Jump to content
Brasil Abaixo de Zero

Wallace Rezende

Members
  • Content count

    844
  • Joined

  • Last visited

  • Days Won

    9

Everything posted by Wallace Rezende

  1. A máxima horária de segunda-feira chegou aos 26,4ºc no Prado (mais para o final da tarde), mas ainda assim é um valor comportado para um dia de sol sem influência de ar frio nesta época. Como você disse, nas áreas mais afastadas da influência moderadora da água, as máximas na casa dos 30ºc se tornam mais frequentes, especialmente sob o sol forte do verão (assim como quando compramos OCBA e aeroparque, na capital portenha). Aqui mesmo acontece com grande frequência, hoje (ou melhor, ontem, acaba de virar o dia) tivemos máximas abaixo dos 30ºc nos bairros costeiros do Rio de Janeiro e no aero Santos Dumont (área central), mas chegou aos 34/35ºc nos pontos mais quentes da zona norte. Acabei de ver que algumas estações na área de Montevideo registraram a máxima de 2020 na primavera, no dia 24/11/2020 fez 35,6ºc no aeroporto de Carrasco, a maior do ano (superando os 35ºc de fevereiro), e neste mesmo dia fez 37ºc na estação Nimbus/Melilla no extremo norte (não tenho os dados de JFM para esta estação, mas acredito que foi a maior do ano também). Na PWS Unión fez 34,9ºc em 24/11, apenas um pouco abaixo do maior valor do ano (35,2ºc em 06/02). No Prado os dados divulgados pelo Ogimet eram apenas de 3 em 3 horas até meados de 2020, então não dá para saber qual foi a máxima do ano passado (agora são de hora em hora, o que melhora um pouco o monitoramento), só o Inumet sabe (mas, como sempre, não divulga). Acredito que a máxima do ano na primavera seja um fenômeno incomum no sul do Uruguai (ao contrário do que acontece em grande parte do Brasil, onde é o esperado), mas acaba ressaltando como a dinâmica anda fraca no verão também por aí. E neste verão a dinâmica está muito fraca numa grande área, pelo que pude perceber. Para a área central da cidade do Rio (região do Santos Dumont, perto da baía), a previsão automática do WU indica mínimas entre 23 e 25ºc e máximas entre 29 e 31ºc até o dia 28/01 (final da grade), dinâmica digna de litoral nordestino... Haja paciência para aguentar tanta monotonia (já dou janeiro como perdido, nada de interessante vai rolar por aqui)! Em 2020 a máxima só superou os 35ºc uma vez no moderado aero Santos Dumont, com 35,5ºc em 09/02 (dia de vento “terral” persistente, antes da chegada de uma frente bastante chuvosa que acumulou mais de 100 mm no local, e trouxe temperaturas amenas para a cidade). O lado bom é que está chovendo em locais onde a chuva é muito necessária, como em parte do estado de SP e em vários municípios do PR e SC. É o velho “cobertor curto”, pois outras áreas com falta de chuva crônica estão sem esperança alguma (ES e norte de MG, alguém?), mas pelo menos onde está chovendo realmente precisa chover (de uma forma geral), embora excessos pontuais sejam inevitáveis em situações como essa (caso do quase sempre chuvoso litoral sul de SP).
  2. Hoje foi registrada a segunda a maior máxima do verão até agora na cidade do Rio de Janeiro, com 37,3ºc na Vila Militar. A maior máxima do verão foi registrada no dia 31/12/2020, com 38,3ºc na Marambaia. Estes valores estão abaixo da máxima absoluta média do verão carioca, que costuma rondar os 40ºc nas estações (padronizadas) mais quentes. No aero Santos Dumont (região central) hoje fez 34,5ºc, a segunda maior do verão também (34,6ºc em 31/12). A persistência do vento terral até o início da tarde em boa parte da cidade favoreceu máximas altas, mas totalmente normais para períodos secos no verão. Se janeiro terminasse hoje, seria com a segunda menor máxima absoluta do histórico da Vila Militar (2007-presente, atrás dos 36,7ºc de 2012). Mas ainda existe a chance de um repique nos últimos dias do mês, seguimos acompanhando. De uma forma geral, a máxima absoluta deste verão até agora está relativamente baixa na maior parte do Centro-sul do Brasil, das capitais parece que só Porto Alegre já registrou um valor dentro da média de máxima absoluta (acho que chegou a 38,4ºc) levando em conta o histórico recente (mas também sem destaque algum). Na região da foz do Rio da Prata a calmaria é maior ainda, janeiro/2021 está uma “nutellice” absurda em Buenos Aires e Montevidéu (nesta última, os bairros mais centrais sequer chegaram aos 30ºc ainda no ano), e sem previsão de calor minimamente intenso no horizonte (há previsão de algumas mínimas altas, mas nada interessante nas máximas). Tenho a impressão que os recordes históricos de calor dessas duas capitais (argentina e uruguaia) muito dificilmente serão ameaçados novamente, e creio que isso pode estar ligado ao mesmo fenômeno comentado pelo Renan e pelo Aldo nos últimos dias, que também estaria causando a diminuição da dinâmica nos nossos verões, e que parece enfraquecer os mecanismos que propiciam as trocas mais violentas de massas de ar da zona subtropical “para cima” nos meses mais quentes (aqui nos trópicos já chegou aos meses mais frescos também, JJ de 2020 foram uma “tragédia” no RJ, com ausência total de advecções frias. Hoje em dia, para cada inverno “mediano”, temos dois invernos ruins/péssimos, em média). Já li mais de uma vez sobre uma provável expansão das zonas tropicais causada pelo aumento das médias térmicas globais, e acredito que isso pode estar por trás da redução das amplitudes térmicas absolutas registradas em algumas partes do mundo (assim como os aumentos locais da umidade, além de outros fatores), e os impactos desta expansão acabam indo além dos trópicos, especialmente no verão (existem várias zonas subtropicais e temperadas experimentando este tipo de padrão, incluindo áreas das Américas do Sul e do Norte). Voltando ao RJ (capital e interior), a máxima absoluta na primavera parece estar ficando mais comum por aqui também (como é o caso em grande parte do Sudeste e até em um pedaço do Sul), ainda que a persistência do calor seja muito maior no verão. No verão de 2018/2019 a máxima na capital foi de 40,8ºc na Marambaia em 01/2019 (mês com médias muito altas, as maiores do século em várias estações pela área), mas a maior temperatura de 2019 ocorreu em novembro (41,5ºc em Realengo). No verão de 2019/2020, a máxima absoluta foi de 39ºc em Realengo no dia 30/01, mas a maior máxima de 2020 ocorreu no dia 02/10 na Marambaia (41,4ºc). Será que 2021 vai pelo mesmo caminho? Para os próximos dias a previsão indica que o calor vai diminuir (mas continua quente) com o fortalecimento da brisa do mar, o que já deixa a chance de uma máxima maior que a de hoje até o final de janeiro mais baixa. Mas, como estamos num período de pouca chuva que vai se prolongar (ainda que algumas pancadas isoladas possam ocorrer a partir de meados/final desta semana), a chance de um eventual pico de calor até fevereiro permanece no radar. Desde a inauguração da estação da Vila Militar em 2007, a maior máxima ocorrida no verão foi de 41,4ºc em 12/2012, e a maior do histórico alcançou os 42,2ºc em 10/2015. Sobre uma suposta redução das chuvas de verão na cidade do Rio, confesso que não tenho dados para afirmar nada, embora eu também tenha esta impressão muitas vezes. O verão passado, apesar dos grandes volumes de chuva em fevereiro (os maiores na média da cidade desde no mínimo 1996, talvez desde 1988) foi fraco em chuvas de verão, janeiro e março não tiveram quase nada, e mesmo em fevereiro as chuvas causadas por áreas de instabilidade mais abrangentes ou frontais predominaram (o calor abaixo da média do verão passado não deve ter ajudado, mas mesmo meses muito abafados não raro deixam a desejar neste quesito). Recentemente tivemos várias pancadas em dezembro, mas não foram aquelas clássicas de verão, a mais volumosa do mês em Niterói veio no dia de natal, que foi relativamente fresco. Creio que o primeiro passo seria firmar uma definição para “chuva de verão” (Qualquer trovoada? Apenas as ocorridas após dias quentes? Alguma limitação mínima de volume? E o que seria um dia quente?). Mais perguntas que respostas. Mas uma coisa é certa: períodos com temperatura elevada e convecção suprimida (subsidência) sempre existiram no verão carioca, com maior recorrência entre finais de janeiro e fevereiro (mas, claro, variando muito entre um ano e outro, e podendo até ocorrer em março, como foi o caso de 2007).
  3. Wallace Rezende

