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Brasil Abaixo de Zero

Wallace Rezende

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Everything posted by Wallace Rezende

  1. Wallace Rezende

    Monitoramento e previsão Europa - 2020

    O recorde de Heathrow foi em agosto de 2003, com 37,9ºc, e este valor aparentemente foi igualado no dia 25/07/2019, quando a Inglaterra registrou seu novo recorde oficial de calor em Cambridge (38,7ºc), e 4 outros países registraram seus recordes absolutos de calor (Alemanha, Bélgica, Holanda e Luxemburgo) neste mesmo dia 25/07/2019. Os 42,6ºc de Lingen (Alemanha) estão sendo revistos pelo DWD, por serem incompatíveis com os registros das cidades próximas e pelo péssimo posicionamento da estação da cidade (que já tem um novo endereço e deve entrar em operação em 2021) . O recorde confiável de calor da Alemanha ocorreu em Duisburg e Tonisvorst, com 41,2ºc, neste mesmo evento. A França também quebrou seu recorde de calor em 2019, mas em junho (28/06), com picos entre 45 e 46ºc no sul do país. Porém, numa outra fonte, a máxima de 25/07/2019 em Heathrow aparece como 37,2ºc, não sei se é um erro ou se o registro original foi revisto. De toda forma, uma consulta a diversas estações na área de Londres mostra que o pico de calor de julho de 2019, de uma maneira geral, foi mais forte que o deste ano, pois várias estações que não passaram dos 34/35ºc agora chegaram aos 36/37ºc em 2019. Vale lembrar que a estação de Heathrow fica num gramado espremido entre uma das pistas do aeroporto e um muro, o que favorece máximas bem “agressivas” nos dias de sol forte. O recorde oficial de Londres (38,1ºc) foi na estação de Kew Gardens, em agosto de 2003, também suspeita de aquecer um pouco por falta de ventilação no nível do abrigo. Mesmo assim, um registro na casa dos 37ºc é bem factível nos eventos de 2003 (08) e 2019 (07) nos bairros mais quentes de Londres, pois o aquecimento não seria tão grande a ponto de tornar os dados totalmente descartáveis, apenas seriam valores um pouco menores em condições ideais de exposição. A região sudeste da Inglaterra (principalmente entre Londres e Cambridge, a parte mais "continental" do sul da ilha) sempre foi a que registrou os maiores picos de calor do país, e a única área de todo o Reino Unido onde registros iguais ou acima dos 35ºc não são muito raros (na maior parte do arquipélago, é quase ou totalmente impossível chegar aos 35ºc). A onda de calor dos próximos dias em Paris, ainda que sem previsão de uma máxima absoluta extrema, promete ser a mais longa desde 2003 (a de julho do ano passado, apesar do novo recorde absoluto, só durou três dias na capital francesa). No início de agosto de 2003, a máxima em Paris/Montsouris superou os 36ºc por 9 dias consecutivos, algo sem precedentes na história das observações.
  2. Este caso de Caratinga foi o oposto do que ocorreu em POA e BSB, ou seja, a convencional que estava certa (ou mais próxima da realidade) enquanto a automática superestimava as temperaturas (as duas ficam no mesmo lugar). Mas o problema é bem mais antigo que você imaginava, na onda de calor de outubro de 2012 a calibração ruim da automática já era evidente: fez 37,7ºc na convencional e 39,4ºc na automática no dia 31/10. Em 10/2015, fez 38,6ºc (auto) e 37,3ºc (conv) no dia 16, e 39,4ºc (auto) e 38,1ºc (conv) no dia 17. A estação automática de Caratinga jamais foi recalibrada, seguiu com máximas e mínimas superestimadas até o último dado transmitido, assim como Coronel Pacheco também completou muitos anos descalibrada. Hoje a parca estrutura de manutenção do Inmet está em colapso na maior parte do Brasil, situação agravada pela asfixia financeira do órgão, e as duas estações em questão saíram do ar. Se voltarem ao ar algum dia, é bem provável que continuem descalibradas. Até a convencional de Brasília, debaixo do nariz deles, ficou dois anos descalibrada.. Nova Maringá era um caso escandaloso, pois estava quase 10ºc acima da realidade, eram máximas de 40ºc mínimas de 30ºc por dias a fio, e fora do período mais quente do ano (até prefiro casos assim, pois o erro precisa ser muito óbvio para o Inmet fazer alguma coisa).
  3. É bem possível que haja algum erro sim, os casos que citei são apenas a “ponta do iceberg”. A detecção de inconsistências nos dados só se torna fácil quando existe uma automática e uma convencional funcionando lado a lado (caso de POA e BSB, por exemplo). No caso de convencionais isoladas é bem mais difícil “bater o martelo”, a não ser que o desvio seja muito grande (como Bom Jesus do Piaui em 2005). A comparação com as leituras de temperatura instantânea (0, 12 e 18 UTC) também pode ajudar na busca pelos erros, principalmente no caso das máximas. BH, por outro lado, é uma convencional sem automática ao lado, mas deu para detectar que havia algo errado só porque existe uma boa densidade de estações naquela área, e também pelo histórico da diferença entre a convencional da cidade algumas daquelas outras estações (antes da troca em finais de maio, estava acontecendo direito de a convencional registrar mínimas mais baixas que Mangabeiras, uma área menos adensada e 200 metros mais elevada, e isso acontecia até em noites úmidas e ventosas, desafiando a lógica). Mas espero que o meu post não seja entendido como uma defesa incondicional das automáticas contra as convencionais, pois na verdade considero as estações convencionais importantíssimas. A questão é que o Inmet não faz a calibração dos instrumentos e a manutenção dos abrigos meteorológicos da maneira como deveria. Se houver uma rotina de manutenção (e observadores bem treinados/comprometidos), as convencionais serão tão confiáveis quanto qualquer estação automática. Infelizmente, o fechamento (mais o funcionamento cada vez mais irregular de algumas remanescentes) gradual das estações convencionais está trazendo uma consequência nefasta, o gradual fim das séries pluviométricas/Inmet no Brasil (as atuais automáticas sofrem com entupimentos e mau funcionamento frequente do pluviômetro, pois a necessidade de manutenção dos frágeis pluviômetros automáticos Vaisala é muito maior que a de um modelo “antigão” convencional, que só precisa de limpeza simples), e o cada vez mais financeiramente desidratado Inmet não tem cacife para bancar uma rede de manutenção satisfatória (falta interesse também, claro). Qualquer tentativa de calcular uma normal pluviométrica para a grande maioria das automáticas do Brasil vai resultar em médias de chuva muito abaixo da realidade. Em São Paulo, estado mais rico do Brasil, existem estações automáticas que estão com o pluviômetro inoperante há 2 anos já, várias estações estão abandonadas ao “deus-dará” (como Bertioga, bem perto da capital), e só fazem manutenção frequente nas estações da capital. No ES (responsabilidade do sexto Disme, sediado no RJ) todas as estações automáticas estão abandonadas, as poucas que ainda reportam os dados 24 horas por dia só o fazem por inércia (ou seja, ainda não apresentaram problemas desde a última manutenção). Infelizmente, quando se trata do Inmet, eu só vejo a situação piorar cada vez mais (ainda mais agora, com a depressão econômica global, e o Brasil para variar se saindo particularmente mal), e não duvido nada que o investimento em centenas de estações automáticas vá para o ralo em breve (o número de estações com problemas de bateria só cresce, fora os outros problemas). Voltando um pouco ao assunto do tópico, o começo de agosto está sendo bem comportado no RJ, conforme já se esperava. Ar fresco oceânico (seco em altura) vem garantindo condições mais civilizadas, e uma bem-vinda pausa nas condições que predominaram ao longo do mês de julho. A automática de Teresópolis, depois de não baixar dos 11ºc na madrugada mais “fria” de julho (verdadeira aberração), conseguiu superar este valor em todas as madrugadas de agosto até agora (10,6ºc 01/08, 9,8ºc 02/08, 7,5ºc 03/08 e 7,4ºc hoje). Na RM do RJ, tardes amenas e madrugadas localmente friazinhas nas áreas menos adensadas; tempo agradável de um modo geral. Como alegria de pobre dura pouco (ainda mais em se tratando de agosto), por volta do dia 10 já aparecem tardes bem quentes na previsão. Tudo indica que teremos um período quente pela frente até meados do mês pelo menos, só falta ajustar os dias.
