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Brasil Abaixo de Zero

Vinicius Lucyrio

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Everything posted by Vinicius Lucyrio

  1. Um esquema bem grosseiro, diga-se de passagem hahaha. Cheguei a essa conclusão numa conversa com o @Augusto Goelzer sobre padrões atmosféricos associados a picos negativos da Oscilação Antártica, que querendo ou não é um dos principais moduladores do clima durante o inverno climático no Hemisfério Sul. Resolvi plotar alguns campos, como anomalia da altura geopotencial em 500 hPa (H500), para verificar a maior propensão a formação de bloqueios durante estes picos. Em tese, quando a AAO é negativa o cinturão de westerlies (ventos de oeste) tende a se apresentar pouco mais ao norte e enfraquecido, o que gera de certa maneira maior deformação, digamos assim. Portanto, na fase negativa (considerei apenas os meses de junho e julho na análise), há uma maior tendência para a formação de bloqueios nas regiões sub-polares, que pode acabar refletindo nos trópicos. Em linhas mais gerais, há uma maior eficiência na troca de calor polo-trópico. Conservação de massa: se ar frio sobe, ar quente tem que descer, e vice-versa. Na análise considerei as seguintes datas: 28/07/1980, 24/06/1983, 14/07/1990, 24/07/1991, 20/06/1992, 28/06/1992, 24/06/1994, 08/07/1995, 19/07/1995, 26/07/1995, 17/06/1999, 17/07/2001, 24/06/2007, 05/07/2007, 24/07/2007, 28/06/2009, 29/07/2011. Estas datas coincidem com picos abaixo de -3 no índice da AAO desde 1979. Fiz uma composição destas datas para a anomalia de H500 e para a temperatura em 850 hPa (T850). Abaixo, os mapas de d0 (dia do pico negativo da AAO) até d+5 (5 dias após o pico). H500 T850 Notem que há um certo padrão tripolar, em que há anomalias positivas de H500 a oeste da Península Antártica e a leste do Sudeste do Brasil; o primeiro padrão configura um bloqueio clássico, em que uma alta anômala permanece por vários dias estacionada numa região, o que provoca desvio do fluxo zonal (por conta da alta no meio do caminho ele toma uma orientação meridional) ou mesmo uma bifurcação. O segundo padrão não é formalmente reconhecido como bloqueio, mas podemos dizer que é. Entre estas duas regiões com anomalias positivas temos uma região com anomalias bem negativas de H500, que é caracterizada por um cavamento. A interação das duas circulações contrastantes acaba impulsionando muito ar frio de regiões polares para o sul do continente, e é bem perceptível que do pico negativo da AAO até vários dias depois a advecção de ar polar é intensa e praticamente constante. O padrão da H500 pode denotar um trem de ondas de Rossby, tema sobre o qual não me arrisco a falar muito agora pois meus conhecimentos são bem superficiais; devo aprofundar no próximo semestre e no início de 2021 pois farei as disciplinas de meteorologia dinâmica 1 e 2. Então, mesmo que o AAO negativo esteja relacionado a melhor troca de calor entre altas e baixas latitudes, não é possível fazer uma associação com eventos de frio intensos na região Sudeste. Contudo, a Argentina, Uruguai e sul do Brasil tem anomalias negativas de temperatura acentuadas quando há grande queda na AAO entre os meses de junho e julho. Vale lembrar que nada aqui é exato. A correlação é alta, mas não quer dizer que em 100% das vezes isso acontecerá.
  2. Moisés, lendo a sua mensagem me surgiram algumas dúvidas. 1 - O que seria exatamente "parâmetro de escoamento massa polar"? 2 - O que seria "condição isotérmica 850"?
  3. O alerta de chuva mais volumosa vale para a próxima madrugada e manhã de amanhã.
  4. Considerando grandes quantidades de nuvens, não apenas uma fibrazinha ou um cumulus mediocris, as nuvens altas tem um papel importante no balanço radiativo, e explico o porquê. Nuvens altas refletem pouco da radiação solar incidente, mas refletem muita radiação terrestre (de ondas longas, infravermelho termal), e isso gera um feedback positivo, ou seja, tem um papel de aquecimento (mesmo que pouco, mas tem). Nuvens cumuliformes refletem muita radiação solar, e por este motivo tem feedback negativo (resfriamento), mas ao mesmo tempo há um feedback positivo causado pela refletância de radiação terrestre e pela emissão de radiação no infravermelho pela mesma. Em termos líquidos, nuvens baixas são resfriadoras e nuvens altas são aquecedoras.
