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Brasil Abaixo de Zero

Wallace Rezende

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About Wallace Rezende

  • Birthday 11/13/1990

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    Niterói - Rio de Janeiro, RJ

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  1. Agora o acumulado diário no Central Park chegou aos 62 mm, uma chuva muito bem vinda pois o ano de 2020 vem registando precipitação bem abaixo da média no local. Mesmo após a chuva de hoje, o acumulado anual está 159 mm abaixo da média (média até 10/07). Curiosidades pluviométricas do Central Park (registros contínuos desde 1869): O recorde diário de julho no Central Park foi de 95,3 mm em 24/07/1997 (o menor recorde diário mensal entre março e novembro). O recorde diário absoluto foi de 210,3 mm em 23/09/1882. O recorde em 24 horas foi de 283,7 mm entre os dias 8 e 9 de outubro de 1903. O recorde mensal foi de 481,3 mm em agosto de 2011. Os recordes anuais são: 662,7 mm (1965) e 2046,2 mm (1983). Este recorde de 1983 foi bem superior ao registrado em outras estações da área, embora o ano tenha mesmo sido chuvoso.
  2. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    As máximas parecem ser menores (em média) na PWS mencionei (que já esteve no ar por um bom tempo, mas sumiu do início de 2019 até junho de 2020). Por vezes um local com muitos obstáculos ao nível da rua acaba por sofrer com aquecimento por falta de ventilação na altura do abrigo (sob incidência solar, isso acontecia na antiga convencional de Santa Cruz por excesso de mato). Só vendo a foto da estação mesmo para saber ao certo, o que provavelmente não vai rolar (área privada). Mas pode-se fazer uma comparação entre os registros das duas a partir de agora, caso continuem online ao mesmo tempo. Mas o mapa mostra que a PWS ruim que eu mencionei não é essa, lembro que ela ficava na rua João Lira (e pelo visto saiu do ar vez mesmo) E sim, as médias do Alto da Boa Vista são bem consistentes, é a única que serve mesmo para ter uma ideia de como andam as anomalias comparando com um período padrão (30 anos ou mais), embora tenha algumas interrupções nos dados (quase toda estação tem, mas comparando com muitas outras convencionais com dados no BDMEP os do Alto até que são bem completos). Também rolou uma mudança de local da estação do ADBV no início dos anos 2000, mas o impacto nas médias parece ter sido pequeno.
  3. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    Muito legal a compilação, dá uma boa ideia de como junho "virou a chavinha" por aqui. Sei que este cálculo de média é feito automaticamente pelo algoritmo da planilha, mas mesmo assim é importante ressaltar que a automática de Jacarepaguá, além de lamentavelmente ter ficado mais de um mês com problema de bateria e com dados muitos limitados (nestes casos, o programa deveria cortar o cálculo de médias e anomalias), conta um histórico de apenas dois anos para comparação (inaugurada no segundo semestre de 2017). Ou seja, qualquer média ou anomalia não tem qualquer valor para esta estação, mesmo em meses com dados completos. Só mesmo o Alto da Boa Vista tem uma média mais consistente, apesar de algumas interrupções nas observações em certos anos, e com a Vila Militar e Marambaia ao menos dá para trabalhar com médias parciais (ainda que os dados também sejam incompletos em vários anos). No caso de Copacabana também dá para fazer uma mini-normal, mas tenho um pouco de cisma com as máximas desta estação em dias de sol/mormaço e vento fraco de sul/sudeste, quando registra superaquecimento pela proximidade com o costão rochoso (este ano o problema não apareceu tanto, talvez por falta das condições que de vento que favorecem o aquecimento do abrigo). Eu me lembro de uma PWS no Leblon que tinha dados no Wundergorund, mas já faz tempo que não encontro mais os dados por lá. Creio que seja a mesma que você utilizou, mas não sei onde estes dados estão sendo compartilhados agora. Eu não gostava muito desta estação, pois o gráfico de temperatura frequentemente apresentava um comportamento “serrilhado” durante a tarde, um sinal clássico de superaquecimento (problema que, para esta estação, parece ser maior nos meses de verão). Mas no final de junho deste ano voltou ao ar outra PWS no Leblon (Davis) que registra dados mais coerentes, e é interessante para acompanhar os eventos de aquecimento adiabático, como o ocorrido ontem. O link dela é este: https://www.wunderground.com/dashboard/pws/IRIODEJA96 A PWS da Ilha do Fundão é muito boa para representar aquele ambiente da costa da baía, pena que fique fora do ar de vez em quando também.