  4. Outra PWS (num pier, bem exposta - KNCOAKIS38 - registrou rajada máxima de 116 Km/h até agora). Há várias PWS operacionais em Oak Island, por sorte o sistema não é muito forte e não deve derrubar a transmissão dos dados das estações. Vai ser um belo evento evento de chuva em boa parte da costa leste, com rajadas fortes numa grande área também, uma vez que o sistema já está perdendo (algumas) das características tropicais, o que expande o campo de vento. EDIT: bateu rajada máxima de 132 Km/h no pier e sustentado de 107 Km/h. Outra PWS (KNCOAKIS74) bateu 110 Km/h (sust) e 123 Km/h (rajada). 60/70 mm de chuva até agora, mas os volumes não serão grande coisa nesta região. O recorde de rajada em Wilmington ocorreu no ano de 1958 (furacão Helene), com 215 Km/h. Mas aí foi "oto patamá", Isaias não faz nem cócegas. (Helene sequer fez landfall, mas era muito mais forte).
  5. Muito didático, isso é uma coisa que acontece direto e é um bom motivo para não nos prendermos ao "cartesianismo" de sempre levar em conta a convencional só por ser "a oficial". A mesma coisa aconteceu na convencional de Brasília, principalmente entre entre meados de 2015 e junho de 2017. Por um bom período, a convencional registrou máximas entre 1ºc e 1,5ºc (eventualmente até um pouco mais) acima dos valores da automática (que fica ao lado, em plena sede do Inmet). Num belo dia (exatamente 15/06/2017), a máxima da convencional não foi divulgada, e no dia seguinte as máximas da convencional voltaram (em média) a bater com as automática. Se o Inmet fosse um órgão sério (mas aí preciso dizer que o NWS dos EUA, por exemplo, também não é), pegariam todas as máximas "oficiais" e substituiriam pelo valor da automática durante todo o período em que durou o superaquecimento (digamos, quando a diferença ma média mensal das máximas entre as duas estações superou os 0,5ºc/0,6ºc/0,7ºc, ou algum outro valor). Mas não foi isso que fizeram, e surgiu uma enxurrada de novos recordes mensais de calor (até porque o período entre 2015 e 2016 foi realmente de calor acima da média quase sem interrupção em Brasília, com vários meses registrando a maior média horária da série desde 2000 da auto, mas os extremos de máxima não foram tão altos quanto a estação convencional indicou). O recorde de calor em outubro de 2015 ocorreu nesta "fase quente" da convencional e é superestimado; no dia dos 36,4ºc na conv fez 34,9ºc na auto, e o de setembro (35,8ºc) também está acima da realidade. A auto de Brasília só superou os 35ºc uma vez desde que foi inaugurada, num dia de outubro de 2008 (outros pontos do DF já superaram várias vezes os 35ºc, mas me refiro aqui somente à área da sede do Inmet, no Setor Sudoeste). Este ano, a convencional de Belo Horizonte estava com mínimas (desta vez) subestimadas desde janeiro, e piorando entre o final do verão e o outono (a coincidência é que o final do verão/outono deste ano foi mesmo um período fresco na capital mineira, mas as mínimas da convencional estavam abaixo da realidade local, um topo artificial cercado por avenidas e prédios que nunca foi bom de mínima). Eu mesmo enviei um e-mail para o quinto Disme relatando minha suspeita, e algum tempo depois eles claramente trocaram o termômetro de mínima (no final de maio, pois dois dias a mínima de BH no relatório das capitais foi tirada da Pampulha, ainda que a mínima da convencional ainda tenha sido divulgada na página das convencionais), e a partir deste dia (29 ou 30/05) os valores de mínima da convencional voltaram a se comportar da maneira esperada (em comparação com Cercadinho, Pampulha e um conjunto de PWS). Mas se formos olhar todas as estações do Brasil "desde sempre", são centenas e centenas de casos assim.
  6. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    Carrasco teve médias quase iguais, mas é menos extremada que Melilla por ficar mais perto da agua (a menor mínima foi de 0,3ºc positivos - 0ºc arredondando -, e as máximas em média são um pouco menores também). A média horária foi de 9,8ºc, e a simples de 9,9ºc. Na região mais adensada, acompanho uma PWS urbana que é um meio-termo entre a estação climatológica do Prado (parque urbano) e região das ramblas (área de mínimas mais altas, especialmente no inverno, e máximas mais baixas com vento do mar). Um dado interessante sobre esta PWS (Uruguay Link) é que os dados pluviométricos estão praticamente completos desde janeiro (a estação Melilla/Nimbus esteve com o pluviômetro entupido durante boa parte do mês de junho, o mais chuvoso do ano até agora na capital Uruguaia, e o total anual apresentado na página deles, de 378,4 mm, está muito abaixo da realidade). Apenas nos dias 23 e 24 de julho a PWS ficou sem dados de chuva, mas por sorte existe outra PWS muito próxima que registra valores sempre parecidos, e pude pegar os dados de chuva de lá (Malvin) para estes dois dias. Dados da julho/2020 nesta PWS urbana: Média das máximas: 13,9ºc Média das mínimas: 7,7ºc Média de todas as observações: 10,5ºc Maior máxima: 24,2ºc (20) Menor máxima: 9,8ºc (07) Maior mínima: 15,9ºc (20) Menor mínima: 3,3ºc (30) Maior média diária: 19,9ºc (20) Menor média diária: 7,6ºc (14) Precipitação total: 28,6 mm (mês com menor volume de chuva em 2020 até agora) Precipitação diária máxima: 14 mm (23) As médias, a menor máxima e a menor mínima foram as mais baixas de 2020, uma vez que junho foi de temperatura um pouco acima da média (11,9ºc Carrasco e 12,4ºc PWS em 06/2020). Claro que não é uma estação padronizada, mas representa o que sentem os moradores das áreas mais adensadas da cidade, não muito diferente da PWS na Auxiliadora, em Porto Alegre (e as máximas mostram que não há superaquecimento apreciável, ou seja, os dados são confiáveis dentro das limitações de uma estação não padronizada). Estatísticas de precipitação em 2020: Janeiro: 32,8 mm Fevereiro: 51,8 mm Março: 79 mm Abril: 110,3 mm Maio: 53,1 mm Junho: 205,7 mm (maior precipitação diária 58,4 mm em 22/06) Julho: 28,6 mm* Parcial do ano: 561,3 mm *Interessante também este contraste: o mês menos chuvoso do ano na capital uruguaia foi o mais chuvoso em Porto Alegre, possivelmente causado pelo fato de Porto Alegre ter ficado mais tempo perto do limite do bloqueio atmosférico que impediu o avanço dos pulsos de ar frio para o norte e desacelerou o deslocamento das chuvas frontais na "altura" de POA. Voltando a falar de junho de 2020, foi um mês bem chuvoso em parte do Uruguai, e até o mais chuvoso em 40 anos em alguns pontos segundo o boletim Inumet (um dos raros casos em que eles divulgam dados):
  7. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    Julho de 2020 registrou temperatura acima da média em Belo Horizonte (como já mostrou o resumo do LeoP), enquanto em Brasília as temperaturas ficaram entre dentro e ligeiramente acima da média de 30 anos só. Foi o quinto julho mais quente desde 2007 na estação automática da Pampulha (praticamente empatado com o terceiro e o quarto), enquanto a automática de Brasília já registrou 10 julhos mais quentes que esse desde 2000 (sendo 8 deles desde 2007). Não houve registro de chuva em Brasília, enquanto na Pampulha/BH choveu bem fraco entre os dias 02 e 03, acumulando 2,4 mm. Não chover ou chover muito pouco é o esperado para as duas cidades em julho, e foi o que aconteceu este ano. Na estação da Pampulha (BH), a maior temperatura registrada em julho de 2020 foi de 29,6ºc no dia 29, e a menor de 12,2ºc no dia 13. A precipitação acumulada no mês foi de 2,4 mm. A automática de Brasília registrou sua maior temperatura do mês no dia 03, com 27,2ºc (curiosidade: mesmo dia e valor da maior máxima de junho), e a menor no dia 14, com 11ºc. Não houve registro de precipitação (0 mm). Abaixo as médias horárias de julho nas duas estações em questão, desde a inauguração das respectivas estações (julho de 2017 foi o mais fresco nas duas cidades, com ajuda da “baleia marítima”, enquanto 2009 registrou grande desvio positivo nas duas cidades, mas foi líder isolado em BH, e ficou no mesmo patamar de ruindade de 2002, 2007 e 2016 em Brasília, perdendo por muito pouco para 2016 na capital federal). Belo Horizonte/Pampulha auto: Brasília/auto (setor sudoeste):