    Médias Climatológicas 1991-2020

    Dados anuais completos de chuva (mm) no bairro do Alto da Boa Vista (cidade do Rio) desde 2010. A estação do Alerta Rio no bairro (que fica ao lado do Inmet, no terreno contíguo do Corpo de Bombeiros) começou a funcionar no final de abril de 2010, o que permitiu preencher os "buracos" da série do Inmet a partir deste ano. Os dados são preferencialmente do Inmet, apenas em caso de ausência dos dados do Inmet (caso de alguns meses em 2010, 2011, 2016 e 2017) ou de algum erro (caso do transbordamento do pluviômetro em 09/04/2019, que resultou num total diário abaixo da realidade) utilizei os totais do Alerta Rio para fins de complementação. O total do Inmet também poderia ter ficado incompleto em 04/2010, mas tudo indica que neste evento o observador percebeu que o pluviômetro estava ficando cheio e efetuou a leitura antes do horário padrão, o que “reduziu” o total do dia 06/4 e “aumentou” o do dia 07/04, sem afetar o acumulado mensal. Apesar dos dois pluviômetros serem de modelos diferentes (Alerta Rio automático e Inmet manual), as diferenças tendem a ser desprezíveis entre as duas estações (ao contrário do que acontece em muitos outros locais, onde há um viés praticamente permanente quando comparamos estações automáticas e convencionais uma ao lado da outra). A estação auxiliar do Inmet no Alto da Boa Vista não conta com o pluviômetro grande (modelo padrão) das estações principais do Inmet, mas sim com um modelo menor (capacidade de uns 220 mm), por isso o medidor está sujeito a transbordamento nos eventos de chuva mais volumosa. Até a mudança de local da estação no começo do século XIX, o modelo de pluviômetro era outro, maior. Foto da estação do Inmet que tirei em junho de 2020 (a segunda é da rua sem saída que dá acesso à estação):
  4. Não só nestes estados, janeiro está sendo ruim de chuva também (de uma forma geral) na maior parte da Região Sudeste e, principalmente, no norte do RJ, de MG e no ES. Em todos estes estados há mais áreas abaixo que dentro ou acima da média até agora. Claro que sempre existem aquelas localidades/regiões “sorteadas” pelas chuvas fortes isoladas, mas o quadro geral mostra que este tipo de evento tem sido a exceção, não a regra. Além disso, como todos sabem, estes eventos tendem a privilegiar os mesmos locais, favorecidos pelo relevo e/ou pelas ilhas de calor. A terra do Renan (Juiz de Fora) é uma cidade que tem tido sorte com as chuvas desde novembro pelo menos, assim como as encostas da Serra do Mar aqui no RJ (Teresópolis/auto já vai para os 370 mm em janeiro). Mas acho que para vocês no PR e SP a tendência é de mais chuvas sim nos próximos dias, ainda que persista a irregularidade em partes destes estados. Niterói tem sido o município mais “azarado” da RM do RJ neste mês, o acumulado da primeira quinzena de janeiro fechou em parcos 7,6 mm no Inmet/Barreto, abaixo até do muito seco janeiro de 2019 (talvez seja o menor acumulado para o período em décadas, mas a estação é recente). E quase toda esta (muito pouca) chuva caiu nos primeiros dias do ano, depois não choveu praticamente nada, já faz uns 10 dias que não cai um pingo do céu. Hoje até se formou um núcleo “safadinho” e extremamente isolado (não havia nada ao redor além de tempo firme) sobre a baía entre o Rio e Niterói, mas despejou muito pouca chuva, e não foi aqui (mas deu para ouvir os trovões). Janeiro veio para compensar dezembro/2020 (mais de 300 mm no Inmet e 200/250 mm na maior parte da cidade). Na cidade do Rio, mais beneficiada pelas chuvas do início do ano (ainda que tenham sido muito irregulares por lá também), o acumulado médio do mês até agora está em 65,1 mm, só um pouco abaixo da média (mas, com previsão de pouca a nenhuma chuva até no mínimo o final da semana que vem, logo vai estar solidamente abaixo da média por lá também). A sorte é que o segundo semestre de 2020 foi chuvoso, ainda podemos aguentar pouca chuva até fevereiro sem qualquer preocupação. Por outro lado, o conforto térmico melhorou bastante nos últimos dias nas áreas costeiras do Rio de Janeiro e Niterói, temos tido noites mais amenas e tardes que, apesar do sol forte que sempre gera incômodo, são relativamente frescas e ventiladas para época; ao menos o tempo seco não veio com calor forte. A ressurgência (águas frias na costa) está ajudando, depois de um período muito abafado até o começo desta semana. Hoje tivemos extremos de 22,2ºc a 27,7ºc no Leblon e 20,7ºc e 26,2ºc em São Conrado/Praia do Pepino (zona sul da capital), valores bem civilizados para um dia de sol nesta época, e 30 a 32ºc de máxima na maioria dos bairros da capital, valores que não assustam nem um pouco em janeiro. Nos próximos dias deve voltar a esquentar (principalmente nos bairros mais continentais, onde o calor sempre domina nesta época com tempo firme), mas não há nada muito fora do normal (temperaturas) no horizonte, é basicamente o que se espera de um janeiro “médio” em termos de calor.
  5. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    A pergunta quer não quer calar é: ainda são feitos registros de precipitação nesta estação, ou pararam com isso de vez? Desde que a USP abandonou o site da estação do IAG, nunca mais vi dados de chuva desta estação serem publicados em lugar algum (os de temperatura ainda eram atualizados automaticamente, como você observou). Espero que a estação não seja a próxima vítima do sucateamento do ensino público no Brasil, até porque a USP está numa situação bem confortável se comparada com outras instituições. A página da ESALQ/USP também parece ter sido vítima do fim do Flash Player, os dados diários e do dia anterior desapareceram de vez (mas os dados continuam sendo atualizados em intervalos de no máximo duas semanas na aba "estação convencional/dados diários", 2020 tem dados completos, e 2021 até o dia 03/01). Aproveitando, o resumo de 12/2020 por lá (Piracicaba): Em outubro de 2020 fez 41,2ºc (07/10), novo recorde absoluto. Até 2020 a estação só havia alcançado os 40ºc uma vez (11/1985), mas em 2020 foram 4 máximas acima dos 40ºc, todas em outubro (e um recorde mensal em setembro: 39,8ºc no último dia do mês). Dezembro, como podem ver abaixo, não passou de "amenos" 34,2ºc; apesar das chuvas terem decepcionado, a umidade mais alta acabou "freando" as máximas.
  6. Wallace Rezende

    Monitoramento e Previsão - Europa 2021

    É verdade que este evento teve uma “trajetória” bem peculiar, o sistema de baixa pressão que despejou bastante chuva e neve em partes da Espanha e até de Portugal “sugou” o ar frio que estava mais ao leste do país (que não era intenso, mas era suficientemente frio para que a precipitação caísse na forma de neve em vários locais). Paris de fato não ficou no centro do caminho percorrido pelo ar frio, que atravessou mais as áreas do centro-sul da França (onde fez um frio maior, ainda que muito longe de histórico, com mínimas entre -4ºc e -8ºc). Mas o grande responsável pelas mínimas expressivas registradas na parte central da Espanha (algumas estações mais recentes, instaladas a partir dos anos 1980 e 1990, chegaram a registrar novos recordes de mínima) e em áreas de Portugal foi o frio gerado “localmente” mesmo, pela combinação de uma grossa camada de neve/gelo sobre o solo e as noites longas de janeiro. A própria AEMET, em seu blog desta terça-feira, mencionou isso; vejam o trecho abaixo (o negrito é meu): “Como explicaba nuestra cuenta de Twitter para Castilla La Mancha en este tuit, con el calentamiento diurno la nieve se va fundiendo, y por la noche de nuevo se congela, perdiendo su estructura cristalina. Esta capa de hielo y nieve tiene un alto albedo, es decir, refleja un alto porcentaje de la radiación solar, reduciendo el calentamiento diurno lo que, junto con el elevado enfriamiento nocturno de estas largas noches despejadas, esta dejando las temperaturas medias diarias en valores muy excepcionales.” No dia de ontem (12/01), mesmo com quase nenhum suporte de frio em altura, a máxima mal passou de 1ºc em várias estações de Madrid, o que ilustra bem o efeito da neve e do gelo acumulados. Nesta noite (12 para 13/01), apesar da queda ter sido bem rápida no início, já acontece uma situação típica de ar frio "velho" (sem suporte em altura), a queda arrefece bastante de madrugada (e até reverte em alguns pontos, caso do Retiro na última hora), embora alguns locais mais protegidos da advecção "morna" em altura talvez até possam igualar ou baixar um pouco a mínima de ontem.
  7. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    Acompanhei uma PWS em Montevidéu durante todo o ano de 2020, com dados praticamente completos (a estação saiu do ar agora no início de janeiro, ainda bem que deu para fechar o ano passado). A média simples por lá foi de exatos 17,6ºc em 2020 (1º abaixo do OCBA), com média das máximas de 21,5ºc e das mínimas de 13,7ºc, e a precipitação foi quase igual, de 834,3 mm. O resumo geral está num post na página anterior (a média do post é a de todas as observações, equivalente à horária). Por ser uma estação bem urbana no bairro de Unión (sem o benefício do parque para resfriar as noites invernais, mas com um clima mais fresco no verão para compensar, algo que acontece pela própria posição da cidade), os extremos ficam mais atenuados (não baixou dos 3ºc na madrugada mais fria, e mal passou dos 35ºc no dia mais quente). Nos subúrbios da cidade (mais continentais), por outro lado, chegou a negativar (o que acontece todo ano assim como nos arredores de BA, não é nada demais), e a máxima absoluta também foi maior, com até 37ºc em Melilla/Nimbus no dia 24/11. Assim como aconteceu por aí, 2020 foi um ano bem fraco para extremos de temperatura (a maior e a menor máxima em especial foram risíveis; para ilustrar bem o último exemplo o aero de Carrasco não teve nenhuma máxima arredondada abaixo dos 10ºc em 2020, mas em julho de 2000 sozinho foram 12 ocorrências) e de pouca chuva na capital uruguaia. Espero que 2021 seja mais "emocionante" para vocês aí na foz do Rio da Prata (apesar de ter começado "fraco", ainda pode mudar). 2020 me pareceu um ano bastante esquecível nesta região. Vi que Buenos Aires já teve uma boa chuva neste início de 2021, mas a capital uruguaia tem tido muito azar ultimamente com as chuvas (desde julho de 2020 que nenhum mês alcança os 70 mm, e 2021 até agora segue com pouco mais de 25 mm).
  8. Wallace Rezende

