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Brasil Abaixo de Zero

Vinicius Lucyrio

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Everything posted by Vinicius Lucyrio

  1. Vinicius Lucyrio

    O Tempo Antigamente

    Do finado MeteoBrasil, um post do Allef Matos: Abri este tópico para tratarmos dos fenômenos meteorológicos ocorridos num passado mais distante. Para começar alguns dados sobre ondas de frio extrema entre 1814 á 1824 no país. Vejam abaixo descrições de como o frio foi intenso naquele período entre 1818-1821 no interior do Brasil , segundo trechos em livros: 1814 - Datam deste ano, os primeiros registros achados a respeito do frio. Existem referências, oriundas de 3 fontes distintas (todas de MG), que fazem menção a uma violentíssima onda de frio neste ano. Ainda não foi determinado o local exato onde foram feitas as seguintes observações. Aparentemente as anotações principais provêm de Ouro Preto. Os dados dizem que geou durante 8 dias consecutivos. A água congelou em mais de 1 dedo de espessura e houve dia em que à sombra , não derretia, mesmo durante o dia. A devastação das lavouras e das florestas foi catastrófica. Florestas inteiras morreram, dando lugar ao capim e 4 anos depois ainda não haviam se recuperado. Os peixes, na maioria dos rios foram dizimados. Há um registro de 1818, no qual fala-se de árvores mortas nesta onda de frio , numa região não muito longe de Juiz de Fora ( cerca de 20 ou 30 KM à noroeste da atual cidade). Aparentemente , esta geada atingiu todo o Centro ??? Sul de Minas Gerais. 1815 - explosão do vulcão Tambora. 1818 - O verão de 1817 para 1818 foi extremamente chuvoso no Sudeste do Brasil. As chuvas começaram em outubro de 1817, atingiram níveis fortes em novembro do referido ano e prolongaram-se terrívelmente intensas e quase sem interrupções até março de 1818. Por outro lado, em abril / maio teve início uma rigorosa seca, também na região Sudeste e que durou até a segunda quinzena de outubro, fazendo a população padecer , assim como as enchentes gigantescas do começo do ano. Na primavera de 1818 é que surgem os primeiros indícios de um distúrbio meteorológico ; o mais forte ligado ao frio no Brasil dos até agora verificados. Em 25 de setembro é registrada geada nas proximidades de Juiz de Fora-MG. O frio permaneceu forte na região até o dia 30 do mesmo mês. Em outubro, a seca atingiu seu auge em Minas. Em Barbacena há registros de procissões para que ocorresse o fim do problema. E finalmente, nos dias 19 e 20, começa a temporada da chuvas. Novembro começa chuvoso no Estado. No dia 4 ocorrem temporais na região de Bambuí. Aqui começa uma baixa de temperatura interessante: na noite do dia 5, segundo um viajante, foi necessário o uso de fogueiras de fogo alto, mas que incrívelmente não conseguiam aquecer. E a manhã do dia 6 foi espantosamente fria. Geou com grande intensidade. O registro diz que às 8 hs, a vegetação estava coberta de espessa geada. Sabe-se apenas que esta anotação foi feita na região de Bambuí, em uma baixada. O frio perdeu força rapidamente no dia 7. Anotações feitas na Bahia falam de violentos temporais neste dia. Seria a frente fria? Outra coisa importante a destacar-se é o fato de que as chuvas de novembro e dezembro deste ano em Minas , parecerem ter sido irregulares espacialmente. Enquanto em algumas regiões houve muita chuva, em outras quase não choveu. OBS: Existe uma nota que fala de muito frio na noite de 16 de dezembro. Janeiro 1818 São Paulo " A diferença de temperatura no inverno (maio-setembro) e no verão e nos meses chuvosos (outubro a abril) é significativa, deitado nas províncias do norte. Não é incomum ver, mesmo que não diretamente para a cidade, mas nas regiões mais altas de geadas durante a estação fria, o frio é tão sensível e persistente, mas nunca que você acha que ele iria criar para além do habitual fogareiros e fogões. Sobre as Grandes Planícies, que estendem a oeste e ao sul da capital, nota-se uma proporção constante dos ventos para a posição do sol. Onde que está localizado nos sinais do Norte, Estado SSW e ventos SE. Quando ela se vira para o S., os ventos são menos duráveis ". Janeiro 1818 - Ouro Preto "O clima desta capitania é devido à posição alta na maior parte bastante fresca, a fruta europeus e os preços da fruta. O termômetro alterado durante a nossa estadia em Villa Rica, de l muito: ele ficou na parte da manhã antes do amanhecer a 12 ° C, ao meio-dia a 23 °, na noite i6 °, 14 ° à meia-noite. O barômetro subiu e desceu entre 23 ° e 25,50 ", o Fischbeinhygrometer mostrou que 55 ° a 70 °. (:.:-) O clima foi muito agradável, mas freqüentemente resfriado por uma tempestade repentina. Durante os meses mais frios Junnho e Júlho entra por vezes soprar as culturas de maturação muito prejudicial um, era assim nos anos anteriores à nossa chegada, uma parcela considerável da colheita de bananas, cana-de-açúcar e café gelado. Os ventos aqui a partir de direcções diferentes, e nunca trazem com grande cordialidade, mas denso nevoeiro em que são muitas vezes os topos das montanhas vizinhas olhar envolvido" .