  5. Vamos a alguns esclarecimentos. Segundo Espinoza et al. (2012), que estudaram ondas de frio a leste dos Andes e sua propagação da Argentina até a Amazônia peruana durante o inverno climático, as ondas de frio em geral seguem três trajetórias principais pela América do Sul: ao longo da costa Atlântica (o que a gente aqui no BAZ conhece por mp marítima), seguindo o curso do Rio Paraná, e por último pelo caminho entre os Andes e o Planalto Brasileiro. Se não há boi na linha, o caminho é livre para o ar frio na passagem mais fácil, entre o Planalto Brasileiro e os Andes. Ar frio é denso, prefere regiões mais baixas, não é comum ele ser espesso em latitudes menores. Pode notar que a "forçante" para uma onda de frio tipicamente oceânica é a presença de sistemas semiestacionários no Chaco que impedem a passagem de ar mais frio. Em meados de 2019, eu, minha orientadora (Drª. Michelle Reboita) e nosso estimado @Marcelo publicamos um artigo na Revista Brasileira de Climatologia com o objetivo de identificar picos intensos de frio sobre o nordeste do estado de SP e estudar suas características sinóticas médias. Identificamos o clássico padrão da interação entre alta com centro no norte da Argentina/oeste do Paraguai e uma zona de mais baixa pressão no Atlântico, próxima da costa, além de um cavado em médios níveis que acompanha ondulação em altos níveis com eixo de orientação predominantemente meridional. Um dos precursores das invasões frias é a aproximação da Alta Subtropical do Pacífico Sul (ASPS) por leste e que encontra os Andes no caminho. O ASPS interage com baixas no Atlântico, impulsionando ar frio para norte. Ao encontrar os Andes, parte da circulação anticiclônica transpõe a cordilheira numa porção de menores altitudes. Esta nova alta, transiente, ganha força devido ao ar frio em superfície e suporte dinâmico de sistemas em médios e altos níveis (os cavados). Então aqui vamos desfazer uma confusão comum: o ar frio não vem do Pacífico. O nosso ar frio pode vir do Mar de Bellingshausen (mais comum) ou do Mar de Weddel, ele é impulsionado pela circulação dos sistemas. Este padrão é médio, são características compostas de 12 casos específicos, obviamente ocorrem variações. Uma das variantes que podemos encontrar é a entrada e fortalecimento de uma alta transiente mas pelo sul do continente, sem passar pela barreira dos Andes. Isso em geral acontece devido ao impedimento causado por outros sistemas no caminho. Girardi (1983) descreveu a possibilidade de se prever geadas no Sul e Sudeste do país a partir de imagens de satélite, e neste trabalho analisou o caso de julho de 1975, bem emblemático, em que identificou a presença de uma região sem nuvens e bastante escura nas imagens, caracterizada por grande estabilidade e subsidência (fluxo de cima para baixo), típico de regiões de alta pressão. O nome "Poço dos Andes", que deu o título ao seu trabalho, foi dado em virtude da escuridão observada nas imagens. Um fato que quase ninguém conhece é que neste mesmo trabalho ele analisa outro caso em abril de 1971 e julho de 1982. Poço dos Andes não é raro, ele na verdade é bem presente em grande parte das invasões de ar frio nas quais há presença de alta semiestacionada no litoral do Chile. As referências que utilizei, além do meu artigo: (1) Espinoza, J. C., Ronchail, J., Lengaigne, M., Quispe, N., Silva, Y., Bettolli, M. L., ... & Llacza, A. (2013). Revisiting wintertime cold air intrusions at the east of the Andes: propagating features from subtropical Argentina to Peruvian Amazon and relationship with large-scale circulation patterns. Climate dynamics, 41(7-8), 1983-2002. https://doi.org/10.1007/s00382-012-1639-y (2) Girardi, C. (1983) O Poço dos Andes. Meteorologia, 39. http://www.repositorio.furg.br/bitstream/handle/1/1122/PESQUECLIMA Vulnerabilidade das Comunidades Pesqueiras à Variabilidade Climática, na Região Estuarina da Lagoa dos Patos.pdf?sequence=1#page=41 (3) Lucyrio, V., Reboita, M. S., & Albieri, M. C. G. (2019). Ondas de frio intensas sobre o Centro-Norte do Estado de São Paulo de 1961 a 2017. Revista Brasileira de Climatologia, n.15, v.25. https://revistas.ufpr.br/revistaabclima/article/view/68125/39661
  6. Prezado Peregrine, Não quero ser arrogante nem nada disso, mas é completamente ilógico pensar numa inversão da circulação de padrão zonal para meridional. O que podemos observar, e de fato ocorre, é a inversão no fluxo zonal equatorial na estratosfera a cada ~14 meses, que é conhecida como Oscilação Quase-Bienal (QBO). Agora, o fluxo zonal mudar para meridional a cada 30 anos, só se o eixo da terra inclinasse 90° e olhe lá. E quando você fala índice, em meteorologia entendemos que são indicadores. Modelo é conceito, índice é número. Seria interessante você trazer estudos relevantes sobre o assunto, caso contrário não tem como considerar essa hipótese que, na minha visão, não tem a menor lógica.
  7. Poderia me falar mais sobre este índice? Como ele é calculado? Quais as referências bibliográficas? Como ocorre essa "inversão" da circulação de zonal para meridional? Em quais níveis da atmosfera isso ocorre? Como isso interfere nas transferências de calor entre regiões polares e tropicais? Me explique, estou curioso.
