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Brasil Abaixo de Zero

Wallace Rezende

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  • Birthday 11/13/1990

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    Niterói - Rio de Janeiro, RJ

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  1. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2021

    Niterói Ingá (Praia João Caetano/Cemaden) registrou 137 mm no trimestre JFM em 2021, menos que o total mais baixo do PI no período (São João do Piauí/ANA). Parece patético, e é! Em março só ganhamos de Picos, e abril até agora está com... 5 mm (e sem nada minimamente relevante no horizonte). Apesar disso, estamos numa situação mais “seca verde”, pois não há sinais visuais claros de falta de chuva aqui na área. Estes sinais (como gramados ressecados) só foram vistos entre finais de janeiro (mês que registrou 8 mm, com vários dias de sol forte) e o início de fevereiro. Depois da frente mais chuvosa de fevereiro (05/06), a ocorrência ocasional de chuvas muito fracas está sendo suficiente para manter as aparências. Só houve um dia em 2021 até agora com mais de 20 mm na estação, o dia 05/02. Dezembro de 2020 foi o último mês chuvoso, com 235 mm (quase 100 mm acima dos 3 primeiros meses de 2021). A cidade do Rio de Janeiro (média da rede Alerta Rio, 33 pluviômetros) registrou 274,1 mm no primeiro trimestre de 2021, um valor bem abaixo da média também (65,1 mm em janeiro, 130,5 mm em fevereiro e 78,5 mm em março). Só fevereiro fechou na média. Em 2020 foi melhor, a capital fluminense recebeu em média 583,9 mm em JFM, sendo 324,3 mm só em fevereiro, o fev mais chuvoso desde 1996 ou 1988 na cidade (a média de 02/1996 deve ter sido parecida, mas não havia Alerta Rio, e 02/1988 foi o recordista isolado, certamente passou dos 500 mm a média da cidade, com picos acima dos 950 mm no Alto da Boa Vista). Desde 1997, o primeiro trimestre mais chuvoso registrado na cidade do Rio foi o de 2013, com 660,5 mm, e o menos chuvoso foi registrado logo no ano seguinte (2014), com apenas 212,9 mm. A média 1997/2020 para JFM foi de 442 mm. Claro que, olhando estações pluviométricas individualmente, a variação será maior, pois a variabilidade naturalmente diminui (em qualquer lugar) a medida que a área analisada aumenta (em 1998, por exemplo, o bairro da Tijuca recebeu quase 1200 mm de chuva entre janeiro e março, enquanto a média da cidade foi de 623 mm). A média do Alerta Rio cobre uma área de pouco menos de 1 200,339 km². Não há dados do Cemaden para os primeiros meses de 2020 em Niterói (todas as estações estavam fora do ar), mas fevereiro passou por pouco dos 300 mm no Inmet, e foi bem chuvoso na cidade como um todo.
  2. Essa diminuição da dinâmica é um tema muito interessante, e tudo indica que vem ocorrendo na maior parte do mundo (ou “global stilling”, expressão que tem aparecido mais nos últimos tempos). Um estudo feito no observatório meteorológico de Blue Hill, um dos mais respeitados dos EUA, mostra que houve uma brutal diminuição da velocidade média do vento, que acompanhou o aumento das médias térmicas (aceleração do AGW) a partir da década de 1980, e a principal hipótese para isso é que os sistemas típicos das latitudes mais altas estão tendo cada vez mais dificuldade para avançar até as latitudes médias e baixas, enquanto a zona tropical se expande. Detalhe: a latitude do observatório em questão é de 42ºN, equivalente à região da Península Valdés aqui do lado sul. Neste artigo sobre o ano de 2020 (em inglês) eles abordam, entre as páginas 12 e 15, a questão da diminuição dos ventos (o observatório fica nos arredores de Boston, nos EUA): https://bluehill.org/observatory/2021/02/state-of-the-climate-at-blue-hill-observatory-2020/ No caso do Rio de Janeiro, sinto mais uma redução da dinâmica no inverno (o que também se traduz na pior sequência de mínimas absolutas anuais da história na última década em grande parte do estado), mas o fenômeno é perceptível também nas demais estações do ano, embora haja exceções (o verão de 2020 foi bastante dinâmico do meio para o final, com várias frentes atuando entre fevereiro e março e temperaturas abaixo da média, e a dinâmica seguiu razoável outono adentro, antes do “catastrófico” colapso da dinâmica em junho e julho de 2020, que foram um pesadelo horroroso, o "pior" JJ da história eu diria). Outro evento de destaque, que parece contrariar a teoria, foi um forte declínio de temperatura ocorrido pouco antes do dia 10 de dezembro de 2018, que rivalizou com as mínimas absolutas mensais da normal 1961/1990 em algumas estações do RJ, mas vejo as situações descritas acima apenas como exceções que confirmam a regra (afinal, tempo não é clima). @Eclipse, eu já tinha uma noção que maio de 2016 havia se destacado mais no RS, mas ainda não havia pesquisado os dados, obrigado por publicá-los aqui. Realmente a sequência maio/junho por aí foi excelente, muito diferente aqui do Sudeste, onde o inverno só chegou mesmo (até fazendo uma correção ao que eu disse ontem) no final do primeiro decêndio de junho. Antes disso (início de junho) houve a atuação de uma massa de ar altamente tropical, quente e excepcionalmente úmida, que trouxe chuva muito acima da média e até tempo severo isolado para SP. Aqui no Rio praticamente toda a chuva do mês de junho de 2016 se concentrou neste período inicial também (embora sem eventos severos), antes da entrada da massa de ar frio por volta do dia 10 (depois disso, só voltou a chover de forma mais significativa em agosto, e tivemos o mês mais seco do século em julho de 2016 na cidade do Rio e Niterói). O inverno de 2016 como um todo foi bem interessante por aqui levando em conta o padrão atual: depois do junho "frio" (para os nosso padrões, claro), veio um julho muito seco e com grande amplitude térmica (algumas tardes muito quentes), e para fechar um agosto bem dinâmico, com uma grande ventania frontal no último decêndio. Depois de 2016, os nossos invernos variaram entre sem graça (2017, médias ok mas ruim de extremos) e horríveis (2018, 2020). 2019 começou muito mal com junho e depois melhorou em julho e agosto, mas no final das contas ainda deixou a desejar, mesmo para o padrão atual. @Carlos Campos, os dados oficiais do centro de Los Angeles (via NWS, desde 1877) indicam extremos de abril entre 2ºc (dia 08, 1901) e 41ºc (dia 06, 1989). Mas, como a estação do centro de LA funcionou num terraço até a década de 1990, é certo que mínimas menores ocorreram nos primeiros anos em condições mais padronizadas, quando a urbanização era bem menor também (deve geado ao nível do solo algumas vezes). Outubro variou entre 4,5ºc (dia 22, 1892) e 42ºc (dias 03 e 04, 1987).
