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Brasil Abaixo de Zero

Wallace Rezende

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  • Birthday 11/13/1990

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    Niterói - Rio de Janeiro, RJ

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  1. Belo Horizonte vai chegando ao final de seu evento mais histórico de chuva em 48 horas, e um dos mais históricos em 24 horas. Para chuva diária (convencional INMET e com horário de observação fixo), ficou mais ao menos no mesmo patamar de 02/1978 e 02/1947 por exemplo (mais de 160 mm), mas no total do evento 2020 fica bem na frente, e sem dúvida alguma todos os critérios para um evento histórico em acumulado total foram alcançados com folga em BH nesta sexta-feira. Que toda a prevenção tenha ajudado a salvar vidas, e acredito que isso aconteceu em alguma medida. Já na Região Metropolitana Rio de Janeiro a sexta-feira foi mais um dia tranquilo, com chuva fraca de madrugada e predomínio de céu nublado o dia todo, mas com pancadinhas bem fracas em pontos isolados ao longo do dia, e até algumas aparições do sol entre muitas nuvens. A temperatura subiu pouco, com máximas entre 26/27ºc em grande parte da cidade. No estado do RJ, os volumes mais elevados se concentraram na Região Noroeste, onde várias cidades enfrentam alagamentos e transtornos, e alguns rios vão continuar subindo neste sábado apesar da chuva estar indo embora da região. Cardoso Moreira registrou 225 mm nas últimas 96 horas, a maior parte em 48 horas. Na primeira foto que tirei nesta sexta-feira, aparece o edifício envidraçado que foi construído no local onde funcionaram a sede e a estação do INMET da Praça Mauá (centro do Rio) entre 2002 e 2013. Como eu escrevi recentemente num post aqui, no mesmo local havia um prédio baixo que abrigava o INMET, e este prédio foi demolido para dar lugar ao edifício moderno no projeto de remodelação da área portuária do Rio. A segunda foto é do veleiro russo Kruzenshtern (doado pela Alemanha ao final da segunda guerra como reparação à Rússia), que agora está aportado no Rio de Janeiro (abriu para visitação hoje, atraindo turistas) numa comemoração pelos 200 anos da primeira expedição russa à Antártida (a expedição passou por aqui). A nova roda-gigante do Rio (considerada a maior da América Latina) aparece em seguida. Esta parte da região central do Rio tem pouca sombra, então o dia de verão ameno e com pouco sol foi ideal para para um passeio. Com um clique duplo é possível ampliar as fotos para ver detalhes.
  2. Este evento que você mencionou de Blumenau ocorreu em novembro de 2008, mês muito mais chuvoso que julho de 1983 na cidade. É verdade que a enchente foi pior em 1983, pois a chuva foi muito mais generalizada na bacia do rio que corta a cidade neste ano (inclusive no alto vale), enquanto em 2008 só choveu forte no baixo e médio Vale do Itajaí (nuvens baixas, não conseguiram transpor a barreira orográfica despejando toda a chuva no leste), com pouca chuva no alto vale. Em setembro de 2011, o rio subiu mais que em 2008 na cidade, apesar de ter chovido muito menos, pois no alto vale choveu mais também. 2008 foi o único caso com chuva extrema (24 e 48 horas) em Blumenau mesmo, gerando saturação do solo e deslizamentos graves entre esta cidade e Ilhota, algo que não aconteceu nos anos das maiores enchentes. Se não me engano, a última enchente de monta no rio Itajaí-Açu foi em 09/2011, o pessoal do lá deve saber melhor. Abaixo, dados de chuva em Blumenau PCD (ANA/Epagri, alt 12 metros), em julho de 1983, agosto de 1984 e novembro de 2008. Julho de 1983 teve muitos dias de chuva e solo encharcado, mas nenhum acumulado muito grande em 24 horas. Em 1984 a chuva foi mais concentrada em 2 dias no início do mês, mas choveu numa área muito grande de uma vez só e a enchente foi muito grave também. Julho de 1983: 542,2 mm (máxima diária 67 mm no dia 17) Agosto de 1984: 274,4 mm (máxima diária 105 mm no dia 6), enchente comparável a de 1983. Novembro de 2008: 1001,2 mm (máxima diária 251 mm no dia 24). No dia anterior (23/11) choveu 243 mm, foi de longe o maior evento de chuva da história de Blumenau, a “sorte” da cidade é que choveu pouco no curso superior do rio, este volume extremo em 48 horas foi numa área relativamente pequena. Blumenau/Garcia (ANA/Epagri): Julho de 1983: 541 mm (máx 63,6 mm no dia 7) Agosto de 1984: 326 mm (máx 94,4 mm dia 6) Novembro de 2008 (sem dados) Sobre os extremos de Aracaju, desconfio muito dos dados de 1964 neste local. Em julho, por exemplo, consta um acumulado diário de 376,5 mm no dia 24 que seria recorde disparado, mais de duas vezes o segundo maior total fora deste ano (na tabela postada pelo Cloud CB de acumulados mensais este total foi suprimido