  8. Como vem sendo discutido já pelos usuários, a partir dos próximos dias as fortes anomalias positivas devem sofrer reversão com a virada de chave (que pode ser alucinante). Vejam as anomalias das próximas 2 pêntadas pelo euro das 00Z: Apesar do Sudeste aparecer ainda quente na segunda pêntada, é provável que isso mude na primeira semana de julho com o ingresso de ar mais frio em boa parte do país. Prefiro usar palavras que não exprimem certeza pois ainda temos uma boa instabilidade para os pulsos de frio do início do próximo mês. Por ora, temos uma maior confiabilidade nos próximos dois pulsos que devem congelar a Argentina. Abaixo, picos em 850 hPa e 700 hPa: Como podem bem observar, temperaturas na casa de -15/-18°C em 850 hPa na Patagônia e em torno de -25°C em 700 hPa. Estes valores são extraordinários. Portanto, a Argentina deve se preparar para um longo período de frio intenso e que pode trazer problemas para o país. Boa parte do país deve ter temperaturas (muito) abaixo de 0°C e a neve deve ser ampla. Ok, mas por que esse porrete todo? Vocês vão achar irônico, mas: bloqueio. Sim, bloqueio. Explico: a partir do dia 24, uma alta pressão vai se estabelecer no Oceano Antártico, entre a Terra do Fogo e a Península Antártica, pouco a oeste, e deve permanecer ali por vários dias. Empilhada a esta alta em superfície tem outra em médios níveis, o que é característico de bloqueios de alta. (Observem no topo da imagem). Ela não apenas vai ficar semiestacionada como vai ganhar muita força. Essa configuração de bloqueio permite que a circulação anticiclônica advecte ar gelado de forma contínua e espessa (por conta da alta empilhada) diretamente da Península Antártica e do Mar de Weddel. Sobre a onda de frio do início de julho, EU considero altamente provável, mas olhando os modelos o cenário ainda é aberto e está distante. O mais certo no momento é o congelamento na Argentina. Vamos acompanhando.
  9. Vinicius Lucyrio

    O Tempo Antigamente

    Do finado MeteoBrasil, um post do Allef Matos: Abri este tópico para tratarmos dos fenômenos meteorológicos ocorridos num passado mais distante. Para começar alguns dados sobre ondas de frio extrema entre 1814 á 1824 no país. Vejam abaixo descrições de como o frio foi intenso naquele período entre 1818-1821 no interior do Brasil , segundo trechos em livros: 1814 - Datam deste ano, os primeiros registros achados a respeito do frio. Existem referências, oriundas de 3 fontes distintas (todas de MG), que fazem menção a uma violentíssima onda de frio neste ano. Ainda não foi determinado o local exato onde foram feitas as seguintes observações. Aparentemente as anotações principais provêm de Ouro Preto. Os dados dizem que geou durante 8 dias consecutivos. A água congelou em mais de 1 dedo de espessura e houve dia em que à sombra , não derretia, mesmo durante o dia. A devastação das lavouras e das florestas foi catastrófica. Florestas inteiras morreram, dando lugar ao capim e 4 anos depois ainda não haviam se recuperado. Os peixes, na maioria dos rios foram dizimados. Há um registro de 1818, no qual fala-se de árvores mortas nesta onda de frio , numa região não muito longe de Juiz de Fora ( cerca de 20 ou 30 KM à noroeste da atual cidade). Aparentemente , esta geada atingiu todo o Centro ??? Sul de Minas Gerais. 1815 - explosão do vulcão Tambora. 1818 - O verão de 1817 para 1818 foi extremamente chuvoso no Sudeste do Brasil. As chuvas começaram em outubro de 1817, atingiram níveis fortes em novembro do referido ano e prolongaram-se terrívelmente intensas e quase sem interrupções até março de 1818. Por outro lado, em abril / maio teve início uma rigorosa seca, também na região Sudeste e que durou até a segunda quinzena de outubro, fazendo a população padecer , assim como as enchentes gigantescas do começo do ano. Na primavera de 1818 é que surgem os primeiros indícios de um distúrbio meteorológico ; o mais forte ligado ao frio no Brasil dos até agora verificados. Em 25 de setembro é registrada geada nas proximidades de Juiz de Fora-MG. O frio permaneceu forte na região até o dia 30 do mesmo mês. Em outubro, a seca atingiu seu auge em Minas. Em Barbacena há registros de procissões para que ocorresse o fim do problema. E finalmente, nos dias 19 e 20, começa a temporada da chuvas. Novembro começa chuvoso no Estado. No dia 4 ocorrem temporais na região de Bambuí. Aqui começa uma baixa de temperatura interessante: na noite do dia 5, segundo um viajante, foi necessário o uso de fogueiras de fogo alto, mas que incrívelmente não conseguiam aquecer. E a manhã do dia 6 foi espantosamente fria. Geou com grande intensidade. O registro diz que às 8 hs, a vegetação estava coberta de espessa geada. Sabe-se apenas que esta anotação foi feita na região de Bambuí, em uma baixada. O frio perdeu força rapidamente no dia 7. Anotações feitas na Bahia falam de violentos temporais neste dia. Seria a frente fria? Outra coisa importante a destacar-se é o fato de que as chuvas de novembro e dezembro deste ano em Minas , parecerem ter sido irregulares espacialmente. Enquanto em algumas regiões houve muita chuva, em outras quase não choveu. OBS: Existe uma nota que fala de muito frio na noite de 16 de dezembro. Janeiro 1818 São Paulo " A diferença de temperatura no inverno (maio-setembro) e no verão e nos meses chuvosos (outubro a abril) é significativa, deitado nas