  8. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    Julho de 2020 em Porto Alegre foi um mês “OK” pela temperatura média, mas isto esconde detalhes interessantes como o forte veranico de uma semana e o predomínio de frio (ainda que sem qualquer evento de destaque histórico) no restante do mês. Comparado com a tragédia grega que o mês foi mais para cima, eles não podem reclamar. Julho de 2019 foi pouco menos de um décimo mais frio que julho de 2020 na capital gaúcha pelos dados da automática, com 13,7297ºc (2020) x 13,64919ºc (2019), seguindo o horário UTC na média das 744 horas. A temperatura máxima de 07/2020 na automática de Porto Alegre foi de 30,7ºc no dia 19, e a mínima de 2,7ºc nos dias 15 e 30. Um destaque do mês foi o grande volume de chuva, com 262 mm (incluindo 106,2 mm em 24 horas, até a manhã do dia 08). Fiz um compilado das médias horárias de julho no Inmet/auto de Porto Alegre desde 2002 para dar uma perspectiva (em 2001 utilizei dados do aero junto com a automática para estimar a média, pois não há dados de temperatura da convencional no BDMEP e os dados da automática estão cheios de buracos, e em 2000 a média é da convencional, pois não havia automática ainda). No restante do período (2002/2020) os dados são quase todos da automática, com eventuais correções feitas com dados da convencional (que fica ao lado) só nos dias com observações horárias incompletas (caso de julho de 2017, durante a MP tiro-curto, quando a automática resolveu dar pane nas madrugadas). Reparem que julho de 2009 foi o mais frio desde 2000 na capital gaúcha, mesmo mês que foi horrível em MG (como mostram os dados do Enio de Ouro Branco, e também os dados de Belo horizonte/Pampulha que postarei adiante). Certamente foi um padrão de frio fortemente bloqueado até o RS, com pré-frontal direcionado sobre DF/GO/MG (no RJ 07/2009 foi muito chato mas inofensivo, bem menos pior que 2020, 2018, 2015..). Médias horárias julho (Porto Alegre/auto): * Compensada conv
  9. Depois de um julho verdadeiramente deplorável, o pior do século no meu ponto de vista aqui para o RJ (na “frieza” dos números foi alguns décimos menos quente que 2015 e 2018 na Vila Militar, por exemplo, mas no “conjunto da obra” 2020 leva o troféu de pior julho da história na minha avaliação), me sinto verdadeiramente aliviado que este pesadelo finalmente tenha acabado e estejamos em agosto. Mesmo que agosto venha a ser outro mês frustrante (e parece que vai), ainda assim tenho certeza que vou considerar o mês muito mais satisfatório que julho, até porque em agosto a própria expectativa de registrar uma boa MP já diminui, ou seja, o auge do inverno já passou mesmo (a bolha de calor no miolo do Brasil só cresce) e o que vier (ou não) está valendo. Acho que nunca fiquei tão feliz com a chegada de agosto quanto este ano, mesmo com zero perspectiva de ar frio. Só mesmo a chuva ficou dentro da média neste mês que acabou de terminar, pois de resto foi a maior catástrofe imaginável. Agosto..🙌🙌🙌🙌🙌🙌🙌🙌 Julho de 2020 foi tão ruim, mas tão ruim, que a mínima absoluta da estação automática de Teresópolis (que fica numa área de encosta, depende de algum ar frio para ter mínimas decentes, ar seco só não funciona) foi de inacreditáveis 11ºc, deixando (muito) “para trás” não só pior julho anterior (2015, com 8,7ºc de mínima absoluta), mas também levando uma surra dos meses de dezembro de 2018 (8,7ºc) e 2019 (8,6ºc). Julho de 2020 foi o maior desperdício de um mês de inverno jamais visto. A coisa chegou a um nível tal de absurdo que em dois meses de dezembro consecutivos a mínima absoluta “ganhou” de julho deste ano por mais de 2ºc na estação, tudo indica que foi algo totalmente sem precedentes. Talvez em 50 anos, quando a “equatorialização” do nosso clima estiver nos estágios finais (processo que só não será total por conta das diferenças na duração do dia e incidência solar ao longo do ano, ao menos essas não mudam), essa verdadeira esquizofrenia climática passe a ser comum, mas por enquanto é novidade. No centro do Rio (aero Santos Dumont) julho de 2020 foi o primeiro do século a não baixar dos 18ºc na menor leitura horária, superando em ruindade até os horrorosos julhos de 2015 e 2018 (17ºc). No subúrbio da Vila Militar, apenas 07/2015 (14,4ºc) teve uma mínima absoluta mais alta que julho que 2020 (13ºc), pois houve maior frequência de noites nebulosas/com vento naquele ano, e a estação é mais dependente do resfriamento radiativo (pode baixar a 12/13ºc sem ar frio algum, desde que esteja seco e estável em altura). Além disso, a mínima absoluta de julho de 2020 foi mais alta que a de junho (que já havia sido muito alta) na maior parte do RJ, e é grande a chance de a mínima absoluta de 2020 ficar com maio mesmo (embora muito ocasionalmente a mínima do ano ocorra em setembro, duvido que 2020 tenha alguma chance). Os primeiros dias de agosto, mesmo sem ar qualquer vestígio de massa de ar frio (só ar fresco marítimo), já prometem mínimas mais baixas que as patéticas mínimas absolutas de 07/2020 na maior parte do estado. Minha nota para esta porcaria de mês que felizmente acabou de terminar é abaixo da zero, fazendo jus ao nome do fórum (mas da maneira mais indesejada possível). Vade-retro, julho de 2020! Não vai deixar saudade n e n h u m a! Agosto está começando com um padrão chatíssimo (fluxo oceânico que deixa as temperaturas comportadas, mas sem qualquer sinal de ar frio, algo muito comum por aqui entre o final do inverno e a primavera), mas confesso que vou torcer mesmo é por um evento de calor histórico neste mês, algo que não acontece em agosto desde 2005 na cidade do Rio (quando a máxima nos bairros mais quentes encostou nos 39ºc no final do mês, coroando o agosto mais quente do século XXI até agora). Um pico de calor histórico no final de agosto também seria o encerramento perfeito para este inverno completamente inexistente, talvez o pior de todos os tempos no RJ. Em agosto de 1993 a temperatura chegou aos 40,2ºc em Bangu no último dia do mês, os 40ºc mais precoces já registrados na cidade do Rio de Janeiro até onde eu sei. Mas, considerando que na primeira quinzena de setembro já fez mais de 42ºc (em 09/09/1997, nas estações de Marambaia, Bangu, Seropédica e Santa Cruz/aero), certamente este recorde de agosto também será quebrado um dia. Vai ser ótimo se isso acontecer agora em 2020, mas o mais provável é que não aconteça tão cedo (mesmo assim, será muito menos difícil quebrar o recorde de calor mensal que registrar qualquer marca relevante de “frio” para o mês). Enquanto em junho e julho picos de calor na casa dos 35ºc nos bairros mais quentes são bem esporádicos, em agosto eles já ocorrem quase todos os anos, mas ainda é bem difícil a temperatura se aproximar dos 40ºc (em estações sem superaquecimento, deixando Alerta Rio e afins de fora).