    Monitoramento e Previsão - Europa 2021

    Madrid/Retiro (na área central) ainda estava com -4,8ºc às 5:00 da manhã, novo recorde totalmente fora de cogitação por lá (-10,1ºc em 1945). O antigo observatório de Madrid registrou -14ºc no miolo da área urbana em finais do século XIX, provavelmente num terraço. Barajas estava com -11,5ºc no mesmo horário, mas caindo muito lentamente, o que deixa a chance de um novo recorde muito baixa (fez -15,2ºc em 1945, mas nos maiores eventos do século XIX teria chegado facilmente aos -20ºc se houvesse estação). O grande “problema” é que este evento jamais teve um forte suporte de frio em altura (Paris, por onde o frio passa antes de atingir a Península Ibérica, mal negativou na área urbana), esta foi uma advecção fria bem mediana/fraca, mas que se combinou com a umidade para gerar muita neve (em Madrid, foi neve histórica), e a neve acumulada em si já favorece um forte resfriamento noturno nos locais onde ocorre drenagem de ar frio (efeito baixada) quando chega o ar seco. São mínimas geradas mais pelas condições locais, sem que haja frio em altura. A estação mais alta localizada nos arredores de Madrid (Puerto de Navacerrada, a 1894 metros de altitude), estava esquentando as 5:00 da manhã com -5,1ºc, o ar frio em altura já era (agora resta o tal do “ar frio velho”). Dados oficiais horários do Retiro e Navacerrada:
  9. A estação meteorológica da UERJ (hoje desativada/sucateada), que ficava numa encosta ao norte do Centro de Nova Friburgo, no bairro de Vila Nova, registrou 306,4 mm de chuva entre 20:30 do dia 11/01 e 6:00 do dia 12/01, ou seja, em menos de 10 horas, e 331,6 mm entre 9 da manhã (12Z) do dia 11/01 e o mesmo horário do dia 12/01 (24 horas). Era a única estação funcionando no "epicentro" da área mais atingida. Por conta da instabilidade do terreno depois deste evento, o campus local da Uerj acabou sendo transferido para outro bairro no ano seguinte (após passar vários meses fechado). A estação automática do Inmet/Nova Friburgo, localizada perto da comunidade de Centenário (distrito de Conquista, zona rural) ficou na periferia da área mais atingida (foi atingida, mas não como os locais mais afetados), e registrou acumulado de 182,8 mm entre 12Z do dia 11/01 e 12Z de 12/01, com máximo horário de 67 mm na madrugada do dia 12/01, e totais diários (hora local) de 121,8 mm (11/01) e 134 mm (12/01). A estação convencional do Inmet em Teresópolis, localizada no Centro da cidade, muito perto mas fora da área mais atingida, registrou 124,6 mm entre 12Z do dia 11/01 e 12Z do dia 12/01, um total elevado mas muito longe de ser histórico (em abril de 2012 a mesma estação registrou 194 mm em pouco mais de 4 horas). A estação automática do Inmet em Teresópolis, localizada na parte sul da cidade e perto da famosa Granja Comary (na vizinha Granja Guarani), ficou totalmente fora da área atingida por chuvas fortes nesta ocasião, e registrou acumulado máximo em 24 horas (12Z/12Z) de 84,8 mm, com acumulado diário máximo de apenas 62,6 mm no dia 12 (valores absolutamente comuns no local, ocorrem várias vezes por ano até fora dos meses mais chuvosos, e irrelevantes para os padrões da estação estação chuvosa local). Além disso, a chuva foi bem distribuída ao longo das 24 horas e jamais choveu forte no local durante este evento (máximo horário de 16/17 mm), tanto que não houve nenhum dano nesta região da cidade (em abril de 2012, choveu mais de 230 mm em 4 horas no local). Janeiro de 2011 inclusive terminou com chuva abaixo da média na automática de Teresópolis, pouco mais de 300 mm (contra mais de 800 mm em 01/2013, por exemplo). Mas no mês anterior (12/2010), choveu 710 mm no local. Em Petrópolis não havia monitoramento na época da tragédia em nenhum ponto da área urbana, mas sabe-se que apenas choveu fraco/moderado na maior parte da cidade, a "tromba d´'agua" atingiu apenas uma área muito restrita no nordeste do município, castigando a predominantemente rural área do Vale do Cuiabá e a bacia do Rio Santo Antônio, que passa por parte do distrito de Itaipava até desaguar no Piabanha. Na página da estação da UERJ, foi possível somar os totais de 15 em 15 minutos (barras) para chegar aos mais de 300 mm registrados no auge do evento (entre a noite do dia 11 e a madrugada do dia 12) naquele ponto de Nova Friburgo, deixo aqui apenas a imagem de como os dados são disponibilizados na página (os dados acima de 10 mm em 15 minutos aparecem "capados", mas clicando nas barras dentro da página da estação aparece o valor real). Sobre o post do padilhageo: Este artigo da Climatempo (publicado pelo Terra), dizendo que Friburgo registrou a média do ano em menos de 3 meses tem uma grande falha, eles comparam a média da antiga estação convencional da área urbana de Nova Friburgo (desativada em 2003), que tinha média anual de 1200/1300 mm, com acumulados da recém-instalada (à época) estação automática, que fica num trecho bem mais chuvoso do município (Conquista, na boca do vale dos Três Picos), com médias anuais na ordem dos 1700/1800 mm (mas há bairros muito mais chuvosos em Friburgo, como é o caso de Teodoro de Oliveira, com média anual acima dos 3000 mm, o Inmet/auto é um meio-termo). É bem a cara da Climatempo este tipo de deslize, uma empresa que tem o meu total desprezo, mas infelizmente não foge ao padrão da meteorologia privada no Brasil (com algumas exceções, claro). O estudo sobre o evento de 03/2013 (mais forte em Petrópolis) é bem interessante, mas me chamaram a atenção três falhas (e a quarta, mais grave): 1- deixaram de fora a antiga estação do Quitandinha (INEA), que registrou o maior acumulado em 24 horas (na ordem dos 450 mm). 2- Incluíram a estação do Centro de Petrópolis (INEA), que estava com problemas de funcionamento (entupimento parcial) e não registrou a real magnitude do evento naquele (bastante afetado) trecho da cidade (Coronel Veiga, ao lado do Centro, teve mais de 400 mm em 24 horas, e no Centro deve ter chovido em torno dos 300/350 mm em 24 horas). 3 - Os dados da estação Bingen também estão errados, este foi outro local que superou os 300 mm em 24 horas, mas neste caso creio que foi falta de atenção dos autores do estudo, já que a estação funcionava normalmente e registrou acumulados maiores que os publicados. Infelizmente o site do INEA não oferece a possibilidade de consultar os dados antigos, mas tenho este evento muito vivo na minha memória, pois foi a primeira vez que uma estação automática e com dados online no Brasil superou os 400 mm de chuva em 24 horas. 4 - Por último, fiquei pasmo com a bagunça que fizeram tentando estimar um tempo de retorno para os eventos de 2011 e 2013; primeiro, utilizaram informações da mídia (entre completamente falsas e distorcidas), baseadas em registros incompletos de estações do Inmet já extintas à época, e compararam com estações recentes do Inea instaladas em locais totalmente diferentes dos mesmos municípios (lembrando que nestas cidades da Região Serrana fluminense as médias pluviométricas anuais chegam a variar 2000 mm entre os bairros mais e menos chuvosos); resumindo: toda esta parte pode ir direto para o lixo, a metodologia é um caos. Mas este tipo de desleixo com o tratamento de dados climatológicos, infelizmente, impera até mesmo no meio acadêmico. É como eu sempre digo, esta área é tratada como algo menor e desimportante nas ciências atmosféricas, e raramente é feito um esforço mínimo para checar a qualidade e a continuidade dos registros, e até mesmo a localização das estações é ignorada, como se todas as cidades registrassem chuvas homogêneas (o que considero imperdoável, por se afastar totalmente da realidade pluviométrica complexa destes locais). Muito baixo o nível deste estudo, parece um trabalho apressado e feito de qualquer jeito, apesar de ter o mérito de jogar luz sobre os eventos (especialmente o de 2013, que por não ter provocado tantas mortes quanto o de 2011 tende a cair no esquecimento). Voltando ao monitoramento, estamos iniciando uma fase (ainda mais) monótona por aqui, com previsão chuvas escassas/muito irregulares na RM do RJ a perder de vista. De ontem para hoje ainda tivemos alguma ação no interior do estado pela combinação de calor+umidade. Choveu forte na noite de ontem (domingo) em municípios próximos da divisa com MG como Paraíba do Sul (quase 90 mm) e Três Rios (130 mm), este último registrou uma morte e alguns transtornos por conta da chuva.
  10. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    Para terminar, o fechamento de dezembro de 2020 (e do ano, médias térmicas) nas automáticas de Belo Horizonte (Pampulha) e Brasília (setor Sudoeste). Todas as médias são horárias. Pelas médias térmicas anuais, percebe-se que 2020 ficou aproximadamente no meio da faixa das médias registradas desde a abertura das respectivas estações, sem maiores destaques. Dezembro foi por um caminho parecido, um mês sem maiores destaques no quesito temperatura (mas choveu abaixo da média no último mês do ano tanto em BH quanto em Brasília). O dezembro mais fresco em BH (2011) foi também muito chuvoso, com quase 800 mm na Pampulha, e o mais quente (2012) foi relativamente seco. Mas, embora aconteça muitas vezes neste tipo de clima, nem sempre um mês com grande volume de chuvas é fresco, janeiro de 2020 foi um mês abafado para os padrões locais (com médias bem altas quando não estava chovendo), praticamente igualando o mês mais quente do ano. Na automática da Pampulha (BH), a maior temperatura registrada em 12/2020 foi de 32,1ºc no dia 04, e a menor de 17,6ºc no dia 14. Choveu 250,4 mm. A automática de Brasília registrou a maior temperatura do mês no dia 03, com 31,5ºc, e a menor nos dias 01 e 14, com 15,8ºc. Choveu 154,6 mm. O grande destaque do ano foi a máxima absoluta das duas estações, registrada em outubro (38,4ºc Pampulha e 36,5ºc Brasília), durante uma onda de calor histórica que varreu o centro do Brasil. Outro destaque foi a maior média mensal da Pampulha (23,8ºc), que pela primeira vez desde a abertura da estação em 2007 ocorreu no mês de setembro (mas foi por muito pouco, janeiro teve 23,7ºc e outubro 23,6ºc). No caso da capital mineira apenas, outro destaque foi o janeiro muito chuvoso, com volumes históricos do centro para o sul da cidade. No caso das médias anuais, a segunda casa depois da vírgula (omitida) foi usada como critério de desempate para definir o ano mais ameno em BH e o mais quente em BSB. Belo Horizonte/Pampulha auto (médias de dezembro/esquerda e, ao lado, as anuais): Brasília auto/setor sudoeste (idem): EDIT: Tinha esquecido de dizer que, assim como setembro pela primeira vez na história registrou a maior média mensal do ano 2020, maio registrou a menor média do ano também pela primeira vez (desde 2007, início dos registros) na Pampulha/auto, com 18,8ºc. Com isso, 2020 aumentou a janela para ocorrência da menor e da maior média mensal em um mês na estação. A menor média mensal já ocorreu em todos os meses entre maio e agosto (4 meses), e a maior média mensal em todos os meses entre setembro e março (7 meses). Interessante que, se formos para latitudes muito mais altas, a janela para ocorrência da menor média mensal será igual à de BH, mas a janela para ocorrência da maior média mensal do ano se reduz sensivelmente, para o período dezembro a março no máximo, normalmente não passando de fevereiro (lugares como Porto Alegre, Bagé, Buenos Aires...). No caso de Brasília, com uma serie maior (desde 2000, a auto/Inmet mais antiga do país junto com Seropédica), a janela para ocorrência da menor média do ano se reduz para apenas 3 meses (entre mai e jul), e a janela para a maior média mensal também foi menor, tendo ocorrido na grande maioria dos anos em setembro ou outubro, apenas 1 vez em dezembro (2003) e duas vezes em fevereiro (2001 e 2013), totalizando 4 meses. Em 2020, junho registrou a menor média (19,15ºc), e outubro a maior (23,7ºc).