  4. Hoje eu trago uma tabela que fiz com dados de temperatura máxima do aeroporto de Carrasco, nos arredores de Montevideo (Uruguai), destacando as máximas iguais ou acima dos 20ºc e abaixo dos 10ºc (me baseando nas leituras horárias) desde o ano 2000 até 2019 (ou seja, num período de 20 anos) e durante o mês de julho (o mais frio do ano, em média). Esta pesquisa foi feita com o maior cuidado, checando os dados horários disponibilizados pelo Weather Underground (fonte METAR) e omitindo eventuais bugs. Esta foi a única fonte confiável que encontrei, outros sites internacionais (como Ogimet e Accu Weather) trazem dados distorcidos e/ou incompletos. O resultado foi bem interessante: a média de 20 anos das máximas horárias >=20ºc foi de 3,7 dias, e a das máximas <10ºc foi de 2,7 dias (mês de julho). Mas estas médias escondem grandes flutuações. Exemplo: após registrar incríveis 12 máximas abaixo dos 10ºc em 07/2000, e 6 máximas em 2001, o número nunca mais passou dos 4 dias, e 3 meses de julho (2008, 2015 e 2016) não registraram nenhuma máxima abaixo dos 10ºc. Nas máximas maiores ou iguais a 20ºc o equilíbrio foi maior, com nenhum ano sem alcançar os 20ºc (6 anos com apenas 1 dia), e máximo de 8 dias em 2006 e 2008. A máxima absoluta de julho no período foi de 28ºc em 04/07/2010 (mínima 18ºc, noturna), e a menor máxima de 6ºc nos dias 15/07/2000 (mínima 4ºc) e 10/07/2007 (mínima 1ºc, noturna). Todos os casos seguem sempre o horário local, e as máximas são horárias e aproximadas, sendo a máxima real geralmente alguns décimos mais alta. Apesar de 07/2000 ter registrado (de longe) o maior número de tardes frias, o mês com menor média foi mesmo julho de 2007 (média horária de 7,6ºc). 07/2000 deve ter sido bem mais nebuloso. Julho de 2020, até agora, não registrou nenhuma máxima abaixo dos 10ºc, e nenhuma máxima na casa dos 20ºc. Nos próximos dias, existe uma pequena chance de uma máxima abaixo dos 10ºc, mas por enquanto segue sem máximas na casa dos 20ºc sendo previstas.
  5. Realmente essa questão das particularidades da cada estação (mudanças de local, crescimento da urbanização nos arredores e etc, etc, etc) é absolutamente fundamental, eu mesmo defendo isso desde que passei a me interessar sobre o assunto, mas ao mesmo tempo hoje existem ferramentas mais modernas que permitem um cálculo menos contaminado por estes fatores, como os satélites (embora estas ferramentas, quando mal utilizadas e calibradas, também possam gerar distorções, como a quase permanente “mancha fria” do Weatherbell sobre parte da América do Sul). Quando falamos das estações meteorológicas, também é possível separar o “joio do trigo”, ou seja, favorecer certas estações que sejam (reconhecidamente) de melhor qualidade, e que não tenham mudado lugar (mas de fato muitos mapas de anomalia divulgados pelo Inpe e Inmet são viciados por estações que mudaram de lugar, por vezes gerando um “pontinho” vermelho num mar azul, ou vice-versa). Mas uma das coisas que me fizeram acordar para a realidade do aumento das médias globais de temperatura foi acompanhar dados dos observatórios meteorológicos de referência presentes em certos países do mundo, geralmente bastante antigos e em locais onde a interferência humana na paisagem ao longo das últimas décadas foi praticamente nula (muitos ficam em picos, como Monte Washington, Monte Aigoual, Jungfraujoch, Monte Fuji...), e todos indicam incrementos nas temperaturas médias a partir do século XX, embora numa magnitude (evidentemente) muito menor que as verificadas em estações mais influenciadas pelas crescentes ilhas de calor