  10. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    O patético julho de 2020 trouxe apenas uma “boa” notícia para o Rio de Janeiro: a precipitação voltou a alcançar a média após 5 anos seguidos com chuva abaixo da média no mês. A cidade do Rio de Janeiro registrou em média 63,7 mm de chuva neste mês de julho (média dos 33 pluviômetros do Alerta Rio), valor que ficou dentro da média 1997/2019 do Alerta Rio (62,3 mm). A maior parte da chuva do mês na capital fluminense esteve associada a esta última “frente fresca”, e caiu entre o dia 30 e a madrugada do dia 31, embora tenham ocorrido chuvas moderadas de infiltração marítima em alguns pontos também entre os dias 14 e 15 (outra frente bloqueada), e chuva mais isolada (com volumes médios muito baixos) logo no início do mês (dias 3 e 4). Fora esses dias, o tempo firme (sol entre nuvens) predominou. Como é tradicional nesta época do ano (quando predominam as chuvas frontais e pós-frontais orográficas), bairros mais favorecidos pelo relevo receberam volumes de chuva muito maiores que as terras baixas no interior das zonas norte e oeste. Das 33 estações da rede Alerta Rio, o maior volume de 07/2020 foi registrado na Rocinha (ZS), com 202,6 mm, e o menor na Penha (ZN), com 13,2 mm. 6 das 33 estações pluviométricas (~18%) superaram os 100 mm, e 4 estações (~12%) fecharam julho com menos de 20 mm. Em Niterói, os volumes mensais alcançaram os 35 mm no Inmet/Barreto e quase 50 mm no Cemaden mais perto de casa (Praia João Caetano/Ingá), também próximos da média estimada do mês, porém a chuva se distribuiu melhor entre os 3 eventos do mês (sem a prevalência deste último evento, ao contrário do que ocorreu na capital, e especialmente no centro/sul da cidade). Abaixo, as médias municipais de julho da rede Alerta Rio (apenas pluviômetros localizados na capital do estado, eram 30 nos primeiros anos e são 33 desde 2011) desde 1997:
  11. Foi mais duradoura, mas os picos de frio foram mais suaves, e o auge do frio (especialmente noturno) foi menos intenso. A menor máxima foi parecida nos dois eventos, mas em 2007 a tarde com menor temperatura pareceu mais fria, pois havia mais vento e advecção mais forte. Também não houve uma mínima sub-10ºc oficial na cidade do Rio em 07/2004, mas o Alto da Boa Vista registrou 6 mínimas entre 10 e 11ºc (uma de 10,1ºc, foi só para sacanear mesmo que não bateu sub-10ºc). Agora, pela duração, 07/2004 ganha sim, foram mais dias com mínimas e máximas baixas. Mas ainda fico com o pico mais acentuado de 2007, questão subjetiva mesmo. Este evento de julho de 2004 contribuiu para que o mês terminasse como o julho mais chuvoso do século XXI (e desde 1989 pelo menos) na cidade do Rio de Janeiro (167,3 mm a média da rede Alerta Rio, mas choveu mais de 450 mm no Sumaré e no Alto da Boa Vista, 355 mm na Rocinha e quase 300 mm no Itanhangá e no Jardim Botânico). Certamente 07/2004 merece uma ótima posição na galeria dos eventos deste século (chuva + frio), e foi o campeão na duração.
  12. Como julho segue excepcionalmente tedioso por aqui, hoje vou fazer uma seção “túnel do tempo”, relembrando eventos que ocorreram nesta mesma altura do ano em 1998 (evento histórico de chuva na Grande Natal/RN) e 2007 (massa de ar frio que chegou com força ao leste da Região Sudeste). Entre os dias 29 e 30 de julho de 1998, um evento histórico de chuva (causado por uma onda de leste particularmente “invocada”, e já após o auge da relativamente fraca temporada chuvosa de 1998 no leste da Região Nordeste) impactou a cidade de Natal e arredores, causando enchentes generalizadas e até algumas mortes (houve em deslizamento mortal em Ceará-Mirim, fenômeno pouco comum pelo relevo relativamente suave da região). Seguem os acumulados diários de chuva em três estações da região (duas Inmet e uma fornecida pela Emparn). O acumulado diário máximo em Natal/Inmet foi recorde de toda a série da estação, e o de Ceará-Mirim/Inmet foi o maior volume diário registrado pelo Inmet em toda Região Nordeste desde os 407,6 mm de Maceió/AL em 28/04/1979 (caso este registro da capital alagoana esteja errado, pois não tenho total confiança nele, foi o maior total diário numa estação do Inmet no NEB desde os 367,2 mm em Salvador/BA no dia 27/04/1971, num evento responsável por mais de 100 mortes na capital baiana). O registro da escola Henrique Castriciano (fornecido pelo site da Emparn) não segue os horários de leitura do Inmet (por isso optei por não comparar com outros registros Inmet), mas o total do evento é compatível com o que foi observado nas estações mais próximas. Natal/Inmet: 29/07/1998: 134,8 mm 30/07/1998: 253,2 mm 31/07/1998: 2,8 mm Total: 390,8 mm Natal/Henrique Castriciano: 29/07/1998: 74,8 mm 30/07/1998: 363 mm 31/07/1998: 13,8 mm Total: 451,6 mm Ceará-Mirim/Inmet: 29/07/1998: 59,7 mm 30/07/1998: 341,3 mm 31/07/1998: 3 mm Total: 404 mm O outro evento, bem conhecido por muitos aqui, foi a MP do final de julho de 2007, a única deste mês (que foi muito frio entre parte da Região Sul do Brasil, Uruguai e centro-norte da Argentina) que conseguiu chegar com força ao leste da Região Sudeste (embora tenha ocorrido uma prévia entre os dias 19 e 20), e terminou sendo o melhor evento de frio do pós-2000 (pelo “conjunto da obra”) na RM do Rio de Janeiro e em parte da Região Serrana. Para ilustrar, coloco abaixo a tabela de máximas (esq), mínimas (meio) e chuva diária (dir) da estação Alto da Boa Vista/Inmet durante o evento. Além de terem ocorrido várias máximas e mínimas baixas, o Alto da Boa Vista registrou um recorde de chuva diária (por efeito orográfico, dados desde 1967) para o mês de julho no dia 29/07/2007 (182,5 mm), justamente quando a advecção de ar frio foi mais forte. Mas não foi só no Alto da Boa Vista que as marcas foram expressivas, pois até bairros do Rio de Janeiro ao nível do mar registraram entre 3 e 4 máximas seguidas abaixo dos 20ºc neste evento (entre 27 e 29 ou 27 e 30, dependendo do bairro), sequência que nunca mais foi alcançada, e 4 estações do Inmet dentro do município do Rio também baixaram dos 10ºc de mínima no dia 31 (além do Alto: Realengo, Vila Militar e Marambaia). Os bairros mais quentes e adensados chegaram aos 13/14ºc, o que é bem relevante para estes locais no padrão atual. Na Região Serrana, a média diária (24 horas) da estação automática de Teresópolis ficou abaixo dos 9ºc nos dias 29 (8,5ºc) e 30/07 (8,6ºc), fato que nunca mais se repetiu. No mesmo dia 29/07/2007 (auge da advecção no Rio), conforme post anterior, o aeroporto de Carrasco no Uruguai registrou seu recorde mensal de menor mínima para os anos 2000, evidenciando a amplitude do ar frio/seco ao sul daqui.
