no Rio (o fato do Rio ser menos úmido em média também é fundamental neste aspecto, Santos tem quase duas vezes média pluviométrica do Rio). Vitória tem a questão da orientação da costa, já mais sujeita aos alísios e com pré-frontais menos marcados, ali realmente os extremos de de calor são mais suaves (uma transição para a ausência de dinâmica térmica do litoral nordestino). Choveu fraco esta noite (com apenas dois trovões bem fracos, primeira trovoada "protocolar" desde maio) após uma tarde meio abafada hoje no Rio e em Niterói (mas nas baixadas litorâneas ao leste de Niterói choveu forte em alguns pontos, com destaque para os 76,4 mm em 40 minutos de Rio Bonito/Cemaden, intensidade rara para o mês de agosto). A previsão para os próximos dias indica tempo mais firme e um calor relativamente constante para os padrões da época até mais ou menos o dia 25, mas sem marcas dignas de nota, e existe a tendência de um novo refresco (ordinário) para o final do mês. Teremos condições bem monótonas no geral.
  15. Olá, existem muitos microclimas sim, e cada cidade da RM do RJ tem os seus. Niterói mesmo tem vários, apesar de ser bem menor que o Rio de Janeiro. Pena que não exista um monitoramento minimamente decente na cidade de Niterói (só mesmo a estação do Inmet, que fica num dos bairros com os dias mais quentes da cidade, e ainda por cima não foi bem posicionada, com máximas afetadas pela baixa circulação de ar em vários dias por excesso de obstáculos). Como você disse, São Gonçalo em média é bem mais quente durante o dia que Niterói, e a automática Inmet de Niterói fica quase em São Gonçalo (Barreto), por isso a estação representa muito mais o clima da área urbana de São Gonçalo que o da maioria dos bairros de Niterói. Já houve uma PWS no Engenho do Mato (bairro entre colinas com bastante verde em Niterói) que com frequência conseguia mínimas mais baixas que a auto da Vila Militar, se ela ainda estivesse em operação com certeza teria conseguido mais de uma “sub-10ºc” neste último mês de julho, marcado pelo “frio vampiro” nas áreas menos urbanizadas e adensadas aqui da região. Como circulo mais entre a costa da baía de Niterói a região central do Rio (além de partes da zona sul e a área mais central da zona norte), o aero Santos Dumont é que representa mais as temperaturas que sinto no dia a dia, especialmente as mínimas. Os dados oficiais de Tallahassee você pode encontrar no link abaixo (tem o “daily climate report”, “monthly weather summary”, “CF6 data”...), cada um exibindo os dados de uma forma. E, explorando mais a página (NOW data, local data/records), também há informações sobre climatologia (foi de onde tirei os recordes). https://w2.weather.gov/climate/index.php?wfo=tae Aliás, 2021 está bem fraco de chuva aí na cidade por enquanto, tem um desvio negativo acumulado no ano (via daily climate report) de mais de 10 polegadas (uns 260 mm), tomara que chova mais em agosto. Nas cidades a oeste (como Pensacola, Mobile e New Orleans) a chuva está acima ou muito acima da média esse ano até agora, Tallahassee está ficando de fora.
  16. Na verdade, choveu metade deste volume só em Tallahassee no mês passado. Foi um mês de julho com chuva abaixo da média na cidade, e ocorreram apenas eventos rápidos (pancadas de verão) de curta duração, sem nenhum acumulado diário acima dos 25 mm. Isso vale para a estação particular (PWS) da FSU, que me pareceu ter sido a utilizada no seu resumo. No aeroporto, o maior total diário ficou em torno dos 20 mm, e choveu apenas 115 mm no mês. Acontece que o Wunderground, apesar de oferecer esta utilíssima ferramenta de consulta aos os dados de várias PWS cadastradas, é um site muito esculhambado, e o software que eles utilizam para a totalização dos dados de chuva (por motivos de fuso horário, dentre outros) duplica os totais pluviométricos registrados em várias estações, além de não permitir a consulta aos dados do dia corrente em localidades que estão um dia à frente. Coisas que poderiam ser resolvidas aplicando os mais básicos conceitos de programação, mas fica claro que não tem ninguém por lá interessado nisso, pois o site está meio abandonado há bastante tempo, funcionando por inércia só deus sabe até quando (tem uma chamada de um blog extinto há anos na página principal deles que não sai de lá de jeito nenhum, de um antigo alarmista do clima). A estação "oficial" da cidade, no aeroporto de Tallahassee (NWS) registrou 115 mm de chuva neste último mês de julho, abaixo da média (1991/2020) de 181 mm. Apesar de ter chovido pouco, a temperatura ficou muito próxima da média (27,8ºc de média simples em 07/2021, contra uma normal 1991/2020 de 28ºc). A maior máxima no aeroporto foi de 36,7ºc no dia 31, e a menor mínima de 21,1ºc nos dias 