pelo algoritmo do INMET automaticamente, ou o total divulgado seria muito maior, levando o total anual para níveis ainda mais absurdos e que jamais foram aproximados novamente). Em 1965 teriam sido 4 dias, todos em meses normalmente de pouca chuva (01, 03 e 10), o que é estranho também. Há erros para este período em outras estações nesta parte do NE, sendo o caso mais escandaloso Cipó na BA (este é erro com certeza absoluta, a cidade fica numa região seca a sotavento de uma serra, onde não há potencial para grandes volumes na temporada chuvosa do litoral, mas o INMET indica 1352 mm em maio de 1964, mais que o total ANUAL de todos os últimos 40 anos). Em Cipó, os dados de chuva são excessivos até 1969 (mas o pior é 1964, deve ter sido um ano chuvoso mesmo mas os totais estão muito superestimados), depois há uma pausa de vários anos e volta com dados bons em 1977. Aracaju teria registrado mais dias com mais de 100 mm somente em 1964 (9 contando 24 e 25/07/1964, omitidos no BDMEP, no dia 25 o anotador registrou mais de 200 mm totalizando uns 600 mm em 2 dias, e não há uma "puta" notícia sobre grandes enchentes na cidade em 1964). O total de 9 dias acima de 100 mm em 1964 sozinho supera todo o período que vai do ano 2000 até hoje (8 dias), isto não faz sentido algum. Para mim, estavam usando provetas inadequadas ou algo do tipo.
  3. Enquanto várias cidades do Sudeste registraram chuvas mais significativas hoje, sob influência de um canal de umidade organizado por uma área de baixa pressão no oceano, o Rio de Janeiro teve um dia totalmente modorrento, com céu nublado pela manhã e chuva fraca/muito fraca ao longo de quase toda a tarde. O índice pluviométrico acumulado hoje na cidade foi em média de 5,5 mm, e o acumulado mensal chegou aos 84,3 mm (bem abaixo da média de 171,3 mm), com chance praticamente zero de alcançar a média até o dia 31. A temperatura ficou amena, com extremos entre 22/23ºc e 25/26ºc na maioria dos bairros. Ainda pode chover fraco em alguns pontos entre a noite de hoje e amanhã de manhã (podendo ser localmente moderada), mas o sol retorna no final de semana, e o calor também vem com tudo na semana que vem, com tardes e noites bem abafadas para encerrar o mês (a chance de pancadas isoladas também retorna na próxima terça-feira, pelas previsões atuais). A noite segue nublada com pingos esparsos em Niterói, e faz 23/24ºc. Uma foto do início da tarde de hoje no Centro do Rio:
  4. O sol voltou a sair com um pouco mais de força hoje na RM do Rio de Janeiro, principalmente entre a manhã e o começo da tarde. Do meio da tarde em diante, as nuvens altas (cirrus) cobriram praticamente todo o céu, mas não chegaram a bloquear a visão do sol até quase o final da tarde. Apesar do sol forte, os ventos mais frescos do mar deixaram a temperatura máxima abaixo da média de janeiro pelo sexto dia consecutivo, com valores ao nível do mar entre 27ºc (litoral) e 30/31ºc (bairros mais quentes) na capital. A madrugada também foi agradável para janeiro, com muitos bairros entre 20ºc e 22ºc de mínima (no Alto da Boa Vista fez 17,8ºc, a menor do mês). A noite segue com muitas nuvens altas e algumas baixas, e faz 25ºc em Niterói/Ingá. O tempo muda completamente amanhã, com previsão de céu encoberto o dia todo e chuva fraca a ocasionalmente moderada, e com isso a temperatura máxima entra em declínio. Na sexta-feira, ainda deve chover fraco principalmente pela manhã, mas no final de semana o sol volta a aparecer, e semana que vem o verão pleno retorna gradualmente, com previsão de bastante calor nos últimos dias do mês. Depois do fevereiro fresco de 2018 (o mais ameno da década) e dentro da normalidade em 2019, estou receoso de um fevereiro quente este ano. A chance de ser mais quente que janeiro me parece muito grande, invertendo o que ocorreu em 2019, quando fevereiro foi 2ºc menos quente que janeiro (a causa primária foram as chuvas). Os extremos registrados hoje pela RM do RJ: Lagoa PWS (ZS): 22,9ºc/27,4ºc São Conrado PWS (Praia do Pepino, ZS): 22,7ºc/26,6ºc Rampa Pedra Bonita PWS (520 m): 19,9ºc/24ºc Helicentro Guaratiba PWS (ZO): 20,1ºc/30,3ºc Santa Cruz PWS (aeródromo Armando Nogueira, ZO): 21ºc/29,2ºc Nova Iguaçu centro PWS (Baixada Fluminense): 21,9ºc/31,8ºc Santos Dumont aero (Centro): 22,8ºc/27ºc Galeão aero (ZN): 21,1ºc/28,1ºc Santa Cruz aero (ZO): 19,7ºc/29,5ºc Duque de Caxias/Xerém INMET (Baixada Fluminense): 17,7ºc/30,5ºc Niterói INMET: 21,5ºc/30,4ºc Marambaia INMET: 20,2ºc/27,5ºc Jacarepaguá INMET: 19,3ºc/28,7ºc Vila Militar INMET: 20ºc/30,2ºc A foto abaixo foi tirada no início da tarde de hoje na Praça Paris (bairro da Glória, ao lado do Centro), bem perto do aeroporto Santos Dumont, onde a máxima foi de relativamente civilizados 27ºc. Amanhã o céu vai estar bem diferente.