  13. Que este ano o mês de julho está mais quente (em termos relativos, desvios para a média mensal, pois em termos absolutos sempre é) quanto mais ao norte se avança entre o sul do RS e a Região Sudeste, todo mundo já sabe. Mas o que muita gente não sabe é que julho de 2020 está muito longe de poder ser considerado realmente frio mesmo ao sul do Brasil, no Uruguai e em na maior parte centro-norte da Argentina, apesar da atuação predominante de massas de ar frio nestas áreas (o que é obrigação, em se tratando de julho) e da ocorrência de mínimas absolutas expressivas em algumas estações destas regiões no meio do mês e hoje. A exceção ao predomínio de ar frio nas áreas mencionadas foi um período de “veranico” (3 a 7 dias, dependendo da área). Na região de Montevideo, julho de 2020 está com temperatura um pouco abaixo da média por conta dessa frequente atuação de massas de ar frio, condição relacionada ao próprio bloqueio (que não deixou o frio “subir” uma única vez), mas este ar frio que atuou durante a maior parte do mês teve intensidade no máximo moderada, como atesta a ausência total de máximas sub-10ºc no aeroporto de Carrasco em julho deste ano, apenas a quarta vez que isto acontece em julho nos últimos 21 anos (as estatísticas de mínimas <= 0ºc também ajudam a colocar este mês de julho no seu devido lugar, ou seja, completamente irrelevante mesmo quando comprado apenas com os demais anos do século XXI). No final das contas 07/2020 leva uma imensa surra de 2000 e 2007 (os verdadeiros julhos “históricos” pelo frio no padrão atual) sob todos os ângulos possíveis, e “apanha” de outros meses de julho recentes também. Abaixo vai a tabela atualizada com algumas estatísticas de frio (julho) do aeroporto de Carrasco (única estação com dados completos, em que pude fazer um controle de qualidade de todos os anos), para “máximas iguais ou acima dos 20ºc”, “máximas abaixo dos 10ºc” e (a novidade, que incluí agora) “mínimas iguais ou abaixo de 0ºc”. Vale lembrar que as temperaturas são arredondadas para o valor cheio mais próximo no METAR (ex: a menor mínima horária de 07/2020 no aeroporto de Carrasco foi de 0,3ºc no dia 15, arredondada para 0ºc, e a e menor máxima horária de 9,7ºc no dia 14, arredondada para 10ºc). Em todos os anos foi feito desta maneira (mesma metodologia), pois os registros exatos com décimos estão disponíveis para um período muito curto. Claro também que entre uma hora e outra a temperatura costuma subir/descer um pouco, mas em estações de aeroporto estes valores não são revelados (quer dizer: a mínima pode de fato ter chegado aos 0ºc no dia 15, e a máxima aos 10ºc no dia 14). Os dados falam por eles mesmos, e mostram que o ar frio mais intenso ficou bloqueado ao sul da foz do rio da Prata neste mês de julho. Foi um mês com predomínio de ar frio, mas sem Mps intensas na área em questão. Aqui no sudeste do Brasil, em particular no RJ, este pode ser considerado (dependendo do ponto de vista) o pior mês de julho (em termos de frio, ou ausência dele) de todos os tempos, mas vou falar mais sobre isso no começo de agosto. Recordes de julho nos anos 2000 (Carrasco): Maior máxima : 28ºc (04/07/2010) Menor máxima: 6ºc (15/07/2000 e 10/07/2007) Menor mínima: -3ºc (29/07/2007)
  14. Na cidade de La Plata (PWS na parte norte da cidade, da Facultad de Informatica/UNLP), o vento úmido de norte destruidor de mínimas já chegou por volta das 18:00. Veja o impacto no ponto de orvalho (a temperatura até caiu com a entrada do vento, mas depois estacionou entre 7 e 8ºc, e pode ser que não caia mais de madrugada).
  15. Agora que virou a página do tópico (literalmente), e como a maioria aqui já deve estar farta deste assunto, prometo que esta será minha última postagem sobre o atual evento em Rosario. Renan, eu entendo seu ponto de vista, mas meu objetivo principal foi separar o que acontece no aeroporto de Rosario do que acontece nas áreas mais urbanizadas da cidade. Se pegar o aeroporto, talvez realmente a mínima de hoje venha a ser o recorde do período 2000/2030, mas se focarmos na área central certamente serão dezenas e dezenas de mínimas menores neste mesmo período (considerando apenas os meses de julho dos últimos 3 anos já encontrei 4 mínimas menores que as de hoje em dois eventos, e tenho certeza que muitos outros eventos também superaram as mínimas de hoje no coração urbano de Rosario, pois tudo indica que os valores de hoje nesta parte da cidade foram bem comuns para o maior frio do ano), tudo depende da parte da cidade sobre a qual se está falando. Veja que no evento de julho de 2017 (17/07), bem mais advectivo que o atual, a mínima absoluta no aeroporto foi de -3,2ºc, mas na PWS Davis ISANTAFE117 fez 0,3ºc (diferença de 3,5ºc). Hoje fez -8,4ºc no aero e 3,3ºc na PWS (diferença de 11,7ºc!) Este exemplo ilustra excepcionalmente bem a diferença entre um evento mais advectivo (com frio mais forte em altura, mais vento, e microclimas suavizados) e um mais seco/radiativo como o de hoje. Outro ponto que mostra como outras de frio recentes foram muito mais fortes que atual na cidade de Rosario... No evento atual, a menor máxima no aero foi de 14ºc (ontem) e 15ºc (hoje), mas em 07/2000 foram 5 máximas consecutivas abaixo dos 10ºc (uma de 6ºc), e em 07/2007 foram 3 máximas consecutivas abaixo dos 10ºc (uma de 5ºc). Em 07/2017 e 07/2019 a menor máxima no evento de frio mais forte foi de 10ºc (dados do aero, mas as PWS seguem o mesmo padrão nas máximas, quando não um pouco abaixo). Sobre ter geado em Rosario, claro que deve ter geado, mas quem mora nos locais mais adensados da área central cidade, sem uma área verde maior ou gramada por perto, muito provavelmente não viu geada nem se saiu na hora mais fria do dia (o próprio fato de não haver saturação nos locais mais adensados dificultaria a formação de geada, ainda que tivesse negativado em toda a cidade). Isto é muito diferente de dizer que não geou absolutamente dentro da área central de Rosario, e eu até apostaria que geou sim. Naquele parque no meio da cidade pode muito bem ter se formado um gelinho na grama. Voltando ao assunto do tópico, aqui segue o tempo sem graça depois de uma tarde mais fresca e nublada com períodos de chuvisco, e faz 20ºc. As máximas alcançaram os 24/25ºc pela manhã, antes da chuva, e as mínimas serão noturnas. Muitas nuvens ainda amanhã com previsão de chuviscos/chuva fraca isolada de madrugada, e depois gradual abertura do tempo e aquecimento, mas sem grandes picos de calor no horizonte por enquanto, apenas um "julho ruim" normal.