  3. Eu fico curioso com as boas lembranças que alguns dizem ter de maio de 2016, pois foi na verdade um mês quente na maior da Região Sudeste. Belo Horizonte teve o maio mais quente da série da Pampulha (desde 2007, até ser superado por 2019), o Rio de Janeiro teve um mês acima da média também, embora não tenha sido dos piores, e São Paulo (que se saiu um pouco melhor) ainda assim ficou só dentro da "quente" média 1981/2010, o que é um mês 100% outonal e não invernal (só houve uma mínima sub-10ºc no Mirante, por exemplo, e quatro máximas sub-20ºc, além da média compensada banal de 18,3ºc). 2020 teve 17,7ºc de compensada em maio no Mirante, mas junho e julho foram um lixo. Curiosamente, o esquecido maio de 2006 (jamais pensei neste mês) registrou a menor média compensada do século atual no Mirante, com 17ºc (acabou sendo o mês mais frio do ano; 2020 e 2006 sugerem que maio frio pode ser um mau agouro para o inverno). Voltando mais no tempo, maio de 1968 teve média de 14,6ºc, e o bizarro abril de 1951 ficou com 16,2ºc (covardia). Não sei no sul, onde parece que 05/2016 foi melhor (especialmente RS), mas aqui no sudeste as temperaturas acima da média predominaram, embora uma parte de SP tenha ficado na média. Talvez o contraste com um abril absurdamente quente (não fosse pelo final do mês, abril de 2016 entraria no top 5 dos janeiros e fevereiros mais quentes da história de São Paulo, uma bizarrice de marca maior) tenha deixado muita gente com a impressão que o mês foi bem melhor do que realmente foi. Mesmo com um belo refresco nos últimos dias do mês, abril de 2016 quebrou o recorde de maior média compensada mensal do Mirante do Santana por 0,7ºc (recorde anterior 23ºc em 2002), e igualou o muito abafado março de 2021 por lá (23,7ºc). Depois do abril tórrido e do maio nem-nem, junho de 2016 foi ótimo em São Paulo, com a menor média para o mês desde 1988 (em 2016, na capital paulista, abril foi verão total - fora o final, maio outono total, e junho inverno total). A minha lembrança de maio de 2016 no RJ é bem compatível com as médias inexpressivas registradas; foi um mês totalmente esquecível e sem qualquer evento de destaque (junho sim foi bom, ainda mais para o padrão atual, repleto de junhos podres). Na Vila Militar - Rio, maio registrou média de banais 22,1ºc em 2016, contra 21,1ºc em 2020 (horárias); no mesmo local, junho “saltou” para 22,2ºc em 2020, mas “despencou” para 19,5ºc em 2016. Mais ao norte foi pior ainda, Brasília teve a maior média horária de maio (2000/2020, automática Inmet mais antiga do Brasil junto com Seropédica) da história em 2016, com 21,7ºc (2020 foi o mais fresco, com 19,2ºc). Mudando de assunto, é impressionante a monotonia do tempo por aqui; a última vez que tivemos algum fenômeno de interesse foi no início de fevereiro, quando uma frente fria costeira rompeu a bolha de ar quente e seco de janeiro, trazendo a primeira (e única) chuva decente do ano aqui para Niterói, e temperaturas que, em alguns bairros do Rio (como na região central, zona sul e parte da zona norte) e de Niterói, seguem como as mais baixas do ano até agora. Por volta do dia 10/02, entramos num padrão insosso que está se superando cada vez mais... Esse início de abril está pior que o velho filme “feitiço do tempo”, a impressão é que cada dia é exatamente igual ao que passou, até o céu permanece com a mesma “cara” entre um dia e outro! A diminuição da dinâmica no RJ como um todo é notável ao longo das décadas (meses como os “nordestinos” jun/jul de 2020 ou os pavorosos mai/jun de 2019, além dos ridículos jun e jul de 2018, estão cada vez mais frequentes, agora acontecem praticamente todo ano), e é muito difícil imaginar que tudo isso não esteja alguma forma relacionado às mudanças do clima em escala global. Como disse o carlos campos outro dia, cada vez mais o clima parece um arremedo do que já foi um dia (ao menos aqui é assim).
  4. Eu gosto desse ar meio decadente de Mar del Plata, a cidade transpira uma “tristeza” ao mesmo tempo em que parece muito aprazível; curto lugares que deixaram os dias de glória para trás (se é que existiram, na maioria das vezes é só uma impressão nostálgica) mas mantém a dignidade. O clima é muito bom também, e lembrando que a área costeira da cidade é bem mais moderada que o aeroporto (como acontece em Rosário e Córdoba, entre outras cidades argentinas), e até mesmo alguns anos se passam sem mínimas negativas ao longo da costa de MDP, enquanto o aero registra dezenas de negativas todo ano. Nunca estive lá, mas se algum dia eu voltar à Argentina pretendo conhecer. Nos últimos dias, alguns extremos registrados na costa de Mar del Plata (PWS San Carlos, ao lado do Golf Club): Quinta: 17,5ºc/19,6ºc Sexta: 16,1ºc/21,1ºc Sábado: 17,3ºc/22,5ºc Domingo: 16,9ºc/22,5ºc Segunda: 18,5ºc/23,6ºc Aqui no Rio de Janeiro, a minha paisagem costeira favorita é a praia de Atafona (norte do estado, foz do Paraíba do Sul), com seu litoral “detonado” (muito diferente de Mar del Plata, mas também decadente de uma forma totalmente distinta). Também gostei muito da foz do Rio São Francisco (Alagoas), com um farol tombado no meio do mar (já do lado de SE, visível ao longe de AL), troncos petrificados na linha da maré baixa, alguns coqueirais isolados, e um areal interminável banhado por um mar de aspecto selvagem. Para não ficar só no off, essa segunda-feira foi o "milionésimo" dia inexpressivo no Rio de Janeiro desde março, com sol entre muitas nuvens (diminuição da nebulosidade na parte da tarde, restando mais nuvens altas que filtravam o sol outonal) e temperaturas "nem-nem", com mínimas entre 19ºc e 23ºc e máximas entre 26ºc e 29ºc (a depender do bairro, ao nível do mar). Houve chuva fraca e isolada pela manhã em partes do Rio e Niterói. Entre esta terça-feira (noite) e quarta poderá cair uma chuvinha, e depois vem o primeiro período de tempo mais firme do mês (que vai durar pouco, sendo logo substituído por outra circulação marítima prolongada e "melenta"), mas mantendo por muito tempo ainda a total ausência de fenômenos e marcas térmicas interessantes que vem de mais de um mês.
