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Brasil Abaixo de Zero

Wallace Rezende

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  • Birthday 11/13/1990

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    Niterói - Rio de Janeiro, RJ

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  1. O calor e a umidade formaram pancadas de chuva esta tarde na região de Nova Friburgo, onde já choveu forte em diversos bairros da área urbana. O acumulado já chega aos 57 mm na estação da UERJ (Vila Amélia), e se aproxima dos 50 mm na estação da Nova Friburgo Agora (Alto das Braunes, onde passou de 40 mm por hora). Estes núcleos já perdem força rapidamente, à medida que cessa o aquecimento. Acumulados em NF/Cemaden: Depois da chuva, nevoeiro nos topos de NF (ar saturado): Aqui na RM seguimos sem sinal de chuva, com céu parcialmente nublado, e no momento faz 26ºc no Ingá/Niterói. Imagem atual da chegada à Niterói (câmera da ponte):
  2. Hoje foi mais um dia de aquecimento lento e gradual no Rio de Janeiro, sendo que nos próximos dias já deve estabilizar, sem chegar a fazer calor para a época. A Vila Militar registrou extremos de 20,2ºc e 31,3ºc, e o aero Santos Dumont de 22,5ºc e 27,2ºc. No momento céu parcialmente nublado e 24/25ºc no Ingá, em Niterói. O tempo deve seguir com períodos de maior nebulosidade nos próximos dias, mas se chover será muito pouco, e de forma isolada. Está pintando um começo de abril seco também, com chuva bem rápida e pouco volumosa na passagem da frente por volta do dia 04. Ontem comentei sobre algumas quedas de temperatura registradas em abril aqui no RJ, destacando a decepção que foi 2016 e a surpresa positiva em 2014, e hoje vou falar de maio... Considero maio o mês mais chato da transição de estações, pois não tem mais a grande variabilidade pluviométrica de abril, e não registra quedas de temperatura expressivas como junho; cai numa espécie de “fosso” desinteressante, ainda que seja predominantemente bem agradável. Na última década, o maio mais ameno foi registrado em 2011, com destaque para uma segunda quinzena com médias invernais (padrão carioca), e o segundo mais ameno foi o do ano seguinte (05/2012 começou com um dia chuvoso e a menor máxima do mês, mas depois não manteve o ritmo, teve um final quente, e para piorar junho começou com calor histórico). A menor mínima de maio na década (talvez no século XXI) foi registrada em 2018 (22/05, com 11,4ºc na Vila Militar), num evento tiro curto que acabou provocando a menor mínima do ano na cidade do Rio (o que só mostra como o inverno de 2018 foi ruim); tirando este evento, 05/2018 como um todo fechou com temperatura um pouco acima da média. Falando em 2011, junho e novembro foram ótimos também, e julho não decepcionou, com a mínima absoluta da década. Foi o melhor ano da década, apesar de ter começado quente. Voltando mais no tempo, 1999 realmente foi bom, com destaque para a primavera (O/N excelentes), e para um evento que trouxe máximas baixas em agosto (mas nenhum mês do inverno registrou médias notáveis). De uma maneira geral, a média mensal de maio variou pouco na última década, tanto que a diferença entre os mais “frios” e “quentes” de 2010 até 2018 foi de pouco mais de 1ºc na Vila Militar (21,1ºc x 22,4ºc), mas aí veio 2019 com sua média ridícula (24,2ºc) e levou maio para um novo patamar, típico de um abril quase acima da média (abril de 2013 foi quase 1ºc mais ameno que maio de 2019)! De fato, 05/2019 foi 1,8ºc mais quente (na média horária!) que o segundo maio mais quente da década. A pequena diferença entre a mínima absoluta recente na Vila Militar em abril (12ºc em 2014) e maio (11,4ºc em 2018), indica que o potencial máximo de resfriamento em maio, mesmo levando em conta os tempos quentes em que vivemos, não foi sequer aproximado nos últimos anos.