  16. A comparação foi mais pela diferença de temperatura, numa situação de grande estabilidade atmosférica. Distância diz pouco ou nada, muitas estações a 200/300 Km do centro de São Paulo (ou mais, e até em outros estados) tem média das mínimas muito mais parecida com a do Mirante (ao longo de todo o ano) que Marsilac, um microclima muito particular. Quanto o resto, os dados falam por eles, são 5 estações particulares diferentes dentro da zona central com mínimas numa mesma faixa, é uma zona muito urbanizada mas que representa o que sentem dezenas de milhares de pessoas, ou talvez mais de uma centena. Mesmo se pegar os subúrbios mais urbanizados, que devem ter negativado um pouco, estão mais próximos da temperatura do Centro que do aero. Claro que se fosse uma estação padronizada, num parque em meio ao centro, a mínima seria menor mesmo, provavelmente entre 0ºc e 2ºc. Mas nada muda do ponto central, que dentro da área mais urbanizada da cidade um frio como o que fez hoje é mais corriqueiro, tem recorrência quase anual ou anual. Em advecções de frio realmente fortes, pode ter uma ilha de calor estilo Manhattan que as mínimas despencam de qualquer jeito, com diferenças bem mais discretas entre zonas centrais e rurais.
  17. Mas se você olhar o local das estações faz todo o sentido, este aeroclube (imagem da esquerda) fica numa zona entre suburbana e rural, o nível de adensamento é muito menor que o das estações que registraram entre 1 e 4ºc de mínima (imagem da direita). Nas áreas menos adensadas de Rosario (alguns subúrbios e zona rural), a mínima desta manhã pode sim ter sido a menor em várias décadas (por efeito do ar muito seco em altura), mas dentro da zona mais urbanizada não foi, como mostram as mínimas claramente menores em 2017 e 2019 (mesmo mês). Pena que não existe uma estação urbana do SMN na cidade de Rosario, seria muito útil (já Buenos Aires tem um monitoramento muito bom).
  18. Renan, eu evito me basear em registros isolados, e procuro ver a coisa de forma mais ampla, buscando várias estações numa região para ter um panorama mais completo das mínimas registradas numa determinada área e para tentar entender quais fatores atuaram para gerar uma diferença maior ou menor entre os micrcolimas (advecções polares históricas tendem a gerar uma diferença menor entre os microclimas, enquanto advecções não tão fortes mas muito secas, como esta, geram mínimas mais expressivas apenas nos microclimas mais favoráveis). Sei de fonte segura que algumas estações da Argentina foram reposicionadas para microclimas mais frios ao longo dos anos (menor urbanização), embora não possa afirmar que seja o caso de Rosário. Pode ser que a mínima de hoje no aeroporto local seja simplesmente resultado de uma condição excepcional para o resfriamento radiativo (estabilidade + ar seco em altura), o que o dado de El Palomar (com uma diferença para Ezeiza que muito raramente se vê) parece corroborar. Veja que em duas estações urbanas de Rosario já fez um frio bem maior que o de hoje em no mínimo duas ocasiões diferentes desde 2017, o que indica claramente que a massa de ar frio que atua sobre a cidade desde ontem não é absolutamente histórica (em termos de perfil térmico), apenas muito seca, o que gerou algumas mínimas muito baixas em áreas pouco urbanizadas rente ao solo. Sobre o mês estar sendo de frio histórico, olhando o conjunto das estações da Argentina (fora uma ou outra localidade), de fato as mínimas absolutas deste ano estão bem longe dos recordes na grande maioria estações mais antigas, então não considero mesmo que este mês esteja sendo histórico na maior parte do país (mas a definição de histórico varia de uma pessoa para outra, já vi gente aqui falando em perspectiva de frio histórico pois uma estação com meros de 5/10 anos de dados, ou até menos, poderia registrar um novo recorde de frio, então se a definição adotada for essa pode-se dizer que área experimentado frio "histórico" cresce exponencialmente). No extremo sul da Argentina (Partes de Santa Cruz e Terra do Fogo) houve recentemente uma condição de muita neve acumulada no solo em combinação com uma massa de ar frio forte, o que favoreceu o registro de alguns recordes mensais, mas não foi uma condição que atingiu uma área grande do país. Um exemplo do poder da neve em potencializar o resfriamento radiativo ocorreu no aeroporto de Bariloche em 2017, que registrou mínima de -25ºc num dia em que estações na beira do lago Nahuel Huapi (dentro da área urbana de Bariloche e na direção de Villa la Angostura) não baixaram dos -9/-12ºc. Havia uma cobertura de neve que poucas vezes se vê no aero (o Jeanj postou uma foto), e o próprio abrigo estava congelado no estilo "Oymyakon", o que funcionou como um "freezer ao ar livre". Mas eu entendo que as pessoas de uma maneira geral gostam de se empolgar, então esta minha posição de estar sempre ponderando (ou talvez, para muitos, menosprezando) os eventos pode ser irritante para alguns. Mas sou assim, extremamente exigente com o que considero ser "histórico". Se amanhã fizer -13ºc em Vista Alegre e -1/-2ºc no Inmet de São Joaquim, vou analisar o evento pelo Inmet, por ser a única estação antiga da região, o que não quer dizer que eu não considere o registro de Vista Alegre válido. Só consideraria um evento histórico baseado em Vista Alegre se a estação tivesse várias décadas de dados, de preferência sem interrupções.
  19. Estes dados mostram bem o efeito do ar muito seco em altura sobre os microclimas. Esta estação de El Palomar (UR de 20% na parte da manhã, após a quebra da inversão térmica), assim como a do aeroporto de Rosario, claramente acumulam ar frio (efeito baixada), e não dependem tanto do frio em altura (bem mediano hoje) para registrarem mínimas muito baixas. Se esta mesma massa de ar estivesse sobre sobre RS/SC, teríamos algumas mínimas muito notáveis em baixadas, com marcas bem mais xoxas nos topos. Mas existe o potencial para isso na madrugada de amanhã, Vista Alegre certamente registra menos de -10ºc na maioria dos anos, a questão é se o ar seco vai estar bem posicionado sobre a estação mais tarde.