  5. Com toda a ruindade para os padrões dos EUA, ainda troco o inverno do Rio/Niterói pelo de Miami sem pestanejar. Na temperatura média os invernos são parecidos aqui e lá, e Miami até registra mais mínimas acima de 20ºc que a maior parte da cidade do Rio num inverno médio, mas os eventos de frio são muito mais fortes por lá. Em 2010 fez 1/2ºc com advecção numa manhã de janeiro, e nos anos 80 negativou pela última vez (12/1989). No mesmo ano de 2010 (acho que em dezembro, e também teve o frio forte de janeiro), houve uma tarde com chuva e 7ºc em Miami (a mínima foi de madrugada), algo que é totalmente impensável no Rio, e até nas cidades serranas é excepcionalmente raro. Já o verão de Miami é mais abafado que o do Rio/Niterói, ainda que as máximas absolutas sejam menores em Miami (das principais cidades dos EUA continentais, Miami tem a menor máxima absoluta, apenas 37,8ºc), e aqui os dias "frescos" de verão são mais frescos que os de lá. Hoje, num evento de frio comum, que ocorre num inverno normal ao menos uma vez, fez 5ºc em Miami com advecção (um pouco abaixo do previsto pelo NWS), já Orlando ficou mesmo nos 2ºc positivos previstos, o que em termos relativos é mais fraco que a mínima de Miami. Negativar em Orlando é bem mais comum, a última vez foi em 18/01/2018. Pelo menos quem mora em Miami, em pouquíssimos dias por ano (fora exceções como 2010), consegue sair de casa e sentir frio de verdade pela manhã, algo que aqui não acontece (para mim) nem nas maiores ondas de frio, quando é um imenso sacrifício “esfriar” até 14/15ºc nas áreas mais adensadas/costeiras; além disso, aqui as eventuais mínimas de 10ºc ou um pouco menos ocorrem apenas em subúrbios mais continentais e pouco adensados, sempre sob resfriamento radiativo em madrugadas de céu claro e sem vento, com sensação pouco significativa.
  6. Sim, é fundamental um monitoramento como esse em SP também, só lamento que o CGE não dê mais publicidade aos dados históricos. Se não fazem tabelas de médias de toda a cidade para cada mês/ano, podiam ao menos divulgar tabelas mensais de estações individuais como faz o Alerta Rio. Encontrei no canal "sala de imprensa" do CGE o resumo de janeiro de 2019 (mediante pesquisa por data, tem que ir jogando as datas e ver o que aparece), mencionando os janeiros mais chuvosos e secos desde 1995 (média de todas as estações, como eu faço com o Alerta Rio). Em outra pesquisa na sala de imprensa do CGE, vi que que fevereiro de 2019 (375 mm) foi o segundo mais chuvoso desde 1995, perdendo apenas para 1995 mesmo (415,9 mm). Março de 2006 foi o mais chuvoso com 338,6 mm de média na capital paulista, muito abaixo do Mirante que concentrou as maiores chuvas no referido mês. Na média da capital paulista, março de 2006 ficou bem atrás de janeiro de 2010 e 2011, e também de fevereiro de 1995 e 2019, coisa que quem só se baseia no Mirante fica sem saber. Mas talvez, assim como acontece no Rio de Janeiro (onde fevereiro de 1988 muito provavelmente foi o mês mais chuvoso do século XX, quando não havia Alerta Rio e deve ter chovido em média uns 550 mm, com índices pontuais perto dos 1000 mm no Alto), São Paulo tenha registrado o mês mais chuvoso (média da cidade) bem antes do CGE sonhar em existir, em 02/1929 (pode ter chegado aos 500 mm também, o que ficaria acima de janeiro de 2010, mas é só especulação, na verdade não tem como saber). No caso de 02/1988, havia vários pluviômetros manuais do INEA na capital fluminense, que me ajudaram a estimar um total em torno dos 550 mm (com uns 50 mm de margem), muito acima do recorde da era Alerta Rio (372 mm em 12/2009). Chuvas em Janeiro de 2019 (CGE/SP) Mudando de assunto, gente previsão de chuva por ponto de grade (ou para "cidade tal") de modelo ou site é para errar mesmo, um dia vão prever 50 mm e vai chover 1 mm, no outro vão prever 10 mm e vai chover 100 mm, isto é o esperado, os modelos estão muito longe da sofisticação necessária para alcançarem este grau de precisão (e a qualidade dos dados que alimentam os modelos também), fico bobo como tem gente que leva estas previsões a sério.
