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Brasil Abaixo de Zero
Rafael

A super onda de frio do inverno de 1955

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É difícil de imaginar uma única massa polar provocando neve e temperaturas máximas negativas durante 3 dias consecutivos e atuando com toda essa intensidade por tanto tempo. É literalmente como se ela tivesse ficado estacionada por vários dias. Por isso me vem a dúvida: será que não foram dois pulsos? E se não foram dois pulsos, o que segurou esse ar polar em cima do BR por tanto tempo? As re-análises são muito vagas pra esse evento. Fiquei indagado com isso porque a de julho/1975, por exemplo, também foi uma super onda de frio, talvez uma das mais fortes do século, mas teve uma duração e uma trajetória relativamente comum. 

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8 horas atrás, Arthur Gama disse:

É difícil de imaginar uma única massa polar provocando neve e temperaturas máximas negativas durante 3 dias consecutivos e atuando com toda essa intensidade por tanto tempo. É literalmente como se ela tivesse ficado estacionada por vários dias. Por isso me vem a dúvida: será que não foram dois pulsos? E se não foram dois pulsos, o que segurou esse ar polar em cima do BR por tanto tempo? As re-análises são muito vagas pra esse evento. Fiquei indagado com isso porque a de julho/1975, por exemplo, também foi uma super onda de frio, talvez uma das mais fortes do século, mas teve uma duração e uma trajetória relativamente comum. 

Em 1955 a massa polar influenciou o tempo sobre o Brasil por muitos dias, o ar frio coincidiu com a umidade no Sul do país causando essas máximas baixas e a neve, depois secou a atmosfera e tivemos geadas até no Pantanal, o maior destaque foi o Oeste do país.

Sobre julho de 1975; houve uma onda de frio no início daquele mês, cuja massa polar entrou pela América do Sul na altura do paralelo 30S com uma pressão de 1022 hpa, o centro dela passou sobre o Sudeste do Brasil provocando muito frio em todo o centro-Sul. O segundo evento ( dias 14-19) foi muito mais intenso para o Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e metade oeste do Brasil, a pressão isobarica da alta polar chegou a 1045 hpa em quase toda sua trajetória, um cavado sobre o sul e MT impulsionou umidade que permitinerários nevar em áreas pouco comuns (como em Curitiba, Ponta Pora, e sul de SP). Só que ela não conseguiu afetar todo o Sudeste pela falta de um ciclone extratropical.

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16 horas atrás, Arthur Gama disse:

É difícil de imaginar uma única massa polar provocando neve e temperaturas máximas negativas durante 3 dias consecutivos e atuando com toda essa intensidade por tanto tempo. É literalmente como se ela tivesse ficado estacionada por vários dias. Por isso me vem a dúvida: será que não foram dois pulsos? E se não foram dois pulsos, o que segurou esse ar polar em cima do BR por tanto tempo? As re-análises são muito vagas pra esse evento. Fiquei indagado com isso porque a de julho/1975, por exemplo, também foi uma super onda de frio, talvez uma das mais fortes do século, mas teve uma duração e uma trajetória relativamente comum. 

 

Eu já li que, apesar de ser uma massa polar poderosa, ela enfrentou forte bloqueio, o que a teria "segurado" por mais tempo no centro sul.

Tanto que a mínima em Belo Horizonte naqueles dias foi de 11,x°C.

Isto é, a capital mineira praticamente nem sentiu os efeitos daquela onda de frio.

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Alguns registros do Jornal "O Estado" de Florianópolis durante a onda de frio.

 

29/07/1955

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30/07/1955

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02/08/1955

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23 horas atrás, Aldo Santos disse:

 

Eu já li que, apesar de ser uma massa polar poderosa, ela enfrentou forte bloqueio, o que a teria "segurado" por mais tempo no centro sul.

Tanto que a mínima em Belo Horizonte naqueles dias foi de 11,x°C.

Isto é, a capital mineira praticamente nem sentiu os efeitos daquela onda de frio.

Então foi mais ou menos o que aconteceu em julho/2013, quando o bloqueio atmosférico segurou a MP e a nebulosidade da frente fria no centro sul, provocando máximas muito baixas e muita neve. A de 1955 deve ter sido bem mais forte em termos de pressão e a nebulosidade deve ter se dissipado no final, o que justificaria os -2,1 de SP. Mesmo assim, ainda é incrível imaginar uma MP atuando dessa forma por 8 dias... Hoje em dia se faz 3 dias de frio já consideram como onda de frio histórica 😁.

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A primeira alta derivada do ASPS transpôs os Andes na tarde do dia 26:

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Ao longo do dia 27, a alta transiente permaneceu no sul do continente, só recebendo suporte dinâmico do cavado em 500 e provavelmente de outro em altos níveis (o Jato Polar em geral acompanha a linha de 5520 mgp em 500 hPa). Ou seja, a alta estava lá só sendo alimentada por mais ar frio. O que impedia ali um avanço maior do ar frio era justamente a orientação do cavado, quase zonal. Ao fim do dia, as bordas da alta já tinham alcançado o RS e o ar frio já era sentido em SC também.

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Durante todo o dia 28, o cavado continuou praticamente estacionado, ainda quase zonal, mantendo o ar frio preso na Argentina e porções mais ao sul do Brasil. Em razão do ar frio ser pesado e não haver nada impedindo seu avanço pelo interior do continente, penso que o oeste do MS e sudoeste do MT já estavam gelando nesse dia. A partir da tarde, houve um discreto deslocamento do cavado para nordeste, e a alta acompanhou.