10 e 11. Os recordes históricos de julho para Tallahassee (centro + aeroporto, desde finais do século XIX): Máxima absoluta: 40ºc (03/07/1931 e 15/07/1932) Menor máxima: 21,7ºc (07/07/1896) Mínima absoluta: 13,9ºc (07/07/1896 e 16/07/1967) Maior mínima: 27,2ºc (15/07/1980) Julho mais seco: 32,5 mm (1918) Julho mais chuvoso: 511 mm (1964) Dia mais chuvoso: 208,5 mm (18/07/1964) Julho e agosto são os únicos meses que nunca desceram dos 10ºc por lá (a mínima absoluta de agosto é a mesma de julho, mas foi registrada em 1997). Junho já marcou 7,8ºc (dia 01/1984), e setembro 4,4ºc (dia 30/1967). No dia do recorde de mínima de junho, a máxima alcançou os 28ºc, indicando que a região estava sob efeito de um ar muito seco, ou “polar velho”. Em 30/09/1967 não foi muito diferente; depois de baixar ligeiramente dos 5ºc, fez mais de 25ºc no meio da tarde (no dia anterior entrou um pouco de ar frio, com máxima de 22ºc). A continentalidade dessa região, apesar de estar colada ao Golfo do México, é um colírio para os meus olhos, eu aguentaria o verão abafado de boa. E ainda tem a eventual passagem de tempestades tropicais e furacões em enfraquecimento para dar uma temperada nos finais de verão e outonos (a cidade está suficientemente para dentro do continente para não sofrer impactos maiores dos furacões, tanto que a maior rajada já registrada no aero de Tallahassee foi de “tranquilos” 134 Km/h em setembro de 1990, marca que até alguns pontos da cidade do Rio conseguem alcançar nas ventanias mais fortes). Algumas fontes também citam uma rajada de 140 Km/h durante o furacão Katie em 1985, o mais forte a afetar a cidade diretamente, mas ainda bem tranquila para rajada de furacão. Em 1851, antes do início dos registros instrumentais, um furacão causou muitos danos e desfolhamento na área, provavelmente foi mais forte que todos os da era moderna. Mais informações sobre ciclones tropicais na área de Tallahassee aqui: https://emergency.fsu.edu/resources/hazards/tropical-storms-hurricanes/tropical-storms-hurricanes-history-fsu Enquanto isso aqui, num inverno que mídia vem chamando de frio (sinceramente...), a mínima absoluta não baixou dos 15ºc (em local urbanizado e perto da água de Niterói, mas mesmo assim é uma marca patética, e que representa bem os bairros mais centrais e conhecidos do Rio e Niterói de uma forma geral, com 1ºc para mais ou para menos). Quem olha os dados da Vila Militar (divulgados pelo Inmet na seção capitais) mal percebe que é uma realidade bem distante da sentida pela maioria dos cariocas; mesmo nos subúrbios em geral esfria menos que lá (há grandes descampados ao norte da estação que favorecem a perda radiativa).
  17. Mais uma vez a sua intuição não errou, os meses de agosto de 2012 e 2020 se destacaram a curta série da automática da Pampulha, como mostram as médias (744 horas) abaixo: Mas o que chama atenção é o rápido avanço da “primavera” sobre a área da capital mineira em agosto; enquanto no mês de julho em apenas duas vezes (de 15) a média horária mensal superou os 20ºc (2009 e 2016), em agosto apenas dois meses (de 14) ficaram abaixo dos 20ºc, de fato há uma mudança de padrão e tanto. Apesar disso, agosto conseguiu ser mais fresco que julho na auto da Pampulha em 2009 (20,5ºc x 20,3ºc), 2012 (19,4ºc x 19,1ºc) e 2020 (19,8ºc x 19,5ºc). Voltando para julho; apesar de eu não ter todos os meses tabelados (como tenho da Pampulha), eu resolvi comparar os julhos de 2017 e 2021 também nas estações mais “advectivas” da área de BH e, conforme eu já esperava, nesses casos 2017 se sobressaiu muito mais sobre 2021 (não fiz Florestal, mais radiativa, por estar sem dados no início de 07/2021). Quem mora nos bairros serranos de BH, especialmente nos topos e encostas, sentiu muito mais o inverno em julho de 2017. Médias horárias: BH Mangabeiras PWS: Julho 2017: 15,9ºc Julho 2021: 17,5ºc BH Inmet Cercadinho: Julho 2017: 15ºc Julho 2021: 16,4ºc Ibirité (Serra Rola Moça): Julho 2017: 15,4ºc Julho 2021: 16,7ºc Então, dentro de uma mesmo cidade a percepção e a realidade de meses diferentes pode variar bastante também (especialmente onde o relevo é mais acidentado). No Rio de Janeiro não é diferente; enquanto o aeroporto do Galeão (perto do extremo nordeste da cidade do Rio) registrou a menor temperatura média mensal do século XXI em 07/2021, e a Vila Militar provavelmente também, no Forte de Copacabana 07/2021 perdeu para vários outros meses como junho de 2016 e até mesmo julho de 2017 (que não se destacou nos bairros internos do RJ), enquanto na Marambaia 07/2021 “perdeu” pra 06/2016, mas “ganhou” de 07/2017. Portanto, se alguém perguntar qual foi o mês mais frio (na verdade, menos quente) do século XXI na cidade do Rio, a melhor resposta é: depende do bairro.