  7. Quem dera, grande parte da América do Norte está tendo um inverno bem fraquinho até agora. Janeiro está sendo quente na maior parte dos EUA (na costa leste muito acima da média, mas no interior está acima também), e depois do frio comum de inverno dos últimos dias as temperaturas acima da média vão voltar com tudo nos próximos dias. O Canadá teve uma onda de frio mais forte no oeste (mas do tipo que ocorre quase todo ano), e este evento só pegou com mais força uma parte do noroeste dos EUA, mas já esquentou bem nestas áreas também. O leste do Canadá (área mais povoada) segue com toda a velocidade para fechar janeiro acima da média, apesar do resfriamento recente e das nevascas locais no litoral. Em fevereiro deve melhorar um pouco, mas é cedo para especular sobre os detalhes. O próprio friozinho que está fazendo na Flórida (tiro muito curto) não chama a atenção para os padrões locais de mínima absoluta anual, Miami já registrou 1ºc em 2010 e -3ºc em 1917 (amanhã deve registrar a mínima do inverno, de nada impressionantes 7ºc). Orlando hoje teve máxima de 13ºc, mas o recorde de menor máxima para todos os meses em Orlando é de 2ºc! em 21/01/1985 (após mínima de -7ºc, a menor desde 12/1894), numa uma onda de frio histórica que completou 35 anos. A mínima prevista para amanhã em Orlando (2ºc, a mais baixa deste inverno meia-boca), é igual à menor máxima da história. A onda de frio de janeiro de 1985 foi a mais forte do século XX no Sudeste dos EUA, mas também quebrou o recorde de Chicago (bem longe dali), e estabeleceu novos recordes estaduais de frio na Virgínia e nas Carolinas. Não durou muito, mas foi ampla e muito intensa, a atual é quase uma onda de calor perto daquela. Como curiosidade, o oeste da Europa e boa parte do centro-sul do Brasil também registraram eventos de frio históricos para o século XX em janeiro e junho de 1985. A Ásia também tem áreas mais amplas acima que abaixo da média neste inverno, apesar do frio notável em alguns lugares no subcontinente indiano entre a segunda quinzena de dezembro e o início de janeiro (mencionado por um colega no outro tópico), que já arrefeceu. A Europa está quase toda muito quente (para os padrões do inverno local). Enfim, no HN como um todo há muito mais áreas com inverno “quente” que frio este ano. Claro que isto vem se repetindo em muitos dos últimos invernos em maior ou menor grau, mas sinto que 2019/2020 até agora está ainda pior que a média dos invernos recentes.