  3. Hoje começou uma ligeira tendência de aquecimento por aqui, com mínimas um pouco mais altas (mas ainda abaixo da média de finais de março) e máximas chegando à casa dos 30ºc nos bairros mais quentes pela primeira vez desde o dia 20 (mas aqui perto da baía e nos bairros costeiros a máxima ainda não passou dos 27ºc, e a tarde foi agradável e ventilada). Vi que estão comentado sobre ondas de frio em abril. Pois bem, aqui no RJ o melhor resfriamento dos últimos anos no mês, talvez até do século XXI, foi registrado no final de abril de 2014. Não foi uma MP particularmente forte, mas trouxe ar seco e tempo firme por alguns dias, que favoreceram mínimas excelentes. As estações automáticas que acompanho na capital e na serra registraram suas menores mínimas para abril neste evento. Nova Friburgo auto INMET: 3,1ºc (29/04) - em 2016 a menor mínima no evento do fim do mês foi de 12,1ºc, um fracasso total. Teresópolis auto INMET: 7,6ºc (29/04) Vila Militar auto INMET (capital): 12ºc (29/04) Alto da Boa Vista INMET (capital): 12,1ºc (29/04) - em 2016 não baixou dos 15,8ºc. Em abril de 2016 só tivemos máximas baixas no final do mês com tempo nublado e chuviscos, e mínimas completamente inexpressivas (como podem ver acima em dois exemplos), apesar do contraste com o forte calor registrado no restante do mês. Maio de 2016 foi outro mês absolutamente sem graça, não foi registrado qualquer resfriamento relevante para o mês, apenas um tempo geralmente agradável e "sem sal" (se bem que maio aqui é um mês geralmente chato mesmo). Só em junho que a coisa ficou legal, como já comentei anteriormente foi o junho mais "frio" em décadas. Abril de 1999 também não foi grande coisa por aqui, estava olhando os dados e tivemos um resfriamento súbito mas nada extraordinário no dia 17, que mal durou 24 horas. A mínima absoluta no Alto da Boa Vista foi de 14,2ºc no dia 18, e 19ºc no centro da cidade, valores que ocorrem na maioria dos anos.
  4. Realmente marinhonani, se as estações estivessem muito próximas seria o caso de desconsiderar logo de cara o registro do aero, mas pela distância é bem possível que esteja certo, levando em conta que estes núcleos convectivos amazônicos em geral provocam gradientes pluviométricos bem grandes (como Belém entre segunda e quarta-feira, mas la foram 5 mm no aero, confirmados por várias estações do Cemaden, e 103 mm no INMET). No Rio (claro que com relevo muito mais complexo) chegam a ocorrer diferenças ainda maiores em distâncias muito menores. O METAR do aeroporto Eduardo Gomes indica ausência de precipitação até 3:00 da manhã, chuva fraca às 4:00, e chuva forte com trovoadas às 4:26 (reporte especial, quando começou a chuva forte), já na automática INMET o primeiro registro de chuva veio também na observação das 4:00, mas só ficou forte entre 5:00 e 6:00 (entre 9 e 10 UTC). Sobre a PWS de Marmelópolis, como você já disse mais cedo, ela fica bem fora da área urbana, perto da borda da serra, num microclima muito diferente. Salvei um mapa que mostra a cidade (ponto rosa mais acima, Pousada das Flores) e o local da PWS (Pousada Kahena, bem ao sul). No mapa do Wunderground a estação foi posicionada no lugar errado, sobre a cidade. Como fica numa encosta, só registrou negativa uma vez em 2019 (09/07), com -0,3ºc. A média mensal foi de 11,4ºc em julho. A pousada fica na base de um morro bem mais alto, coberto por verde, mas a altitude continua diminuindo para o N/NE, o que reduz o acúmulo de ar frio naquele ponto.