  18. As cidades das duas últimas normais completas que publiquei quebraram seus recordes absolutos de calor no final deste último mês de julho, ao mesmo tempo em que a frente fria mais forte do ano avançava pelo Sul e Sudeste do Brasil. Abaixo as tabelas atualizadas de Wakkanai e Asahikawa, com os novos recordes (Wakkanai fica no extremo norte da ilha de Hokkaido e tem um clima muito maritimizado, já Asahikawa tem um dos climas mais continentais da mesma ilha, e detém o recorde oficial de frio do Japão registrado em janeiro de 1902, mas os verões são abafados). Wakkanai registrou 32,7ºc no dia 28/07/2021, superando o velho recorde absoluto de 31,3ºc (22/08/1946). Atualizados também os recordes de maior mínima para julho (24,4ºc em 30/07/2021), de menor precipitação anual (749 mm em 2019), de agosto mais chuvoso (332 mm em 2020) e de maior precipitação diária em agosto (150,5 mm em 07/08/2020). EDIT 07/08: Novo recorde mensal e absoluto em Asahikawa no dia 07/08 com 37,9ºc (quinta vez que o recorde anterior, de 36ºc em 08/1989, foi superado desde 27/07/2021), e novo recorde mensal em Wakkanai no mesmo dia (31,6ºc). Também houve um novo recorde absoluto neste mesmo dia (07/08/2021) em Hakodate (33,9ºc), a cidade com série mais longa da ilha de Hokkaido (desde 1872). Foi o último dia de onda de calor que afetou parte de Hokkaido, pois uma frente fresca e chuvosa vai atuar nos próximos dias e não há mais chance de novos recordes. Asahikawa registrou 36,2ºc em 27/07/2021, 36,7ºc no dia 28/07/2021 e, por fim, 37,6ºc no dia 31/07/2021, superando o recorde anterior de 36ºc em 07/08/1989. Julho de 2021 também foi o mês mais quente da história da estação, com média de 24,4ºc (recorde anterior 23,9ºc nos agostos de 1938, 1978, 1994 e 1999). Atualizado também o recorde de julho mais seco (18,5 mm em 2021). O “domo de calor” que atuou entre o leste da Rússia e o norte do Japão durante boa parte de julho também provocou quebra de recordes absolutos no último mês em algumas cidades do leste da Rússia, como Magadan* (27,8ºc durante um surto de vento continental no dia 15/07, após ficar 11 dias sem alcançar os 15ºc) e Poronaysk (35,3ºc, dia 17/07). *O verão deles é ridiculamente ameno por conta da inversão térmica que envolve a cidade quase o tempo todo (brisa do mar gelado), a média das máximas não passa dos 15ºc no mês mais quente do ano. O inverno, em compensação, é extremamente ameno comparado com lugares um pouco para dentro do continente. EDIT 2 07/08: Enquanto isso, Tóquio poderá atingir os 35ºc pela primeira vez no ano no dia 10/08, sob efeito de ventos continentais/adiabáticos causados por uma baixa tropical/subtropical que vai se afastar para o alto mar (na área da capital japonesa o verão chegou devagar este ano, e mesmo com bastante calor nos últimos dias a máxima absoluta foi de "apenas" 34,8ºc, apesar de vários dias terem superado os 34ºc desde o final de julho). Caso os 35ºc não sejam alcançados na capital japonesa na próxima semana, 2021 vai ser (provavelmente, a janela só fecha 100% após o início de setembro) o primeiro ano sem uma máxima absoluta de 35ºc ou mais por lá desde 2009 (o recorde absoluto de calor em Tóquio ocorreu em 07/2004 com 39,5ºc, e mais recentemente fez 39ºc em 2018).