  11. Tomara mesmo, chuvas mais bem distribuídas seriam muito bem-vindas no estado de SP agora. Por outro lado, aqui para a RM do RJ, as últimas previsões reduziram bastante as perspectivas de chuva para a semana que vem, indicam apenas precipitações bem isoladas e de baixo volume na maioria das áreas (causadas pelo calor e umidade), e mesmo assim só em alguns dias. Amanhã e domingo a chance de chover é maior, mas de forma bastante irregular (pancadas). Hoje, por exemplo, de forma muito isolada chegou a chover mais de 100 mm no sopé da Serra do Mar, aqui mesmo na RM, enquanto em mais de 95% da cidade do Rio e em Niterói (e mesmo nas principais áreas urbanas da Baixada Fluminense) não caiu um pingo, só vimos nuvens convectivas ao longe sendo destroçadas pelo vento sudoeste. Noite com muitas nuvens mas sem chance de chuva, e faz 26ºc em Niterói (menos que ontem, mas ainda abafado). Na foto abaixo, do início da tarde de hoje, é possível ver uma "micro" bigorna tentando se formar no horizonte norte/nordeste a partir do Centro do Rio (mais para a esquerda). Em poucos minutos, a nuvem foi destroçada pelo vento sudoeste estilo "secador de cabelo" (fazia 32ºc na hora, e andar ao sol era bem desconfortável, por isso parei na sombra de um prédio). Mas (para a minha região) o padrão de pouca chuva que começa a se desenhar para meados de janeiro não preocupa em nada, já que as chuvas de uma forma geral vem superando ou alcançando a média na cidade do Rio e arredores desde julho de 2020 (último mês seco foi junho de 2020, como pode-se ver na tabela que coloquei nos resumos mensais com as médias de chuva de toda a cidade por mês). Preocupante mesmo é a situação do norte de MG e centro/norte do ES, regiões que vem enfrentando muito pouca chuva (em alguns pontos destas áreas há anos já) e não têm nenhuma esperança de receber chuvas decentes tão cedo (detalhe que dezembro e janeiro são em média os melhores meses da estação chuvosa nestas áreas, de forma que é muito raro fevereiro e março recuperarem a falta de chuva anterior mais ao norte da Região Sudeste). Agora uma seção de "túnel do tempo", olha que maravilha a sequência dezembro de 2009/janeiro de 2010 no Cantareira (904 mm). Algo inatingível em 2021. Na cidade do Rio de Janeiro, os anos de 2009 e 2010 superaram os 1600 mm de chuva na média de todas as estações pluviométricas, única ocorrência de dois anos consecutivos chuvosos assim na era Alerta Rio (1997-presente). Mas, quando o assunto é chuva em 24 horas, deve demorar muito para algum evento alcançar ou superar 24-25/05/2005, com grandes volumes em todos os reservatórios da RMSP.
  12. Janeiro segue sem grandes destaques no Rio de Janeiro e RM, tanto que esta é a minha primeira postagem no tópico de 2021. Verdade que no dia 02, quando eu estava na serra, choveu forte em alguns pontos da capital, mas foi uma chuva do tipo muito irregular, com bairros praticamente vizinhos recebendo entre quase 100 mm em pouco mais de uma hora e menos de 10 mm. Na Piedade (ZN) choveu mais de 81 mm em 1 hora no dia 02, a maior chuva horária na cidade do Rio desde o início de fevereiro de 2020 (quando passou dos 100 mm/hora em Padre Miguel), e também choveu forte no dia 02/01 em outros pontos da cidade, como na Serra dos Pretos Forros, na zona sul (Jardim Botânico, Rocinha) e, claro, no Alto da Boa Vista. Mas vários bairros receberam apenas chuvas rápidas e pouco volumosas. O acumulado médio na cidade do Rio desde o início do mês está em 56,1 mm, o que em si não chama nem um pouco a atenção (mas com bastante variabilidade, entre 15 mm em Irajá e 139 mm na Rocinha). Os primeiros dias do ano foram relativamente amenos para a época, mas desde ontem está fazendo bastante calor (um calor normal para dias quentes de janeiro, sem maiores destaques também. A noite de hoje está muito quente, mas nada de extraordinário). Nos próximos dias o calor deve arrefecer um pouco, mas segue abafado, e as pancadas de chuva podem voltar, de forma ainda irregular. Na serra, peguei uma chuva mais significativa entre a tarde e a noite do dia 02 (quando passou de 100 mm no Inmet auto de Teresópolis, 70 mm na conv de Teresópolis e 45 mm na auto de Friburgo), fora isso foram chuvas rápidas e fracas com aberturas de sol (a manhã do dia 31 exibiu um céu azul muito bonito). No geral, o tempo esteve bastante aproveitável na Região Serrana durante o feriado do ano novo. Niterói, que em dezembro conseguiu um dos maiores acumulados de toda a RM na estação do Inmet/Barreto (mais de 330 mm, embora na maior parte da cidade tenha ficado entre 200 e 250 mm), está sendo um dos locais mais prejudicados pela (falta de) chuva agora em janeiro, o acumulado até agora no Inmet é de apenas 7,6 mm (mas nem dá para reclamar depois de dezembro; enfim, apenas mostra como o padrão de chuvas está irregular neste começo de 2021, mas há uma compensação aí). Mesma coisa em São Paulo (com todo o perdão ao @Maicon, mas se não cair mais um pingo de chuva este mês em Bonifácio ele não pode reclamar, depois da cidade ter sido tão beneficiada em dezembro🤐😆). Por outro lado, Adamantina e Piracicaba ficaram com acumulados frustrantes para 12/2020 (menos de 150 mm), e infelizmente ainda não foram beneficiadas agora em janeiro também. De uma forma geral, vejo que a irregularidade das chuvas na Região Sudeste segue a todo vapor neste início de janeiro (até pior que em dezembro), e isso não é bom para as represas (embora alguns sistemas até estejam em situação um pouco melhor agora). Saudades de uma boa "ZCAS raiz", tipo janeiro de 2000, 2007, 2012...
  13. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    Resumo de 2020 na automática do Inmet em Teresópolis, localizada perto da entrada da cidade para quem vem do Rio na sede do PARNASO (região da Granja Guarani), numa altitude de 981 metros. Foi um ano marcado pelo verão relativamente ameno (pela primeira vez desde a inauguração da estação em 2006 a média das máximas de setembro foi a maior do ano) e pelo inverno muito fraco (julho foi um verdadeiro desastre, e junho não ficou atrás), com os principais eventos de “frio” ocorrendo em maio e agosto, e máxima absoluta na primavera. Choveu bem, mas existe potencial para chover muito mais no local nos anos mais chuvosos. Destaque para o dia 22 de agosto, que foi o mais chuvoso e o mais frio (menor máxima e menor média das 24 horas) do ano. Não é comum o maior volume diário de chuva ocorrer em agosto, embora haja precedentes na região. Outro destaque foi a queda da temperatura média entre setembro e novembro (de 19,2ºc, o setembro mais quente já registrado, para 18,9ºc em out, e 18,1ºc em nov). As médias mensais e anuais, assim como as dos dias mais quente e mais frio, são horárias. Precipitação acumulada: 3155,6 mm Temperatura média: 18ºC Temperatura máxima média: 23ºC Temperatura mínima média: 14,7ºC Maior média das máximas: 25,7ºC (setembro) Menor média das máximas: 20,8ºC (maio) Maior média das mínimas: 17,7ºC (fevereiro) Menor média das mínimas: 11,7ºC (agosto) Temperatura máxima absoluta: 32,7ºC (02/out) Menor temperatura máxima: 12,2ºC (22/ago) Maior temperatura mínima: 21,6ºC (11/jan) Temperatura mínima absoluta: 6ºC (27/mai) Dia mais quente: 24,5ºC (11/jan) Dia mais fresco: 10,7ºC (22/ago) Mês mais quente: 20,4ºC (fevereiro) Mês mais fresco: 15,6ºC (maio e agosto) Mês mais chuvoso: 599 mm (fevereiro) Mês menos chuvoso: 63,8 mm (junho) Dia mais chuvoso: 126 mm (22/ago) Um exercício interessante é observar as variações sazonais de temperatura causadas pela latitude e outros fatores. No caso de Montevidéu (post anterior), a diferença de temperatura entre o mês mais quente e o mais frio do ano foi de 12,5ºc (10,5ºc e 23ºc), enquanto em Teresópolis não passou dos 4,8ºc (15,6ºc e 20,4ºc, embora esta amplitude tenha ficado abaixo da média*). Isso é totalmente esperado, uma vez que a latitude atua muito mais fortemente no Uruguai. Por outro lado, em Ushuaia (Argentina), ao contrário do que muitos poderiam imaginar, a diferença entre o mês mais frio e o mais “quente” foi menor que na capital uruguaia, com 10,2ºc (0,4ºc em julho e 10,6ºc em fevereiro). Isto ocorre por conta da excessiva maritimidade do clima de Ushuaia, que atenua fortemente os extremos de frio e calor, e demostra como a latitude não atua sozinha nestes casos. *Em 2019, a diferença máxima entre as médias mensais em Teresópolis foi de 7,5ºc (22,3ºc janeiro, mês mais quente já registrado, e 14,8ºc em julho). A média, ao que tudo indica, fica abaixo da diferença registrada em 2019, e acima da registrada em 2020. Outra curiosidade: a diferença de 4,8ºc (entre a maior e menor média mensal de 2020 em Teresópolis/auto) é igual à diferença entre o novembro mais quente e o novembro mais fresco já registrados na estação. Em 11/2009, a média foi de 21,4ºc, mas em 11/2011 não passou dos 16,6ºc (médias das 720 horas).
  14. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    Resumo de 2020 numa PWS que acompanhei durante todo o ano na área urbana de Montevidéu (Uruguai). Além dos dados estarem praticamente completos (os raros dias com falhas foram complementados com os dados de uma estação próxima), a qualidade é a melhor que encontrei dentre as estações na região mais urbanizada da cidade, é a única estação quase sem dados faltando dentro da cidade (as estações do Inumet não tiveram os dados completos divulgados). E uma Easy Weather localizada no bairro de Unión. O ano não teve grandes destaques de temperatura (nenhuma onda de frio ou de calor digna de menção, levando em conta o histórico do local, apesar de um pico relevante e breve de calor em novembro com 34,9ºc no dia 24, e também as anomalias térmicas mensais foram sempre suaves na área da capital uruguaia, de acordo com os boletins mensais do Inumet). As chuvas ficaram abaixo da média no ano, com exceção de poucos meses (o único mês chuvoso foi junho). O clima da cidade, na maior parte do tempo, é bastante agradável, embora o abafamento se faça presente em vários dias principalmente no verão, e a baixa sensação térmica em vários dias entre o outono e a primavera. Precipitação acumulada: 834,3 mm Temperatura média: 17,2ºC Temperatura máxima média: 21,5ºC Temperatura mínima média: 13,7ºC Maior média das máximas: 27,9ºC (fevereiro) Menor média das máximas: 13,9ºC (julho) Maior média das mínimas: 19,1ºC (janeiro e fevereiro) Menor média das mínimas: 7,7ºC (julho) Temperatura máxima absoluta: 35,2ºC (06/fev) Menor temperatura máxima: 9.8ºC (07/jul) Maior temperatura mínima: 23,7ºC (06/fev) Temperatura mínima absoluta: 3,3ºC (30/jul) Dia mais quente: 27,9ºC (06/fev) Dia mais frio: 7,6ºC (14/jul) Mês mais quente: 23ºC (janeiro e fevereiro) Mês mais frio: 10,5ºC (julho) Mês mais chuvoso: 205,7 mm (junho) Mês menos chuvoso: 28,6mm (julho) Dia mais chuvoso: 58,4 mm (22/jun)
  15. Wallace Rezende