urbanas (como Curitiba e São Paulo). Mas, tirando essa questão da tendência de aumento das médias, que é praticamente generalizada no mundo (ainda que com importantes diferenças de magnitude, e eventuais “ruídos” que podem causar até um leve resfriamento por alguns anos aqui e ali), tudo mais que se fala sobre o assunto (AGW) está profundamente carregado de achismos e politicagem/ideologia. Uma questão que eu sempre ataquei foi este foco nos “eventos extremos”, que sempre existiram e inclusive eram muito mais mortais antigamente na maioria dos países (já que o preparo para lidar com os mesmos cresceu na maior parte do mundo), e mesmo assim qualquer evento danoso hoje em dia é tratado por muitos como uma prova da “crise climática”, o que é de uma desonestidade intelectual gritante, mas não impede que muitos “especialistas” e “doutores” endossem as maiores asneiras em nome do radicalismo climático. Este alarmismo desonesto aparece, por exemplo, na climatologia dos ciclones tropicais (principalmente no Atlântico Norte e Pacífico Leste), onde a introdução de novas ferramentas de detecção virou o principal instrumento para a divulgação de um falso aumento na frequência e intensidade destes eventos, fato este conhecido por toda a comunidade científica da área, mas ignorado na comunicação com a mídia e o público em nome da “causa climática”. Mesmo se forcarmos apenas na questão das temperaturas, as nuances são muitas, e as respostas (ao aumento da temperatura média global nas últimas décadas, um fato inquestionável à luz da ciência) variam muito de um lugar para outro. Em vários locais este aumento das médias foi seguido por um aumento das máximas absolutas, enquanto em outros, mesmo com as médias aumentando, os picos de calor se tornaram mais suaves desde meados do século XX (caso de grande parte do centro/norte dos EUA, trechos do Subcontinente indiano e até partes aqui da América do Sul), mas a mídia e muitos cientistas sempre dão uma visão distorcida, como se os recordes de calor estivessem aumentando em todos os lugares. Em junho último, quando um trecho remoto da Sibéria registrou recordes de calor (destaque para Verkhoyansk, conhecida por ter registrado a maior amplitude térmica absoluta do mundo), as duas maiores cidades da mesma Sibéria (Novosibirsk e Omsk) registraram temperaturas até um pouco abaixo da média, fato que foi solenemente ignorado, e outra cidade muito importante da região (Krasnoyarsk) ficou totalmente dentro da média (outras cidades principais da Sibéria, como Yakutsk e Irkutsk, registraram anomalias positivas, mas sem destaque histórico). No caso dos extremos de frio, a redução é praticamente global (nas estações com séries antigas), mas em alguns lugares ocorrem “ciclos”, mesmo dentro dum contexto maior de aquecimento, que favorecem um incremento dos invernos mais frios (e aumentam a probabilidade de recordes absolutos de frio em séries não tão antigas) por alguns anos. Podemos chamar essas casos de “exceções que confirmam a regra”. Essas questões que você mencionou são extremamente pertinentes, mas considero importante evitar tanto o negacionismo quanto o alarmismo, embora reconheça que os extremos “simplificadores” (não existe aquecimento X armageddon climático) são sempre mais sedutores (para a grande maioria) que uma realidade complexa e cheia de nuances, nuances essas que muitas vezes desafiam a intuição. Tentando resumir um pouco: é fundamental separar o “frame” do filme”, mas os radicais dos dois lados tomam cada “frame” (que supostamente favorece o seu “lado”) como uma prova de que o “filme” é outro.