  5. Hoje aproveito para detalhar um pouco mais um evento que foi comentado por aqui apenas de passagem, a forte chuva que atingiu Manaus entre a madrugada e o final do manhã do dia 23/03/2020, sendo que a duração total do evento foi aproximadamente 8 horas, e a chuva mais forte durou 2/3 horas. A estação convencional do INMET na cidade, localizada no bairro de Adrianópolis (zona centro-sul da cidade) registrou um total de 178,4 mm, sendo 140,8 mm até as 8 horas da manhã local (12 UTC), e mais 37,6 mm até o início da tarde do mesmo dia (final do evento de acordo com a estação automática, que fica ao lado). Estes 37,6 mm foram computados só na manhã do dia seguinte, que é a prática nas estações convencionais. Mas a estação da aeronáutica no aeroporto Eduardo Gomes, no bairro de Tarumã (zona oeste, bem ao norte da área central e no limite da área urbana) registrou um total ainda maior, com 272 mm, incluindo 231 mm até 8 da manhã pela hora local (começou a chover no aero por volta das 4:00, então estes 231 mm foram registrados em 4 horas mais ou menos), e 41 mm até o final do evento, nas 4 horas seguintes. Esta chuva provocou muitos alagamentos e transtornos pela cidade, incluindo no mínimo um casal surpreendido pela enchente num motel, e um óbito por desabamento de muro. Foi a chuva mais volumosa dentro da faixa de duração (6 a 12 horas) registrada numa capital brasileira este ano, levando em conta os dados do aeroporto internacional (272 mm). Abaixo, os registros do aero pelo Ogimet, e o mapa destacando as localizações do aeroporto e do INMET. No RJ seguimos sem novidades, e hoje foi na prática um copiar/colar de ontem, com madrugada bem fresca (Jacarepaguá auto e Alto da Boa Vista até conseguiram melhorar um pouco a mínima de ontem, descendo para 16,3ºc e 15ºc respectivamente, as menores do ano, enquanto outros bairros ficaram alguns décimos acima da mínima de ontem) e mais uma tarde bem agradável para época (26ºc/29ºc). Nos próximos dias a temperatura vai subir, mas não chega a fazer calor para os nossos padrões. Em 2019, na automática de Jacarepaguá, a temperatura só conseguiu cair para um valor menor ou igual ao da madrugada de hoje no dia 27 de maio. A mínima do Alto foi divulgada pelo INMET, e noticiada pela Climatempo.
  6. Interessante que, pelo segundo dia consecutivo, a convencional do INMET foi o epicentro das chuvas na capital paraense, as estações do Cemaden perto do centro registraram apenas entre 1 e 9 mm numa pancada brevíssima ontem à tarde, e nos bairros ao leste choveu entre 10 e 25 mm na mesma ocasião, muito menos que no INMET. Somando os dias meteorológicos de ontem e hoje, foram quase 103 mm na convencional e 5 mm no aeroporto de Belém (este, perto do rio e na parte norte de cidade). Realmente o microclima desta área onde fica o INMET favorece muito a ocorrência de pancadas fortes e isoladas mesmo quando a atmosfera geral sobre a região não está favorável à formação de grandes núcleos de chuva (certamente a ilha de calor à oeste da estação ajuda, mais a convergência das brisas). Na primeira quinzena de março, quando se formaram grandes núcleos de instabilidade na região, a diferença entre o aeroporto e o INMET foi bem menor. O padrão atmosférico atual favorece chuvas abaixo da média na região de Belém (tanto que o aeroporto e os bairros centrais estão com acumulados muito baixos na última semana, levando em conta que março é o mês mais chuvoso do ano), mas a estação do INMET mascara isso com seu microclima muito sensível à formação de núcleos convectivos locais. É como se fosse uma versão belenense do Mirante do Santana em alguns meses do verão.
  7. Fico feliz de ver que março finalmente parece ter trazido boas chuvas de maneira mais generalizada para a Região Nordeste do Brasil. Claro que ocorreram transtornos em cidades onde choveu mais, alguns grandes, mas estas chuvas concentradas e muito irregulares sempre foram características da região, e os problemas se repetem sempre que chove um pouco mais (o mesmo vale, de maneira aumentada, para as nossas grandes cidades). Em janeiro e fevereiro deste ano, apesar de várias cidades terem superado a média na região NE também, o que mais chamava a atenção era a irregularidade das chuvas, pois áreas ainda maiores registravam chuva abaixo ou muito abaixo da média. Já neste mês de março, pelo menos esta é a minha impressão, pela primeira vez há mais áreas com chuva acima que abaixo da média no NEB, e isto é muito importante pois a estação mais seca em grande parte da região está se aproximando. Sei que vários açudes se recuperaram, em especial os pequenos e médios nas áreas mais agraciadas pelas chuvas, mas muitos outros permanecem com pouca água e não conseguirão alcançar