    Médias Climatológicas 1991-2020

    No que diz respeito ao Rio de Janeiro, é impossível calcular médias fidedignas destas estações (com exceção da antiga convencional do Centro, mas ressaltando que os registros do Inmet na Praça Mauá/Saúde começaram em 2002 e terminaram em 2017). O Alto da Boa Vista tem dados relativamente completos (algumas falhas, numa escala menor), mas na página do Inmet há meses faltando na maioria dos anos, o que também prejudicaria o cálculo das médias. O número de meses com dados incompletos ou completamente sem dados pluviométricos é grande demais nas nossas automáticas, de forma que a média derivada destes dados incompletos acaba distorcendo a realidade. Calcular médias pluviométricas de estações automáticas do Inmet é uma perda de tempo, em mais de 90% dos casos. No caso da Vila Militar, estação que acompanho de perto desde 2008 (atualizando e controlando a qualidade dos dados mais de uma vez por semana), estes são os meses com dados pluviométricos ausentes ou incompletos: Outubro de 2008 Novembro de 2008 Dezembro de 2008 Janeiro de 2009 Fevereiro de 2009 Novembro de 2009 Dezembro de 2009 Janeiro de 2010 Março de 2010 Abril de 2010 Janeiro de 2011 Fevereiro de 2011 Março de 2011 Outubro de 2011 Novembro de 2011 Abril de 2012 Maio de 2012 Junho de 2012 Julho de 2012 Dezembro de 2012 Janeiro de 2013 Fevereiro de 2013 Março de 2013 Abril de 2013 Maio de 2013 Agosto de 2013 Setembro de 2013 Dezembro de 2013 Maio de 2016 Junho de 2016 Agosto de 2016 Outubro de 2016 Abril de 2017 Maio de 2017 Junho de 2017 Julho de 2017 Outubro de 2017 Outubro de 2020 Novembro de 2020 Dezembro de 2020 Vejam que num período de 13 anos (2008/2020), ou 156 meses, nada mais nada menos que 40 meses (quase 26%) estão com dados ausentes ou incompletos, e olha que a situação de muitas estações automáticas pelo Brasil é ainda pior. Houve uma melhora a partir de 2014 (somente os anos de 2014, 2015, 2018 e 2019 estão com dados completos), mas ainda está longe do ideal. A maior parte das lacunas em 2016 e 2017 resultou de falhas na transmissão dos dados, enquanto entre 2008 e 2013 o entupimento/falha do pluviômetro foi a principal causa de perda de dados. Em 2020, um problema na bateria solar foi responsável pela lacuna nos dados entre outubro e dezembro. Dentre os meses com dados incompletos na Vila Militar, estão janeiro de 2013 (o mais chuvoso do século XXI nas estações mais próximas), dezembro de 2013 (evento de chuva diária entre 150 e 200 mm em estações próximas entre 10 e 11), e os também muito chuvosos dezembro de 2009 e março e abril de 2010. Não acompanho os dados da estação do Forte de Copacabana de perto (até pela localização inadequada para os registros de temperatura, ao lado de um costão rochoso e com vegetação baixa), mas sei que igualmente sofreu com entupimento do pluviômetro e falhas na transmissão dos dados várias vezes. Com certeza há falhas em algumas outras capitais também, como por exemplo no caso de Aracaju, onde as precipitações foram superestimadas durante parte da década de 1960 (o que empurrou as médias da época para cima), e há algumas falhas no século XXI que parecem ter deixado as médias mais recentes um pouco abaixo da realidade.
  16. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    Resumão das chuvas em dezembro de 2020 e no ano de 2020 para as cidades do Rio de Janeiro (média de rede Alerta Rio, 33 pluviômetros) e São Paulo (média da rede CGE). Estes dados das prefeituras locais são os que melhor representam (dentre os disponíveis) o quanto de água em média cada cidade recebeu, uma vez que os pluviômetros estão relativamente bem espalhados pelos territórios dos municípios. No Rio de Janeiro, dezembro terminou com chuva acima da média (210,6 mm x 146,1 mm a média 1997/2019, ou 144,1% da média), e também foi o dezembro mais chuvoso desde 2009 (recordista isolado da série), e o quarto mais chuvoso desde o início do monitoramento em 1997 (atrás também de 2001 e 2007). O menor volume de chuva da rede Alerta Rio (12/2020) foi registrado em Madureira (ZN), com 161,4 mm, e o maior no Alto da Boa Vista (ZN), com 353,4 mm. Em São Paulo, dezembro terminou com chuva dentro da variação normal (206,6 mm x 185,6 mm a média 1995/2019, ou 111,3% da média). O menor volume de chuva da rede CGE foi registrado na Capela do Socorro (ZS), com 168,8 mm, e o maior no Itaim Paulista (ZL), com 267,9 mm. Para 2020, o Rio de Janeiro terminou o ano acima da média pela segunda vez seguida (1468,4 mm x 1242,8 mm a média 1997/2019, ou 118,2% da média), enquanto São Paulo terminou o ano com chuva dentro da variação normal (1323,1 mm x 1402,9 mm a média 1995/2019, ou 94,3% da média). Em 2019, o Rio de Janeiro terminou o ano com 1542,7 mm, e São Paulo com 1573,4 mm. A faixa entre 85% e 115% da média foi definida como dentro da variação normal. Abaixo as tabelas de 2020 para Rio de Janeiro e São Paulo (Alerta Rio e CGE), e as tabelas dos acumulados médios de dezembro e anuais para o Rio de Janeiro desde o início do monitoramento pelo Alerta Rio. Nas temperaturas, foi um mês próximo da média nas duas cidades, sem maiores destaques e com mínima absoluta alta. O pessoal de SP já publicou os dados das principais estações. No Rio de Janeiro, a média compensada no aeroporto Santos Dumont foi de 25,6ºc, com máxima de 34,6ºc (31/12, maior desde fevereiro) e mínima de 21ºc (25 e 26/12), os extremos do mês nesta estação. No dia 31, os bairros mais quentes chegaram aos 38ºc, sob efeito de um pré-frontal. No dia 26, o Alto da Boa Vista/Inmet registrou 17ºc, a menor mínima do mês na cidade (valor alto para dezembro, em 2018 o bairro chegou aos 12,5ºc no Alerta Rio e 13,2ºc no Inmet). Jacarepaguá/Inmet, estação ao nível do mar com média das mínimas mais baixa da cidade, registrou uma mínima extrema de 13,9ºc em 12/2018 e 16,2ºc em 12/2019, mas não baixou de pífios 19,5ºc em 12/2020.
  17. A PWS de Penedo (distrito chuvoso de Itatiaia) está com 690,1 mm em dezembro até agora (somei os dados dia por dia do site do Wundergorund, que mostra um total errado para o mês). O recorde de Resende eu mencionei há poucos dias, foi de 646,8 mm em janeiro de 1985. Pela convencional, temos um novo recorde mensal agora, embora eu esteja um pouco com o pé atrás por conta de as outras estações da cidade (duas do Cemaden) estarem muito mais próximas do acumulado da automática, ainda na casa dos 550 mm (embora as do Cemaden fiquem em bairros onde se espera que chova menos mesmo, tanto que no dia dos quase 80 mm em 1 hora na auto da Resende, 22/12, caiu apenas uma chuva comum nas estações urbanas). Mas o que incomoda mesmo é o fato de a convencional estar operando totalmente “amputada”, sem leitura de máximas e com UMA observação diária, acho um absurdo manter a estação em funcionamento nestas condições. Se o Inmet não tem condições de contratar alguém (e de arranjar um mero termômetro de máxima, eu hein?), melhor deixar tudo com a automática mesmo, ou fica esta situação bizarra de pegar dados da convencional e misturar com os da automática para completar a série. Eu resolvi a partir de agora usar a automática como referência para Resende, embora não descarte a chance de as chuvas da convencional estarem corretas. O acumulado na automática de Resende desde 12Z do dia 30/11 (só uso este horário “padrão” para automáticas quando ficam ao lado de uma convencional com série longa), já contando com a chuva que só vai entrar na leitura de amanhã da convencional, é de 561,2 mm (uns 120/130 mm abaixo da convencional, é muita coisa para duas estações no mesmo lugar). Aqui na RM do RJ, o antepenúltimo dia do ano seguiu conforme o esperado, foi bem abafado e tivemos pancadas irregulares mais nos arredores da cidade do Rio (Belford Roxo PWS registrou 26 mm após as 17:00, e a temperatura caiu mais de 10ºc com a chuva), mas na capital mesmo só choveu pouco ou nada (dependendo do bairro). Em Niterói trovejou a partir do meio tarde, mas água que é bom praticamente nada (menos de 1 mm em todas as estações do Cemaden). Agora só deve voltar a chover de verdade no ano que vem (embora ainda haja uma chance de pancadas muito isoladas pela RM nos próximos dias, a maior parte dos locais deve passar o resto do ano sem ou com pouquíssima chuva). E o tempo mais firme vai ser muito bem-vindo nos dias 30 e 31, pois o começo de 2021 promete mais tempo instável "a perder de vista” (inicialmente ameno para a época, depois ficando abafado, mas sem picos de calor), está difícil o tempo firmar por aqui. Mudando de assunto, bom ver que hoje (digo ontem, 29/12) a cidade de São Paulo saiu um pouco do “script” que já estava ficando chato nos últimos dias, com o Mirante finalmente “flopando” numa chuva de verão (mais que merecido, convenhamos). O fluxo de norte que vai se fortalecendo na dianteira da próxima frente seguramente influenciou no cenário, deslocando os máximos causados pela ilha de calor. Certamente a média de toda a rede CGE em dezembro deste ano será maior que em 2019, quando o valor médio de chuva na capital paulista não passou dos 141 mm no último mês do ano, e ficou abaixo da média. Creio que dezembro já superou a média em 2020, embora o CGE só divulgue os números no começo de 2021. Bom também ver uma chuva decente em Bacuriti depois de tantos dias. E que janeiro seja melhor para as represas; dezembro foi sem dúvidas o melhor mês desde fevereiro no interior paulista, mas a irregularidade atrapalhou bastante, a história mostra que pode ser muito melhor do que isso.