  6. 2019 foi bem pior que este ano, mas só nos primeiros 5 meses, aí é que está a grande diferença. O primeiro semestre de 2019 terminou com grande anomalia positiva de temperatura no RJ, talvez a maior da história, mas no segundo semestre as coisas ficaram totalmente comportadas (não tivemos meses abaixo da média, mas nenhum se desviou muito da média a partir de julho). Será que 2020 vai ser um "inverso" de 2019, com o "forno" ligado por quase todo o segundo semestre? Eu espero, sinceramente, que não. 2020 até agora foi o oposto (exceto por junho, que foi igualmente péssimo nos dois anos), pois de janeiro até maio predominaram as anomalias negativas de temperatura, e tanto o verão quando o outono (até maio) ficaram entre os 2 mais amenos do século XXI até agora. Julho do ano passado, ainda que não tenha sido um mês realmente bom, não se desviou muito da média, e tivemos duas entradas de ar frio moderadas, que conseguiram segurar a média mensal dentro dos valores históricos do mês, ainda que sem nenhum evento marcante. O contraste com o junho muito quente também trouxe um ar “invernal” para alguns dias de julho de 2019. Este ano, julho já começou bem “pior” que o de 2019, e tudo indica que vai continuar assim. Eu sempre enxerguei a sequência de meses amenos que tivemos até maio com alguma preocupação, pois tudo estava muito longe de significar (ao contrário das esperanças que muitos aqui alimentaram, por simplesmente gostarem de frio e preferirem o frio) que tudo ia continuar do mesmo jeito, mas sim que estávamos cada vez mais perto do final desta sequência (ainda mais levando em conta o aumento da temperatura média global, que aumenta a frequência de meses acima da média em quase todos os lugares), e de fato é o que aconteceu, pois veio junho e o "calor" voltou. O preço por um verão "ameno" estamos pagando agora, com um inverno (muito) xoxo. Já quase estou torcendo por um verão insuportável em 2020/2021 (embora não queira dizer nada, com muita sorte poderia colocar a "virada de chave" das anomalias mais para o inverno). Este tipo de coisa "2020: o ano da mudança, da profecia", etc e tal, não passa de pensamento desejante, ou "wishful thinking". A natureza tá se F* para tudo isso. Mas é claro que algum evento tardio há de acontecer, todo ano acontece, só não temos como saber ainda quando e com qual intensidade. 2006 foi um inverno muito ruim, mas nos primeiros dias de setembro houve um evento histórico para o mês, ainda que de curta duração (8,1ºc no Alto e 8,5ºc em Seropédica, recordes mensais desde os anos 60 pelo menos). A Região Sul (principalmente o centro-sul desta região), que não experimentou as anomalias negativas aqui da nossa região entre o verão e outono de 2020 (março então foi bem quente na maior parte do Sul, com um pico de calor histórico em boa parte do RS e parte de SC, enquanto aqui foi o mais ameno desde 1997) está se saindo melhor agora com o frio (sempre falando de anomalias), mas mesmo assim está infinitamente distante do potencial de frio que a região tem, e o mesmo vale para todo o Uruguai e a maior parte da Argentina (as mínimas absolutas de 2020 até agora estão bem acima do potencial de frio destes locais num evento intenso, com exceção de um trecho entre as pouco povoadas províncias de Santa Cruz e Terra do Fogo).
  7. Wallace Rezende

    Ciclone Bomba - 30/06/2020

    Na cidade do Rio de Janeiro, houve um evento bem severo de vento neste mesmo ano, mas foi em setembro (no dia 07, feriado). Um a linha de instabilidade se deslocou do norte de SP para cá provocando fortes rajadas de vento e chuva com trovoadas no final da madrugada (a chuva foi do tipo comum, com 5/10 minutos de chuva forte só). As fortes rajadas de vento causaram danos variados e deixaram boa parte da cidade (e de outros municípios da RM) sem luz. Ocorreram danos em vários bairros de todas as zonas da cidade, e o evento impactou ainda outras áreas do RJ e um pedaço de SP também. Eu morava no Rio naquela época e tenho uma lembrança da tempestade, pois acordei de madrugada com o forte barulho do vento (estava quase amanhecendo já). O INMET divulgou que as rajadas chegaram a 120 Km/h na cidade, provavelmente numa das antigas convencionais (ainda não havia a automática do Forte de Copacabana, que costuma registrar rajadas ainda maiores). O aeroporto Santos Dumont registrou um vento sustentado de 84 Km/h, mas não divulgaram as rajadas (provavelmente acima dos 100 Km/h). Em agosto de 2016, no encerramento das olimpíadas, a entrada de uma frente fria com rápida advecção de ar frio em altura causou rajadas de até 123 Km/h no Forte de Copacabana, mas uma PWS no trigésimo andar de um prédio na zona sul chegou a registrar uma rajada máxima de 160 Km/h. Em 2002, teve potencial até para mais que isso nos locais mais expostos e atingidos (no bairro da Barra da Tijuca, em alguns pontos, ocorreram danos que lembraram um tornado em 2002). Os danos seguiram um padrão bizarro nesta área da Barra (ZO), com destruição ao lado de locais quase intocados pelo vento, o que é muito estranho para um evento de LI (pode ter mesmo se formado alguma coisa no meio, como agora em Gov Celso Ramos). A magnitude das rajadas máximas registradas em diversos bairros do Rio no dia 07/09/2002 foi muito parecida com a de agora em várias das cidades mais atingidas de SC, mas a área total atingida por condições severas foi bem menor em 2002 (embora o sistema convectivo tenha se originado no PR, se eu me lembro bem, o pico de intensidade foi entre o litoral norte de SP e a RM do RJ, pegando também cidades do Vale do Paraíba). Creio que no Sudeste jamais teremos um a linha de instabilidade intensa tão ampla quanto esta do dia 30/06/2020 (com exceção do RS, foi a linha de instabilidade associada à baixa que causou 90% dos transtornos, e não o ciclone em si).