  5. Itálico+negrito meus. Isso é verdade, e infelizmente cada vez mais (quanto às estações "adoentadas", você foi muito generoso com os “alguns dias”, existem estações fora do ar/com pluviômetro entupido há anos, sem qualquer perspectiva de manutenção desde antes da pandemia, e isso no rico estado de SP). Com o abandono e desmonte progressivos do Inmet a situação tende a continuar piorando. Hoje existem várias automáticas do Inmet com claros problemas de exposição e/ou calibração, e historicamente não fazem nada a respeito, mesmo antes da atual crise se instalar (vide o caso de Coronel Pacheco, ou o falso recorde de Bom Jesus no PI). Aracaju está reportando máximas absurdas há meses, e não fazem nada, os dados desta estação aparecem normalmente na tabela das capitais, o que mostra o nível de desprezo que o Inmet tem pela qualidade dos dados. A própria estação convencional de Curitiba tem vários registros duvidosos ou digitalizados de forma incorreta, como algumas mínimas sem sinal de negativo (vide 08/1991, já falei deste caso uma vez) e outras "surtadas" como 04/1971. Aqui no Rio, conforme eu já comentei, a pior estação do Inmet é do Forte do Copacabana, uma aberração de lugar ao lado de um costão rochoso e com muita vegetação baixa ao redor, que chega a superaquecer mais de 5ºc em algumas situações (Que órgão sério de meteorologia sério deixaria uma estação própria superaquecer 5ºc? Isso deveria ser um escândalo!). É fato que o Inmet de Niterói fica num lugar ruim, pouco ventilado por haver muitos obstáculos ao redor, e que disso resultam máximas acima da realidade, mas é por margem que pouco varia, entre 1 e 2ºc de superaquecimento na maioria dos dias com sol ou mormaço (e o bairro onde fica a estação, o Barreto, realmente é dos mais quentes da cidade). Mas o Inmet de Copacabana é muito pior, pois há tanto dias em que superaquece muito pouco ou nada (como ontem, 02/04,, sob vento sudoeste), quanto dias em que pode superaquecer 4/5ºc, algo que aconteceu inclusive agora no final de março (enquanto fazia 28/29ºc nas estações particulares litorâneas, o Forte marcou máximas entre 33 e 34ºc em alguns dias, sempre com vento do mar, condição que naturalmente limita a máxima real da costa aos 28/30ºc). Como o Forte fica de cara de para o mar, o fato de ser um local naturalmente mais fresco que a maior parte da cidade nas máximas acaba maquiando este superaquecimento em muitos dias (especialmente para olhos destreinados), mas sob condições específicas de vento e insolação toda a péssima qualidade do local escolhido para a estação se revela (a área imediatamente ao redor do abrigo se transforma numa estufa ao ar livre, sem nenhuma relação com a “atmosfera livre” ao redor). O dia 27/01/2018 foi um excelente exemplo: o céu ficou nublado o dia todo na maior parte da cidade do Rio, e até choveu bastante (picos de >100 mm) em alguns bairros perto do maciço da Tijuca, enquanto em outros locais da cidade sequer pingou. Neste dia houve períodos de sol e mormaço apenas perto da costa, o que expôs ao máximo o superaquecimento desta estação, mesmo tendo sido um dia bem fresco para os padrões do nosso verão (nos dias frescos com vento sul/sudeste fraco e mormaço ou sol que o aquecimento se torna mais evidente. Já se o vento for de sudoeste, o superaquecimento quase desparece, pois a ventilação no abrigo melhora e o efeito do costão rochoso desaparece, e com vento de leste/nordeste os registros ficam mais realistas também). Neste dia 27/01 a estação particular do Leblon, a mais próxima do Forte em operação na época e até um pouco mais afastada do mar, registrou máxima de 26,2ºc (apesar de ter saído um pouco de sol, o vento soprou sempre do mar e não esquentou muito); no interior da cidade, a estação da Vila Militar não passou dos 25,1ºc (tempo mais fechado e chuva por lá, máxima diurna de 24,2ºc), enquanto Jacarepaguá, mesmo sem registrar chuva, não passou dos 26,5ºc. Mas o Forte de Copacabana aqueceu até irreais 32,1ºc, num dia em que a própria estação particular mais próxima (Leblon) deixou claro que a máxima na orla da zona sul foi de no máximo 26/27ºc. No dia seguinte (28/01), com máximas de 28/29ºc na zona sul, o Forte chegou aos 34ºc, enquanto até bairros continentais muito mais quentes (e já sob o sol) registraram máximas entre 30 e 32ºc. Eu apontei mais de uma vez a inadequação desta estação ao Inmet por e-mail, mas nunca obtive uma resposta satisfatória, preferem ignorar a péssima qualidade dos registros obtidos naquele local só por ser um lugar seguro. Enfim, fique com suas medições, é o melhor que você pode fazer, pois confiar na “burocracia” do nosso órgão federal está cada dia mais difícil... Claro que esse problema do desleixo com a qualidade dos dados oficiais não é exclusividade nossa, o NCDC dos EUA considera uma infinidade de recordes de péssima qualidade, alguns grotescamente errados, e até mesmo o “insuspeito” DWD da Alemanha manteve um recorde claramente falso como oficial/confiável por mais de 1 ano (depois de muitas reclamações e de um teste feito numa localidade próxima, em condições padronizadas de medição, o DWD finalmente se viu forçado a invalidar o falso recorde de 42,6ºC em Lingen no mês de julho de 2019). Mas, se não fosse pela pressão de meteorologistas e entusiastas (algo que não existe aqui, onde a meteorologia privada, com raras exceções, chafurda muito abaixo da mediocridade) o DWD não teria feito nada. Imaginem então um Inmet da vida, em pleno Brasil (e, para piorar, agora no meio da maior crise da história do país, um verdadeiro salve-se quem puder)... Reportagem sobre o recorde invalidado na Alemanha (a tradução do Google ficou bastante aceitável, é só copiar e colar): https://www.dwd.de/DE/presse/pressemitteilungen/DE/2020/20201217_annulierung_lingen_news.html Apesar de terem demorado mais de um ano para reconhecer o erro, este é um tipo de trabalho que o Inmet jamais faria, mas que todo órgão minimamente sério que mantém estações meteorológicas deveria fazer. Perdão pelo OFF, mas não acontece nada de interessante por aqui há gerações, e nem deverá acontecer tão cedo, por isso não tenho nada a dizer sobre monitoramento e previsão...
  6. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2021