um nível satisfatório tão cedo, especialmente os maiores (como Orós e Castanhão), que seguem em situação crítica, com menos de 10% de armazenamento. Ainda que, nestes últimos casos, março de 2020 seja apenas uma gota após um oceano de quadras chuvosas ruins, podemos estar diante de um pontapé inicial, caso as próximas estações chuvosas sejam melhores. A verdade é que precisa chover muito mais em grande parte da região, e abril ainda pode dar um empurrãozinho, antes das chuvas mais litorâneas de mai/jun/jul... Aqui no RJ segue o clima outonal, e a madrugada de céu limpo hoje favoreceu uma boa queda de temperatura em vários pontos do estado, com mínimas de destaque também na RM do Rio de Janeiro... Na automática da Vila Militar (capital) a mínima foi de 17,5ºc, a menor desde dezembro do ano passado, e a mais baixa num mês de março desde a abertura da estação em 04/2007 (recorde anterior 17,7ºc em 31/03/2008). Na automática de Jacarepaguá (também capital, numa área verde) a mínima foi de 16,7ºc, também a menor desde dezembro (mas só tem dois anos de dados, foi instalada em agosto de 2017). No Alto da Boa Vista, bairro com as menores médias da capital (altitude na faixa dos 300 metros, e muito verde ao redor), fez 15,7ºc hoje. No aeroporto do Galeão, que representa razoavelmente uma "média" da muito populosa zona norte do Rio de Janeiro nas mínimas, a temperatura caiu para 19,1ºc, um valor que não se vê todo ano em março. Nos bairros mais adensados e/ou costeiros (como Copacabana e Centro, no Rio, e Icaraí/Centro/Ingá, aqui em Niterói), a mínima ficou na casa dos 20ºc ou 21ºc, o que é abaixo da média mas não chega a ser incomum (são valores que só "entram na média" no início de maio nestes locais, mas que são registrados nas madrugadas mais amenas de março na maior parte dos anos). A máxima hoje oscilou entre 26ºc e 28ºc na maior parte da capital e de Niterói (com picos de até 29ºc nos bairros mais quentes), e foi um pouco maior que ontem na maioria dos locais por conta do tempo mais aberto. Na Região Serrana, a automática de Teresópolis conseguiu superar os 11,9ºc de 23/03/2017 com 11,5ºc hoje, e esta foi a menor mínima em um mês de março desde 2009 no mínimo (não tenho os dados anteriores, a estação foi aberta em 2006). A estação fica em encosta, nas baixadas rurais do município certamente baixou dos 10ºc. Também tivemos algumas mínimas expressivas no RJ em dezembro de 2019 (em alguns pontos da Região Serrana foi histórico, com menores mínimas em muitas décadas) e janeiro de 2020 (menor mínima em mais de uma década em algumas estações), nada mal depois dos últimos anos com amplo predomínio de marcas expressivas de calor.
  8. Eu não deixei claro na mensagem, mas estes totais que listei logo acima são de um santuário natural no município de Santa Bárbara (desde 1995 Catas Altas) (MG). É que respondi as duas mensagens do @marinhonaninuma só, e ficou meio confuso mesmo. Voltando à Belém, a cidade tem sim claramente uma estação mais chuvosa (entre dez/jan e abr/mai), mas não chega a ter estação seca, com menor média mensal pouco abaixo dos 130 mm. Mesmo nos meses menos chuvosos, a chuva não costuma ficar mais do que alguns dias sem aparecer, ainda que na forma de pancadas breves e isoladas.
  9. Sim, é bem chuvosa também, e chegou a registrar 11ºc abaixo de zero antes de tirarem do ar (apareceu no gráfico, mas na tabela foi omitido). Quem diria que Belém deixaria Urupema para trás no frio, e ainda por cima em março!! 🤣 A automática não fica longe da convencional, na ponta da seta amarela (bolinha), um local onde a convergência da brisa do rio/baía atua bastante também. Sobre os dados do Hidroweb, realmente mudaram muita coisa no site, e hoje só consigo acessar os dados (apresentados numa tabela tipo Excel) por arquivo Access, entrando em Séries Históricas (seleciono o estado, município, e o tipo de estação "pluviométrica"). Em Santa Bárbara (MG), tem uma estação da ANA no Colégio Caraça (um santuário natural), onde o efeito orográfico favorece a ocorrência de volumes de chuvas bem maiores que nos municípios vizinhos (fica perto da finada barragem de Fundão). A série no local foi iniciada no começo da década de 1940, e os seguintes meses registraram mais de 800 mm até o final de 2019 (repare na alta frequência entre meados dos anos 80 e o início dos anos 90). Edit: em 1995, o distrito de Catas Altas se emancipou de Santa Bárbara, e hoje o colégio (e a maior parte do santuário) fazem parte do município de Catas Altas (MG). 12/1945: 823,1 mm 01/1961: 909,7 mm 12/1962: 848,2 mm 12/1984: 939,7 mm 01/1985: 837,3 mm 12/1989: 1035,5 mm 01/1991: 811 mm 01/1992: 980 mm 12/2011: 871,9 mm (204 mm dia 15, recorde diário, e 500 mm entre os dias 14 e 18).