  8. Infiltração marítima provocando chuva fraca (brevemente moderada em pontos isolados) em parte de Niterói na noite de hoje. Na estação do Cemaden que fica ao lado aqui de casa, na Praia João Caetano (Ingá), já são 9 mm nas últimas 2 horas e pouco. Não é muito, mas lembrem-se que em todo o mês de junho deste ano só choveu 3,6 mm no local. Outra estação do Cemaden, em Jurujuba (ao sul daqui), acumulou 17,7 mm de chuva calma e moderada esta noite (maior total da RM). Na cidade do Rio também choveu um pouco em alguns bairros, com mais de 10 mm apenas em Laranjeiras e no Alto da Boa Vista até agora. O dia foi daqueles sem graça que eu detesto: sem frio, sem calor, sem sol e sem chuva (esta chuvinha noturna foi até uma grata surpresa). Agora a temperatura está entre 19 e 20ºc no Ingá, e deve permanecer praticamente estável durante a madrugada, antes de aquecer bastante nos próximos dias. Este mês de julho vai ser duro de aguentar por aqui, tomara que passe rápido. Se é para ter estas médias no miolo do "inverno", que venham logo a primavera e o verão.
  9. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    Temperatura média horária (720 horas) de junho de 2020 nas 5 estações do INMET mais altas do Brasil (com altitudes entre 2450 metros e 1400 metros), e comparativo com maio (744 horas). O Pico do Couto entraria na lista, mas está fora do ar. As estações são: Itatiaia-Parque Nacional, Morro da Igreja (Bom Jardim da Serra), Campos do Jordão, Monte Verde e São Joaquim. A ordem é de altitude (da maior para a menor). Extremos do mês: -5,4ºc/18,9ºc (PNI), -1,1ºc/18,4ºc (MI), 2,8ºc/21,4ºc (CJ), 0,4ºc/23,1ºc (MV) e 0,1ºc/21,3ºc (SJ). Maio fechou com temperatura um pouco abaixo da média na Mantiqueira e perto da média na Serra Catarinense, já junho registrou temperatura muito acima da média em ambos os locais, mas foi especialmente trágico na Mantiqueira, uma vez que a média chegou a subir quase 2ºc entre maio e junho na auto de Monte Verde e quase 1,5ºc em Campos do Jordão (a comparação com o maio abaixo da média na Mantiqueira fez este junho, já péssimo, parecer ainda pior no local). As mínimas absolutas foram uma tragédia generalizada, salvo o PNI, que pelo visto registra quase sempre valores muito parecidos de mínima absoluta nos meses de inverno (sob efeito baixada parcial e menor atuação das massas de ar frias e quentes). A máxima absoluta foi particularmente alta no PNI, num dia de ar muito seco em altura (e que quase igualou a mínima absoluta, com -5,1ºc).