províncias do norte. Não é incomum ver, mesmo que não diretamente para a cidade, mas nas regiões mais altas de geadas durante a estação fria, o frio é tão sensível e persistente, mas nunca que você acha que ele iria criar para além do habitual fogareiros e fogões. Sobre as Grandes Planícies, que estendem a oeste e ao sul da capital, nota-se uma proporção constante dos ventos para a posição do sol. Onde que está localizado nos sinais do Norte, Estado SSW e ventos SE. Quando ela se vira para o S., os ventos são menos duráveis ". Janeiro 1818 - Ouro Preto "O clima desta capitania é devido à posição alta na maior parte bastante fresca, a fruta europeus e os preços da fruta. O termômetro alterado durante a nossa estadia em Villa Rica, de l muito: ele ficou na parte da manhã antes do amanhecer a 12 ° C, ao meio-dia a 23 °, na noite i6 °, 14 ° à meia-noite. O barômetro subiu e desceu entre 23 ° e 25,50 ", o Fischbeinhygrometer mostrou que 55 ° a 70 °. (:.:-) O clima foi muito agradável, mas freqüentemente resfriado por uma tempestade repentina. Durante os meses mais frios Junnho e Júlho entra por vezes soprar as culturas de maturação muito prejudicial um, era assim nos anos anteriores à nossa chegada, uma parcela considerável da colheita de bananas, cana-de-açúcar e café gelado. Os ventos aqui a partir de direcções diferentes, e nunca trazem com grande cordialidade, mas denso nevoeiro em que são muitas vezes os topos das montanhas vizinhas olhar envolvido" .( Obs: Estas temperaturas foram feitas em janeiro, ou seja amanhecia com 12 graus em pleno verão,e a máxima não passava de 23 graus) 1819 - Este ano é o grande ano quando se fala de frio no Brasil. Não há confirmação de todas as informações ainda e o porque de frio tão violento. Janeiro começa com temperaturas relativamente normais no Centro do país. Porém, registros de Goiás revelam que no dia 14, algo de estranho começou a acontecer... Anotações realizadas perto da atual cidade de Jaraguá (GO), indicam que o dia 14 foi quente, mas houve então um forte temporal, após o qual a temperatura baixou violentamente. Não se fala mais nada, até que se relata um fato no mínimo estranho: GEOU NA REGIÃO DE JARAGUÁ, GOIÁS, NO DIA 19 DE JANEIRO, EM PLENO VERÃO, NUMA ÁREA ABAIXO DE 1000 METROS DE ALTITUDE. O registro aponta para às 8hs da manhã forte geada. Esta anotação foi feita num engenho de cana-de-açúcar. No mesmo dia relata-se que foram achadas mortas várias cascavéis da grossura de um braço. OBS: Ao ser achado este registro, pensou-se que tratava-se de algum erro, mas verificando todas as outras anotações percebeu-se que era realmente isto que o autor queria dizer. Também é difícil que seja erro de tradução, pois os originais em alemão foram verificados por pelo menos 3 tradutores e todos traduziram o trecho da mesma forma. Porém é necessário a procura de novas fontes para este ano, que possam esclarecer melhor o fato, assim como confirmá-lo ou desmentí -lo. O anotador fazia parte de uma expedição científica, encomendada por um monarca europeu. Choveu bastante na região de Goiás, da segunda quinzena de janeiro a meados de abril. A noite de 30 de abril para 1º de maio foi muito fria. Em uma localidade ainda não identificada da região central do Estado, o amanhecer deste dia foi de geada forte. E curiosamente, no dia 3, gafanhotos passam por lá. Maio segue tranqüilo até o dia 25, quando se relata muito frio. Na noite de 28 para 29 é que ocorre o pico desta onda. A anotação do dia 29, às 6hs da manhã, relata que geou e acrescenta: "A minha própria tenda estava inteiramente branca, parecendo coberta de neve. Partimos. A vegetação em todas as calmas, estava crestada, (...). Deste relato, podemos deduzir que a temperatura caiu a pelo menos 0ºC na relva, congelando o orvalho sobre as tendas dos viajantes. Detalhe: esta observação foi feita no norte de Goiás. Junho teve início com frio intenso, mas não ocorreu nenhuma excepcionalidade. Exceto a rigorosa seca que assolou o Sudeste do país. O ar seco provocou calor em junho e início de Julho na região. Nos primeiros 10 dias de julho completaram-se 2 meses sem um pingo d'água no Centro-Norte de Goiás. No dia 6 de julho ocorre uma forte elevação de temperatura, seguida de frio muito forte no dia 7. À noite, as temperaturas já estavam baixíssimas em todo o Centro-Sul do Brasil. No amanhecer de 8 de julho, quase na fronteira com o Tocantins, a água havia congelado até mesmo dentro de um cálice deixado de propósito ao ar livre. Mas já no dia 9 a temperatura voltou a subir fortemente. Faz calor após o dia 12. Mas no dia 21 volta a gear, com força, na fronteira de Goiás com o Tocantins, congelando o orvalho. OBS: Na verdade, não está certo se este registro é mesmo de Goiás. Há indícios de que pode ser do Tocantins. Volta a esquentar somente no dia 25. Em agosto, já no Tocantins, entre os dias 19 e 22 fez frio a ponto de tirar o sono de um grupo de viajantes. Na manhã do dia 22, um deles que era austríaco , relata que o frio chegava a ser desagradável de tão forte. "À SOMBRA EM GOIÁS EM 1819 TEMPO: Durante todo o mês houve somente 5 dias serenos, com sol, muito quentes, ao passo que as ... eram sempre frescas, sendo três delas com muita névoa; no dia 19, porém, a 17°6, acompanhada de forte geada ". .. . Nota: Infelizmente , não se conseguiu nenhum registro para os meses subseqüentes de 1819. Para a