  10. Nas últimas 24 horas, até a manhã de hoje (mas a pancada foi registrada no início da tarde de ontem, a leitura que foi feita hoje) a estação convencional do INMET em Belém (PA) registrou 55,8 mm de chuva, elevando o total do mês para 818,7 mm, o maior na estação (para qualquer mês) desde 1961 pelo menos, superando os 776,2 mm de fevereiro de 1980. Belém pode ter se tornado a segunda convencional de capital a quebrar um recorde absoluto de precipitação mensal em 2020 (após BH, em janeiro). Esta chuva das últimas 24 horas foi bem isolada na região onde fica a estação convencional (uma área verde ao lado do residencial Morada Verde, no bairro de Curió-Utinga); as estações do Cemaden nos bairros mais centrais de Belém (Nazaré e Cremação) registraram zero de chuva de ontem para hoje, e o aeroporto da cidade (ao norte) apenas 2 mm. Como existem registros de chuva na capital paraense desde 1892, não dá para chamar de recorde, e a própria estação é muito mais antiga que os dados disponibilizados no precário BDMEP. Mas estes 818,7 mm são uma marca relativamente modesta se levarmos em conta a média do mês mais chuvoso, que é março mesmo (450 mm); já estava mais do que na hora do maior acumulado mensal pós-1960 ser superado em Belém, e espero que ao menos supere os 900 mm até o final deste mês (embora exista potencial para chover mais de 1000 mm/mês em parte da cidade, não necessariamente agora, digo potencial histórico). Apesar de março de 2020 ter se tornado o mês mais chuvoso na conv de Belém desde 1961 pelo menos, vejo isso mais como uma compensação pelo “recorde” mensal modesto. A chuva em Belém, ou ao menos na área da estação convencional da cidade (que fica ao leste da zona mais adensada, numa grande área verde) vem sendo claramente influenciada pelo crescimento da ilha de calor, sendo que até meses que registram chuva abaixo da média em todas as cidades ao redor da capital paraense frequentemente superam a média na conv/INMET de Belém. Parece que a brisa do rio, ao atravessar a cidade de oeste para leste, encontra a bolha de calor urbana, que intensifica o crescimento das nuvens de chuva, e por isso em muitos dias a maior parte da água é despejada sobre as matas na parte leste de Belém. Os dados recentes mostram que o INMET/conv tende ser mais chuvoso que a maior parte cidade na maioria dos meses (em março agora as estações do Cemaden na parte central da cidade estão na faixa dos 600/700 mm, e o INMET com mais de 830 mm provavelmente, já que voltou a chover esta tarde). Mal comparando, pois aí entra em cena o relevo além da ilha de calor, BH em janeiro agora registrou pouco mais de 500 mm na região norte da cidade, e até menos de 400 mm em municípios como Confins, Vespasiano e Lagoa Santa (ao norte), enquanto a convencional e o Cercadinho, do centro para o sul da capital, marcaram > 930 mm (março está bem mais equilibrado na área de BH). E não podemos esquecer São Paulo, onde o INMET/Mirante costuma ser mais chuvoso que a maior parte da cidade no verão, e muito mais chuvoso em alguns meses, como fevereiro de 2020 e março de 2006, quando em média São Paulo recebeu menos de 350 mm (nos dois meses), e o Mirante superou os 500/600 mm. Para ilustrar, algumas comparações entre os recordes mensais absolutos e as médias dos respectivos meses aqui no Sudeste (1981/2010). Rio de Janeiro (centro/antiga conv) tem média de 143 mm em janeiro, mas já registrou 617,6 mm em janeiro de 1966 (4,3 vezes a média). Vitória (conv) tem média de 200 mm em dezembro, mas já registrou 713,9 mm em dezembro de 2013 (3,57 vezes a média). Belo Horizonte (conv) tem média de 329 mm em janeiro, mas já registrou 935,2 mm em janeiro de 2020 (2,84 vezes a média). São Paulo (Mirante conv) tem média de 214 mm em março, mas já registrou 607,9 mm em março de 2006 (2,83 vezes a média) Belém, com média de 450 mm em março, tinha “recorde” (série incompleta via BDMEP) de 742,5 mm em março de 2012 (apenas 1,65 vezes a média). Hoje, chegou a 1,82 vezes a média. Claro que a região de Belém tem uma variabilidade menor dentro da estação chuvosa, então não dá para esperar que chova 3, 4 vezes a média em março, mas certamente tem potencial para bater 2 vezes a média sem ser algo tão excepcional assim (o recorde de fevereiro é de 1,94 vezes a média mensal). Curiosidade: segundo um estudo antigo que li, o recorde de chuva em 1 dia na capital paraense foi de 207 mm num mês de março entre 1892 e 1920, mas não especificou o dia e o ano (a estação provavelmente ficava mais perto do centro naquela época). Depois disso, só superou os 200 mm/24 horas em abril de 2005. Abaixo a localização da convencional de Belém, sem e com zoom (é possível ver facilmente o cercado circular com o abrigo na imagem mais aproximada).