  8. Bom, a situação das estações do INMET aqui realmente é um caso à parte, muita gente fica confusa com toda a razão (99,99% dos cariocas não sabem também, mas como eu me interesso pelo assunto procurei me informar). No fundo, eu lamento que não tenhamos mais a estação convencional principal, é sempre importante ter uma e ela representava muito bem o eixo histórico Centro/Glória/Catete/Flamengo/Botafogo, mas por outro lado seria péssimo se ela fosse usada como única “vitrine” do clima da cidade, pois a variação pluviométrica dentro da área urbana do Rio de Janeiro é imensa. Em 1998, por exemplo, teve bairro com 1000 mm (Penha), outro com 3800 mm (Alto da Boa Vista), e vários outros perto ou acima dos 2000 mm. A temperatura média também varia bastante, sob efeito do mesmo relevo complexo, mas a variação das médias de chuva é o que chama mais a atenção. Eu também aprecio muito as suas colaborações, e as de diversos outros colegas, com dados interessantes e belas fotos. Voltando ao monitoramento, hoje entraremos no terço final de janeiro, e agora já dá para ver uma “luz no fim do túnel”, ou fazer as primeiras projeções com algum embasamento sobre como será o fechamento do mês no Rio de Janeiro. Claro que “o jogo só acaba quando termina”, e sempre pode ocorrer alguma surpresa, mas já temos um bom esboço de como serão os próximos dias (até sábado), restando uma incerteza um pouco maior sobre a última semana. Quanto à temperatura, é muito grande a chance de fecharmos dentro ou um pouco abaixo da média, no que deverá ser o janeiro mais ameno desde 2016 ou 2013 na RM do Rio de Janeiro (sem chance de ser mais fresco que 01/2013, também o mais chuvoso do século XXI na cidade). As previsões são unânimes em indicar temperaturas predominantemente abaixo da média para esta semana, o que vai deixar o mês com ligeira anomalia negativa acumulada no início da semana final. Será justamente o “grau” de aquecimento da última semana que vai determinar se fecharemos um pouco abaixo ou dentro da média (as projeções indicam aquecimento para a semana final, variando a intensidade). No caso das chuvas, estamos bem abaixo da média (78,8 mm o acumulado médio da cidade em 01/2020 até agora, contra 171,3 mm de média 1997/2019), e as previsões para esta semana concordam que os volumes serão baixos e concentrados na quinta e sexta feira, nos levando no máximo para perto dos 100 mm até o próximo sábado. Novamente, a última semana será determinante, mas a tendência atual para o período é de chuvas isoladas em forma de pancadas, com bastante irregularidade. Caso este cenário se confirme, fecharemos janeiro pelo menos um pouco abaixo da média (o último mês com chuva acima da média na cidade do Rio foi setembro de 2019, pois houve anomalia negativa em outubro e dezembro, e novembro fechou dentro da média).
  9. Bom, realmente é uma “farra” (ou talvez uma saga), mas o que aconteceu (bem resumidamente) é que o Rio de janeiro manteve várias estações climatológicas auxiliares da época que era capital (uma parte fechou nos 80 e 90), e bem depois disso acabaram fechando a estação convencional principal (na Marina da Glória, sul da região central da cidade) em 1991, supostamente por falta de segurança, deixando o Rio apenas com as estações convencionais auxiliares restantes de Bangu, Alto da Boa Vista e Santa Cruz (posteriormente Realengo, que voltou a funcionar em 1999). Em 2003, a estação de Bangu foi destruída e o INMET resolveu encerrar as observações no local, e em 2019 o INMET fechou Santa Cruz também. Hoje restam Realengo e Alto da Boa Vista. Em 2002, o INMET resolveu "ressuscitar" a convencional principal num lugar péssimo, o topo de um prédio baixo nos arredores da Praça Mauá (endereço da própria sede local do INMET), onde as temperaturas máximas ficavam muito acima da realidade na maior parte dos dias. Em 2013, com o projeto Porto Maravilha, o prédio onde ficava o INMET (e a estação) foi demolido (hoje o espaço é um ocupado por um espigão espelhado moderno e...vazio), a estação convencional do INMET foi desativada de vez, e o sexto Disme se mudou para um prédio no bairro da Usina (ZN), no “sopé” do Alto da Boa Vista. Em 2007, com os Jogos Pan-Americanos, o INMET conseguiu um número maior de estações automáticas para o Rio de Janeiro, também como forma de compensar o fechamento de estações manuais históricas (3 das automáticas permanecem até hoje, e Jacarepaguá fechou alguns anos depois, mas reabriu em outro ponto do bairro em 2017). A ideia do Darley de usar a chuva da estação da Saúde (Alerta Rio) até faz sentido, pois fica ao lado do local onde a convencional principal funcionou pela última vez, e também fica mais perto da antiga estação da Marina da Glória que os demais pluviômetros da rede, tornando a comparação com as últimas normais de precipitação do local (1961/1990) possível. A média de janeiro foi de 155,2 mm entre 1961 e 1990 (Praca XV até 1972+Marina da Glória a partir de 1973, locais muito próximos e sem variação pluviométrica significativa). Mas, para representar melhor o quanto chove na cidade como um todo, eu hoje adoto o método mais eficaz: tirar a média da chuva registrada em todos os 33 pluviômetros do Alerta Rio, sempre prestando atenção para quando algum deles entope (neste caso, faço a devida correção utilizando os pluviômetros mais próximos). E, como o monitoramento pluviométrico toda a cidade foi iniciado pelo Alerta Rio em 1997, já temos uma boa seminormal (ou “quase normal”) para comparação. Neste mês, por acaso, o acumulado médio da cidade (78,8 mm) está quase igual ao da Saúde (80 mm), mas nem sempre isto acontece. No ano de 2019, por exemplo, a chuva acumulada média na cidade (1542,4 mm) foi muito maior que o total registrado na Saúde (1152,4 mm), ou seja a Saúde representou muito mal o quanto choveu na cidade em 2019.