região Sul do Brasil também não acharam-se dados anteriores a 1820. Apenas sabemos que ocorreram violentas enchentes na região, passando para seca no Rio Grande do Sul no fim do ano. 1820 - Este ano entraria para a História do Rio Grande do Sul por ter sido registrada uma das mais fortes secas que se tem notícia na região. Não choveu de janeiro a agosto em várias áreas do Estado, ao passo que o primeiro trimestre foi muito chuvoso no Paraná. Neste ano é que surgem os primeiros registros de frio no Sul do país. Enchentes calamitosas atingiram o Centro do Brasil durante o verão e parte do outono. A primeira grande geada deste ano, atinge a região de Pirenópolis, Goiás, no dia 6 de maio. No dia 7, mais uma vez, mas ainda mais forte. Entre os dias 8 e 9 o frio aumentou mais ainda, e a noite deste último dia foi extremamente fria. A temperatura só subiria no dia 12. Relatos do Rio Grande do Sul dão conta de uma forte onda de frio iniciada na noite do dia 11 de junho e que prolongou-se até o dia 16. O frio foi considerado "excessivo"; note-se que as observações foram feitas no litoral. No dia 19 começa uma nova onda polar , que vai até o dia 21. O relato seguinte, de 4 de julho, diz que há vários dias o tempo está frio e que quase todas as noites forma-se geada em Porto Alegre. Algumas de grande intensidade. Está onda polar estendeu-se até o dia 7 , pelo menos. Não há outros relatos significativos , embora tenham ocorrido várias ondas de frio fortes até o fim de setembro. Até o momento estes são os relatos para este ano. Porto Alegre, 4 de julho 1820 - "Durante vários dias o tempo manteve-se frio. Hoje está sombrio, como na França antes de nevar, tendo chovido em grande parte do dia. Há geada quase todas as noites e o Conde mandou juntar muito gelo para fazer sorvete. Acostumado, como já estou, às altas temperaturas da zona tórrida sofro muito com o frio. Ele tira-me toda espécie de atividade, privando-me quase da faculdade de pensar. {Esse frio repete-se todos os anos. Toda a gente se queixa dele, sem contudo procurar meios eficazes de defesa contra o inverno. Apenas cuidam de agasalhar o corpo com vestes pesadas. Todos os habitantes de Porto Alegre usam em casa um espesso capote que, impedindo-lhes até os movimentos, não os impede de tremer de frio...} Ninguém tem a idéia de aquecer os quartos, trazendo-os bem fechados e munidos de lareira" 1821 - Em janeiro terminou de vez a seca no Rio Grande do Sul, passando para um regime de chuvas constantes e um outono extremamente úmido. Registrou-se uma forte onda de frio no Estado entre os dias 31 de março e 2 de abril. Nota: Na noite do dia 13 de abril, na localidade de "Tronqueira", ocorreu um tornado, o primeiro que temos registro até o momento no Brasil. Ainda precisa-se de confirmação, mas todos os dados indicam que o fenômeno não foi uma simples ventania. Durou cerca de 3 minutos e devastou boa parte da região, derrubando árvores e destruindo parcialmente casas. Abril foi excessivamente chuvoso no Rio Grande. Não conseguiu-se a data exata, mas há relatos de enchentes grandes na região do rio Uruguai.* Não foi encontrada mais nenhuma menção de frio para este ano, o que leva a deduzir que o distúbio de 1819 teve fim. Segunda Viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais e a S. Paulo / Auguste de Saint-Hilaire - 1822 Pg. 91 – Mogi das Cruzes - 13 abril. "O frio, como havia previsto, foi muito intenso esta noite e passei bem mal." 1824 - Uma carta datada de 10 de setembro, escrita pelo líder religioso da primeira leva de alemães que chegou em Nova Friburgo - RJ, assim descreve o clima da cidade: No verão é muito quente, mas o calor é suportável, pois dura somente 12 horas por dia. As noites são mais frescas que na Europa. O inverno em Nova Friburgo, não é fresco, mas frio, tão frio que vi nas partes da manhã, até às 10 horas uma crosta de gelo na água e não me arrependi de ter trazido da Alemanha uma coberta de penas. Teria ocorrido uma super onda de frio em 1824? Fonte: Blog do Carlos Alberto.(meteorologiaeclima).
  10. A próxima madrugada deve ter algumas mudanças de padrões em relação à anterior devido ao deslocamento do anticiclone para leste, o que fará predominar ventos de quadrante SE em toda a região Sudeste. No interior de SP os ventos devem ser mais persistentes, o que deve gerar sensação térmica mais baixa em vários locais do que na última madrugada, apesar de geral ter mínimas superiores. Nas baixadas protegidas de ventos deste quadrante a queda deverá ser intensa e comparável a ontem. Na Serra da Mantiqueira, principalmente porção interna (Minas Gerais), deve ter uma madrugada com pouco vento. A virada no quadrante do vento deve trazer ventos marítimos para boa parte do estado de SP e RJ, com formação de nebulosidade baixa ao longo da madrugada o que pode frear quedas maiores na temperatura. A umidade relativa do ar estará mais alta em todo o estado de SP em relação a ontem, indicativo de advecção de umidade. Contudo, regiões mais elevadas principalmente na Mantiqueira, terão umidade relativa mais baixa e menor quantidade de vapor na coluna atmosférica, o que sugere que a próxima madrugada seja tão ou mais fria que a última no extremo sul de MG. Regiões norte e oeste de SP, além do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, também tem chances de ter as marcas de hoje batidas na próxima madrugada.