( Obs: Estas temperaturas foram feitas em janeiro, ou seja amanhecia com 12 graus em pleno verão,e a máxima não passava de 23 graus) 1819 - Este ano é o grande ano quando se fala de frio no Brasil. Não há confirmação de todas as informações ainda e o porque de frio tão violento. Janeiro começa com temperaturas relativamente normais no Centro do país. Porém, registros de Goiás revelam que no dia 14, algo de estranho começou a acontecer... Anotações realizadas perto da atual cidade de Jaraguá (GO), indicam que o dia 14 foi quente, mas houve então um forte temporal, após o qual a temperatura baixou violentamente. Não se fala mais nada, até que se relata um fato no mínimo estranho: GEOU NA REGIÃO DE JARAGUÁ, GOIÁS, NO DIA 19 DE JANEIRO, EM PLENO VERÃO, NUMA ÁREA ABAIXO DE 1000 METROS DE ALTITUDE. O registro aponta para às 8hs da manhã forte geada. Esta anotação foi feita num engenho de cana-de-açúcar. No mesmo dia relata-se que foram achadas mortas várias cascavéis da grossura de um braço. OBS: Ao ser achado este registro, pensou-se que tratava-se de algum erro, mas verificando todas as outras anotações percebeu-se que era realmente isto que o autor queria dizer. Também é difícil que seja erro de tradução, pois os originais em alemão foram verificados por pelo menos 3 tradutores e todos traduziram o trecho da mesma forma. Porém é necessário a procura de novas fontes para este ano, que possam esclarecer melhor o fato, assim como confirmá-lo ou desmentí -lo. O anotador fazia parte de uma expedição científica, encomendada por um monarca europeu. Choveu bastante na região de Goiás, da segunda quinzena de janeiro a meados de abril. A noite de 30 de abril para 1º de maio foi muito fria. Em uma localidade ainda não identificada da região central do Estado, o amanhecer deste dia foi de geada forte. E curiosamente, no dia 3, gafanhotos passam por lá. Maio segue tranqüilo até o dia 25, quando se relata muito frio. Na noite de 28 para 29 é que ocorre o pico desta onda. A anotação do dia 29, às 6hs da manhã, relata que geou e acrescenta: "A minha própria tenda estava inteiramente branca, parecendo coberta de neve. Partimos. A vegetação em todas as calmas, estava crestada, (...). Deste relato, podemos deduzir que a temperatura caiu a pelo menos 0ºC na relva, congelando o orvalho sobre as tendas dos viajantes. Detalhe: esta observação foi feita no norte de Goiás. Junho teve início com frio intenso, mas não ocorreu nenhuma excepcionalidade. Exceto a rigorosa seca que assolou o Sudeste do país. O ar seco provocou calor em junho e início de Julho na região. Nos primeiros 10 dias de julho completaram-se 2 meses sem um pingo d'água no Centro-Norte de Goiás. No dia 6 de julho ocorre uma forte elevação de temperatura, seguida de frio muito forte no dia 7. À noite, as temperaturas já estavam baixíssimas em todo o Centro-Sul do Brasil. No amanhecer de 8 de julho, quase na fronteira com o Tocantins, a água havia congelado até mesmo dentro de um cálice deixado de propósito ao ar livre. Mas já no dia 9 a temperatura voltou a subir fortemente. Faz calor após o dia 12. Mas no dia 21 volta a gear, com força, na fronteira de Goiás com o Tocantins, congelando o orvalho. OBS: Na verdade, não está certo se este registro é mesmo de Goiás. Há indícios de que pode ser do Tocantins. Volta a esquentar somente no dia 25. Em agosto, já no Tocantins, entre os dias 19 e 22 fez frio a ponto de tirar o sono de um grupo de viajantes. Na manhã do dia 22, um deles que era austríaco , relata que o frio chegava a ser desagradável de tão forte. "À SOMBRA EM GOIÁS EM 1819 TEMPO: Durante todo o mês houve somente 5 dias serenos, com sol, muito quentes, ao passo que as ... eram sempre frescas, sendo três delas com muita névoa; no dia 19, porém, a 17°6, acompanhada de forte geada ". .. . Nota: Infelizmente , não se conseguiu nenhum registro para os meses subseqüentes de 1819. Para a região Sul do Brasil também não acharam-se dados anteriores a 1820. Apenas sabemos que ocorreram violentas enchentes na região, passando para seca no Rio Grande do Sul no fim do ano. 1820 - Este ano entraria para a História do Rio Grande do Sul por ter sido registrada uma das mais fortes secas que se tem notícia na região. Não choveu de janeiro a agosto em várias áreas do Estado, ao passo que o primeiro trimestre foi muito chuvoso no Paraná. Neste ano é que surgem os primeiros registros de frio no Sul do país. Enchentes calamitosas atingiram o Centro do Brasil durante o verão e parte do outono. A primeira grande geada deste ano, atinge a região de Pirenópolis, Goiás, no dia 6 de maio. No dia 7, mais uma vez, mas ainda mais forte. Entre os dias 8 e 9 o frio