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O avanço da alta de fato ocorreu no dia 29, com atuação bem continental e atmosfera extremamente fria do Paraná para baixo. Reparem na imagem das 12Z, que há um reforço do ar frio sendo advectado pela interação entre uma nova transposição do ASPS bem no sul do continente com a baixa logo acima das Malvinas. Notem também que há um novo cavado sendo formado empilhado na baixa das Malvinas. Observem seu desenvolvimento nas imagens do dia 30.

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Dia 30, com ar muito frio atuando e solo já bastante resfriado pelo estabelecimento prolongado do ar polar não só nessa onda, mas em todo o mês de julho de 1955, a nova alta transiente recém-transposta começa a subir junto com um novo e intenso cavado, prolongando ainda mais a onda de frio.

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Durante o dia 31 houve a progressão dessa nova alta, junto com seu cavado, ainda com deslocamento lento pois o cavado continua transversal, de noroeste-sudeste, quase zonal.

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No dia 01/08, o Jato Polar passa sobre a região Sul e a alta é bem intensa. A configuração presente no Pacífico, sem a desagregação do ASPS no litoral do Chile, permite constante advecção de ar polar desde o dia 26 até o dia 2, sem interrupção, só com sua manutenção.

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Dia 2, com o gradual enfraquecimento do cavado, a tropicalização da alta está em curso, mas não sem antes provocar mínimas baixíssimas no leste da região Sul e Sudeste por conta do estabelecimento do núcleo da alta sobre estas regiões.

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CONCLUSÃO: Não havia um bloqueio no Atlântico, uma alta em 500hPa, impedido o avanço do ar frio. O que dificultou seu avanço, mas ao mesmo tempo provocou uma onda de frio espetacular no Sul, na Argentina e Uruguai foi a posição do cavado e sua orientação. Sem sair de lá, o ASPS também não saiu de lá, mas na tentativa de seguir seu curso natural como alta migratória foi mandando seus 'braços' para a América do Sul. Houve, muito provavelmente, uma frente secundária atuando no Sul durante o dia 30, que possivelmente provocou um segundo episódio de neve mais amplo, enquanto já havia ar frio atuando. Então, houve DOIS pulsos de frio durante o evento, mas bem pouco perceptível pelos dados pois não houve aquecimento algum entre eles.

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22 horas atrás, Vinicius Lucyrio disse:

A primeira alta derivada do ASPS transpôs os Andes na tarde do dia 26:

image.png.f2e552e183f24b3dd5ab0633ef0e1bfc.png

 

Ao longo do dia 27, a alta transiente permaneceu no sul do continente, só recebendo suporte dinâmico do cavado em 500 e provavelmente de outro em altos níveis (o Jato Polar em geral acompanha a linha de 5520 mgp em 500 hPa). Ou seja, a alta estava lá só sendo alimentada por mais ar frio. O que impedia ali um avanço maior do ar frio era justamente a orientação do cavado, quase zonal. Ao fim do dia, as bordas da alta já tinham alcançado o RS e o ar frio já era sentido em SC também.

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Durante todo o dia 28, o cavado continuou praticamente estacionado, ainda quase zonal, mantendo o ar frio preso na Argentina e porções mais ao sul do Brasil. Em razão do ar frio ser pesado e não haver nada impedindo seu avanço pelo interior do continente, penso que o oeste do MS e sudoeste do MT já estavam gelando nesse dia. A partir da tarde, houve um discreto deslocamento do cavado para nordeste, e a alta acompanhou.

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O avanço da alta de fato ocorreu no dia 29, com atuação bem continental e atmosfera extremamente fria do Paraná para baixo. Reparem na imagem das 12Z, que há um reforço do ar frio sendo advectado pela interação entre uma nova transposição do ASPS bem no sul do continente com a baixa logo acima das Malvinas. Notem também que há um novo cavado sendo formado empilhado na baixa das Malvinas. Observem seu desenvolvimento nas imagens do dia 30.

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Dia 30, com ar muito frio atuando e solo já bastante resfriado pelo estabelecimento prolongado do ar polar não só nessa onda, mas em todo o mês de julho de 1955, a nova alta transiente recém-transposta começa a subir junto com um novo e intenso cavado, prolongando ainda mais a onda de frio.

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Durante o dia 31 houve a progressão dessa nova alta, junto com seu cavado, ainda com deslocamento lento pois o cavado continua transversal, de noroeste-sudeste, quase zonal.

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No dia 01/08, o Jato Polar passa sobre a região Sul e a alta é bem intensa. A configuração presente no Pacífico, sem a desagregação do ASPS no litoral do Chile, permite constante advecção de ar polar desde o dia 26 até o dia 2, sem interrupção, só com sua manutenção.

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Dia 2, com o gradual enfraquecimento do cavado, a tropicalização da alta está em curso, mas não sem antes provocar mínimas baixíssimas no leste da região Sul e Sudeste por conta do estabelecimento do núcleo da alta sobre estas regiões.

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CONCLUSÃO: Não havia um bloqueio no Atlântico, uma alta em 500hPa, impedido o avanço do ar frio. O que dificultou seu avanço, mas ao mesmo tempo provocou uma onda de frio espetacular no Sul, na Argentina e Uruguai foi a posição do cavado e sua orientação. Sem sair de lá, o ASPS também não saiu de lá, mas na tentativa de seguir seu curso natural como alta migratória foi mandando seus 'braços' para a América do Sul. Houve, muito provavelmente, uma frente secundária atuando no Sul durante o dia 30, que possivelmente provocou um segundo episódio de neve mais amplo, enquanto já havia ar frio atuando. Então, houve DOIS pulsos de frio durante o evento, mas bem pouco perceptível pelos dados pois não houve aquecimento algum entre eles.

Vinicius Lucyrio,

já foi feita a reanálise da onda de frio do período 23 a 26 de junho de 1945?

Quando Xanxerê registrou -11,6, em Lages marcou -7,3 e Porto Alegre registrou -1,9

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