  10. Wallace Rezende

    Ciclone Bomba - 30/06/2020

    Pois é... Mas já percebi que, para muita gente, qualquer coisa que "tenha sido inventada nos EUA" meio que ganha imediatamente um selo de qualidade, quando na verdade nos EUA, inclusive entre as agências oficias, também ocorrem erros grotescos que "deixariam até o INMET boquiaberto". Sem falar que o sensacionalismo midiático para lidar o tempo/clima da maneira como o conhecemos foi inventado por lá (outra pérola do sensacionalismo contemporâneo o tal do "polar vortex", que passou a denominar qualquer onda de frio medíocre de meados da década de 2010 para cá). Quanto tempo já não gastei (por prazer) analisando dados meteorológicos/climáticos de vários lugares dos EUA, inclusive de cidades obscuras que a esmagadora maioria dos nascidos nos EUA jamais ouviram falar, e posso dizer que há alguns recordes (oficializados) de temperatura que estão mais de 10ºc fora da realidade, e vários que estão entre 2 e 4ºc fora da realidade. O controle de qualidade feito pelo NCEI é nulo, é uma agência coalhada de burocratas, e muitos deles não sabem nada. Já troquei alguns e-mail com o pessoal do NCEI (ex NCDC), e o nível de desinteresse/desconhecimento de alguns funcionários é assombroso (muitos, assim como na burocracia tupiniquim, só se preocupam com o salário pingar na conta todo fim de mês). Em contato com NWS (responsável pela instalação e manutenção das estações, além da previsão do tempo) já tive muitas vezes um bom "feedback" de funcionários interessados e com bom nível de conhecimento, mas como o responsável pela oficialização e alteração dos dados climáticos é o NCEI, muitas vezes de nada adianta alertar o NWS sobre dados potencialmente ruins, pois a burocracia (e, eu diria, até uma certa rivalidade entre as agências) é tão grande que quase não rola comunicação produtiva entre elas. Para quem pensa que esse tipo de coisa só acontece no Brasil (ou em outros países subdesenvolvidos), lá é tão ruim ou pior em alguns aspectos. Não há dúvidas que a rede de estações meteorológicas dos EUA tem uma dimensão surreal para os nosso padrões, mas infelizmente a proporção de dados de má qualidade (assim como aqui) é muito grande, e a própria instalação das estações primárias (ASOS) segue critérios pouco transparentes e muitas vezes nada técnicos, com algumas delas instaladas em pequenas ilhas de grama no meio das pistas dos aeroportos, o que faz que registrem temperaturas muito mais altas até que PWS urbanas instaladas ao lado de construções (como acontece em Miami e Nova Orleans, entre muitas outras cidades). Os próprios protocolos de calibração são falhos; a estação principal de Boston (um grande grande centro acadêmico do país) registrou temperaturas superestimadas constantemente (entre 1 e 2ºc) entre o verão de 2019 e fevereiro de 2020, mas jamais cogitaram corrigir os dados deste período, mesmo após o erro ter sido detectado e o sensor de temperatura trocado. O NHC (centro nacional de furacões) é outra agência que prima pela falta de transparência. Além das mudanças mal explicadas na forma de classificar os ciclones tropicais (que geraram um aumento no número de sistemas nomeados atualmente, sem que tenha sido feita uma tentativa de ajustar as médias com as quais estes números são constantemente comparados) comete alguns erros grosseiros também quando se trata da descrição e trajetória de furacões fora dos EUA (um exemplo foi o Irma, quando se basearam num satélite com erro de paralaxe para dizer que a ilha de St.Barts experimentou a parede sul do olho daquele categoria 5, quando na verdade ficou bem no meio do olho, informação confirmada pelo radar francês e por inúmeros vídeos e relatos dos moradores locais, que o NHC simplesmente ignorou). Enfim, o fato de algo vir EUA está longe de ser um selo de qualidade. Também posso mencionar questão das médias de temperatura, pois já vi chamarem a média compensada de "aberração" e sugerirem que boa mesmo é a média simples, que sempre foi utilizada nos EUA (como se isso provasse o ponto de vista sobre a superioridade da média simples), quando na verdade a média simples é pior das médias, e só tem validade para comparações históricas, uma vez que em muitas séries antigas os únicos dados disponíveis são as máximas e mínimas (claro que a compensada também está perdendo o sentido com o fim gradual das estações convencionais e a bem-vinda proliferação de estações com leituras horárias ou mais frequentes, mas ainda assim é uma média bem mais exata que a simples, feitos os devidos ajustes para cada fuso horário). Peço perdão pelo off-topic, mas diante do julho sem graça que se desenha por aqui, e das mensagens sobre o "ciclone bomba" (adaptado da expressão "bomb cyclone", surgida nos EUA) resolvei fazer (um grande) desvio e também abordar este tópico.