aumentou mais ainda, e a noite deste último dia foi extremamente fria. A temperatura só subiria no dia 12. Relatos do Rio Grande do Sul dão conta de uma forte onda de frio iniciada na noite do dia 11 de junho e que prolongou-se até o dia 16. O frio foi considerado "excessivo"; note-se que as observações foram feitas no litoral. No dia 19 começa uma nova onda polar , que vai até o dia 21. O relato seguinte, de 4 de julho, diz que há vários dias o tempo está frio e que quase todas as noites forma-se geada em Porto Alegre. Algumas de grande intensidade. Está onda polar estendeu-se até o dia 7 , pelo menos. Não há outros relatos significativos , embora tenham ocorrido várias ondas de frio fortes até o fim de setembro. Até o momento estes são os relatos para este ano. Porto Alegre, 4 de julho 1820 - "Durante vários dias o tempo manteve-se frio. Hoje está sombrio, como na França antes de nevar, tendo chovido em grande parte do dia. Há geada quase todas as noites e o Conde mandou juntar muito gelo para fazer sorvete. Acostumado, como já estou, às altas temperaturas da zona tórrida sofro muito com o frio. Ele tira-me toda espécie de atividade, privando-me quase da faculdade de pensar. {Esse frio repete-se todos os anos. Toda a gente se queixa dele, sem contudo procurar meios eficazes de defesa contra o inverno. Apenas cuidam de agasalhar o corpo com vestes pesadas. Todos os habitantes de Porto Alegre usam em casa um espesso capote que, impedindo-lhes até os movimentos, não os impede de tremer de frio...} Ninguém tem a idéia de aquecer os quartos, trazendo-os bem fechados e munidos de lareira" 1821 - Em janeiro terminou de vez a seca no Rio Grande do Sul, passando para um regime de chuvas constantes e um outono extremamente úmido. Registrou-se uma forte onda de frio no Estado entre os dias 31 de março e 2 de abril. Nota: Na noite do dia 13 de abril, na localidade de "Tronqueira", ocorreu um tornado, o primeiro que temos registro até o momento no Brasil. Ainda precisa-se de confirmação, mas todos os dados indicam que o fenômeno não foi uma simples ventania. Durou cerca de 3 minutos e devastou boa parte da região, derrubando árvores e destruindo parcialmente casas. Abril foi excessivamente chuvoso no Rio Grande. Não conseguiu-se a data exata, mas há relatos de enchentes grandes na região do rio Uruguai.* Não foi encontrada mais nenhuma menção de frio para este ano, o que leva a deduzir que o distúbio de 1819 teve fim. Segunda Viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais e a S. Paulo / Auguste de Saint-Hilaire - 1822 Pg. 91 – Mogi das Cruzes - 13 abril. "O frio, como havia previsto, foi muito intenso esta noite e passei bem mal." 1824 - Uma carta datada de 10 de setembro, escrita pelo líder religioso da primeira leva de alemães que chegou em Nova Friburgo - RJ, assim descreve o clima da cidade: No verão é muito quente, mas o calor é suportável, pois dura somente 12 horas por dia. As noites são mais frescas que na Europa. O inverno em Nova Friburgo, não é fresco, mas frio, tão frio que vi nas partes da manhã, até às 10 horas uma crosta de gelo na água e não me arrependi de ter trazido da Alemanha uma coberta de penas. Teria ocorrido uma super onda de frio em 1824? Fonte: Blog do Carlos Alberto.(meteorologiaeclima).
  2. REITERANDO, JÁ QUE ALGUNS PASSARAM RETO.
  3. Pessoal, já passando a empolgação com a onda de frio, peço a todos os bazianos: NÃO USEM O BAZ COMO BATE-PAPO OU REDE SOCIAL PRÓPRIA. PREZEM POR INFORMAÇÃO COM BASE E DE QUALIDADE. Leiam as regras e evitem ficar sem acesso ao fórum:
  4. Onda de frio surpreendente em muitos aspectos, e no geral está me agradando bastante (mesmo sem a possibilidade de geada por aqui :c ). Hoje o ar frio ultrapassou a linha do equador e fez a temperatura cair até em Manaus. São Gabriel da Cachoeira-AM (-0,12°) teve 21,0°C hoje às 12UTC, contra 24,6°C de ontem e 24,0°C dos 3 dias anteriores no mesmo horário. Manaus registrou na convencional 23,0°C hoje as 12UTC, após ter tido mínima de 28,6°C no dia de ontem. No campo de vento em 925hPa é possível observar a chegada de ventos de quadrante Sul até o oeste da Venezuela e extremo sul de Roraima: Nos próximos dias a alta polar tende a se afastar para o oceano, mas ainda deve causar efeitos diretos ao longo da próxima semana em grande parte do Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Deve haver uma advecção intensa de ar seco que já deve impactar nas mínimas de segunda-feira, e até quinta-feira causará marcas até bem baixas mesmo no leste do Mato Grosso, sudeste do Tocantins e interior da Bahia. Minas Gerais, leste e norte de SP também devem ter mínimas baixas.
  5. Entre terça e quarta-feira espero trazer o meu parecer quanto à onda de frio.
  6. Pessoal, boa tarde! Gostaria de reforçar o lembrete para que TODOS leiam as regras do BAZ para não serem pegos de surpresa:
  7. Vinicius Lucyrio