  19. Você acertou, as médias de julho (744 horas) na estação da Pampulha/auto desde a abertura (2006/2007) foram essas: Mas no ano atual fevereiro já registrou a menor média desde a abertura da estação da Pampulha, com 22,5ºc, marca que "superou" os 22,6ºc de 02/2007 (antes disso, a estação registrou o março mais fresco, com 22,3ºc em 2020, e o maio mais fresco, com 18,8ºc, também em 2020). O último mês a quebrar um recorde de maior média na automática da Pampulha foi maio de 2019, com 21,7ºc (saiu direto do maio mais quente para o mais fresco). Se a estação da Pampulha fosse mais antiga, julho de 2004 brigaria de igual para igual com julho de 2017 (na convencional do Santo Agostinho, a média dos dois meses foi quase igual, e estes foram os meses mais frios do século XXI por lá, com compensada um pouco abaixo dos 18ºc). Sobre o mês mais frio já registrado em BH, pode ter certeza que foi entre as décadas de 1910 (a primeira estação da cidade foi inaugurada no começo desta década) e 1920, ou no máximo nos anos 1930/1940 (menos provável nessas décadas). Além do clima que era mais frio naquela época, independente das ilhas de calor, havia muito menos urbanização também. Um mês "recordista" de menor média do século XXI fica acima da média do início do século XX em muitas cidades do Brasil. Em Brasília/Sudoeste (automática mais antiga do Inmet no Brasil junto com Seropédica, ambas inauguradas no ano 2000), julho de 2017 também foi o mês mais frio da história da estação (17,6ºc), seguido por julho de 2004 (18,2ºc) e julho de 2021 (18,4ºc). Em quarto lugar, vem junho de 2006 (18,5ºc). O julho mais quente da auto de Brasília foi registrado apenas um ano antes do mais frio, com 20,6ºc em 2016. Em Seropédica(RJ), junho de 2016 e julho de 2021 registraram a menor média mensal do século XXI (19,2ºc), mas julho de 2021 venceu no desempate (19,24 x 19,19). Sobre a questão que foi levantada a respeito das ondas de frio em Curitiba, só posso subscrever o que disseram o Marcos e o Carlos Campos (e vou além): 1975 foi incomparavelmente mais forte que o último evento no PR em todos os aspectos imagináveis, não faz o menor sentido comparar os dois eventos; mesmo com o Inmet/CWB naquela época já num local "ruim de mínima" baixou dos -5ºc, foi uma advecção poderosíssima, teve 3ºc no meio da tarde com sol entre nuvens (e urbanização não afeta em praticamente nada a menor máxima), foi outro patamar de longe. Mesmo no século atual, o mais quente da história e com níveis de urbanização iguais aos de hoje, Curitiba teve vários eventos mais fortes, como 07/2000 (último -3ºc no Inmet), 07/2013 e 06/2016 (e provavelmente mais alguns).
  20. Julho de 2021 no Rio de Janeiro: temperatura abaixo da media em toda a cidade, e especialmente nos bairros mais afastados do mar (em alguns bairros, menor média mensal do século XXI), e chuva abaixo da média (menos da metade da média, e segundo mês consecutivo que não alcança a média pluviométrica). Em termos de conforto térmico, foi um dos melhores meses que já presenciei por aqui, mas faltou um pouco mais de “tempero” (sem eventos marcantes na capital, Niterói e arredores; menores mínimas foram registradas por irradiação em locais menos urbanizados). O índice pluviométrico registrado na cidade do Rio de Janeiro (média dos 33 pluviômetros do Alerta Rio) foi de 24,9 mm em julho de 2021, aproximadamente 40% da média 1997/2020 (62,4 mm), e o menor para o mês desde o recordista absoluto em secura 07/2016. Quase toda (87/88%) a chuva do mês veio com a última frente fria, no dia 28 (antes dela, 07/2021 se encaminhava para ser o mais seco da história do monitoramento pelo Alerta Rio). As médias de chuva da rede Alerta Rio em julho desde 1997: Foi um mês comportado, sem eventos de destaque, mas que conseguiu se destacar na média graças à persistência do tempo mais ameno, e da passagem de duas frentes-frias (mais outra no final de junho, que influenciou as temperaturas no início de julho). Não foi um mês ruim de dinâmica (longe disso), embora também não tenha sido nenhuma maravilha, sendo que o final do mês foi o período mais dinâmico (dia mais quente do mês em 27/07 com até 33/34ºc nos bairros mais quentes, depois forte queda já no dia seguinte, e as menores máximas do mês apenas dois dias depois da maior máxima, com valores entre 19 e 20ºc nos bairros baixos no dia 29/07). As mínimas absolutas variaram bastante dentro da cidade do