  10. Na verdade o recorde mensal de BH foi registrado em janeiro de 1985, com 850 mm. Este dado não está no BDMEP pois houve uma falha na digitalização em Brasília que omitiu parte dos dados entre 1984 e 1986 em várias cidades do Brasil. Mas se você perguntar ao Disme local aí de BH (5º) eles têm o dado, e já saiu uma vez no boletim agrometeorológico mensal (12/2011). Outros recordes que não constam no BDMEP incluem o de maior chuva diária no Rio de Janeiro, Maceió, Salvador, Vitória, Florianópolis e outras cidades. Estou sempre batendo nesta tecla mas nunca é demais, o BDMEP está cheio de falhas e omissões, não se deixem levar só pelo que foi publicado lá. Vale tentar um e-mail ou algum outro contato com os Dismes locais. Tudo vai depender da boa vontade de quem receber a mensagem, mas eles podem ter dados muito mais completos que Brasília, onde foi feita a "lambança" da digitalização à toque de caixa. Consegui alguns registros da região do RJ e ES anteriores a 1961 num contato por e-mail com o sexto Disme há alguns anos. Eles também me confirmaram os 237 mm no Rio de Janeiro (centro) em 11/01/1966 e os 212 mm em Vitória no dia 19/03/1975, recordes absolutos das respectivas estações que foram omitidos do BDMEP.
  11. Para mim, é evidente que em Belo Horizonte, assim como em São Paulo, muitas chuvas de verão são intensificadas (quando não formadas) pela ilha de calor. No Rio, pela posição costeira e pelo relevo, isto acontece bem menos, mas não deixa de ocorrer principalmente no extremo norte norte da cidade (bairros mais continentais), ainda que com uma frequência não tão grande (em 01/2018 uma chuva extremamente localizada de 90 mm/h causou o caos em Bangu, num dia em que não choveu na maior parte da cidade). Agora, inúmeras variáveis, como a direção da circulação atmosférica, influenciam muito este processo das chuvas por ilha de calor, em cada cidade de um modo diferente, e nesta área ainda faltam estudos mais aprofundados. Exemplo: em dezembro último, Belo Horizonte recebeu menos chuva que áreas vizinhas apesar de ilha de calor, e agora está recebendo muito mais chuva, tanto que várias cidades nos arredores de BH receberam chuva bem abaixo da média em janeiro de 2020 até agora, e por isso as chuvas previstas para os próximos dias serão necessárias na maior parte do estado. Em Curvelo, ao norte de BH, choveu 350 mm em dezembro, enquanto a BH penava para passar dos 100 mm. Pois agora, com mais de 400 mm em vários bairros de BH, Curvelo acumulava apenas 60 mm até ontem. Até Sete Lagoas, bem perto de BH, só conseguiu chegar aos 100 mm no mês hoje, após vários eventos chuva fraca/moderada. Em dezembro, a mesma Sete Lagoas recebeu 301,2 mm... O que o colega falou é a mais pura verdade, nossas cidades não estão minimamente preparadas para lidar com o que é absolutamente normal na estação das chuvas, alagamentos e grandes transtornos não precisam de eventos mais raros (como o do ES anteontem) para acontecerem, acontecem até com chuvas que ocorrem 5/10 vezes por ano em média. São décadas ou séculos de descaso, demagogia e populismo da pior espécie. No final das contas, nada é feito para efetivamente reduzir os riscos da ocupação desenfreada e do adensamento urbano predatório em cidades como Rio, BH, São Paulo e centenas de outras. O Rio de Janeiro é uma cidade que está à espera de uma tragédia, a Georio hoje só faz obras emergenciais, a verba para prevenção foi zerada por conta da “crise financeira”. Na Muzema (onde morreram quase 20 em 04/2019 após o desabamento de prédios construídos por milicianos ao lado de uma encosta em terreno fofo), já voltaram a construir prédios irregulares, e nas raras ocasiões em que alguém consegue uma liminar para derrubar as construções irregulares algum juiz “bonzinho” vai lá e caça a decisão, pois os “pobres coitados” não podem ficar desalojados e blá, blá, blá... Com isso, esse câncer da ocupação desenfreada só cresce, depois é só culpar “chuvas excepcionais”, até porque qualquer chuva hoje "vira" excepcional para estes demagogos e cínicos que só querem evitar assumir alguma responsabilidade enquanto posam de “defensores do povo” (Remoção?? Fascismo!!!), e o discursinho do aquecimento global estar provocando chuvas mais extremas ou “nunca registradas antes” (tradução para o mundo real: só umas 200 vezes nos últimos 100 anos) cai como uma luva para esta gente. A moral da história: não olhem apenas para próprio quintal, a irregularidade das chuvas continua com tudo no Sudeste e precisamos sim de mais chuvas em grande parte da região, pois no atacado vem chovendo abaixo da média há vários anos já. Com certeza haverá transtornos, e talvez mortes, se vier a chuva necessária, mas este é o preço a se pagar pelos próprios erros crassos de ocupação do solo que foram cometidos. Estava vendo um vídeo de Iconha ontem (postado aqui, do pós-chuva), e a maneira como construíram na beira dos rios por lá foi uma tremenda estupidez, um paredão de prédios e casas criando um canal de contenção artificial que potencializa as enchentes, mesma coisa que foi feita em Córrego Dantas (Nova Friburgo, onde muitos morreram em 2011) e em centenas de cidades pelo país afora, e quando chove para valer querem o que? Para que as chuvas não causassem mais nenhum transtorno no Brasil, no estado atual das coisas, precisaríamos de uma seca total, e todos morreriam de fome e sede. Este seria o preço a se pagar para que todos que moram em locais inapropriados para a ocupação humana não precisassem mais se preocupar com as chuvas. Aí eu pergunto: vale a pena? (sim, esta é uma pergunta retórica).