    Recordes históricos de frio no Brasil

    Procede. Houve uma forte onda de frio entre os dias 26 e 29 de junho, com pico em 28/06. No estado de SP a geada foi a mais forte, ampla e danosa para a agricultura desde as geadas ocorridas em julho de 2000. Mas vale ressaltar que a estação automática de Sorocaba fica na verdade no município de Iperó, na Fazenda Ipanema, onde antigamente também havia uma estação convencional do INMET.
  8. O ASPS próximo da costa do Chile antecipa entradas de ar frio na América do Sul, uma vez que ele interage com sistemas de baixa pressão a leste, por vezes no Atlântico. Não necessariamente estas erupções são amplas. Uma massa de ar frio é apontada pelo modelo ECMWF na rodada das 00Z a partir de 192h, atingindo a região Sul e provocando instabilidades em parte de SP e sul de MG.
  9. Tempo muito seco em Matão há dias. A umidade relativa do ar tem ficado abaixo dos 20% em todas as tardes desde o início do mês. Por conta do ar seco, grande amplitude térmica tem sido registrada com frio de madrugada e temperaturas mais altas a tarde, mas não dá pra dizer que está fazendo calor. Desde o dia 01/08 aqui: 01/08: 11,2°C/27,6°C 02/08: 7,6°C/27,6°C 03/08: 8,2°C/27,0°C 04/08: 7,1°C/27,5°C 05/08: 7,2°C/27,9°C Hoje a mínima foi de 6,7°C, e a máxima deve ultrapassar os 28°C. A expectativa é de que o ASAS deve se afastar um pouco nos próximos dias. A próxima madrugada ainda será gelada em grande parte do Sudeste e boa parte da região Sul (que "sudestizou" rsrs). Com o afastamento gradual do ASAS, o ar quente ganha força e se expande por boa parte do Centro-Oeste e também em São Paulo. As mínimas devem ficar um pouco mais altas, mas ainda assim em torno da média para o mês, e as máximas sobem bastante. Máximas acima dos 30°C predominarão sobre o interior de SP ao longo da próxima semana, passando dos 35°C no oeste e norte do estado a partir de terça de forma mais pontual e a partir de quinta de forma mais ampla. Sobre a chuva, faz 40 dias hoje que não chove em Matão. A curto prazo não há nenhuma previsão de chuva sobre as áreas onde a estiagem está mais severa. Analisando previsões de médio prazo, há indicativo de que possa haver algum alívio na secura, com chuvas mais amplas, a partir do dia 15 de agosto. Abaixo, uma comparação entre a posição do ASAS hoje e a posição prevista para o dia 10:
  10. Para o noroeste do estado? Previsão de chuva forte? Você viu isso onde? 😅 Previsão do ECMWF 12Z de ontem: Chuva apenas para a divisa com o Paraná, sul do estado, todo o litoral, Vale do Paraíba e de forma bem mais isolada no oeste e centro paulista.
  11. Bom dia! Não se esqueçam de ler as regras!
  12. Vinicius Lucyrio