Rio; em alguns locais ficou acima dos 16ºc (São Conrado/Praia do Pepino), enquanto no Inmet de Jacarepaguá chegou a 8,4ºc (menor para o mês desde 2011 no município). No aeroporto Santos Dumont (Centro), a mínima absoluta foi de 15ºc, um valor normal para julho, e no Galeão (zona norte) 11,6ºc (menor para o mês desde 2011). A maior máxima variou bem menos, entre 30ºc e pouco menos de 34ºc pela cidade. O aero do Galeão teve a menor média mensal do século XXI, e a Vila Militar a menor média mensal desde a abertura da estação (em 2007). Apesar disso, nenhum recorde de menor máxima ou menor mínima foi quebrado na capital, nem mesmo em estações recentes como a Vila Militar; foi de fato um mês sem grandes extremos (Jacarepaguá auto registrou sua menor mínima, mas é uma estação “hiper mega ultra” recente, e que só passou por invernos ruins ou péssimos desde que abriu em 2018). A temperatura média horária de 07/2021 no aeroporto do Galeão (zona norte da capital) foi de 19,3ºc, a menor média mensal do século XXI (superando os 19,8ºc de 06/2016 e os 19,9ºc de 07/2000), com mínima absoluta de 11,6ºc (02/07) e máxima absoluta de 31,1ºc (27/07). Abaixo as tabelas de 07/2021 no aeroporto Santos Dumont (região central da cidade do Rio) e nas automáticas do Inmet de Jacarepaguá e Vila Militar (áreas pouco adensadas e mais afastadas do mar, também na capital), além dos dados da automática do Inmet em Teresópolis (Região Serrana). As médias (coluna "MED") são horárias nas automáticas do Inmet, e compensadas no aero Santos Dumont. Aero Santos Dumont (3 m): Vila Militar (30 m): Jacarepaguá (20 m): Teresópolis (991 m): Algumas observações sobre os dados: Vila Militar: Menor média mensal (744 horas) da história da estação (2007-presente) com 18,6ºc, superando junho de 2010 (19,4ºc). Menor média das mínimas da história da estação com 12,7ºc, superando julho de 2008 (13,1ºc). Precipitação mensal 22 mm e 4 dias com registro de precipitação mensurável, com máximo diário de 18,2 mm no dia 28. Teresópolis: Menor média mensal (744 horas) da história da estação (2006-presente) com 13,2ºc, superando julho de 2008 (13,7ºc). Menor média diária (média das 24 observações do dia) da história da estação no dia 30/07 com 7,5ºc, superando o dia 29/07/2007 (8,5ºc). Menor mínima absoluta da história da estação no dia 31/07 com 4,2ºc, superando os 4,5ºc do dia 04/06/2009. Precipitação mensal de 26,2 mm e 7 dias com registro de precipitação mensurável, com máximo diário de 12,8 mm no dia 28. A média das mínimas de 07/2021 (8,8ºc) foi 2,2ºc menor que a mínima absoluta do "cataclísmico" 07/2020. A estação convencional da cidade, que fica mais afastada da borda da serra (na área central de Terê) e tem média anual de chuva quase 1500 mm menor que a automática (perto da borda da serra) não registrou chuva mensurável em 07/2021, e a mínima de 4,5ºc no dia 31/07 foi a menor (e primeira "sub-5ºc") desde julho de 2000, quando fez 3,1ºc no dia 18. Jacarepaguá: Precipitação mensal de 25,2 mm e 3 dias com registro de precipitação mensurável, com máximo diário de 19 mm no dia 28. Menores médias das máximas, mínimas e mensal, além de menor mínima absoluta (mas a estação é muito recente, primeiro ano completo 2018).
  21. Eu fiz as médias horárias (744 horas e 720 horas) de julho de 2021 e junho de 2016 na automática Mirante, e julho de 2021 ficou um tantinho acima de junho de 2016 (15,7ºc X 15,3ºc). Creio que a diferença seja principalmente porque a convencional ainda era a estação "oficial" do Mirante em 2016, e a leitura das 00Z (que entra duas vezes na média compensada) sempre tendeu a ser maior na convencional que na automática. No final das contas, julho de 2021 ainda perde para junho de 2016 no Mirante (média) se compararmos "maçã x maçã", mas já foi bastante bom para os padrões atuais. No dia 30/07/2021, a média das mínimas de toda a rede CGE foi de 3,2ºc, o menor valor desde o início dos registros térmicos pelo CGE em 2004 (a abertura de estações mais frias - com destaque para Marsilac - no pós-2016 puxou a média municipal um pouco para baixo recentemente, mas imagino que o efeito na média de toda a cidade varie entre 0,1ºc e 0,3ºc; eu diria que houve um empate técnico entre 30/07/2021 e 13/06/2016). O aeroporto de Congonhas conseguiu um registro de 4,4ºc neste dia (arredondado para 4ºc no METAR). Foi a única horária "sub-5ºC" do século XXI no local, superando 07/2000, 07/2013 e 06/2016.