    Março de 2021 foi um mês profundamente monótono e desinteressante na cidade do Rio de Janeiro (e ainda pior aqui em Niterói), um dos meses mais inexpressivos que eu já tive a infelicidade de acompanhar nos últimos tempos. Embora eu não espere nada melhor de 04/2021, o final de um mês tão meteorologicamente irrelevante quanto esse último me deixa algo aliviado. A temperatura ficou um pouco acima da média, mas sem qualquer destaque (após março de 2020 ter sido o mais ameno desde 1997), e a precipitação fechou solidamente abaixo da média (foi o mês de março com menos chuva, e o primeiro a não alcançar os 100 mm na média dos pluviômetros do Alerta Rio, desde 2007). Choveu 78,5 mm em 03/2021, pouco menos de 55% da média (143,1 mm entre 1997 e 2020, 33 pluviômetros). No Ingá, em Niterói, o acumulado de março foi de modestíssimos 33,3 mm (Cemaden), o que se soma aos 8 mm de janeiro e aos 95,5 mm de fevereiro para um começo de ano muito pobre em chuvas. A temperatura média compensada no aeroporto Santos Dumont (região central do Rio) foi de 26,9ºc, exatos 2ºc acima da média do mesmo mês em 2020. Os extremos do mês no mesmo local foram de 35,7ºc (05/03) e 22,4ºc (06/03, durante uma das poucas chuvas). Março também foi 1,1ºc mais quente que fevereiro em 2021, contrariando a climatologia, mas longe de ser algo raro (a última ocorrência de março mais quente que fevereiro na cidade do Rio foi em 2018, e por margem similar). Índice pluviométrico médio no município do Rio (rede Alerta Rio) em março desde 1997: Abril começa com promessa de mais monotonia, mas com temperaturas um pouco mais brandas, permanecendo dentro das médias mensais nesta primeira semana. As chuvas devem continuar muito irregulares, e o que cair será cada vez mais concentrado nos “cinturões orográficos” ao sul da Serra do Mar.
  7. Wallace Rezende