    Mudanças Climáticas - Discussões Gerais

    Eu trouxe este artigo aqui neste mesmo tópico há uns dias. Sobre poeira, algumas espécies de aerossóis geram feedback negativo nas temperaturas (ou seja, propiciam queda nas médias térmicas) por refletirem parte da radiação solar incidente, fazendo com que menos radiação chegue à superfície. Por isso que quando há grandes erupções vulcânicas há queda nas temperaturas nos meses/anos seguintes. Quedas de temperatura provocadas por aerossóis geralmente não tendem a durar muito tempo se não houve manutenção pois, principalmente os de moda grossa, não costumam ficar em suspensão por muito tempo, eles acabam se depositando na superfície.
  13. Pessoal, boa tarde! No intuito de melhorar a qualidade do fórum, fizemos algumas alterações nas regras do BAZ. Peço a todos que tirem 2 minutos para ler atentamente cada uma delas: Mensagens que não agreguem valor ao fórum podem ser desaprovadas sem prévio aviso. Fiquem atentos!
  14. Vinicius Lucyrio

    Mudanças Climáticas - Discussões Gerais

    Eu vou repetir mais uma vez que só considero esse tal ICA com referência bibliográfica de impacto no meio científico, mas aos outros pontos vamos lá. Não houve fase fria entre as décadas de 1940 e 1970, houve um período de estabilidade. Não sei ao certo o motivo, mas o retorno do aquecimento pós 1970 pode estar relacionado ao aumento importante do uso de petróleo e de carvão mineral a partir de meados da década de 1960, o que fez com que a concentração de gases do efeito estufa aumentasse muito. De fato, o uso já era crescente antes, mas num nível bem inferior. Faz sentido pensar na atividade solar como modulador natural do clima, desde que haja um impacto significante na dose de radiação solar que chega ao topo da atmosfera. Aproximadamente 50% dessa radiação chega à superfície, aquecendo a atmosfera de baixo para cima. Só que se você tem componentes que são fortes absorvedores de radiação no infravermelho termal (o calor, sendo mais informal), você acaba por compensar parte do feedback negativo na temperatura que ocorreria por uma menor irradiância chegando até a superfície, pois o calor fica retido. Para uma compensação total, seriam necessários sucessivos ciclos solares muito fracos, ao longo de muitos anos, para diminuir a quantidade de radiação terrestre retida. Sobre poeira cósmica, prefiro não opinar pois não conheço nada sobre. Mas para haver condensação de água na atmosfera (formação de nuvens, por assim dizer), é necessário que haja núcleos de condensação, que são partículas higroscópicas que servem de catalisador na formação de gotas. Sobre a Lua, conheço um pouco apenas de seus efeitos nas marés devido a ação da força gravitacional.
  15. Vinicius Lucyrio

    Mudanças Climáticas - Discussões Gerais

    O artigo que me baseei é este: Oliveira et al. (2017).pdf Este artigo teve, inclusive, revisão crítica da minha orientadora e professora na Unifei, a Drª. Michelle Reboita, que desenvolve pesquisas nas áreas de meteorologia sinótica e mudanças climáticas.
  16. Vinicius Lucyrio