  22. Eu acho que você está muito otimista, mas a fama de otimista você já tem mesmo, então tá tudo bem.😂 Mas é como você falou, vamos aguardar. Eu torço para que ao menos um pouco do seu otimismo se mostre justificado, e também por uma boa marca aí em JF, que está devendo muito nos últimos anos, e mesmo em 2021 está com mínima absoluta muito ordinária até agora (assim como a parte aqui do Rio/Niterói menos agraciada pela perda radiativa, que teve marcas super banais nos dois últimos eventos). A previsão que acompanho deu uma leve aumentada nas mínimas, agora crava 5ºc em Teresópolis (ou seja, está bem em cima da linha novamente, e com esses dados a chance de baixar dos 5ºc diminuiu um pouco, embora ainda seja considerável. Levando em conta a "zica" dos últimos tempos, eu não sei não, é uma situação limítrofe, e para uma marca que passa longe de ser histórica, apenas ficamos mal acostumados com a ruindade dos últimos anos). Vejo que alguns participantes da Região Sul já estão meio que esnobando o evento, e estou mais com eles nessa (eu não descarto alguma surpresa boa, mas mantenho os pés firmemente cravados no chão), embora nesse caso foi mais por terem criado expectativas irreais com as rodadas mais extremadas de alguns dias atrás, o que a maioria aqui jamais vai aprender a ignorar. Sobre 2013, conforme eu já disse mais de uma vez, detestei o evento no RJ, mesmo que ele tenha provocado a tarde mais fria do século XXI em grande parte da cidade do Rio no dia 24, pois depois foi só "ladeira abaixo" (no mau sentido); o ar quente em altura começou a retornar ainda no dia 24 e a temperatura estacionou à noite, para depois só subir, e terminou com um friozinho "bunda" no dia seguinte, a própria sensação que tive na tarde mais fria foi de uma temperatura maior, pois mal deu tempo de resfriar os ambientes internos naquela ocasião (mas sei que em parte de SC e PR foi lindo, além da própria capital paulista pela máxima). No atacado, este próximo evento será melhor que 2013 por aqui (o que em si não diz muita coisa), pois a duração será maior, ainda que a tarde mais fria vá ficar claramente acima (mais quente). 2007 foi um ótimo evento para a o padrão atual no atacado, talvez o melhor do pós-2000 na capital fluminense, mas deixou a desejar em alguns aspectos (como na mínima absoluta) em boa parte do estado. Apesar de Teresópolis ter conseguido a menor média de 24 horas da curta existência da estação no dia 29/07 (8,5ºc, nos anos seguintes não teve mais média "sub-9ºc), a mínima "sub-5ºc" não veio, e viria num "não-evento" do ano seguinte... O próximo evento poderá sim ser um dos dos melhores desse século, mas não dá nem para brincar de comparar com os "pesos-pesados" do "pré-2001", acho até engraçado ter gente preocupada com as hortaliças da região serrana do RJ, que mesmo em eventos bem mais fortes do passado não foram grandemente afetadas por geadas (como 2000, 1994 e 1979), imaginar que seriam agora é um tremendo exagero. No máximo algumas plantações mais encaixadas no fundo dos vales sofreram um pouco nos eventos mais fortes, mas nada que tenha causado quebra de abastecimento, isso nem 1918 faria (talvez 1892 e anteriores sim, mas aí sequer existia o cinturão agrícola ainda). A seca, a depender da evolução, aí sim poderá causar problemas mais graves, mas é cedo ainda para sabermos. Enquanto isso, hoje foi um de calor, com sensação desagradável à tarde e alguns bairros entre 30 e 31ºc (aqui perto da baía fez fez 27ºc, mas depois de uma sequência bem fresca pareceu mais quente), mas amanhã será pior o calor (a noite abafada já prenuncia). Sorte que é só por mais um dia.