  20. Pode ser então um local excepcionalmente bom para o registro de resfriamento radiativo, mas agora fiquei interessado também nas leituras diurnas para descartar de vez a chance de ser um problema de calibração (não pode ter máxima significativamente menor que Ezeiza, por exemplo). Por isso não bati o martelo, ao contrário do que aconteceu em Mendoza, que está certamente errado. Tem uma PWS aparentemente na 9 de julio: https://www.wunderground.com/dashboard/pws/ICOMUNA133?cm_ven=localwx_pwsdash Outra PWS que por vezes aparece ali (Montserrat) está mapeada no lugar errado.
  21. Exatamente... Esse aeroporto representa a área central de Rosário tanto quanto Marsilac representa o Centro de São Paulo nas mínimas, e isto não é nenhum exagero. Em Rosário, todas as principais PWS urbanas registraram mínimas entre 1ºc e 4ºc POSTIVOS. O aero representa extremamente mal a região mais urbanizada da cidade, que teve uma mínima absoluta banal hoje. O ar seco junto com o local ideal para o resfriamento radiativo explicam esta mínima do aero de Rosário, mas quem mora no centro não viu nem geada. 3 estações particulares numa zona suburbana perto do aero registraram mínimas entre -3,9ºc e -5,7ºc. Outros aeros da argentina que são muito mais frios que as respectivas cidades (área central) nas mínimas em muitas situações são os de Córdoba, Bariloche e Mar del Plata.. PWS no miolão de Rosário, mínima que faz até perto do centro de SP em Mps boas (esta é a pior, no meio da ilha de calor, mas 4 estações próximas registraram entre 1 e 3ºc de mínima). Em julho de 2019, esta mesma estação (IROSARIO39) registrou mínima de 1,3ºc. Uma PWS Davis na beira do rio, perto dali, teve mínima de 3,3ºc hoje (ISANTAFE117). Em advecções mais fortes, até a área central de Rosario chega a negativar um pouco (em julho de 2017 fez 0,3ºc na mesma estação que registrou 3,3ºc hoje - ISANTAFE117 -, e deve ter negativado em pontos dentro da área mais central da cidade). Voltando apenas 3 anos, já encontrei 2 eventos de frio mais fortes que esse na área central da cidade de Rosário, enquanto no aero a situação foi totalmente distinta, com talvez a menor marca em mais de 50 anos (se a estação estiver no mesmo lugar desde sempre, vai saber). Da mesma forma, o frio que fez na cidade de Buenos Aires hoje de manhã foi completamente ordinário para os padrões do mais forte do ano (dentro da média das mínimas absolutas anuais deste início de século, que é a maior da história). Mas considero o registro de uma estação (-5ºc em El Palomar) sem leituras horárias, com uma mínima muito menor que a de Ezeiza numa noite de advecção, no mínimo suspeito (no aí sim histórico evento de 06/1967 fez -7,8ºc em Ezeiza e -8ºc em El Palomar). Seria fundamental ver a "marcha horária" para esclarecer esta mínima de El Palomar hoje, sem ela não há como como confiar. Mas hoje de fato foi a madrugada mais fria do ano na cidade de Buenos Aires, até as PWS no meio dos bairros mais adensados chegaram aos 3/3,5ºc, sendo que até hoje várias mal haviam baixado dos 5ºc este ano. Este evento serviu para isso, jogar a mínima absoluta do ano para dentro da normalidade na capital argentina. Na próxima madrugada, este mesmo ar seco vai favorecer mínimas muito boas em partes do Uruguai e do RS/SC, apesar do frio em si (a massa de ar) não ser muito forte. Estações do SMN algumas vezes reportam mínimas erradas que não condizem com leituras horárias, um caso aconteceu no aeroporto de Mendoza em 01/07/2020, a comparação com os dados de Mendoza Observatorio e as leituras horárias do próprio aero de Mendoza prova que foi um erro: A maior parte da Argentina, ainda que esteja registrado um julho frio, está longe de algo histórico este ano. Quase esqueci de dizer que a influência da frente chegou ao RJ, ainda que deixando todo o ar frio ao sul, com uma boa pancada de chuva moderada esta manhã, sendo que Niterói foi até mais favorecida que a cidade do Rio em média com volumes entre 15 e 20 mm em todas as estações do Cemaden. Com isso, julho já está 7 vezes mais chuvoso que junho na estação mais perto aqui de cada (9 mm no início do mês e 16 mm hoje, contra 3,6 mm no mês de junho inteiro).
  22. A semana começou com muito calor no Rio de Janeiro, com picos de até 35ºc em alguns pontos da capital e da RM nesta segunda-feira. Na PWS do Leblon, que recebe “de cara” o ar quente que desce do maciço da Tijuca em dias de pré-frontal, a mínima da madrugada não baixou dos 28,6ºc (alterada à noite, como costuma acontecer nestas situações). Entre Ipanema e Copacabana, um pouco mais afastadas da encosta do maciço, a mínima (madrugada) caiu para aproximadamente 25ºc, enquanto o Santos Dumont (ainda mais afastado) registrou 22ºc. O Galeão (18,7ºc) e a Vila Militar (17ºc) conseguiram escapar do vento quente noturno, mas foi só o sol sair que o calor veio com tudo. A automática de Jacarepaguá começou a madrugada com boa queda (17,9ºc), depois entrou o vento quente e subiu para 27,6ºc, e por fim caiu novamente para 18,3ºc ao amanhecer, transformando o gráfico da temperatura da madrugada numa montanha-russa. Extremos registrados em estações pela RM do RJ ontem (13/07): Santos Dumont aero (Centro): 22ºc/30,6ºc Galeão aero (ZN): 18,7ºc/31,8ºc Santa Cruz aero (ZO): 20ºc/33,6ºc Duque de Caxias/Xerém INMET (Baixada Fluminense): 15,9ºc/33,2ºc Seropédica Ecologia Agrícola INMET (Baixada Fluminense): 19,7ºc/34,8ºc Niterói INMET (Barreto): 19,1ºc/33,6ºc Marambaia INMET: 19,8ºc/34ºc Jacarepaguá INMET: 17,9ºc/34,6ºc Vila Militar INMET: 17ºc/34,9ºc CPR Nova Iguaçu PWS (Baixada Fluminense): 16,6ºc/34,6ºc Helicentro Guaratiba PWS (ZO): 19,6ºc/35ºc Santa Cruz/Aeródromo Armando Nogueira PWS (ZO): 21,5ºc/32,6ºc Tijuca/Xavier de Brito PWS (ZN): 20,3ºc/32,6ºc Ilha do Fundão PWS (ZN): 20,1ºc/30,1ºc Ipanema/Lagoa PWS (ZS): 23,4ºc/31,1ºc Leblon PWS (ZS): 23,2ºc/32,4ºc Apesar do forte calor que fez ontem, o dia de julho com maior máxima deste século (média da cidade) foi 21/07/2001, quando foram registradas as seguintes máximas: Alto da Boa Vista/Inmet: 32,5ºc Aeros Santos Dumont e Galeão: 35ºc (a máxima no Santos Dumont foi quase igual à maior máxima do verão 2019/2020, que não passou dos 35,5ºc). Realengo Inmet: 35,5ºc Seropédica/Ecologia Agrícola (auto/Inmet): 35,9ºc Bangu Inmet: 36ºc Na Vila Militar (dados desde 2007), a máxima deste dia 13/07/2020 foi a segunda maior para julho por um décimo, atrás dos 35ºc de 12/07/2016, e empatada com 27/07/2016. @Gvieira, fevereiro de 1977, com as médias máximas altíssimas em Seropédica, foi o mais seco da série pluviométrica de 170 anos do Centro do Rio de Janeiro, com zero mm (único mês de fevereiro a não registrar chuva mensurável, embora 1984 e 2003 tenham chegado muito perto). Julho de 1977 é o único recorde de maior temperatura média mensal em São Paulo (Mirante) que ainda não foi quebrado no século XXI (19ºc), todos os outros recordes mensais da estação são do século atual. Infelizmente, é só questão de tempo para este recorde cair também. Pode não ser este ano, apesar do mês estar muito ruim em SP também, mas duvido que demore (o horrendo julho de 2018 foi o que mais chegou perto, com 18,7ºc de compensada no Mirante)
  23. Algum "gaiato" adulterou a foto, 129ºF equivalem a 53,9ºc (54ºc), basta colocar um tracinho a mais no alto (e nem se deram ao trabalho de adulterar a "pé" do 9, deixando tudo ainda mais grosseiro).😂 Este recorde de calor (do Vale do Morte) é um que eu gostaria de ver ser quebrado, pois já fez 128 ou 129ºF várias vezes neste século, o que indica que estas marcas estão longe de serem excepcionais no clima atual, falta apenas uma oportunidade para a estação alcançar ou superar os 130ºF pela primeira vez em tempos modernos, e seria também um novo recorde mundial (o famoso recorde 1913 muito provavelmente está errado, foi feita uma investigação não oficial que concluiu haver uma chance enorme do registro estar superestimado, então o recorde mundial confiável segue sendo 129ºF/54ºc lá e numa cidade do Kuwait). Como a palavra que "vale" é a do "burrocrático" NCDC/NCEI, eles validaram o registro de 1913 (134ºF/56,7ºc) sem qualquer investigação séria (assim como validaram os recordes estaduais de calor entre 5ºc e 10ºc acima da realidade do Oregon e do Wyoming) e ficou por isso mesmo.