  18. Se serve de consolo para você, Piracicaba está numa situação ainda pior este mês, só choveu 74,7 mm até o dia 20 de dezembro na ESALQ (depois não atualizaram ainda, mas choveu no dia 21 uns 18 mm no Cemaden mais próximo - não acompanhei a ESALQ neste dia -, no dia 27 choveu uns 10 mm na ESALQ, bem menos que em várias cidades próximas, e ontem mais 10 mm no Cemaden). Até a péssima de chuva Rio Claro, do colega aqui do fórum, teve mais chuva nos últimos dias. Ou seja, Piracaicaba/ESALQ ainda deve estar patinando um pouco acima dos 100 mm no mês. Dezembro já foi um mês bem melhor para chuvas por lá, como mostra o início da série entre 1903 e 1916. Falando de Bauru, acabei de ver que a automática do Inmet fica no... Ipmet/Unpesp. Isso quer dizer que duas estações automáticas, praticamente uma ao lado da outra (Inmet e Ipmet), estão com acumulados bem diferentes no mês, qual delas estará mais certa? Inmet está com 306 mm, e Ipmet com quase 377 mm. E se serve de consolo para o @Juzinho, a média da cidade de SP se aproxima muito mais do SESC que do Mirante no ano, ou seja, quem está destoando é o Mirante mesmo, que não chega a ser para São Paulo o que o Alto da Boa Vista é para o Rio em termos de chuva (longe disso), mas está se esforçando. Para quem não entendeu a comparação, é que o bairro do Alto da Boa Vista sempre registra totais muito acima da média de chuva do Rio de Janeiro (capital), mas aí é por conta do relevo, com grandes elevações coladas ao litoral nos arredores do bairro (vários picos entre 600 e mais de 900 metros, um até passando dos 1000 m). Interessante que o ADBV é bem central em relação à área urbanizada do município do Rio, não é um extremo tipo Marsilac, dá para chegar ao Alto em 15 minutos de carro com trânsito bom de dois dos mais conhecidos e adensados bairros do Rio (Barra/Itanhangá e Tijuca). Até o início do dia de hoje, o acumulado médio de 2020 na cidade do Rio de Janeiro (33 pluviômetros) é de 1462,6 mm (média anual 1997/2019 1242,9 mm, já passou com folga da média pelo segundo ano seguido), mas o Alto da Boa Vista já tem 3195,7 mm em 2020 (superando até a auto de Teresópolis, o que não acontecia há vários anos). Dois eventos históricos de chuva (um em agosto e outro em setembro), além do fevereiro/início de março muito chuvosos e das boas chuvas também em OND, ajudaram a "turbinar" o acumulado anual do ADBV em 2020. Há previsão de pouca chuva até o final do ano na RM do RJ, podendo ocorrer mais na forma de pancadas irregulares. O acumulado anual deve sofrer poucas alterações até o final do ano. Uma foto da pracinha do ADBV (é possível ampliar clicando) que tirei em agosto deste ano (uma semana depois da chuva de mais de 200 mm), no ensolarado e quente dia 30/08 (mas na hora da foto ainda estava cedo, e soprava um vento agradável). A máxima chegou aos 32ºc no Alto neste dia da foto, a maior do mês. O Inmet e o Alerta Rio ficam a uns 800 metros dali.
  19. Renan, foi um evento totalmente banal na automática de Teresópolis, uma chuva qualquer que acontece dezenas de vezes num ano comum, sequer chegou a chover forte no auge do evento (só moderado). Choveu 43,6 mm no dia 11/01 e 62,6 mm no dia 12/01, com máximo horário de 17,6 mm na madrugada do dia 12. O aguaceiro caiu com mais força apenas na vertente norte da serra, justamente a menos chuvosa (em média) e menos preparada para este tipo de evento (o mesmo volume na vertente sul traria consequências muito menos graves, pois na borda da serra acontecem grandes volumes de chuva com muito mais frequência e o solo é mais rochoso, além de ser uma região muito menos ocupada). Na estação do Centro de Teresópolis foram 124,6 mm em 24 horas (entre 11 e 12/01), um volume que, apesar de bem alto, está longe de ser histórico (na maior chuva, a de 6 de abril de 2012, foram 194 mm no Centro de Teresópolis e mais de 230 mm na automática em 4 horas de chuva, mais ou menos). De fato, não aconteceu absolutamente nada nos bairros mais ao sul de Teresópolis em 01/2011, e mesmo no Centro os transtornos foram muito suaves. Porém, logo ao norte do Centro, muito perto mesmo, já teve área com deslizamentos e mortes, foi muito abrupta a transição de “chuva comum” para “desastre”, e não havia nenhum pluviômetro funcionando na área mais atingida, somente depois do evento o monitoramento do INEA foi expandido, e o Cemaden criado. A ocupação absurdamente irresponsável do solo nas partes mais atingidas de Teresópolis (caso do Caleme) foi a grande responsável pelo elevadíssimo número de mortes no município (acho que 300, por aí). Janeiro de 2011 terminou com meros 305,6 mm na auto de Teresópolis, um volume até um pouco abaixo da média (após o dezembro anterior ter sido muito chuvoso). O janeiro (e mês) mais chuvoso da curta história da estação foi registrado em 2013, com 814,2 mm, e o dia mais chuvoso em março do mesmo ano, com 275,8 mm no dia 18 (entre 17 e 18/03/2013 a estação do INEA no bairro Quitandinha, em Petrópolis, registrou quase 450 mm em 24 horas). Este evento de março de 2013 foi um orográfico clássico, concentrado na vertente sul da serra, e que castigou principalmente a área urbana de Petrópolis. Em Petrópolis o evento de 01/2011 foi mais banal ainda na maior parte da cidade, choveu apenas fraco na área central e na grande maioria dos bairros, a chuvarada só pegou parte do distrito onde fica o Vale do Cuiabá e Madame Machado, na vertente norte da serra, caminho para Teresópolis (a água desta "enxurrada" desceu pelo Rio Santo Antônio, e depois pelo Piabanha, de Itaipava até a foz no Paraíba do Sul, causando muitos estragos pelo caminho, como foi o caso em Areal). Outras cidades atingidas pela enxurrada que veio da vertente norte da serra foram São José do Vale do Rio preto e Bom Jardim. Uma vez no Paraíba do Sul, o grande volume de água que desceu da serra se diluiu na calha bem maior do rio, já que não havia chovido muito na maior parte da bacia deste grande rio na ocasião. A única cidade da Região Serrana "turística" bem atingida em sua área central pelo evento de 2011 foi Nova Friburgo, onde a estação da UERJ (que ficava num bairro logo ao norte do Centro, indo para Conselheiro Paulino) registrou quase 300 mm de chuva entre o final da noite de 11/01 e o final da madrugada do dia 12/01 (em 9 horas), isso após ter chovido quase 100 mm nas 24 horas anteriores (o que certamente piorou as consequências do aguaceiro). Seguindo o horário local, foram 191,75 mm no dia 11/01 e 200 mm no dia 12/01 na estação da UERJ. Eu lembro muito bem que o setor turístico "chiou" bastante na ocasião, pois a mídia vendia como se a Região Serrana do RJ tivesse sido toda devastada pela chuva (as reservas de hotéis e pousadas caíram brutalmente), quando na verdade quase todas as áreas mais turísticas de Petrópolis e grande parte de Teresópolis (assim como os turísticos distritos de Lumiar e São Pedro da Serra, em Friburgo) passaram ilesas pelo evento. Voltando a falar de 12/2020, está começando a se firmar uma tendência aqui para o RJ no que diz respeito às precipitações. Do centro para o sul do estado (incluindo a Região Metropolitana), as chuvas já estão dentro ou acima da média em quase todas as estações, configurando um dezembro generoso em chuvas. Mas nas áreas mais ao norte do estado, as chuvas dentro da média dividem espaço com chuvas ainda abaixo da média em grandes áreas, situação que não deve mudar até o final do mês. Infelizmente, até o momento, a tendência para janeiro é um pouco parecida, indicando maior chance de chover mais do centro para o sul que no norte do RJ. Situação nada animadora para o final de 2020/início de 2021 para o norte (talvez centro-norte) de MG e todo o ES (o norte do ES então nem se fala, ficou de fora de todas as maiores chuvas de 2019/2020 e vai pelo mesmo caminho agora), mas ao longo de 01/2021 ainda há esperança, situação indefinida.. Aqui para a RM do RJ, apesar do refresco indicado para o início do ano, o calor voltaria com força (e do pior tipo, úmido) logo depois (mas sem extremos, tem estado muito úmido para picos relevantes de calor/máximas absolutas altas), e este quadro de anomalias pluviométricas indicado favorece um janeiro muito abafado, com chuvas irregulares na forma de pancadas, para cá (mas um posicionamento um pouco ao sul ou ao norte do canal de umidade já pode mudar isso, é cedo para cravar).
  20. Até o final da tarde de hoje, a automática de Teresópolis acumulava 485,4 mm de chuva em 12/2020, valor que aparenta estar acima da média, mas dentro da variação normal para o mês, levando em conta o curto histórico de dados da estação (desde 2006, mas com alguns meses incompletos). Com a previsão de mais chuva até o dia 31, a chance deste se tornar o dezembro mais chuvoso desde 2010 é grande (em 2011 houve uma perda de 4 horas de dados, e começou a chover bem no período que estava sem dados, mas parece que pouca chuva foi perdida). O acumulado anual, até 20Z do dia 27/12, alcançou os 3149,6 mm, o terceiro ano consecutivo a superar os 3000 mm no Inmet/auto de Teresópolis. Em 2018 os dados estão incompletos em fevereiro, e em 2019 houve entupimento do pluviômetro entre meados de maio e por quase todo o mês de junho, mas mesmo assim o total dos dados disponíveis superou os 3000 mm em cada em destes anos. 2017 registrou 2717 mm, com dados completos. Lembrando que o Centro de Teresópolis é (assim como toda a área rural do centro/norte no município) muito menos chuvoso que o bairro onde fica a automática do Inmet (mais na borda da serra e perto da entrada da cidade para quem vem do Rio). Em 2020 a estação convencional da área central está sem dados em outubro, mas em 2019, com dados completos, choveu 1423,4 mm no Centro/Várzea(conv), e mais de 3000 mm no Inmet/auto. Voltando ao mês de dezembro, estes foram os acumulados mensais na estação automática de Teresópolis desde a abertura, em 2006 (pelo horário local): 2006: incompleto 2007: 392 mm 2008: 376,2 mm 2009: 574,4 mm 2010: 710,4 mm 2011: >502,6 mm (algumas horas faltando no dia 10) 2012: 240,2 mm 2013: 462 mm 2014: 214,4 mm 2015: 161,2 mm 2016: 463,8 mm 2017: 324,2 mm (total estimado com base numa antiga estação próxima do Inea, algumas horas faltando no dia 9). 2018: 423,8 mm 2019: 334,6 mm Aqui na RM do RJ o dia hoje está sendo um nojo, choveu fraco da madrugada até meados da manhã de forma duradoura (acumulando 10/11 mm por Niterói) e, desde o amanhecer, o céu está variando entre cinzento e amarronzado (com névoa e aspecto de “sujo”). Ao longo do dia, houve chuva muito fraca intermitente (acumulado adicional desde o final da manhã não passa dos 2 mm). Praticamente e não ventou e a UR está nas alturas, por isso há uma nítida (ainda que totalmente suportável, para os nossos padrões) sensação de abafamento, apesar da máxima não ter passado dos 25/26ºc por aqui. Eu até gosto de dias chuvosos no verão, mas que sejam chuvas volumosas ou pelo menos dias ventilados e frescos (o que, a depender das condições, é possível até com máxima maior que a de hoje), mas hoje não está sendo uma coisa nem outra, e o céu está feio de doer desde cedo, mal dá para distinguir as nuvens.