    Tempo Severo EUA 2021

    Sempre interessante ver a questão por vários pontos de vista, tudo que foi apresentado aqui “contra” ou “a favor” da previsão para este último evento me parece ter algum grau de validade. Eu escrevi um “textão” sobre a cultura sensacionalista dos alertas meteorológicos nos EUA, algo que ganhou muito espaço também aqui no Brasil nos últimos anos, e sobre como isso pode diminuir a efetividade dos alertas à medida que aumenta o grau de “complacência” da população (como na fábula do pastor e o lobo), mas achei que estava fugindo demais ao tema do tópico, então resolvi dar um “delete” no restante. Ficamos assim, e voltemos ao monitoramento...😂 Será que com os critérios atuais ainda poderemos ter um EF5? Lembrando que Joplin só foi classificado como EF5 por um dano no prédio do hospital local, bem acima da altura padrão onde os danos normalmente ocorrem e são avaliados, pois a esmagadora maioria dos tornados jamais atinge prédios, é como ganhar na loteria para um tornado atingir um prédio, e mesmo assim foi uma classificação controversa. Tenho certeza que, pela velocidade máxima do vento, não é raro um tornado alcançar o limiar de um EF5, mas ter a certeza que um determinado tipo de dano só poderia ser causado por ventos de EF5 é algo muito difícil, ou mesmo impossível em muitos casos.
  8. Wallace Rezende

    Tempo Severo EUA 2021

    Apesar de achar tudo muito interessante, não acompanho tanto os eventos de tempo severo nos EUA quanto os colegas acima, mas tenho a nítida impressão que as tentativas de prever surtos de tornados com mais exatidão ainda hoje estão mais para “cassino” que para qualquer outra coisa. Quase sempre (ao menos pelo que tenho observado nos últimos anos) que preveem um surto muito forte ou histórico acontece algo mais comum, enquanto outras vezes surge um tornado bem forte e destrutivo no meio de um evento comum, pegando os meteorologistas de surpresa. As ferramentas atuais permitem antecipar condições de tempo severo muito melhor que há alguns anos, mas sinto que a previsão de tornados (especialmente nos detalhes, como localização e intensidade) ainda não se afastou muito da idade da pedra. Seu eu fosse o SPC, me contentaria em divulgar nas previsões o risco de tempo severo (baixo, médio, alto...), apenas mencionado de forma protocolar o risco de tornados quando fosse o caso, mas sem dar muitos detalhes (deixando para focar nos tornados quando o surto já estivesse em andamento); certamente eles não levariam tantos “olés” da realidade.
  9. Eu faço parte deste time, não do que aparece só na época de frio (até porque o frio é inexistente por aqui), mas do “time” que não tem vontade de participar se não houver “alguma coisa” minimamente interessante acontecendo. Claro que, apesar de não fazer frio, alguns anos são bem piores do que outros; o “core” do inverno de 2020 (JJ) foi particularmente sofrível, assim como os de 2018 e 2015, exemplos mais recentes de “equatorialidade total” no nosso inverno. E este mês de março está perfeito para “hibernar”, vem sendo um mês extremamente tedioso no Rio de Janeiro, com calor bem ordinário praticamente constante e ausência quase total de sistemas chuvosos minimamente organizados. Aliás, se não houver uma mudança a partir da última semana do mês, este poderá terminar como o segundo ou terceiro março com menos chuva na cidade do Rio desde o início dos registros do Alerta Rio (que monitora a chuva em vários bairros), no ano de 1997. Março segue com apenas 43 mm de chuva (média dos 33 pluviômetros) no município do Rio de Janeiro até agora (17/03), tendo superado por enquanto apenas o março mais seco que se tem notícia por aqui (2007, com 19,2 mm). Depois, a lista prossegue com 2002 (51,1 mm), 2004 (69,1 mm), 1997 (88,7 mm) e 2006 (89,7 mm). Pelas últimas previsões, a chance de ser registrado no mínimo o primeiro março com menos de 100 mm na média da cidade do Rio desde 2007 só cresce, embora ainda haja alguma incerteza mais para o final do mês, o que é de se esperar. Tivemos até algumas formações mais parrudas na tarde de ontem (16/03), mas que se dissolveram antes de atingirem a maior parte do Rio (choveu nos subúrbios da zona norte da capital e em parte da Baixada Fluminense). Na cidade do Rio não choveu na maioria dos bairros, apenas 11 dos 33 pluviômetros registraram alguma coisa, e o volume médio na cidade foi de 5 mm, com 30/40 mm nos bairros mais agraciados dos extremos norte/nordeste do município. No caso de Niterói, apenas o Inmet (que fica quase em São Gonçalo) registrou uma chuvinha muito fraca de 2 mm, em quase toda a cidade sequer pingou. E o tempo segue seco nos próximos dias (seco no sentido de chover pouco ou nada, pois umidade é o que não falta), com ligeiro aumento do calor. As máximas seguem acima dos 30ºc, exceto nas áreas costeiras, onde tem predominado valores na casa dos 28/29ºc (fora o completamente fumado Forte de Copacabana, que vem registrando superaquecimento de 2 a 4ºc na maioria dos dias sob o regime atual de brisas sul/sudeste). As fotos abaixo eu tirei na área central do Rio de Janeiro por volta das 14:30, e mostram algumas das formações da tarde desta terça-feira (pouco mais de 1 hora depois houve chuva muito fraca, de 0,8 mm lá no Centro, e logo em seguida o que restava do sistema se dissipou rapidamente). Apesar de estar quente (28ºc), a brisa do mar soprava com vontade e aliviava bastante a sensação de calor no local da foto. Depois da breve instabilidade, um ar mais leve e relativamente agradável passou a predominar, a temperatura caiu para 23ºc entre o final da tarde e o início da noite (mas a sensação de abafamento já voltou a aumentar durante a noite, e a madrugada começa com calmaria quase total e alta umidade, embora ainda com ar menos pesado que nas madrugadas anteriores).
  10. Esse ano aquela música que fala sobre as “águas de março fechando o verão” está parecendo um grande despropósito na minha área, pois as “torneiras” definitivamente estão muito bem fechadas sobre o Rio de Janeiro (cidade) e Niterói, como não acontecia em março há vários anos (em 2020, março também teve poucos dias de chuva e não fez jus à fama, mas um primeiro dia do mês com volumes bem altos em parte da cidade do Rio garantiu um total mensal dentro da média ao município). Apenas a região sul do estado e a borda da Serra do Mar (norte da RM) tem registrado chuva com alta frequência agora em março, mas são apenas aqueles núcleos de verão causados pela combinação calor+umidade+relevo, nada minimamente organizado (Visconde Mauá teve uns 150 mm neste final de semana pois estava no “lugar certo”). Na cidade do Rio, o Alto da Boa Vista segue com apenas 33,8 mm desde o início do mês, e se terminasse com este total seria o menor volume mensal de chuva desde setembro de 2017, e o março com menos chuva desde o recordista 2007 (em 2020, apenas abril e junho não alcançaram os 100 mm por lá; agosto acumulou 315 mm e setembro 390 mm). 2021 começou seco para os padrões do ADBV (bairro mais chuvoso da cidade do Rio), com apenas 130,6 mm em janeiro (destes, foram 119,8 mm em 24 horas entre os dias 02 e 03) e 182,2 mm em fevereiro. No segundo semestre de 2020, apenas julho não alcançou os 200 mm (168,8 mm), mas nenhum mês da “estação chuvosa” de 2021 conseguiu alcançar esta marca ainda. A situação aqui em Niterói é bem pior, pois choveu apenas 8 mm em janeiro (algo excepcional), 95,5 mm em fevereiro e uns 18 mm em março até agora (Cemaden Praia João Caetano/Ingá), o que deixa o total anual (após dois meses em meio) em parcos 121,5 mm; é de longe o começo de ano mais fraco em chuvas desde 2014 ou 2015 (e só houve um dia em 2021 até agora com 20 mm de chuva ou mais, o dia 05/02, com “salvadores” 52 mm). Estes dados deixam clara a ausência quase total de chuvas expressivas por aqui neste início de 2021. E não há qualquer sinal de mudança no horizonte; a última previsão do Wunderground mantém o tempo praticamente sem chuva aqui na área até no mínimo o dia 22/03, e as tendências para além deste dia (por enquanto) indicam apenas volumes baixos. Segue o calor também, mas para isso eu não estou dando a mínima... Depois do JJ “catastrófico” e com ausência total de resfriamento por aqui em 2020 (após uma rara sequência de quatro meses abaixo da média: FMAM de 2020), eu quero é que o outono inteiro seja quente em 2021. A sorte é que, ao contrário do interior da Região Sudeste, não dependemos muito das chuvas de verão, tanto que é relativamente comum ocorrerem bons eventos de chuva outono adentro, e por vezes também no inverno, aqui na RM do RJ. Ou seja, a situação das chuvas por aqui este ano, apesar de chata, está longe de ser minimamente preocupante. Dezembro de 2020 foi o último mês chuvoso, com 227 mm no Cemaden mais próximo (Ingá) e uns 320 mm no Inmet/Barreto.
  11. Wallace Rezende