    Mudanças Climáticas - Discussões Gerais

    Há ciclos naturais que interferem no clima, isso é inegável. Ano passado estudei em cima de um artigo que mostra os impactos do Sol no clima a longo prazo, mas não pela constante solar (irradiância emitida e que chega ao topo da atmosfera), um estudo sobre os ciclos de Milankowich, que são variações em movimentos da Terra em relação a si próprio e a outros corpos celestes. Algumas destas variações: - Precessão axial: é um movimento de muito baixa frequência, com ciclos que duram quase 26 mil anos, e consiste em uma variação na orientação do eixo de rotação, ou seja, é como se a Terra estivesse rodando em torno de si próprio e em torno de outro eixo como se fosse um pião (exemplo abaixo). Essa volta completa dura ~25770 anos. - Excentricidade da órbita: a Terra possui uma órbita elíptica em torno do Sol. Isso altera as distâncias Terra-Sol durante o afélio e o periélio, é como se periodicamente a órbita passasse a ser mais circular ou mais elíptica. - Inclinação axial: variação do ângulo de inclinação do eixo da Terra, que varia de 21,5° a 24,5°, num ciclo que dura 41 mil anos. Essa oscilação sozinha seria capaz de tornar estações do ano mais ou menos extremas devido à quantidade de radiação solar que chega perpendicularmente em determinadas regiões do planeta. Atualmente é 23,43°, o que compreende em termos de latitude (a norte e a sul) os trópicos. - Precessão apsidal ou orbital: esse eu vou ilustrar pois é difícil explicar. São 112 mil anos para um ciclo completo. Há vários outros. Cada ciclo tem um peso sobre o clima. Mas aí veio o homem e despejou toneladas de carbono na atmosfera, só ta acelerando alguns processos.
  17. Vinicius Lucyrio

    Mudanças Climáticas - Discussões Gerais

    Isso não sou eu quem disse, é a ciência. Opinião sem base e achismo não vale nada aqui.
  18. Vinicius Lucyrio