  11. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    Depois de um mês de maio com temperatura abaixo da média, Belo Horizonte registrou temperaturas acima da média em junho de 2020, mas com anomalias mais suaves que as capitais ao sul. Apesar disso, a tabela das médias horárias mensais da Pampulha desde 2007 mostra que 06/2020 não se destacou entre os últimos meses de junho, por conta da alta incidência de junhos (ainda mais) quentes neste período. A temperatura ficou pouco menos de 1ºc acima da média de 30 anos, uma anomalia baseada nas médias máximas e mínimas da estação convencional (já que a Pampulha tem uma série muito curta). Em comparação com a média dos últimos 14 anos, só da Pampulha, o valor ficou bem dentro da média deste período. Em Brasília, a temperatura ficou mais próxima da média em 06/2020, com um desvio positivo desprezível (entre 0,2 e 0,3ºc) para a média de 30 anos. Quase não choveu em Belo Horizonte, o que é o esperado para junho, e em Brasília não houve registro de precipitação na estação automática (embora a convencional, ao lado, tenha registrado 0,3 mm). Na estação da Pampulha (BH), a maior temperatura registrada em junho de 2020 foi de 30,1ºc no dia 12, e a menor de 9,5ºc no dia 23. A precipitação acumulada no mês foi de 4,4 mm. A automática de Brasília registrou sua maior temperatura do mês no dia 03, com 27,2ºc, e a menor no dia 22, com 9,9ºc. Não houve registro de precipitação (0 mm). Abaixo as médias horárias de junho nas duas estações em questão, desde a inauguração (junho de 2012 foi o mais quente nas duas estações, mas em BH ficou empatado com 2013 e 2018, superando estes nos centésimos): Belo Horizonte/Pampulha auto: Brasília/auto (setor sudoeste):
  12. É o vento norte/noroeste quente e seco (pré-frontal), mas também pode chamar de "bafo de dragão". Na última observação (1:00 da manhã) fazia 28ºc na Vila Militar e em Jacarepaguá (Inmet), e a PWS do Helicentro Guaratiba, na zona oeste, já registrou uma rajada de 77 Km/h hoje. A PWS Lagoa/Ipanema também já passou dos 70 Km/h nas rajadas. Aqui em Niterói, perto da baía, os ventos estão fracos (a orla da Baía de Guanabara não costuma pegar este vento NNO com força, por ausência de relevo por perto para canalizar o ar que vem desta direção), e a temperatura segue estacionada perto dos 24ºc. Ainda durante esta madrugada, o fantasma da LI que atravessou boa parte de SC/PR ontem deve fazer o vento girar para sudoeste, causando uma breve queda de temperatura (antes de aquecer novamente após o amanhecer). Região Serrana pegando os ventos quentes também, a estação do INMET em Nova Friburgo (na zona rural) registrou sua máxima de ontem (30/06) nos últimos instantes do dia (perto de 00:00 de hoje) com 17,3ºc, e já subiu para 19,1ºc entre 0:00 e 1:00 de hoje (talvez até chegue aos 20ºc em plena madrugada, a mais de 1000 metros de altitude).
  13. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2020

    Junho de 2020 foi marcado por temperatura muito acima da média (assunto para outro post) e chuva bem abaixo da média na cidade do Rio de Janeiro. O índice pluviométrico médio acumulado na cidade ao longo do mês (média dos 33 pluviômetros do Alerta Rio) foi de 20,5 mm, aproximadamente um terço da média 1997/2019 (62,2 mm), e o terceiro menor para junho desde 1997 (início da série). As poucas frentes frias que conseguiram chegar ao Rio no mês já estavam muito enfraquecidas, e não trouxeram quase nenhuma chuva (apenas chuva orográfica de infiltração marítima, que favoreceu os bairros mais próximos das encostas). O acumulado máximo de 06/2020 na rede Alerta Rio ocorreu no Alto da Boa Vista (ZN), com 82,4 mm (valor ainda abaixo da média, pois é o bairro mais chuvoso da cidade, e a última vez que choveu menos de 100 mm em junho por lá foi no ano de 2013), e o mínimo na Avenida Brasil/Mendanha (ZO), com apenas 1,8 mm. O Centro do Rio (Saúde) registrou apenas 4,4 mm, e este foi o menor total para junho no local desde 1992 (1,1 mm no aero Santos Dumont). Na tabela abaixo das médias de junho na rede Alerta Rio desde 1997: Aqui na cidade de Niterói junho foi ainda mais seco que no Rio, a estação do INMET no bairro do Barreto acumulou apenas 3,4 mm ao longo de todo o mês (provavelmente o mês mais seco desde 07/2016). A estação mais próxima aqui do Ingá (Praia João Caetano Cemaden) registrou parcos 3,6 mm. Como maio foi chuvoso este ano, o mês junho com pouca chuva não chegou a ser um problema aqui na área, embora em certos dias tenha sido possível sentir um leve cheiro de fumaça no ar (especialmente pela manhã e à noite) em alguns lugares, já que muitos fazem suas pequenas queimadas (lixo, mato, etc) a partir desta época, quando as condições se tornam mais propícias para este tipo de atividade.