    Monitoramento e Previsão - Europa 2021

    A França registrou um inverno (localmente definido como DJF assim como nos EUA, definição que considero mais apropriada para fins de estudo do clima, até por ser a época com maior probabilidade de frio intenso - a mínima recorde de Paris, por exemplo, ocorreu antes do início oficial da estação, em dezembro de 1879) chuvoso e "quente" em 2020/2021. A insolação ficou 9% abaixo da média. Pela média de todas as estações climatológicas principais do Météo-France (mais de 70), a anomalia térmica nacional no trimestre foi de +1,2ºc, e a chuva ficou 31% acima da média. As muito maritimizadas Bastia (Córsega), Brest e Nice registraram as menores anomalias térmicas (+0,4ºc), enquanto Mâcon e Lyon (na região central/sul) registraram as maiores anomalias (+2,1ºc). Todas as estações fecharam DJF com temperatura acima da média. Janeiro foi o mês mais frio do inverno, mas terminou com temperatura dentro da média (-0,1ºc), e fevereiro foi muito quente, com anomalia de +2,5ºc (a ondinha de frio do início do mês só pegou o norte do país, mas o calor que veio depois foi bem mais forte, e toda a França terminou fevereiro acima da média). O sul da França (não afetado pelo frio do início do mês) registrou anomalias positivas localmente na casa dos 4ºc em fevereiro. Paris/Montsouris teve um inverno com temperatura 1,2ºc acima da média (exatamente a anomalia média do país), mas a chuva ficou bem acima da média, 73% acima para o período DJF (foram 259 mm, o que para nós parece pouco, mas levando em conta a climatologia do inverno parisiense é muito). Abaixo os mapas mostrando as anomalias térmicas (ºc) de DJF para cada uma das estações, depois o mapa que mostra as anomalias pluviométricas (em %), e por fim o mapa da precipitação acumulada no período (mm). Reparem no efeito que a orografia e o deslocamento dos sistemas de mau tempo (quase sempre de oeste para leste, com frequência acima da média) tiveram nas precipitações; a estação mais chuvosa do país no último inverno (Biarritz) fica na costa do Atlântico, e mais seca (Perpignan) exatamente do “outro lado” e quase na mesma latitude, mas na costa do Mediterrâneo. Apesar de ter chovido mais em Biarritz, a maior anomalia positiva ocorreu em Mont-de-Marsan (também na mesma área), com 510 mm (117% acima da média). A maior anomalia negativa ocorreu na mesma estação que registrou o menor total trimestral (Perpignan, com 71 mm e 60% abaixo da média).
  12. Wallace Rezende