  11. Mínimas hoje na porção central e norte de SP: 0,9°C Itirapina¹ 1,5°C Cordeirópolis¹ 1,7°C Mococa (Faz. Varginha)³ 1,8°C Corumbataí¹ 2,0°C Descalvado¹ 2,2°C São Simão¹ 2,6°C Vargem Grande do Sul¹ 2,9°C Barretos¹ 3,1°C Borborema¹ 3,1°C Ituverava² 3,3°C Pradópolis² 3,6°C Gavião Peixoto (Maringá)³ 3,6°C Ipeúna¹ 3,6°C Miguelópolis¹ 3,8°C Colina¹ 4,2°C São José do Rio Pardo¹ 4,6°C Pindorama¹ 4,6°C São Carlos² 5,3°C Araras¹ 5,3°C Mococa¹ 5,4°C Analândia¹ 5,5°C Batatais¹ 5,5°C Divinolândia¹ 5,5°C Ibitinga² 5,7°C Nuporanga¹ 5,8°C Brodowski¹ 5,9°C Rio Claro¹ 6,4°C Ribeirão Preto¹ 8,1°C Colômbia¹ ¹ IAC/Ciiagro; ² INMET; ³ PWS Em Matão fez 3,6°C, superando a marca de ontem, mas sem bater os 2,8°C de 2018. Aqui em Itajubá, o vento atrapalhou uma queda maior mas mesmo assim tivemos 4,8°C.
  12. Pense na seguinte situação: numa área existe uma região de topo (A) e uma de baixada (B) logo ao lado. Numa noite de estabilidade, sem vento e sem nuvens, com umidade absoluta constante (quantidade de vapor d'água no ar atmosférico) ocorre perda de radiação de onda longa pela superfície terrestre, e com isso perda de calor. A temperatura cai tanto em A quanto em B. O ar frio é mais denso, então ele tende a escorrer para regiões adjacentes mais baixas. Neste caso, de A para B. Em A não haverá acúmulo de ar frio e a temperatura cairá menos, enquanto em B a temperatura cairá mais. Conforme a temperatura cai, com umidade absoluta constante, vai-se aos poucos chegando na temperatura em que o vapor saturará, que é a temperatura do ponto de orvalho. Mas em A, como a temperatura cai menos, esse ponto de saturação fica mais difícil de ser atingido, enquanto em B, caso as condições de estabilidade permaneçam, a diferença entre a temperatura e o ponto de orvalho ficará cada vez menor, ou seja, umidade relativa mais elevada. Então, podemos concluir que em noites de muita estabilidade há grandes diferenças na umidade relativa entre uma região de topo e uma de baixada próximas. A umidade baixa numa região de topo, em geral, é indicativo de que regiões de vale/baixada próximos estão acumulando ar frio. Espero não ter sido confuso na explicação.
  13. Essa massa polar não é marítima, ela teve ingresso totalmente continentalizado. A diferença em relação ao pulso do final de semana é a posição da baixa/cavado em médios níveis, que está a leste da alta e afetando mais a região Sudeste, mas antes se configurou sobre a região Sul e juntamente com o ciclone impulsionou a alta para o Sudeste. Nos próximos dias, sim, a alta vai adquirir trajetória marítima. ----- Noite muito fria aqui em Itajubá, com 6,8°C. No bairro do Charco, em Delfim Moreira, -4,5°C.
  14. Permita-me responder mais essa, mas o tal do 'efeito baixada' tem duas variáveis importantes: a proteção do vento por elevações ao redor da baixada e o deslocamento de ar frio de regiões elevadas do entorno para a baixada, a brisa de montanha. Em noites calmas, a brisa de montanha tem um peso bem maior.