  14. Eu estava olhando agora o site do Inmet, e a convencional de Votuporanga continua ativa, ao contrário do que eu imaginava. Mas os dados dela, além de não serem mais diários, estão muito estranhos (hoje anotaram uma mínima certamente errada, abaixo da real). Além disso, o abrigo claramente está sem telhado nas fotos do street virew (de 10/2011, agora confirmei a data), aparece apenas o forro interno, e a própria pintura do abrigo também não estava em dia (o que não surpreende, é um problema muito comum em várias convencionais hoje em dia). Mas agora não sei se a estação convencional continua naquele local, talvez sim. De toda forma, hoje a fonte mais confiável de dados é mesmo a estação automática, até pelo fato de ter dados diários (além dos demais motivos). Uma opção “quebra-galho” seria utilizar a semi-normal da estação automática (com dados desde 2006/2007), mas certamente será maior que uma média de 30 anos do mesmo local (caso existisse) devido à prevalência de junhos quentes nos últimos anos. O ideal seria fecharem esta convencional de vez, mas talvez estejam só esperando o observador se aposentar (estação que não funciona nos finais de semana é dose..).
  15. Lucas, excelente resumo como sempre, mas te confesso que fiquei cabreiro com estas mínimas "dentro da média" em Votuporanga num mês que foi tão quente de uma maneira geral, rivalizando com junho de 2019 na maior parte de SP e do RJ (e até superando 2019 em alguns lugares). Fui pesquisar melhor, e descobri que a atinga convencional de Votuporanga (de onde vêm as médias) ficava numa pequena área gramada cercada de asfalto por todos os lados, enquanto a atual automática, apesar de estar ao lado de uma avenida, fica no limite de uma área verde relativamente grande, que certamente favorece mínimas menores que o local da antiga convencional (fizeram bem em desativar, pois era um local já impróprio para medições de temperatura). Ou seja, certamente a anomalia das mínimas foi positiva em Votuporanga também, mas não temos uma média de 30 anos para o local da estação automática. Abaixo um zoom nos locais da antiga convencional (1, o marcador está um pouco fora) e da atual automática (2). EDIT: cometi um erro, o local da convencional é o indicado pela seta na primeira foto (que troquei), mas da mesma forma mais sufocado pela urbanização que a automática, o que favorecia mínimas maiores na convencional. EDIT1: uma foto do street view, mostrando a antiga convencional aparentemente já sem o telhado do abrigo (após a desativação). Aqui na RM do RJ, o dia hoje começou relativamente fresco (com mínimas dentro da média) mas terminou abafado, com a intensificação do pré-frontal. A noite segue com sensação de abafamento (24/25ºc no Ingá, em Niterói) e certamente teremos algumas temperaturas elevadas na próxima madrugada em locais mais expostos ao vento norte/noroeste, como parte da zona sul. Amanhã o dia será bem quente, mas com um vento mais perceptível que deve aliviar um pouco a sensação de calor, e à noite vai entrar o vento mais fresco (frontal). Infelizmente, o sistema vai passar praticamente seco, e a temperatura vai apenas sair de "quente" para "amena" a partir desta quinta-feira, sem qualquer sinal de valores dignos para uma MP julina (até 07/2019 foi melhor, pois trouxe uma MP moderada - apesar de ordinária - para cá na primeira semana, isso depois daquele junho também quentíssimo). OBS: sei que a MP de 07/2019 até foi considerada forte em muitos lugares, mas aqui no RJ o oceano muito aquecido (após um mai/jun de calor histórico em 2019, e um abril bem quente também) acabou estragando um pouco o potencial do evento.
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