    Recordes e médias pluviométricas da sua cidade

    Diante da pasmaceira que parece reservada para o restante de 03/2021 no RJ, hoje vou relembrar um evento de chuva ocorrido majoritariamente entre a tarde e a noite do dia 29/02/2016 em parte do estado, que atingiu com mais força a região das Baixadas Litorâneas, localizada entre a capital e a Região dos Lagos. Foi o maior evento de chuva na região das Baixadas Litorâneas desde abril de 2010, mas tudo indica que no evento de 2010 a duração foi maior e a intensidade máxima da chuva menor. Alguns dos municípios mais afetados, com muitos alagamentos e transtornos, foram: Rio Bonito, Maricá, Saquarema, Silva Jardim e Araruama. Alguns transtornos e alagamentos menores também foram registrados na RM do RJ (caso de Niterói e de alguns bairros do Rio) e na região da Costa Verde. A chuva foi provocada pela chegada de uma frente-fria, com algum ar frio ainda presente (ramo frio costeiro), que avançou sobre um mar bem quente e uma atmosfera com grande disponibilidade de umidade, favorecendo a ocorrência de chuvas volumosas ao longo do litoral e nas baixadas adjacentes. No “dia meteorológico” 01/03/2016 (entre 12Z de 29/12 e 12Z de 01/03), os oito maiores acumulados de chuva da rede Inmet no Brasil ocorreram no estado do RJ: No caso do distrito de Sampaio Correia, em Saquarema, 284,8 mm caíram em apenas 8 horas de chuva. Outros volumes de chuva registrados no evento (24 horas): Maricá/Ponta Negra (Cemaden): 273 mm, com máximo de 115 mm em 1 hora. Maricá/Manoel Ribeiro (ANA/CPRM): 238,3 mm Maricá/Itaipuaçu (Cemaden): 193 mm, com máximo de 84 mm em 1 hora. Niterói/Itaipu (Cemaden): 171 mm Niterói/Piratininga (Cemaden): 132 mm
  13. Depois das chuvas de ontem não aconteceu mais nada no Rio de Janeiro, hoje o dia foi tão desinteressante quanto é possível um dia ser em qualquer época do ano (predomínio de nublado e abafado com pinga-pinga ocasional, meros 0,5 mm ao longo do dia), e a previsão para a semana que está começando e além está de matar de sono até a mais insone das criaturas (temperaturas e chuvas inexpressivas em grau máximo, a perder de vista). Vamos ver se até o final do mês acontece alguma coisa interessante, mas não vou alimentar expectativas. A segunda-feira será o dia com mais chance de chuva da semana, mas os volumes devem ser baixos na grande maioria dos locais. Em São Paulo o dia foi mais interessante... Como mostrou o @Aldo Santos, uma pancada de chuva fez a temperatura cair fortemente no meio do dia em parte da cidade, o que deixou o gráfico da temperatura deste domingo um tanto quanto bizarro nos bairros mais afetados: Em todas as estações abaixo a mínima do dia foi registrada, com folga, durante a pancada de chuva (os volumes ficaram entre 15,5 e 32,2 mm nestes locais): Sé CGE: Vila Mariana CGE: Vila Prudente CGE: Mooca CGE:
  14. A "frente menos quente" alinhou algumas instabilidades (na maior parte do tempo sem muita convicção, mas enfim..) sobre a Região Sudeste neste sábado, e a chuva chegou ao Rio de Janeiro (RM) no início de noite na forma de uma LI (ou algo análogo) que avançou de oeste para leste, trazendo volumes maiores para os bairros mais afastados do mar (norte), e mais baixos para o litoral da cidade (sul). Na maior parte da cidade do Rio houve um curto período de chuva forte, mas que logo se transformou em chuva fraca com breves intervalos de moderada, antes de cessar completamente entre o final da noite e o início da madrugada. Ainda poderá chover fraco em alguns pontos durante a madrugada. Em Niterói, a chuva não passou de fraca/moderada na maior parte da cidade, com chuva forte limitada aos bairros mais ao norte, perto de São Gonçalo. Aqui na área do Ingá o Cemaden registrou apenas 16 mm de uma chuvinha “ok”, mas inexpressiva, enquanto o Inmet (já quase em São Gonçalo, no Barreto), somava 43 mm até a última observação. De uma maneira geral, a chuva veio calma, com pouco vento e sem trovoadas, mesmo nos locais onde a intensidade foi maior. Apesar da temperatura ter caído para 22/23ºc após a chuva, o vento muito fraco/quase ausente e a umidade altíssima ainda deixam uma sensação de abafamento do lado de fora neste início de madrugada, mas está bem melhor que dentro de casa, onde segue bem quente após 2/3 dias de calor um pouco mais forte. Os dados pluviométricos do Cemaden (imagem abaixo) na cidade do Rio de Janeiro mostram que o maior volume foi registrado no extremo nordeste do município (Ilha de Paquetá, bem para dentro da Baía de Guanabara), mais de 6 vezes o volume registrado perto do mar na área da Barra da Tijuca (onde fica a estação nomeada Jacarepaguá) e de São Conrado. Na parte continental da cidade, o maior volume caiu em Vigário Geral (quase na Baixada Fluminense já). A marcação preta indica a coluna do acumulado nas últimas 6 horas, e a azul o das últimas 24 horas (entre as duas o de 12 horas); praticamente toda ou toda a chuva caiu nas últimas 6 horas. A estação riscada (Penha*) está com entupimento parcial, registrando a chuva aos poucos. Outras estações com entupimento parcial, que deixei de fora da lista: Glória, Pilares, Usina e Abolição*. O volume médio registrado pelo Alerta Rio (média de 33 pluviômetros) entre a noite de sábado e o início desta madrugada foi de 34 mm na cidade do Rio, um evento mediano de chuva. *Pilares e Abolição são bairros vizinhos que ficam na zona norte da capital, as estações do Alerta Rio mais próximas (Madureira, Piedade e Grande Méier) registraram volumes na faixa dos 40/45 mm. A Penha tem uma estação do Alerta Rio funcionando normalmente, que registrou 42 mm (destes, quase 33 mm caíram na primeira hora de chuva). Nos próximos dias, segue um padrão um pouco mais ameno para os padrões do início de março por aqui, mas ainda abafado (sem qualquer vestígio de ar frio, diminuição das máximas puramente por nebulosidade e eventuais chuvas), e com chuvas ocasionais ficando cada vez mais isoladas ao longo da semana. O calor também vai aumentado a medida que o tempo abre, mas não há nada extremo no horizonte, apenas o abafamento chato tradicional desta época.
  15. Wallace Rezende