  12. Uma pena que só tenha restado esta estação na área urbana de Friburgo (fora uma PWS pouco confiável num topo), pois ela sofre com dados incompletos em vários meses Com a falta de dados, as médias não são exatas em todos os meses. Os períodos sem dados ou com muitos dados faltando incluem a maior parte da segunda quinzena de janeiro, alguns dias em maio, junho, agosto e setembro e ainda parte de dezembro (entre 22 e 26/12). Com isso, o cálculo das médias ficou prejudicado, principalmente em janeiro, que apresentou problemas em metade do mês. Eu tenho as médias compensadas de alguns meses (2019) para esta mesma estação (NF/UERJ, na Vila Amélia), que se aproximam mais das médias verdadeiras que as médias simples (para alguns meses com perda de dados menor, como maio e setembro, utilizei dados da antiga PWS da área urbana para preencher os buracos): Fevereiro: 22,4ºc Março: 21,6ºc Abril: 20,7ºc Maio: 18,8ºc Julho: 14,6ºc Setembro: 19,1ºc Outubro: 20,3ºc Novembro: 20,4ºc Para os demais meses, devido ao excesso de dados faltantes, preferi não calcular. A falta de dados também impossibilitou a totalização da chuva em vários meses, como janeiro e dezembro, e claro o total anual.
  13. O maior volume de chuva registrado na tragédia de 2011, na única estação operante numa das áreas mais castigadas, foi de 308,4 mm em 10 horas (entre 20:00 no dia 11/01 e 6:00 do dia 12/01) na estação da UERJ em Nova Friburgo (então no bairro de Vila Nova/Duas Pedras, depois desta chuva o campus foi interditado e só reabriram um bom tempo depois em outro ponto da cidade). Além do volume por si só ter sido excepcional, o solo já estava muito molhado pois havia chovido acima da média em novembro e dezembro na região. Depois deste evento, a cobertura de pluviômetros aumentou bastante na área mais atingida (entre o interior de Petrópolis e Nova Friburgo), mas muitos já deixaram de operar novamente. As duas estações do INMET em Teresópolis não registraram volumes muito altos, mas ficam em bairros onde não aconteceu nada (houve quase uma linha separando áreas muito castigadas de áreas intocadas, e o Centro de Teresópolis ficou muito perto de uma região devastada, mas fora). Já o INMET de NF fica na área rural, fora do núcleo mais castigado, mas ainda chegou a registrar 170 mm/24 h e 67 mm/hora. Em Petrópolis só choveu fraco na área urbana, e no município a tragédia de 2011 se concentrou num pequeno trecho de Itaipava (leste do distrito) e no Vale do Cuiabá, onde a carga de chuva caiu com força total. Não duvido que em alguns pontos mais castigados tenha chovido 400 mm ou mais em 10/12 horas, é bem possível, mas jamais saberemos. Em março de 2013, uma estação do INEA (já desativada) registrou quase 450 mm em 24 horas no bairro Quitandinha em Petrópolis (dias 17/18), e em vários outros bairros da cidade, incluindo o Centro, choveu entre 300 e 400 mm, mas no mês anterior a chuva havia ficado abaixo da média e o solo não estava encharcado, o que evitou uma tragédia maior. Mesmo assim, morreram 33 pessoas em Petrópolis neste evento de 2013.