  23. Para quem está falando em “flop”, aqui no Rio de Janeiro tudo indica que um recorde histórico será “flopado” muito em breve. Se o mês terminasse hoje, seria o julho mais seco da história das observações no Centro da cidade do Rio de Janeiro (detalhe importante: a região conta com registros pluviométricos contínuos desde 1851, ou seja, são mais de 170 anos de dados). Desde 1851, o julho mais seco no Centro do Rio registrou 1,5 mm (primeiro em 1974, e novamente em 2016), mas 07/2021 até agora não registrou precipitação mensurável na região central do Rio (traços no Santos Dumont e 0 mm na Saúde/Alerta Rio). Isso também faria deste mês de julho o mês mais seco na região central do Rio desde 02/1977, quando também não houve registro de chuva mensurável (0 mm no antigo Inmet do Aterro do Flamengo). Mas, como diz o velho ditado, o “jogo” só acaba quando termina, e, apesar da certeza de que terminaremos o dia 27/07 ainda zerados de chuva no Centro do Rio, todos os modelos indicam chuva durante a passagem da frente no dia 28 (em volume baixo, mas suficiente para impedir o recorde, e deverá até mesmo impedir um “top 10”). A maioria das previsões indica entre 5 e 10 mm de chuva no dia 28, e o quinto julho mais seco registrou 2,6 mm no Centro do Rio, em 1923 - 07/1923 também foi o mês de menor média das mínimas do século XX). A única frente fria que atingiu a cidade do Rio no atual mês de julho passou praticamente seca, provocando apenas chuva fraca orográfica em pontos isolados da cidade, e a frente anterior (do final de junho) também trouxe pouquíssima chuva, mas a próxima frente promete ser mais tradicional, trazendo um pouco mais de chuva (ainda que pouca, muito abaixo do que pode acontecer em julho, mês que já superou os 400 mm no ADBV em 2004, e os 160 mm de média da cidade no mesmo ano). Na média da rede Alerta Rio (desde 1997 apenas), 07/2021 também está em primeiro lugar entre os meses mais secos (3,2 mm, contra 4,3 mm em 07/2016), mas a chance deste recorde sobreviver é praticamente nula, pois mesmo no cenário mais conservador o acumulado mensal médio da cidade deve alcançar pelo menos os 10 mm com a próxima frente (a depender da persistência da chuva orográfica, pode até bater nos 15/20 mm). O segundo mês mais seco na média da rede Alerta Rio (33 pluviômetros espalhados pela cidade) foi 08/2015, com 6,6 mm, e o terceiro mais seco foi 02/2003, com 6,8 mm. O quarto mais seco (e último da lista abaixo dos 10 mm) foi 08/2001, com 8,6 mm, e o quinto mais seco foi 06/2000 (10,3 mm). Este padrão de frentes secas também favoreceu uma maior queda de temperatura nos locais menos urbanizados e mais favorecidos pelo resfriamento radiativo (mínimas de 8/9ºc nas autos da Vila Militar e Jacarepaguá nos últimos dois eventos), mas mínimas ordinárias nos bairros mais centrais e costeiros (15/16ºc entre a orla da zona sul e o Centro do Rio, mais dependentes de advecção). As máximas não foram expressivas neste último evento, ficando acima dos 20ºc pela cidade exceto no Alto, mas o evento mais úmido do final do mês promete renovar a menor máxima do ano (ocorrida no dia 30/06, em torno dos 19ºc), e talvez traga a menor máxima desde 2013 para o Rio no dia 29/07 (e a tarde mais fria desde 2019 apenas, pois em 04/08 daquele ano a máxima foi no início do dia, mas fez 15/16ºc na parte baixa da cidade do meio para o final da tarde, com chuva). O potencial de mínimas do próximo evento não é grande coisa, mas alguma surpresa (para os patéticos padrões atuais) poderá ocorrer aqui e ali no RJ. A previsão automática que acompanho do Wunderground indica chance de baixar ligeiramente dos 5ºc em Teresópolis e, se isso acontecer na auto do Inmet, vai ser a primeira ocorrência desde 08/2010 (a auto de Teresópolis teve mínima absoluta na casa dos 4ºc em 07/2008, 06/2009 e 08/2010, mas depois disso nunca mais baixou dos 5ºc novamente, um jejum que beira o absurdo). E esses registros abaixo dos 5ºc em 3 anos consecutivos ocorreram em eventos relativamente comuns de frio, não foi nenhuma “porrada polar” não (o de 2010 até foi fortinho para agosto, mas o de 07/2008 foi mais ASAS com ar bem fresco, mal havia ar polar de verdade, e o de 06/2009 foi numa MP moderada, mas tiro-curtíssimo, do tipo que um dia depois já fez 30ºc na cidade do Rio). 06/2016 cravou 5ºc na auto de Terê, e 07/2021 já teve 5,1ºc duas vezes, parece que é só para sacanear mesmo. A convencional, no Centro de Teresópolis, não baixa dos 5ºc desde 07/2000 (3,6ºc em junho e 3,1ºc um julho), mas aí eram outros tempos. Em 06/1994 foram três mínimas seguidas na casa dos 3ºc na convencional (27, 28 e 29/06). Em 1979, fez 1,4ºc no dia 01/06.