  24. @Moretão e @Carlos Campos, não entendo muito sobre o clima do Paraguai (além do básico), mas acredito que a principal diferença entre o centro-sul do país (de uma maneira geral) e o oeste do PR seja a maior frequência de tardes quentes nas terras paraguaias, ao longo de todo o ano. Nas mínimas absolutas (médias anuais), creio que as duas regiões sejam bastante parecidas “por alto”, com diferenças causadas mais pelos microclimas (umidade, drenagem de ar frio, urbanização...). Mas de fato o “corredor” que favorece o avanço do ar frio para baixas latitudes está bem centralizado sobre o Paraguai, e certamente as terras mais “enrugadas” mais "para dentro" do PR (das proximidades de Toledo/Cascavel para o norte) já recebem o ar frio raso com menos força e frequência. Uma curiosidade sobre o Paraguai é a que máxima e a mínima absoluta do país foram registradas na mesma estação (no praticamente desabitado Fortín Prats Gill, no noroeste do país), com -7,5ºc e 45ºc. Esta parte do país (oeste/noroeste) tem um clima ainda mais extremado, parecido com o de partes do norte da Argentina e sul da Bolívia (Villamontes, na Bolívia, que fica na mesma “zona climática” de Prats Gill, tem extremos absolutos de -7ºc e quase 47ºc). O domingo foi um dia bem quente (máximas entre 30ºc e 33ºc pela RM do RJ), com predomínio de ventos continentais e sol entre nuvens (na parte da tarde, as cirrus encobriram o sol diversas vezes). O grande destaque da madrugada desta segunda-feira é o vento noroeste pré-frontal, que provoca aquecimento adiabático e faz a temperatura disparar nos locais expostos, enquanto lugares protegidos do vento registram resfriamento radiativo por efeito do ar seco. Por volta de 1:00 da manhã, temperatura na cidade do Rio variava entre 18ºc (Jacarepaguá/INMET) e 29,3ºc (Leblon/PWS, com rajada máxima de 51 Km/h). Em Niterói segue abafado, em torno dos 24ºc. O dia hoje será novamente de calor, com entrada dos ventos mais frescos na parte da tarde. Entre terça e quarta-feira, frio bloqueado ao sul e temperaturas agradáveis no Rio, com um pouco de chuva na terça. A partir do final desta semana, com o deslocamento do jato quente mais para o sul, o centro/leste da Região Sudeste terá alguns dias mais agradáveis, ainda que sem qualquer sinal de ar frio verdadeiro (apenas aquele ar fresco de leste, que até consegue trazer um friozinho noturno para algumas cidades).
  25. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    Resumo de junho de 2020 em duas estações da cidade do Rio de Janeiro e no INMET/auto de Teresópolis. O mês foi mais uma porcaria no Rio de Janeiro, engrossando o caldo de junhos quentes ou muito quentes que o estado vem registrando desde 2012 (com exceção de 2016). Também foi um dos 3 menos chuvosos do século XXI na RM do RJ, conforme comentado em outro post. A média compensada no aeroporto Santos Dumont (23ºc) ficou 1,5ºc acima da média parcial da Marina da Glória (ao lado) entre 1973 e 1990 (creio que a média 1981/2010 seria no máximo uns 2 ou 3 décimos maior, aquela região da cidade tem urbanização consolidada há mais de 50 anos). Foi a primeira anomalia mensal positiva de temperatura do ano (claro, tinha que ser em junho). No restante do estado o mês foi igualmente ruim. Entre os dias 11 e 13, a temperatura se aproximou dos recordes absolutos juninos de calor em pontos isolados da zona norte e (principalmente) em vários pontos da zona oeste da cidade, com novos recordes de maior máxima nas automáticas do Inmet da Vila Militar, Marambaia e Seropédica (séries de até 13 a 20 anos). Entre as zonas sul e central, apesar das médias igualmente muito elevadas para o mês, as maiores máximas passaram longe dos recordes. O grande destaque foi a total ausência de massas de ar frio, mesmo fracas, tanto que a menor mínima do mês ocorreu exclusivamente por ar seco (máxima de quase 30ºc no dia da mínima absoluta na Vila Militar), e a menor máxima exclusivamente por efeito da nebulosidade + chuvisco (mínima muito acima da média neste dia). Na Região Serrana ocorreu o mesmo, como mostram os dados de Teresópolis/auto. Em Teresópolis/INMET choveu 63,8 mm, com máximo diário de 33,4 mm (14/06), e 8 dias com registro de precipitação. A temperatura média horária foi a segunda maior já registrada em junho (desde 2007), atrás dos 16,8ºc de 2019. Foi um dos junhos com menos chuva desde a abertura da estação, talvez o menos chuvoso, mas em 2019 o pluviômetro passou boa parte do mês entupido e o total não está disponível (nos demais anos da série, choveu entre 78 mm e 261 mm em junho). Na Vila Militar/INMET choveu 8,4 mm, com máximo diário de 4,2 mm (15/06), e 8 dias com registro de precipitação. Foi o menor total de chuva para o mês de junho desde a inauguração da estação, em 2007. A temperatura média horária foi a segunda maior já registrada em junho, atrás dos 22,3ºc de 2019. A temperatura máxima média e a máxima absoluta foram as maiores já registradas em junho. Junho foi mais quente que maio pela primeira vez desde 2013. Mas em 2013 a diferença foi de 0,1ºc, e em 2020 de 1,1ºc... A média (MED) é horária nas estações do INMET, e compensada no Santos Dumont (por falta de observações horárias durante todo o dia). Teresópolis INMET (991 m): Aeroporto Santos Dumont (3 m): Vila MIlitar INMET (30 m):
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