  14. Infelizmente, esta situação de abandono das estações do Cemaden no RJ piorou bastante desde o início do ano passado, mas já os problemas já começaram a se agravar entre 2017 e 2018. O estado vive uma situação muito ruim, política e financeiramente, então não vejo uma melhora no horizonte. Em algumas cidades o engajamento de parceiros locais (nível municipal) ainda mantém algumas estações em operação, mas o estado está se lixando. Por sorte a capital tem o sistema Alerta Rio, que apesar dos péssimos registros de temperatura presta um importante serviço ao monitorar a chuva em 33 pontos da cidade. Este sistema também não é perfeito (a estação do Grande Méier está entupida desde a última chuva, e Anchieta apresentou problemas hoje), mas a manutenção costuma ser feita com alguma regularidade, e por isso a perda de dados não é tão grande. Como eu calculo as médias para toda a cidade mensalmente, sempre que um entupimento é detectado eu utilizo os dados das estações mais próximas para "preencher o vazio", evitando que estações entupidas puxem a média para baixo. Falando na frente fria, ela passou hoje sem maiores surpresas pelo estado, com volumes maiores concentrados nas encostas da Serra do Mar, exatamente como se esperava. Em Duque de Caxias/Xerém (no sopé da serra) o INMET registrou 144,2 mm desde a madrugada de hoje. Pluviômetros automáticos do INEA registraram ainda 103,2 mm em Santa Cruz da Serra, 133,8 mm em Piabetá e 113 mm em Raiz da Serra (na mesma área entre a encosta da serra e o fundo da baía). No interior da Região Serrana (ao norte da borda da Serra) choveu muito pouco, mas no Noroeste do estado a atuação de núcleos convectivos provocou chuvas mais volumosas em algumas áreas. Na área da capital e de Niterói a chuva foi no máximo fraca/moderada na maioria dos bairros, com longos períodos de chuvisco e garoa a partir do final da manhã. A temperatura caiu para 23ºC no início da tarde, após máxima de 28ºc no começo da madrugada. A chuva acumulada na cidade do Rio de Janeiro hoje (média) foi de 20,6 mm, um volume banal para janeiro, e o mês está com relativamente modestos 75,2 mm. Nos próximos dias vai chover muito pouco, mas o tempo não vai firmar também. Teremos um período bastante monótono, mas ameno para a época do ano, e com abafamento bem leve para os padrões de janeiro. Totalmente diferente de 2019.
  15. Sob efeito do pré-frontal, o “calor raiz” retornou e a quinta-feira registrou a maior máxima do verão na cidade do Rio, com 38,2ºc na Vila Militar. Não oficialmente, chegou a 39,2ºc no centro de Nova Iguaçu, na região metropolitana (PWS Davis). Os ventos de N/NO em altitude, influenciados pela frente sobre a Região Sul, formaram algumas nuvens interessantes no final da tarde, como a que registrei na foto abaixo logo após o pôr do sol no Centro do Rio. A partir de amanhã de manhã a chance de chuva aumenta bastante (pode ser mais expressiva em alguns pontos), e a tarde será bem mais fresca que a de hoje. No final de semana e no início da semana que vem o céu permanece com muitas nuvens e as chuvas serão mais fracas e isoladas; a temperatura não vai subir muito. A região da borda da Serra do Mar poderá registrar os maiores volumes nos próximos dois dias, como mostram algumas rodadas indicadas pelos colegas, situação que tipicamente ocorre sob influência de frentes frias no mar (num caso extremo, em março de 2013, o bairro do Quitandinha em Petrópolis registrou 450 mm em 24 horas, situação que felizmente não deve se repetir nem de longe agora). Os extremos registrados hoje pela RM do RJ: Morro da Urca PWS (ZS): 24ºc/34,3ºc São Conrado PWS (Praia do Pepino, ZS): 24,8ºc/31,5ºc Rampa Pedra Bonita PWS (520 m): 23,7ºc/32,4ºc Helicentro Guaratiba PWS (ZO): 23ºc/38ºc Santa Cruz PWS (aeródromo Armando Nogueira, ZO): 25ºc/37,2ºc Nova Iguaçu centro PWS (Baixada Fluminense): 25,4ºc/39,2ºc Nova Iguaçu Adrianópolis PWS (Baixada Fluminense): 22,3ºc/38,8ºc Santos Dumont aero (Centro): 25,1ºc/32,8ºc Galeão aero (ZN): 24,2ºc/37,1ºc Santa Cruz aero (ZO): 24,1ºc/36ºc Duque de Caxias/Xerém INMET (Baixada Fluminense): 22,2ºc/37,9ºc Niterói INMET: 24,6ºc/37,9ºc Marambaia INMET: 23,8ºc/37,6ºc Jacarepaguá INMET: 22,5ºc/36,7ºc Vila Militar INMET: 23,3ºc/38,2ºc
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