  24. todo termômetro perde a calibração depois de algum tempo, pois o próprio bulbo sofre uma deformação, mas a velocidade com que isso acontece depende do produto (materiais empregados, essas coisas; as próprias especificações do fabricante podem conter alguma informação útil). O ideal é comparar com um instrumento de referência de tempos em tempos, que deve (ou deveria) existir em toda sede local do Inmet (Disme). O termômetro de referência é mais caro que os comuns (bulbo seco, máxima, mínima...), e tem maior precisão e exatidão (ele será empregado mais para fazer a calibração dos instrumentos mais utilizados nas estações, e também para ajudar a detectar quando algum instrumento da estação precisa ser trocado). Hoje em dia, os instrumentos mais utilizados como referência não são mais os velhos termômetros de líquido em vidro, mas sim versões mais modernas, como os de resistência de platina (mas mesmo o mais moderno dos termômetros precisa passar por testes de laboratório de tempos em tempos, pois a calibração aos poucos vai se perdendo também). No caso do Inmet, eu não sei qual o tipo de instrumento eles utilizam como referência, mas não espero muito de um órgão que sofre com tão longa asfixia financeira. Para um observador amador, como no nosso caso, uma opção bem acessível é adquirir um termômetro ou termo-higrômetro digital (existem vários de qualidade aceitável por até R$ 100,00 ou um pouco mais, com sensor externo), que geralmente vem com uma margem de erro de até 1ºc (você poderia comparar o registro dele com o seu termômetro antigo, de preferência num ambiente com pouca luz a temperatura estabilizada, como um cômodo fechado da sua casa). E, claro, caso disponha de um bom espaço para a instalação, é possível também investir numa PWS, como fizeram vários colegas aqui. Eu tenho apenas um digital básico que serve bem aos meu propósitos (registro de instantâneas do lado de fora da janela, mais temperatura interna do cômodo), até por não dispor de um bom local para fazer observações mais completas, mas vários participantes aqui do fórum podem dar dicas melhores sobre termômetros digitais e PWS. Aliás, minha interna tem ficado entre 21 e 22ºc nos últimos dias, muito agradável (poderia ser assim no verão, eu não reclamaria, embora eu já tenha morado num bairro muito mais quente do Rio há alguns anos, de forma que hoje eu já nem posso mais reclamar tanto do verão, pois quase nunca preciso de ar condicionado em casa). Mas a atual temperatura interna aqui em casa está praticamente perfeita, tipo ar condicionado central ligado no médio direto (se fosse assim o ano todo, realmente estaria ótimo).
  25. Eu não sei, mas é provável que sim. Uma área relativamente grande do oeste/noroeste da Alemanha registrou chuvas diárias com período de retorno na casa dos 50 anos, e em alguns pontos na casa dos 100 anos, então recordes em algumas estações são praticamente garantidos numa situação como essa (a informação sobre os períodos de retorno foi divulgada pelo próprio DWD). Mas o site do DWD não fornece detalhes sobre recordes de estações individuais (ou fornece apenas na versão em alemão, e talvez muito bem escondido), então não há como saber quantas estações quebraram algum recorde. A versão antiga do site do DWD tinha uma lista dos recordes de maior e menor temperatura para todas as principais estações do país, mas para os demais recordes (chuva, neve, vento, insolação, etc.) apenas os extremos de todo o país eram listados (e não lembro mais quais eram, mas os de chuva eram do extremo sul do país, onde há um efeito orográfico). Na versão atual do site, nem essa lista eu encontrei. Pelo que eu pude apurar, a grande enchente dos últimos dias ocorreu após uma área bem grande receber chuva volumosa de uma vez só, e os cursos d’água da região não conseguiram dar conta de tanta água, uma vez que a própria orientação da faixa de chuva mais volumosa acabou pegando em cheio algumas bacias hidrográficas menores (é muito pior chover 100 mm em 24 horas na média de toda uma bacia hidrográfica que chover 400 mm no mesmo período de tempo numa fração muito pequena da mesma bacia). Uma estação localizada num subúrbio de Colônia (Stammheim, ao norte) registrou mais de 150 mm em 24 horas neste último evento (ver tabela abaixo), o que é bastante incomum para aquela região, mas esse volume não teria causado tantos problemas se a área afetada pelas chuvas volumosas tivesse sido bem menor. Há poucos anos, um temporal isolado (convecção típica de verão) trouxe até 150 mm de chuva em 1 hora para uma localidade nos arredores Münster (na mesma área da Alemanha), com período de recorrência estimado entre 500 e 1000 anos, mas, como a área atingida foi muito pequena, ocorreram apenas inundações localizadas, sem consequências tão graves (apenas algumas residências invadidas pela água). Mas, ao contrário do que a mídia alarmista diz em uníssono (e as autoridades repetem como papagaios, como é de se esperar hoje em dia por conta de questões que vão muito além da ciência), é um grande erro atribuir este evento às “mudanças climáticas”, pois, apesar de grandes enchentes não serem muito comuns nesta época na região, elas tampouco são algo extraordinário (mesmo que não houvesse histórico de grandes enchentes durante o verão no oeste europeu - o que está muito longe de ser o caso -, os próprios registros instrumentais cobrem uma fração desprezível de tempo levando em conta não apenas a escola geológica, mas a própria história da ocupação humana na região). Um evento recente que teve vários pontos em comuns com esse, mas que foi completamente ignorado pelos "vendedores de ineditismos" agora (outra vez: como é se esperar) foi a enchente de agosto de 2002, que atingiu com força partes do leste da mesma Alemanha (enchente histórica em Dresden, mais de 150 mm em 24 horas, e grandes volumes na maior parte da bacia do rio Elba à montante da cidade) e também muitas localidades da República Tcheca (incluindo a capital, Praga), além de trechos menores de outros países.
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