  15. Madrugada mais fria do ano no interior de SP e sul de MG! Tive mínima de 3,8°C lá em Matão, o segundo menor valor para maio desde o início dos meus registros. Aqui em Itajubá fez 5,2°C, atrás apenas dos 4,7°C de 21/05/2018, sendo que a estação foi instalada em abril de 2010. Amanhã deve bater as mínimas tanto aqui quanto em Matão. E na quinta há uma chance, embora menor, de bater as marcas de amanhã. Mínimas na região central e norte de SP: 2,6°C Cordeirópolis¹ 3,4°C Descalvado¹ 3,4°C Ituverava² 3,8°C Barretos¹ 3,8°C Borborema¹ 3,9°C São Simão¹ 4,6°C Gavião Peixoto (Maringá)³ 4,9°C São José do Rio Pardo¹ 5,0°C São Sebastião da Grama¹ 5,0°C Vargem Grande do Sul¹ 5,3°C Nuporanga¹ 5,4°C Miguelópolis¹ 5,7°C Batatais¹ 5,7°C Colina¹ 5,7°C Pindorama¹ 5,7°C Pradópolis² 5,9°C Ipeúna¹ 6,1°C Barretos² 6,3°C Divinolândia¹ 6,3°C Mirassol¹ 6,3°C Patrocínio Paulista¹ 6,4°C Ribeirão Preto¹ 6,6°C Araras¹ 6,6°C Brodowski¹ 7,0°C Franca² 7,1°C São Carlos² 7,2°C Gavião Peixoto (Embraer)³ 7,2°C Ibitinga² 7,4°C Pedregulho¹ 7,6°C Franca¹ 7,6°C Rio Claro¹ 7,9°C Analândia¹ ¹ Ciiagro, ² Inmet, ³ PWS
  16. Sim, essa elevação tem a ver com o vento. Quando o vento é fraco, só uma brisa, não há turbulência suficiente para misturar o ar frio mais próximo da superfície com ar adjacente ou superior. Com vento moderado a situação muda, ele remove essa camada de ar frio próximo da superfície e mistura com o ar ao redor, fazendo com que a temperatura suba.
  17. Bom, eu tenho teorias que fazem algum sentido. 1 - No caso da Mantiqueira, existe o fator do levantamento de ar forçado pela serra que gera condensação da umidade a barlavento e continuidade do fluxo mais quente e seco a sotavento. E isso é simples de explicar: uma parcela úmida sobe, se expande e resfria a uma taxa de 6°C/km, enquanto que uma parcela seca desce, se contrai e se aquece a uma taxa de ~10°C/km. Essa diferença no lapse rate explica o aquecimento adiabático. Considerando elevações menores em relação ao topo da serra, obviamente o efeito adiabático se torna relativo. Normalmente os fluxos se dão de SW para NE, ou de S para N, ou de SE para NW, ficando Campos do Jordão a barlavento (com temperatura menor e umidade mais alta) e Maria da Fé a sotavendo (com temperatura maior e umidade mais baixa). Hoje temos vento de WNW, o que torna a parte interna da serra (me refiro ao sul de MG) a barlavento e CDJ a sotavento. 2 - No caso de São Paulo, o mesmo quadrante de vento, o ar frio está ingressando de WNW e não por via marítima ou SW como é mais típico. Nestes casos, creio, é possível observar regiões mais ao norte e centro da capital com temperaturas maiores, embora haja o efeito da Cantareira no aquecimento da cidade como um todo. Digamos que nestas situações, como a de hoje, o negócio fica mais "igualitário". É uma teoria, quem tiver outras ou quiser me refutar fique a vontade.
  18. A tarde de hoje foi muito fria para os padrões de São Paulo, Minas Gerais, sul de Goiás e Mato Grosso. O motivo foi a nebulosidade baixa persistente após a passagem da frente fria, e no Triângulo Mineiro, sul de MG, extremo norte e nordeste de SP, sul de GO e sudeste do MT a nebulosidade mais profunda e a chuva contribuíram para manter a temperatura muito baixa. Marília-SP: 13,8°C (17 UTC) Franca-SP: 13,9°C (03 UTC); depois das 10 UTC: 11,7°C São Carlos-SP: 14,5°C (18 UTC) Bauru-SP: 14,6°C (18 UTC) Jataí-GO: 14,6°C (18 UTC) Tupã-SP: 14,6°C (17 e 19 UTC) Presidente Prudente-SP: 14,7°C (19 UTC) Ituverava-SP: 15,1°C (04 UTC); depois das 10 UTC: 13,1°C Campina Verde-MG: 15,5°C (03 UTC); depois das 10 UTC: 14,1°C Mineiros-GO: 15,6°C (17 UTC) Barra Bonita-SP: 15,7°C (20 UTC) Barretos-SP: 15,7°C (20 UTC) Conceição das Alagoas-MG: 15,7°C (03 UTC); depois das 10 UTC: 13,3°C São Sebastião do Paraíso-MG: 15,8°C (03 UTC); depois das 10 UTC: 12,8°C Sacramento-MG: 16,1°C (03 UTC); depois das 10 UTC: 12,5°C Uberaba-MG: 16,2°C (03 UTC); depois das 10 UTC: 12,5°C Uberlândia-MG: 16,8°C (03 UTC); depois das 10 UTC: 13,7°C Varginha-MG: 17,8°C (07 UTC); depois das 10 UTC: 15,0°C (entre 15 e 21 UTC não passou de 14,4°C) Itumbiara-GO: 18,6°C (03 UTC); depois das 10 UTC: 15,8°C (entre 15 e 21 UTC não passou de 14,5°C) Aqui em Itajubá a máxima foi no começo da madrugada com 20,6°C devido ao deslocamento lento do ar frio, mas durante a tarde não passamos de 15,9°C. Em Matão, a menor máxima para maio desde o início dos meus registros: 14,7°C.