    Resumos Climatológicos 2021

    Tudo indica que foi uma coincidência mesmo. O Mirante normalmente supera a média da cidade no verão, mas de vez em quando, só para variar, não custa nada ficar um pouco abaixo.😂 Em 03/2006 e 02/2020, não apenas a esmagadora maioria dos bairros paulistanos recebeu muito menos chuva que a estação oficial, mas a estação do Inmet parece ter sido o ponto monitorado mais chuvoso de toda a cidade (ou um dos 2/3 pontos mais chuvosos). Em fevereiro do ano passado, a região mais chuvosa da capital paulista foi o Centro (421,4 mm), e a zona norte teve média de “apenas” 369 mm (mais de 100 mm abaixo do Mirante, que foi quase aos 500 mm), tudo pelo CGE. Fevereiro de 1999 foi o terceiro mais chuvoso registrado pelo CGE, atrás apenas do recordista 02/1995 e do também muito chuvoso 02/2019, e superou por muito pouco 02/2020. Aquela grande chuva no Centro de SP que comentaram lá no monitoramento esses dias, ocorreu no final da sequência muito chuvosa de fevereiro de 1999, que foi até o início de março. Interessante que o fevereiro mais seco da “era CGE” (2018) foi seguido por dois muito chuvosos, e agora veio 2021 para dar uma “normalizada” nas chuvas do segundo mês do ano, pois o desvio para a média foi muito pequeno, permitindo classificar 02/2021 como dentro da variação normal na capital paulista em termos de chuva. Nos mananciais que abastecem SP/cidade, a chuva também pouco se desviou da média em 02/2021, todos ficaram dentro da variação normal. Guarapiranga conseguiu uma “virada” no último dia do mês, com 46 mm. Mas o verão como um todo foi fraco de chuva, o que se reflete no armazenamento nada satisfatório em alguns sistemas (com destaque negativo para o maior deles). Sobre a questão levantada pelo @LeoP, é verdade que alguns sistemas podem atingir a Região Sudeste no verão com alguma influência (muito residual) de ar frio, mas a maior parte do resfriamento é causada mesmo pelas chuvas, e quanto maior a área que recebe chuva, mais fresco o tempo tende a ficar (como nas famosas “ZCAS raiz”, que andam sumidas). Este evento do início de fevereiro de 2021 (que trouxe as chuvas mais generalizadas do ano para o Sudeste, com bons volumes em quase todo o RJ/ES, grande parte de MG e uma parte de SP) foi um bom exemplo. Como choveu numa grande área, e ainda havia um fraco fluxo de sul que lá nos primórdios da “árvore genealógica” da massa de ar teve origem polar, a temperatura ficou bastante amena, trazendo os dias mais frescos do ano para boa parte da região, incluindo a RM do RJ e BH. Quando o tempo começou a firmar, como havia chovido numa área grande e contínua, o aquecimento foi bem gradual, e tivemos algumas tardes com aberturas de sol ainda amenas. Em janeiro de 2019, o mais quente da história em grande parte da Região Sul e também num pedaço do Sudeste do Brasil, grandes áreas de instabilidade se formaram no dia 25 quando uma frente bem fraca tentou (sem sucesso) furar o bloqueio (que só viria a ser furado de fato em fevereiro), e estas instabilidades, mesmo dentro de uma massa de ar muito quente, conseguiram provocar uma boa queda de temperatura, pois eram bastante profundas (entre os dias 25 e 26). No Forte de Copacabana, durante um breve temporal de verão na tarde do dia 25/01 (que infelizmente causou um óbito por queda de raio neste mesmo bairro, de um turista em frente ao Copacabana Palace), a temperatura caiu para 19,9ºc durante a pancada. Depois deste evento, a temperatura só voltou a cair abaixo dos 20ºc no local em junho (!), o que mostra como algumas chuvas de verão, mesmo totalmente ineridas em massas de ar quente, podem causar boas quedas de temperatura (e agora em 2021 tivemos temporais de verão que fizeram a temperatura cair por poucos instantes abaixo dos 14ºc durante a tarde no Inmet de Brasília e no bairro de Perus, em São Paulo).
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