  11. Wallace Rezende

    Prof. Molion - Métodos de Previsão por Similaridade

    Estudar a influência das chuvas na Amazônia, e vice-versa, é muito importante, mas considero uma estupidez sem tamanho transformar isso numa discussão do tipo “a Amazônia está lá porque chove” ou “chove porque a Amazônia está lá”. Combina com estes tempos de polarização burra e cega em que estamos vivendo, mas não é ciência. É evidente que as duas estão relacionadas, que se “tirar” a Amazônia vai chover menos, se chover menos a floresta vai sofrer alterações, e se chover muito pouco não haverá floresta. Neste tema, cientistas de verdade não caem nesta tentação de “ou isso ou aquilo”.
  12. Agora a infiltração marítima ficou mais forte e até chove nos bairros de Friburgo mais próximos da borda da serra, como Mury e Theodoro de Oliveira (este último o mais chuvoso da cidade, mais de 3000 mm por ano, sem estação automática). Na área do Pico da Caledônia (extremo esquerdo da imagem da webcam) choveu 15 mm na última hora. Tomara que seque o tempo à noite para ajudar nas mínimas, mas não vou criar expectativas. No Rio e em Niterói, segue o sol entre nuvens (ponte agora): Temperatura entre 24ºc e 26ºc nos aeros da capital (17:00).
  13. Renan, na estação do INMET no distrito de Conquista (área rural de Nova Friburgo), a menor temperatura registrada em março (desde a a abertura da estação em 2010) foi de 9ºc em 27/03/2019. Porém, a estação estava com problemas e não registrou dados durante quase toda a segunda quinzena de março de 2017, quando pode ter ocorrido uma mínima um pouco menor. Tudo indica que estes 9ºc estão bem acima do potencial de menor mínima para março no local. Em dezembro a mínima já chegou a 5,6ºc em 2019 e 6,1ºc em 2018, mas dezembro é nitidamente melhor que março para mínimas absolutas no RJ. Na estação da UERJ (área urbana de Nova Friburgo), a mínima hoje chegou a 11,6ºc, a menor para o mês desde os 10,6ºc de 30/03/2017. Em dezembro de 2019 fez 8,3ºc. Na cidade do Rio e também em Niterói chegou a chover na noite de ontem (até 7 mm no Santos Dumont/Rio e 9/10 mm em Jurujuba e Charitas/Niterói, mas foi algo muito isolado em termos de volume), após uma tarde de céu azul anil, por conta da intensificação da infiltração marítima. Mas o céu abriu um pouco durante a madrugada e a Vila Militar registrou mínima de 18,1ºc, a menor para março desde 2012 (17,8ºc). Nos bairros mais adensados, a mínima ficou na casa dos 21ºc. Hoje está sendo mais uma tarde muito agradável de sol entre nuvens, com brisa do mar e temperatura na casa dos 25/26ºc no Ingá/Niterói (valores típicos de maio/junho neste horário). Nas próximas noites, se o vento e nebulosidade deixarem, poderemos ter algumas marcas "recordes" dos últimos anos, superando os valores acima. Mas o ar tropical já volta antes do final do mês, então a janela para boas mínimas não será longa como em 2017. Hoje também foi registrada a primeira negativa do ano na automática do parque de Itatiaia, com -1,8ºc. A estação fica num local onde ocorre acúmulo de ar frio (efeito baixada), mas que não deixa de ser algo exposto, e onde a inversão térmica é facilmente perturbada pelos ventos da região, não é uma "baixada clássica". Nos pontos mais frios do planalto certamente a mínima caiu um pouco mais. A entrada de nebulosidade na tarde de hoje fez a temperatura na automática do PNI cair para 8,9ºc na leitura das 14:00, após máxima de 14,7ºc. No mesmo local, a UR foi de 25% (final da manhã) para 96% (14:00 local).