  21. Com a chuva deste dia de natal, o Alto da Boa Vista já superou os 3100 mm em 2020 (falta só o Inmet atualizar no site para sabermos o valor exato, eles têm atualizado os dados da estação uma vez por semana, ou a cada duas semanas). Com isso, 2020 se torna o ano mais chuvoso no local desde pelo menos 2010 (tenho dados completos só de 2010 para cá, pois a estação do Inmet está com dados incompletos no site em quase todos os anos, mas a partir de 2010, com o início da operação da estação do Alerta Rio, foi possível preencher os buracos na série do Inmet com os dados do Alerta Rio, já que uma estação fica ao lado da outra). Na área central do Rio, a estação Saúde/Alerta Rio acumula 210,2 mm em dezembro (atrás de fevereiro só) e 1174,8 mm em 2020, o maior total anual desde 2013 (1351,8 mm). Os acumulados anuais do Alto da Boa Vista desde 2010 abaixo (o recorde da série iniciada em 1967, que pertence a 1998, segue totalmente seguro, pois naquele ano choveu 3780,3 mm). Uma curiosidade é que apenas um ano antes, em 1997, choveu apenas 1479 mm no Alto da Boa Vista, um ano muito seco para os padrões do local, mais seco até que 2014, que foi o segundo ano mais seco em mais de 160 anos de observações no Centro do Rio, com 585 mm no antigo Inmet. Em Niterói, dezembro se tornou o mês mais chuvoso de 2020 na estação do Inmet/Barreto (que é o local monitorado mais chuvoso da cidade este mês, por ter sido o bairro mais atingido pelas duas chuvas fortes de dezembro), com 318,6 mm após o aguaceiro desta noite, superando até fevereiro (312,4 mm). Aqui ao lado de casa, no Cemaden da Praia João Caetano (Ingá/Boa Viagem), o acumulado é de satisfatórios 210,1 mm em 12/2020 até agora (em fevereiro todos os postos do Cemaden estavam fora do ar em Niterói, mas choveu mais ainda aqui na área, ao contrário do que aconteceu no Inmet). No município vizinho de Maricá, uma estação automática do INEA registrou 119,6 mm somente neste dia 25/12, na Barra de Maricá. Na cidade do Rio, o acumulado médio da chuva deste dia de natal (mais concentrada entre a tarde e a noite, de manhã saiu até um mormaço e ficou abafado, o que propiciou a formação destas instabilidades) foi de 52,2 mm, o maior do mês, elevando o total de dezembro para 194,1 mm, já acima da média. Choveu bem na maior parte da cidade do Rio nas últimas 24 horas, com exceção para o extremo oeste da cidade, onde os volumes ficaram até abaixo dos 15 mm em alguns pontos (curiosamente, a zona oeste concentrou tanto o menor quanto o maior acumulado diário da rede Alerta Rio para este dia 25/12, com 14,2 mm em Guaratiba e 96,2 mm no Tanque/Jacarepaguá, incluindo 59,2 mm em 1 hora nesta). Os únicos pluviômetros do Alerta Rio com menos de 150 mm neste mês até agora são Madureira(ZN), com 138,4 mm, e Copacabana(ZS), com 147,4 mm (o pluviômetro de Campo Grande, na ZO, estava entupido num dia de chuva, então somei ao total mensal errado indicado pelo Alerta Rio o registrado no mesmo dia na estação Campo Grande/INEA, 32 mm, o que eleva o total mensal do bairro para 169,4 mm). @LeoP, de acordo com os dados atualmente publicados na página do Inmet/convencionais, o acumulado anual da estação convencional de BH (já contando com as últimas chuvas, de 36,8 mm em 24 horas) é de 2333,8 mm (sem dados faltando), portanto considero que o recorde de 1983 já está quase inalcançável, uma vez que a previsão indica relativamente pouca chuva por aí até o final do ano (a não ser que venha uma zebra, como temporais causados pela ilha de calor da cidade, algo que até pode acontecer na periferia de um canal de umidade, mas vai ser difícil somar mais de 150 mm em 6 dias pelas previsões). Pode ser que o Inmet tenha ajustado os totais de alguns dias para baixo nesta última atualização, mas joguei tudo (desde 01/01) na planilha e o total calculado (e checado) foi o apresentado acima
  22. Interessantes estes dados de Resende, tudo indica que houve alguma mudança na convencional ou na automática entre 2010 e 2014 (pode ter sido desde uma manutenção da estação automática até uma nova proveta da estação convencional, entre outras hipóteses). Mas também temos exemplos de automáticas que tendem a registrar mais chuva que as estações convencionais instaladas ao lado, como Brasília (103 mm conv e 119 mm auto, de 12Z 30/11 até 12Z 24/12) e Juiz de Fora (282,9 mm conv e 307,6 mm auto, idem). No caso de Resende, a diferença média entre auto e conv atualmente é uma das maiores da rede. Eu diria que a cidade está sendo uma exceção, pois de uma forma geral os acumulados deste mês de dezembro estão seguindo mais o exemplo da sua casa mesmo na região do Vale do Paraíba e na Mantiqueira, com volumes em torno da média. Aliás, a maior parte do estado do RJ está experimentando um dezembro bem normal em termos de chuva, e as temperaturas estão só um pouco acima da média desde o início do mês, mas sem picos significativos de calor. Eu não tenho nenhuma ilusão quanto às normais pluviométricas das estações automáticas do Inmet, certamente serão totalmente inviáveis em mais de 90% dos casos, uma vez que o índice de perda de dados é enorme justamente por conta da manutenção deficiente. Algumas estações (mesmo antes da pandemia) chegaram a ficar anos inteiros sem dados pluviométricos, isso no rico estado de SP. Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, onde a manutenção é feita com frequência acima da média nacional, todas as automáticas do Inmet (exceto uma que é muito recente) perderam muitos dados de chuva por defeito/entupimento desde que foram inauguradas, e qualquer tentativa de calcular médias pluviométricas para essas estações será inútil. No futuro, vamos depender de pluviômetros manuais como os da ANA para calcular as médias de chuva, isso se eles sobreviverem também. O número de estações automáticas do Inmet sem falhas significativas nos dados pluviométricos após menos de 10 anos de funcionamento é ínfimo. A existência de estações convencionais é primordial para o cálculo das médias de chuva, mas infelizmente muitas delas estão sendo fechadas ou gradualmente abandonadas e, além disso, aumenta cada vez mais o número de “aberrações” como estações sem leitura uma vez por semana (geralmente aos domingos), ou estações com apenas 11 meses de dados por ano (por férias do único observador que restou), situações que também inviabilizam o cálculo das médias. Neste início da madrugada de natal o canal de umidade está muito fraco sobre o RJ, e praticamente não há áreas de chuva atuando sobre o estado, exceto por chuviscos muito isolados. Temperaturas amenas para a época pelo estado por falta de aquecimento diurno na véspera de natal (nebulosidade total na maioria das áreas). Na cidade do Rio, a chuva muito fraca e intermitente da véspera de natal elevou o acumulado mensal para 141,9 mm, faltando agora pouco mais de 4 mm para a média, que poderá ser alcançada ainda hoje. Em Niterói a madrugada começa com temperatura de 22ºc, mas durante o dia de ontem mal passou dos 23ºc, variando entre céu nublado e chuva no máximo fraca. Feliz natal a todos, e que 2021 seja um ano melhor!🍀
  23. As estações de Resende (auto e conv) ficam uma ao lado da outra, então ao menos uma delas está com dados de chuva subestimados (ou superestimados), até porque a diferença é sempre em favor da convencional (total maior). Não vou arriscar dizer qual delas está com os dados mais corretos, pois quando se trata de auto x conv (no mesmo local) não há uma regra, depende do caso. O ideal seria o Inmet fazer uma aferição com uma proveta e um pluviômetro de referência, mas não vejo isso acontecendo tão cedo. As estações ficam dentro da AMAN, e a interação das brisas com o forte aquecimento diurno típico do vale, mais o paredão da Serra da Mantiqueira por perto, ajudam a aumentar a convecção neste ponto do Vale do Paraíba, que tende a registrar mais chuva e tempestades que outras cidades ao longo do mesmo rio. A própria área central de Resende (do outro lado do rio) já é um pouco menos chuvosa que o Inmet, e continuando para o sul do centro de Resende (em direção ao mar) há uma sombra de chuva logo ao norte da Serra da Bocaina, onde as médias anuais caem mais ainda (na serra mesmo as médias voltam a subir, com máximos muito expressivos nas encostas voltadas para o mar). Segundo informações me passadas pelo sexto Disme, o recorde de chuva mensal na convencional de Resende foi de 646,8 mm em janeiro de 1985, e a maior chuva diária alcançou os 226,6 mm em 26/11/1975 (este último valor foi omitido pelo algoritmo do Inmet). Não tenho informações sobre o dezembro mais chuvoso. Enquanto isso, o canal de umidade segue uma “nutellice” total aqui na área do Rio de Janeiro (capital) e Niterói. Na terça-feira tivemos chuva fraca a moderada, e nesta quarta-feira apenas chuviscos e chuva muito fraca, com temperaturas mais amenas por conta da nebulosidade total (extremos de ontem: 21,5ºc/25,1ºc no aero Santos Dumont). Situação bem diferente da ocorrida em alguns pontos do sopé da Serra do Mar/interior da RM do RJ na terça (22/12), com o registro de grandes volumes de chuva (situação já abordada por outros colegas do fórum), os maiores desde janeiro de 2018 (quando também passou dos 200 mm/24h em pontos de Magé). Apesar da chuva estar vindo aos poucos, a cidade do Rio de Janeiro vai se aproximando (ainda que sem pressa) cada vez mais da média mensal de dezembro (1997/2019, para o conjunto dos pluviômetros Alerta Rio). Até o final deste 23/12, a capital fluminense acumulava em média 133 mm de chuva no mês de dezembro (apenas 2 dos 33 pluviômetros da cidade ainda não alcançaram os 100 mm), o maior total para dezembro desde 2013 (207 mm). Nos próximos dias, a média (146,1 mm) seguramente será alcançada, já que a previsão segue indicando períodos de chuva, geralmente fraca ou moderada (podendo ser mais forte de forma bem isolada), até pelo menos o dia 28 ou 29. Caso as previsões se verifiquem, o mês vai terminar com chuva dentro da variação normal para dezembro na cidade do Rio (ainda que possa superar levemente a média), sem maiores destaques. Como o recuo do canal de umidade para o sul, o abafamento vai aumentar gradualmente logo após o natal, e os últimos dias de 2020 prometem ser muito abafados no Rio de Janeiro (assim como o início de 2021). Já vai tarde, 2020.
  24. Wallace Rezende