    Mudanças Climáticas - Discussões Gerais

    Vou tentar ser breve e didático, e tentar definir alguns termos. Radiação de onda curta (até ~4 micrômetros, compreende as bandas do UV, Visível e Infravermelho próximo) é a radiação dita solar. Radiação de onda longa (> 4 micrômetros, na faixa do infravermelho termal ou distante) é a radiação emitida pela superfície terrestre, ou a dita radiação terrestre. Em radiação, um corpo negro é definido como um corpo que emite toda a radiação que absorve, não retendo nada. Efeito estufa é um processo natural pelo qual a atmosfera, com seus componentes, retém parte da radiação terrestre, o que mantém o planeta numa temperatura propícia a vida. Apenas 1% dos gases que compõem a atmosfera são os ditos gases-traço, pois estão em quantidades muito pequenas, dentre eles estão o Ozônio, Dióxido de Carbono, Monóxido de Carbono, Óxidos de Nitrogênio, Metano, etc. Cada gás absorve radiação em determinadas bandas do espectro eletromagnético. Quando falamos de efeito estufa, falamos principalmente do efeito do vapor d'água (o principal) e o dióxido de carbono (que tem suas concentrações aumentando ano após ano). Estes dois gases absorvem muita radiação em faixas termais do espectro, por isso o efeito no aquecimento do planeta. Aquecimento global é o fenômeno causado pelo desequilíbrio do efeito estufa, ou seja, o aumento na concentração de alguns componentes. Não é difícil entender: o dióxido de carbono, mesmo em partes por milhão, tem alta capacidade de absorção de radiação terrestre. As concentrações crescentes aumentam essa capacidade cada vez mais, o que aquece a troposfera, aquece as massas d'água aumentando a concentração de vapor d'água o que aumenta AINDA MAIS a retenção de radiação. Quanto ao papel da radiação solar, ela tem pouca participação no aquecimento direto da atmosfera. Ela precisa chegar à superfície, e aí sim por meio da radiação terrestre aquecer a troposfera de baixo para cima. Os ciclos solares poderiam ter algum efeito se a concentração dos gases do efeito estufa estivessem dentro de uma faixa considerada normal. Ah, outra coisa, o CO2 é um gás de alto tempo de residência na atmosfera, ele não fica pouco tempo à deriva depois de ser emitido. Estamos falando de algo em torno de 100 anos. Não pense que por ser uma concentração na ordem de ppm não vai ter efeitos no clima. Vai. E isso pode ser explicado matematicamente. Eu, na minha paixão por frio, tinha uma visão limitada pois via apenas o que eu queria ver, mas me livrei disso, amém. Sobre este tal de ICA, ainda espero uma referência bibliográfica de impacto.
  19. Um esquema bem grosseiro, diga-se de passagem hahaha. Cheguei a essa conclusão numa conversa com o @Augusto Goelzer sobre padrões atmosféricos associados a picos negativos da Oscilação Antártica, que querendo ou não é um dos principais moduladores do clima durante o inverno climático no Hemisfério Sul. Resolvi plotar alguns campos, como anomalia da altura geopotencial em 500 hPa (H500), para verificar a maior propensão a formação de bloqueios durante estes picos. Em tese, quando a AAO é negativa o cinturão de westerlies (ventos de oeste) tende a se apresentar pouco mais ao norte e enfraquecido, o que gera de certa maneira maior deformação, digamos assim. Portanto, na fase negativa (considerei apenas os meses de junho e julho na análise), há uma maior tendência para a formação de bloqueios nas regiões sub-polares, que pode acabar refletindo nos trópicos. Em linhas mais gerais, há uma maior eficiência na troca de calor polo-trópico. Conservação de massa: se ar frio sobe, ar quente tem que descer, e vice-versa. Na análise considerei as seguintes datas: 28/07/1980, 24/06/1983, 14/07/1990, 24/07/1991, 20/06/1992, 28/06/1992, 24/06/1994, 08/07/1995, 19/07/1995, 26/07/1995, 17/06/1999, 17/07/2001, 24/06/2007, 05/07/2007, 24/07/2007, 28/06/2009, 29/07/2011. Estas datas coincidem com picos abaixo de -3 no índice da AAO desde 1979. Fiz uma composição destas datas para a anomalia de H500 e para a temperatura em 850 hPa (T850). Abaixo, os mapas de d0 (dia do pico negativo da AAO) até d+5 (5 dias após o pico). H500 T850 Notem que há um certo padrão tripolar, em que há anomalias positivas de H500 a oeste da Península Antártica e a leste do Sudeste do Brasil; o primeiro padrão configura um bloqueio clássico, em que uma alta anômala permanece por vários dias estacionada numa região, o que provoca desvio do fluxo zonal (por conta da alta no meio do caminho ele toma uma orientação meridional) ou mesmo uma bifurcação. O segundo padrão não é formalmente reconhecido como bloqueio, mas podemos dizer que é. Entre estas duas regiões com anomalias positivas temos uma região com anomalias bem negativas de H500, que é caracterizada por um cavamento. A interação das duas circulações contrastantes acaba impulsionando muito ar frio de regiões polares para o sul do continente, e é bem perceptível que do pico negativo da AAO até vários dias depois a advecção de ar polar é intensa e praticamente constante. O padrão da H500 pode denotar um trem de ondas de Rossby, tema sobre o qual não me arrisco a falar muito agora pois meus conhecimentos são bem superficiais; devo aprofundar no próximo semestre e no início de 2021 pois farei as disciplinas de meteorologia dinâmica 1 e 2. Então, mesmo que o AAO negativo esteja relacionado a melhor troca de calor entre altas e baixas latitudes, não é possível fazer uma associação com eventos de frio intensos na região Sudeste. Contudo, a Argentina, Uruguai e sul do Brasil tem anomalias negativas de temperatura acentuadas quando há grande queda na AAO entre os meses de junho e julho. Vale lembrar que nada aqui é exato. A correlação é alta, mas não quer dizer que em 100% das vezes isso acontecerá.
  20. Moisés, lendo a sua mensagem me surgiram algumas dúvidas. 1 - O que seria exatamente "parâmetro de escoamento massa polar"? 2 - O que seria "condição isotérmica 850"?
  21. O alerta de chuva mais volumosa vale para a próxima madrugada e manhã de amanhã.