  14. É por aí mesmo, na maioria das capitais litorâneas do NE o recorde fica ali pelos 35ºc/36ºc, sendo que em João Pessoa e Natal desconheço qualquer valor confiável acima dos 34/35ºc. Na última normal, Natal teve a menor máxima absoluta dentre as capitais do Brasil (33,8ºc). Fortaleza teve o último registro acima dos 35ºc na normal 1931/1960 (35,2ºc em janeiro e dezembro, década de 30, não sei qual era o local da estação). Salvador e Maceió já superaram os 36ºc poucas vezes em alguns bairros (a convencional de Maceió ficam num bairro relativamente afastado do mar, enquanto Salvador também já registrou 36/37ºc em bairros internos). Em Aracaju já deve ter acontecido também, o INMET fica perto do mar e se aproxima dos 36ºc de vez em nunca, quando a brisa do mar atrasa (caso de hoje). Natal é a que mais se destaca pela dificuldade de registrar máximas acima dos 32ºc (no bairro do INMET, que não chega a ser costeiro mas também não é dos mais internos). Em 2020, a estação de Natal foi até o dia 21/03 sem alcançar os 32ºc uma única vez (apesar de alcançar os 31ºc quase diariamente quando não tem muitas nuvens nesta época, uma regularidade impressionante de máximas entre 31ºc e 31,9ºc). No Recife, a estação do aeroporto dos Guararapes (mais perto do mar que o INMET, localizado num bairro bastante interno, que inclusive registra mínimas baixas para os padrões da cidade) registrou sua primeira leitura horária de 33ºc em 2020 hoje, até então a maior era de 32ºc.
  15. Hoje, a intensificação do fluxo de oeste (e o consequente enfraquecimento da brisa do mar) fez com que 3 capitais litorâneas da Região Nordeste registrassem a maior temperatura do ano (com destaque para Natal e Aracaju, que superaram a marca anterior em de 1ºc, marca que havia sido registrada ontem). Outras duas capitais chegaram bem perto da máxima do ano. Em todos os casos utilizei os dados das estações automáticas, pois as temperaturas das estações convencionais são inconsistentes em algumas capitais do NE (como Natal, Aracaju e Maceió, onde auto e conv ficam no mesmo local, mas os valores das convencionais são duvidosos, não respondendo à dinâmica local, como o se os observadores estivessem chutando uma máxima qualquer, havendo apenas pequenas variações entre um dia e outro). João Pessoa é a unica capital nesta área onde automática e convencional ficam em pontos diferentes da cidade (a convencional ao lado do centro universitário UNIESP e perto do Manaíra Shopping, e automática mais ao sul, perto do Cabo Branco/Mangabeira), mas a automática local não registrou uma das maiores máximas do ano hoje por conta de uma faixa de nuvens altas, que pode ter segurado um pouco a máxima no Recife também. Capitais com máxima do ano hoje: Fortaleza: 33,7ºc (maior até então 33,3ºc em 06/03) Natal: 33,4ºc (maior até então 32ºc em 21/03) Aracaju: 35,2ºc (maior até então 33,8ºc em 21/03) Capitais que chegaram perto: Recife: 34,3ºc (maiores 34,4ºc em 28/02 e 34,6ºc em 05/03). Maceió: 34,6ºc (segundo lugar, empatado com 03/02 e 06/03, recorde 34,9ºc em 05/03). Em João Pessoa, maior máxima na auto de 34,5ºc em 28/01. Em Salvador, maior máxima de 34,2ºc em 20/03 (auto Ondina). Aqui no Rio/Niterói foi um dia com muitas nuvens, aberturas de sol e ares outonais, com máximas entre 26ºc e 28ºc na maior parte da cidade, e picos de 29ºc, mas com a umidade mais baixa não pareceu desconfortável cem nenhum momento. As mínimas ficaram entre 21ºc e 22ºc ao nível do mar, com céu encoberto durante a madrugada (nas próximas noites, com mais aberturas, teremos alguns valores abaixo dos 20ºc em vários bairros, fora os mais adensados).
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