  19. Ar frio estabelecido em praticamente todo o Centro-Sul do Brasil e parte sul e oeste da Amazônia. Conforme previsto, áreas do sul do MT, GO, Triângulo e sul de MG, além do norte de SP terão uma tarde úmida e fria para os padrões regionais devido à nebulosidade da frente fria sobre a região. Ao meio dia tínhamos: 11,5°C Franca-SP 12,0°C Uberaba-MG 12,3°C Barretos-SP 12,8°C Jataí-GO 12,8°C Mineiros-GO 13,9°C Itumbiara-GO 15,5°C Patrocínio-MG 15,6°C Campo Grande-MS 17,7°C Goiânia-GO
  20. Sem querer ser pretensioso e nem emocionado, mas em termos de mínimas esta mp (o pulso atual e o aftershock de terça) deve ter marcas menores que as de maio/2018. edit: no sul de Minas Gerais*
  21. Muito obrigado, Flávio! Fico feliz por colaborar! Sobre o trabalho, para quem se interessar: https://revistas.ufpr.br/revistaabclima/article/view/68125/39661
  22. Sem risco maior aos cafezais, mas há chance de geada nas baixadas (em regiões entre 800 e 950m) sim, principalmente de quarta a sexta.
  23. Temos a entrada agora do primeiro pulso da onda de frio, e já são observadas temperaturas abaixo dos 15°C no Mato Grosso do Sul - 13,7°C em Porto Murtinho e 13,6°C em Aral Moreira, mostrando a extrema continentalidade do ar frio. Aqui no Sudeste, a maior preocupação de geral é: a frente vai trazer chuva suficiente? Tirando a divisa de SP com o PR, o restante do estado deve ter acumulados em 24h na ordem de 10-20 mm. Sul de Minas e Triângulo Mineiro devem ter acumulados geralmente entre 5-10 mm, pontualmente mais que isso. Sobre o frio agora, que é o assunto que interessa aos bazianos. Sábado: cavado bem amplificado e quase meridional pegando todo o Sul e parte do MS, além de ciclogênese no litoral do RS, com ainda muita chuva na região oclusa da onda frontal (sul do RS), com volumes passando de 100 mm em 24h. Temperatura em queda ao longo do dia no norte pioneiro do Paraná, em São Paulo, centro-nordeste do Mato Grosso do Sul, sudoeste de Goiás, oeste e sul de Minas. Na região Sul, exceto norte pioneiro do PR, temperatura baixa mesmo durante a tarde especialmente nas regiões mais elevadas (obviamente); por conta do vento oeste, deve ocorrer aquecimento adiabático no litoral de SC, PR e SP mesmo em regiões sob condições de céu encoberto. Importante destacar que não são esperadas condições muito secas no sábado. Domingo: anticiclone transiente bem continental com núcleo sobre o sudoeste do Mato Grosso do Sul e cavado ainda ativo empilhado sobre a alta, mas com força reduzida, na manhã de domingo. Ainda deve chover entre o sul do MT, GO, Triângulo e sul de MG, e extremo norte de SP, permanecendo assim durante todo o dia. A chuva nestas áreas deve tornar a tarde de domingo bem fria para os padrões das regiões citadas. O ar não seca tanto na madrugada de domingo em todo o centro-sul do país, exceto em alguns pontos específicos no oeste do MS e sul de SP, mas mesmo assim a temperatura fica baixa podendo bater os menores valores do ano no oeste e sul paulista. À tarde, a temperatura continua mais baixa mesmo na presença de sol, e deve ser amena em todo o estado de SP com máximas entre 17 e 20°C; há ainda efeito do aquecimento adiabático provocado pelo vento oeste na faixa leste de SC, PR e litoral de SP, além do Vale do Paraíba; o ar seca mais ao longo do dia no MS, SP, sul de MG, PR e SC, além do norte do RS, o que impactará na queda de temperatura entre domingo e segunda. Segunda-feira: devo destacar um novo ciclone extratropical que deve, ao longo do dia, se deslocar de sudoeste para nordeste, ficando próximo do litoral do RS até a noite. Deste primeiro pulso, a manhã de segunda-feira será a mais fria em boa parte do Centro-Sul e também no sul da Amazônia. Durante a tarde a temperatura sobe mais, passando dos 20°C na maior parte de SP. Terça-feira: com a ajuda do ciclone, ocorre um novo ingresso de ar frio e seco sobre o Sul e Sudeste do país, que deve alongar o período frio sobre as regiões inclusive adiando o pico do frio, que antes seria na terça-feira mesmo. É possível, inclusive, enxergar este reforço na mancha marrom e cinza no Uruguai e na Argentina na carta de água precipitável acima; na carta abaixo, a mancha mais cinza (menos vapor d'água) denota o estabelecimento do reforço. Com isso, a tarde de terça deve ser um pouco mais fria que a de segunda, e o efeito do aquecimento adiabático é atenuado por conta deste novo ingresso vir de sul/sudoeste e não de oeste. Quarta-feira: neste dia o "melhor dos mundos" se estabelece sobre a região Sul, e as baixadas de toda a região devem ter mínimas bem baixas em virtude da estabilidade trazida pela nova alta transiente, com um cavado imediatamente a leste e não empilhado. Então: ar frio + estabilidade. Mínimas baixas também em grande parte do Sudeste, com pico no sul de MG, porção sul do MT, GO e até mesmo o DF. Para a cidade de São Paulo, o cenário ideal para mínimas baixas e sem advecção de ar úmido do oceano é até este dia, pois ainda pela manhã o anticiclone começa a maritimizar. Por vários dias na sequência, após quarta-feira, as madrugadas devem continuar geladas na maior parte do Sudeste.
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