    Dados de Clima do Brasil entre 1880 e 1920

    Quem me passou a informação foi um meteorologista do 5º Disme, mas a resposta veio por um e-mail antigo que não tenho mais (isso foi há mais de 5 anos), e acabei não salvando. Pelo que me lembro, ele disse que as observações são feitas no local atual desde 1983 ou 1984. Lembro claramente de ele ter respondido que em 1985 a estação já estava no local atual, pois perguntei especificamente sobre o acumulado de janeiro daquele ano. Mas não descarto que as duas estações tenham funcionado simultaneamente por um tempo (antes do Inmet atualizar os dados na base digital, o acumulado de 1983 aparecia menor, e pode ter sido por conter dados de mais de uma estação, mas não tenho como afirmar). De toda forma, é muito bom que o Inmet tenha finalmente coberto este buraco nos dados de BH. Um grande número de estações do centro-sul do Brasil teve os dados de 1985 omitidos da base digital (mas eles existem, pois foram publicados na primeira versão da normal 1961/1990), tomara que façam o mesmo que fizeram no caso de BH e tragam os registros de volta. Claro que, considerando a imensa quantidade de erros e omissões na base de dados central do Inmet (como os recordes de chuva de algumas estações que foram limados pelo software/algoritmo), qualquer alteração/recuperação será apenas a “ponta de um iceberg”, mas é melhor do que nada.
  25. Wallace Rezende

    Dados de Clima do Brasil entre 1880 e 1920

    Nenhum ano com menos de 1000 mm neste período da última normal, mas desde 2010 já aconteceu duas vezes, em 2014 e 2019 (este por quase nada). Estes anos já vão entrar normal vigente a partir de 01/2021 (1991/2020). Pelos dados acima, faltam 207,2 mm para 2020 alcançar o ano mais chuvoso (1983) na convencional de BH (2020 conta com 2283,8 mm até agora). Como a estação vem sendo “premiada” este ano pelas chuvas, não vou ficar muito surpreso se, mesmo nas bordas de um canal de umidade (que vai atuar nestes últimos dias de 2020), ela conseguir a “proeza” de superar 1983, destoando da maior parte de MG, que não teve um ano particularmente chuvoso em 2020. Resta saber a causa das diferenças entre os dados do anuário e os atualizados, embora pelo menos para o ano mais chuvoso (1983) seja uma diferença muito pequena agora (em 1985 a diferença é maior, 71 mm). Vai ser ruim só se 2020 ficar acima do total do Inmet atualizado (2491 mm) e abaixo do total do anuário (2509,8 mm) para 1983, pois vai restar uma dúvida sobre o recorde. Se for para 2020 superar o recorde, que chova de 2510 mm para cima (ou, se não for, que fique abaixo dos 2491 mm). Seria legal ainda (também pelo título do tópico, mas não só) saber os totais de BH desde 1911 até o começo da década de 1939, nunca vi estes dados publicados (aí fecharia toda a série pluviométrica de BH, embora os dados sejam de outro ponto da cidade entre uma parte dos anos 1970 e o começo da década de 1980). Neste período ente 197? e 198?, parece que a estação funcionou no Instituto Agronômico/Horto Florestal, na zona leste. Da década de 1910 até o início da década de 1970 a estação convencional sempre funcionou na área central/sul, embora eu não saiba os endereços exatos.
×

Important Information

By using this site, you agree to our Guidelines.