  22. Considerando grandes quantidades de nuvens, não apenas uma fibrazinha ou um cumulus mediocris, as nuvens altas tem um papel importante no balanço radiativo, e explico o porquê. Nuvens altas refletem pouco da radiação solar incidente, mas refletem muita radiação terrestre (de ondas longas, infravermelho termal), e isso gera um feedback positivo, ou seja, tem um papel de aquecimento (mesmo que pouco, mas tem). Nuvens cumuliformes refletem muita radiação solar, e por este motivo tem feedback negativo (resfriamento), mas ao mesmo tempo há um feedback positivo causado pela refletância de radiação terrestre e pela emissão de radiação no infravermelho pela mesma. Em termos líquidos, nuvens baixas são resfriadoras e nuvens altas são aquecedoras.
  23. Vamos a alguns esclarecimentos. Segundo Espinoza et al. (2012), que estudaram ondas de frio a leste dos Andes e sua propagação da Argentina até a Amazônia peruana durante o inverno climático, as ondas de frio em geral seguem três trajetórias principais pela América do Sul: ao longo da costa Atlântica (o que a gente aqui no BAZ conhece por mp marítima), seguindo o curso do Rio Paraná, e por último pelo caminho entre os Andes e o Planalto Brasileiro. Se não há boi na linha, o caminho é livre para o ar frio na passagem mais fácil, entre o Planalto Brasileiro e os Andes. Ar frio é denso, prefere regiões mais baixas, não é comum ele ser espesso em latitudes menores. Pode notar que a "forçante" para uma onda de frio tipicamente oceânica é a presença de sistemas semiestacionários no Chaco que impedem a passagem de ar mais frio. Em meados de 2019, eu, minha orientadora (Drª. Michelle Reboita) e nosso estimado @Marcelo publicamos um artigo na Revista Brasileira de Climatologia com o objetivo de identificar picos intensos de frio sobre o nordeste do estado de SP e estudar suas características sinóticas médias. Identificamos o clássico padrão da interação entre alta com centro no norte da Argentina/oeste do Paraguai e uma zona de mais baixa pressão no Atlântico, próxima da costa, além de um cavado em médios níveis que acompanha ondulação em altos níveis com eixo de orientação predominantemente meridional. Um dos precursores das invasões frias é a aproximação da Alta Subtropical do Pacífico Sul (ASPS) por leste e que encontra os Andes no caminho. O ASPS interage com baixas no Atlântico, impulsionando ar frio para norte. Ao encontrar os Andes, parte da circulação anticiclônica transpõe a cordilheira numa porção de menores altitudes. Esta nova alta, transiente, ganha força devido ao ar frio em superfície e suporte dinâmico de sistemas em médios e altos níveis (os cavados). Então aqui vamos desfazer uma confusão comum: o ar frio não vem do Pacífico. O nosso ar frio pode vir do Mar de Bellingshausen (mais comum) ou do Mar de Weddel, ele é impulsionado pela circulação dos sistemas. Este padrão é médio, são características compostas de 12 casos específicos, obviamente ocorrem variações. Uma das variantes que podemos encontrar é a entrada e fortalecimento de uma alta transiente mas pelo sul do continente, sem passar pela barreira dos Andes. Isso em geral acontece devido ao impedimento causado por outros sistemas no caminho. Girardi (1983) descreveu a possibilidade de se prever geadas no Sul e Sudeste do país a partir de imagens de satélite, e neste trabalho analisou o caso de julho de 1975, bem emblemático, em que identificou a presença de uma região sem nuvens e bastante escura nas imagens, caracterizada por grande estabilidade e subsidência (fluxo de cima para baixo), típico de regiões de alta pressão. O nome "Poço dos Andes", que deu o título ao seu trabalho, foi dado em virtude da escuridão observada nas imagens. Um fato que quase ninguém conhece é que neste mesmo trabalho ele analisa outro caso em abril de 1971 e julho de 1982. Poço dos Andes não é raro, ele na verdade é bem presente em grande parte das invasões de ar frio nas quais há presença de alta semiestacionada no litoral do Chile. As referências que utilizei, além do meu artigo: (1) Espinoza, J. C., Ronchail, J., Lengaigne, M., Quispe, N., Silva, Y., Bettolli, M. L., ... & Llacza, A. (2013). Revisiting wintertime cold air intrusions at the east of the Andes: propagating features from subtropical Argentina to Peruvian Amazon and relationship with large-scale circulation patterns. Climate dynamics, 41(7-8), 1983-2002. https://doi.org/10.1007/s00382-012-1639-y (2) Girardi, C. (1983) O Poço dos Andes. Meteorologia, 39. http://www.repositorio.furg.br/bitstream/handle/1/1122/PESQUECLIMA Vulnerabilidade das Comunidades Pesqueiras à Variabilidade Climática, na Região Estuarina da Lagoa dos Patos.pdf?sequence=1#page=41 (3) Lucyrio, V., Reboita, M. S., & Albieri, M. C. G. (2019). Ondas de frio intensas sobre o Centro-Norte do Estado de São Paulo de 1961 a 2017. Revista Brasileira de Climatologia, n.15, v.25. https://revistas.ufpr.br/revistaabclima/article/view/68125/39661
  24. Prezado Peregrine, Não quero ser arrogante nem nada disso, mas é completamente ilógico pensar numa inversão da circulação de padrão zonal para meridional. O que podemos observar, e de fato ocorre, é a inversão no fluxo zonal equatorial na estratosfera a cada ~14 meses, que é conhecida como Oscilação Quase-Bienal (QBO). Agora, o fluxo zonal mudar para meridional a cada 30 anos, só se o eixo da terra inclinasse 90° e olhe lá. E quando você fala índice, em meteorologia entendemos que são indicadores. Modelo é conceito, índice é número. Seria interessante você trazer estudos relevantes sobre o assunto, caso contrário não tem como considerar essa hipótese que, na minha visão, não tem a menor lógica.
  25. Poderia me falar mais sobre este índice? Como ele é calculado? Quais as referências bibliográficas? Como ocorre essa "inversão" da circulação de zonal para meridional? Em quais níveis da atmosfera isso ocorre? Como isso interfere nas transferências de calor entre regiões polares e tropicais? Me explique, estou curioso.
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